Têm sempre certezas e quase sempre a certeza do momento. No passado, não questionaram os livros que leram, as palavras que gritaram, as frases que citaram. Mas veio o dia em que se quebrou qualquer coisa neles. Questionaram-se uma vez e foi um mundo inteiro que se desabou. Com o horror da dúvida, da incerteza, da busca, procuraram desesperadamente outra certeza. Agarraram-na com a mesma ortodoxia de sempre, a arrogância do costume, apenas com outros inimigos. Aos sectários, pode-se lhes mudar os ídolos, mas não se lhes muda a cabeça.
Ganharam um ódio patológico pelo seu passado, como Dorian Gray, quando olha para o seu retrato. Não imaginam que os que estão do outro lado possam ser diferentes do que eles foram. Eles sabem o que a casa gasta. Eles sabem o que os outros são, comeram na mesma mesa, do mesmo prato. Olham para os estudantes e lembram-se. Olham para a esquerda e lembram-se.
Desprezam o presente de tantos, porque desprezam o seu próprio passado. Querem apagar da sua memória e da memória dos outros as certezas inabaláveis que tinham. E um estranho padrão há em tudo isto. São quase sempre os mais sectários de cada família que com mais ódio a renegam. E os convertidos, já se sabe, precisam sempre de mais fé e fervor que os cristãos de sempre.
Em nenhuma metade das suas vidas conseguiram estar do lado de quem era perseguido, e querem que outros carreguem o fardo dos seus remorsos.
Quando lhes cheira o sangue logo mordem, para mostrar que estão na linha da frente, sempre na vanguarda da vanguarda, seja quem for a sua retaguarda. Ir à frente, ser o primeiro, para que não duvidem do seu novo papel histórico.
Detestam a contestação dos estudantes porque não entendem como podem eles ter mudado e haver ainda quem se engane.
É esta geração de vencidos, de convencidos, que tem conseguido a hegemonia da opinião em Portugal. Não têm a história de Álvaro Cunhal ou Mário Soares, escapou-se-lhes a revolução, não querem perder a normalização. Queriam ser os "vencidos da vida". São só os convencidos da vida. Porque falharam nos seus sonhos, querem que tenhamos vergonha, por eles.
"Quando lhes cheira o sangue logo mordem, para mostrar que estão na linha da frente, sempre na vanguarda da vanguarda, seja quem for a sua retaguarda. Ir à frente, ser o primeiro, para que não duvidem do seu novo papel histórico."
Isto não é o que fazes aqui, diariamente?
Mas tudo tem o seu tempo...
Quando Silva Marques abandonou o pensamento ou a mundividência totalitária havia um tempo, em 1989 a dissidência de Zita Seabra é outro tempo.
A academia de 62 não é igual à de 69 e por aí fora.
Com mais propriedade se poderá chamar "convencido" a quem nunca mudou de posição do que áqueles que, quando convecidos do que defendiam estava errado, as alteraram.
Se o que dizes é verdade o teu próprio partido está cheio de "convencidos da vida. Como consegues conviver com eles?
Afixado por: Miguel em outubro 15, 2003 09:06 AMMário Soares, o vencido que diz, ficará na história, nem que não seja por permitir que depois de ter ocupado o mais alto cargo em Portugal, se andar a arrastar em Bruxelas sem ocupar cargo digno da sua história. Lembra-se das suas críticas ao Papa? Devia usá-las aqui.
Qunato ao resto, juro que nunca esperei ver isto. Quem não concorda que se cante o hino e se hasteie a bandeira na escola, vem criticar os que "desprezam o seu próprio passado"....
Meu caro, leia a história toda, desde a fundação de Portugal, onde com um golpe de estado se implantou a república, onde pessoas morreram por uma bandeira que agora, graças a pessoas do seu partido, anda escondida.
Quanto aos estudantes tem razão no ponto (não na forma).