José Pacheco Pereira tem um blogue com uma grande quantidade de leitores e uma também considerável produção de posts. Mesmo em Agosto o Abrupto teve uma média diária de visitas acima das 2000. E Pacheco Pereira, em média, escreve cerca de quatro posts por dia. É obra, isto é que é ler e escrever! E no entanto... passeando os olhos por alguns dos posts das duas últimas semanas, nada me suscita um entusiasmo particular. Pode ser que esteja a ser injusto porque há aspectos do blogue de Pacheco Pereira muito interessantes – por exemplo, o nome, o grafismo, a evocação poética dos astros, certos aspectos da sua reflexão sobre a blogosfera– mas ao fazer deslizar verticalmente o elevador ao longo da janela do computador, percorrendo as entradas mais recentes pejadas de posts sobre a actualidade política e cultural tão confrangedoramente superficiais, nada me anima à leitura. O anti-esquerdismo - que na cultura literária se transforma em anti-francesismo -, é tão obsessivo que todos os posts parecem iguais. E eu não preciso de um pretexto muito forte para ler um blogue...
Uma das razões deste meu desinteresse pelos próprios textos não políticos de Pacheco Pereira que, insisto, pode ser injusto num ou noutro caso, tem a ver com o carácter claustrofóbico da sua vida intelectual, a sua falta de abertura ao exterior, apesar de todas as viagens, o seu pequeno dinamismo, apesar de tanta leitura, que não me dá garantias de qualidade. A valorização da inteligência no debate, incluindo a disponibilidade intelectual para perceber diferenças culturais, é o que me aponta, no meio das centenas de blogues, o que vale a pena ler. Em relação à França, Pacheco Pereira, a não ser em ocasionais referências ao governo de Raffarin, está um pouco como parte da extrema-esquerda francesa em relação aos Estados Unidos, é tudo mau. É uma diferença abissal com os meios literários anglo-saxónicos cosmopolitas, como se vê, nestes dias, com a publicação de um artigo na revista New Yorker sobre o anti-anti-americanismo em França.
SÓ PARA SE PERCEBER
a diferença, e para não parecer que digo mal de tudo o que Pacheco Pereira escreve, deixo aqui uma lista de posts recentes do Abrupto que considero de leitura obrigatória: Galileo, Early Morning Blogs 37 I e II, Cosa Mentale, Rentrée Littéraire, Notas Chekovianas 6, Os Europeus e os Media e Tradução inédita de Petrarca por Vasco Graça Moura.
Publicado por andrebelo em | TrackBackBem vindos. Este servidor é mais estável, nunca desliga... :) ainda bem que estão por aqui, porque o blog de esquerda está sempre longe demais :(
Benvindos!
Afixado por: jm em setembro 10, 2003 11:13 AMCá está, o pacheco. outra vez...sempre... todos os dias... apetece cantar "comi baleia ao almoço, comi baleia ao jantar e a merda é que a baleia já me está a enjoar"
o pacheco deve ser um caso psicológico. merecia um estudo. e alguns bloguistas de esquerda poderiam integrar o estudo . no painel dos fascinados. assim como há pessoal que passados muitos anos,informados das purgas, dos crimes, "j'en passe",vibra secreta e profundamente com o nome do camarada josé estaline.
O que tem o nome "abrupto" de especial?
O que tem a template do abrupto de especial?
sinceramente não basta o blogue do pacheco ser relativamente banal (é inferior ao do mexia- lá estamos no mexia outra vez isto parecem silas e caribdis ou o bico do fogão e a frigideira- por exemplo, e há aí outros blogues que assumem uma aitude de direita com reflexões bem mais interessantes e igualmente cultos) mas é ainda por cima necessário passar o tempo a referi-lo?
parte desse fascinio resulta do facto de ele ao contrário da generalidade dos restantes blogs direitistas ter uma prática politica já longa, tornou-se numa espécie de porta voz incontornável do partido no governo,é a voz de intelectual que pelo seu exemplo ensina a lopes a côr politicamente correta das meias, a face de wiseman ou mollah sem turbante que dá crédito e solidez à incompetência avacalhante do governo,
é a voz para onde todos se viram à procura do "tom" a dar à resposta a cada nova situação.
