outubro 07, 2003

História de Martins da Cruz contada às crianças

Era uma vez um senhor que queria ser primeiro-ministro. Esperou, esperou. Mas, entretanto, tinha de trabalhar para ganhar dinheiro. Houve um senhor muito bonzinho, dono de um banco, chamado Ricardo Salgado, que lhe arranjou um emprego. E houve outro, também muito bonzinho, que o deixou, a ele e alguns amigos dele, trabalharem na Universidade dele.

Alguns anos depois, o senhor que queria ser primeiro-ministro conseguiu finalmente cumprir o seu sonho. E como estava muito agradecido ao senhor da Universidade, deu-lhe um lugar de ministro. Mas o senhor da Universidade tinha uma filha de quem gostava muito, mesmo muito. A catraia estava sempre a arranjar-lhe problemas. Ficava na casa das embaixadas mesmo depois do pai ir embora e a casa já não ser dele, queria ser médica, mesmo não tendo notas para entrar na Universidade. Como o senhor que já era ministro gostava muito dela, fazia-lhe sempre as vontades. Foi assim que pediu a um outro senhor para fazer uma lei só para ela. O outro senhor queria trabalhar lá no ministério e sair dum emprego fraquinho que tinha, com um ministro que tratava das universidades e que era um bocadinho totó.

Então, esse senhor que estava à procura de um novo emprego fez tudo para a menina entrar na Universidade. Foi muito mau e enganou o seu chefe, de quem era amigo há mais de 30 anos e que lhe tinha dado aquele emprego que, sendo fraquinho, era honesto. Mas a menina era muito traquina e quando conseguiu entrar na Universidade disse aos amigos. Os senhores das televisões ficaram a saber tudo e foram contar a toda a gente.

Quando isto se soube, o chefe do senhor que queria um emprego novo teve de dizer que a culpa era dele e despedir-se. O pai da menina disse que, palavra de honra, não tinha nada a ver com a história. E o primeiro-ministro não se esqueceu quem o ajudou quando precisou de ajuda. Por isso não mandou embora o pai da menina. A menina, coitadinha, é que teve de ir estudar para o estrangeiro.

Moral da história: Para o mal e para o bem, pensa sempre a quem dás emprego.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

Excelente, Daniel. Só o final precisa de ser mudado. «E afinal não viveram felizes para sempre. Palavra de honra!»

Abraços.

Afixado por: Miguel Marujo em outubro 7, 2003 05:56 PM

Parabéns!

Afixado por: joe dalton em outubro 7, 2003 05:57 PM

Mais uma vez, muito bom.

Afixado por: Maria Ribeiro em outubro 7, 2003 11:56 PM
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