outubro 26, 2003

O benefício da dúvida

A nomeação do Fernando Lima para a direcção do DN tem deixado muita gente indignada. O próprio Conselho de Redacção do jornal já exprimiu a sua desconfiança em relação às razões dessa escolha. Mas deixem-me que vos diga que há uma boa dose de hipocrisia (ou, pelo menos, precipitação) nesses reparos. Quantos jornalistas de mérito é que já não fizeram o vai-vem entre as redacções de jornais e os gabinetes ministeriais ou as assessorias partidárias (olá Daniel)? O Fernando Lima, que tenho o prazer de conhecer pessoalmente, não se distinguiu apenas por ter sido assessor de imprensa do Cavaco e do Martins da Cruz. Quem se interessa pela história contemporânea portuguesa sabe que ele é o autor de dois dos raros livros de referência sobre Macau (Macau: as Duas Transições, 1999) e Timor-Leste (Timor: da Guerra do Pacífico à Desanexação, 2002). Eu, por mim, dou-lhe o benefício da dúvida.


Publicado por pedrooliveira em | TrackBack
Comentários

Pedro Oliveira tem razão. Fernando Lima não se notabilizou apenas por ser assessor de Martins da Cruz - funções que cessou há apenas 3 semanas com a famosa saída do ministro.

Fernando Lima também foi, durante 10 anos, assessor político de Cavaco Silva. Um passado pouco discreto pelos "gabinetes ministeriais" laranja que, convenhamos, parece ter merecido mais crédito na sua nomeação do que a autoria "de dois dos raros livros de referência sobre Macau e Timor-Leste".

Afixado por: Pedro Sales em outubro 26, 2003 04:07 PM

Que estranheza esta. Então isto não é na linha do nosso pensamento de que a Beruscolonização
da comunicação social é um dado adquirido? E o
resultado está à vista. Espero bem que esses tentáculos não cheguem aqui.

Afixado por: rajodoas em outubro 26, 2003 07:18 PM

O Pedro Oliveira tem muita razão. Na verdade, tornar o DN mais laranja do que ele já é, revela-se uma tarefa complicada.
Quanto á hipocrisia não entendo. Eu - e como eu julgo que muitos mais - acho imoral a nomeação de acessores de governantes para a direcção de um jornal, quer eles sejam de direita ou de esquerda. Onde está a hipocrisia?
A administração do grupo PT é que sabe se quer acabar de vez com a já depauperada isenção do jornal. Será que aos accionistas do grupo está reservado o papel de espectadores?
Não parece estranha a cada vez maior aproximação dos orgãos de comunicação do grupo PT ao governo? E por sua vez a protecção que o governo dá aos interesses deste grupo?

Afixado por: JTM em outubro 26, 2003 07:37 PM

É "apenas" mais um passo de gigante na instrumentalização da imprensa, são estas pequenas coisas que visam a eternização de um poder de direita, mais polido que outrora, com um ar de democracia, mas o resultado é igualmente devastador para nós todos.

Afixado por: mijanaesquina em outubro 27, 2003 03:52 PM

se o pacheco diz mal é porque o homem deve ter algo de bom.
talvez o próprio pacheco queira ser director do dn quem sabe? apenas por uma questão de pedagogia. já chega de jornais enfeudados à esquerda e o dn nisso temos de admitir que tem abusado bastante.

Afixado por: tchernignobyl em outubro 28, 2003 09:01 PM
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