no entanto, como é possivel que se destaquem na imprensa frases tão ... enfim... banalóides do sujeito? graxa? presente envenenado? influências? respondam os teóricos da conspiração...
quando digo que o blog do pacheco é banal não é para desmerecê-lo, seria estupidez negar que o sujeito é muito culto, escreve bem e tem as suas ideias bem de direita que ele com sabido oportunismo aproveita para divulgar escorado no prestigio de uma antiga militância à esquerda, simplesmente é impossivel manter um nivel muito elevado quando se escreve a metro e em principio se tem uma profissão e eu posso estar enganado mas dá-me a sensação que o pacheco tem várias profissões, para além dos cargos politicos, das tarefas partidárias, da presença nos mais variados media esquerdistas, para já não referir as viagens de avião, possivelmente de subaru impreza, de bmw, de TGV (enfim um hino à tacanhez e hipocrisia intelectual dos franceses...)
riquexó, de liteira, de canoa, de kayak enfim o portátil,o telemóvel sempre à mão, do rovuma ao maputo calculo que ele esquisse num caderno moleskine impressões dos lugares, fotografe as gentes e a arquitectura, faz-me lembrar um sujeito que eu conheci que também desempenhava imensas tarefas profissionais e que um dia quando alguém resolveu fazer as contas à soma das horas que ele cobrava pelas diferentes tarefas ao fim do mês, dava mais do que 24 horas por dia. era despesa a mais. incomportável. sabemos dos mitos que rodeiam os grandes homens mas um minimo de bom senso e cálculo de probabilidades ajudam-nos a ter uma perspectiva realista deles por muitos que sejam os seus méritos.
ele dantes ainda dormia no tempo em que agora pelos vistos bloga, mas agora o resultado está à vista.
Estar num tal estado de alerta mais de 24 horas por dia também cansa uma pessoa ao fim de uns meses, e ele já anda nisto há bastantes.É quase uma tortura do sono auto-imposta e sabemos que a tortura do sono mesmo auto-imposta pode provocar delirios e miragens nas vitimas sobretudo quando eventualmente estimuladas por substâncias (o chamado doping comum também aos ciclistas e outros stakhanovistas da produção intelectual) destinados a prolongar o estado de vigília e os delirios por consequência. Daí talvez que o povo dissesse na sua infinita (enfim...) sabedoria (repito o que me contaram...) que "salazar não dorme". Por causa dos delirios, e a história
infelizmente ameaça repetir-se.
claro que se apreciam as paricipações eruditas do vasco graça moura, e mesmo alguns textos do pacheco mas isso é para o pessoal que lá passe por acaso descobrir, é para ser assinalado porventura por blogs de "vocação" mais cultural e eventualmente também nos blogs de esquerda, o que eu agradecia se tal fosse possivel, era um pouco mais de parcimónia, referi-lo sem duvida, mas quando ele disser algo de relevante ou o pacheco acaba por tornar-se - será essa a ideia?- num daqueles fenómenos de massas como o caso reinaldo, as cassettes do taveira, o momento de ódio irracional que perpassou pela direita democrática portuguesa contra o eanes, etc...
"paricipação" foi gralha mas avaliando melhor acho que vou passar a usá-lo como neologismo "paricular"
Afixado por: tchernignobyl em setembro 11, 2003 12:04 AMfinalmente uma janela de comentários decente.
foi "custom made?"
unico senão (sempre a mesma coisa...) , é ter de se voltar sempre a escrever nome e e-mail nos campos de identificação.
O que tu querias mesmo era um comentário-blogue.
Tcherne: apreciando tanto os teus comentários, há aqui uma contradição, como se apreciam comentários de postes enfadonhos ?
Tcher Real, são como diria um bem sucedido poeta oriental "contradições no seio do povo"
abraços