novembro 07, 2003

Gratidão e mérito

Quando eu ouço gente bem-intencionada, uns mais outros menos, de direita e até de esquerda, muito preocupados com o egoísmo dos estudantes que não querem pagar propinas e assim não permitem trazer justiça social para o sistema de Ensino Superior, a primeira coisa que eu penso é: mas quem lhes encomendou o sermão? Eu, irmão mais novo de cinco licenciados, todos filhos de um casal de camponeses migrantes do Ribatejo, ela com 3 anos de escolaridade, ele com seis, é que não fui de certeza. E nos dez anos que levamos de questão das propinas, nunca ouvi ninguém de classe baixa ou média-baixa pedir que os seus colegas mais abonados paguem propinas. Só quem se preocupa com isso são as nossas boas almas das elites com "consciência social".

No meu caso, a razão é simples: gratidão. Pode dizer-se de tudo (e normalmente diz-se) do ensino pós-25 de Abril. Que é mau, que seja o que vocês quiserem. Aquilo que não se pode dizer é que ele tenha promovido a desigualdade social. Não é perfeito: mas não peçam aos pobres e remediados deste país que troquem a única coisa que funcionou para eles, por qualquer coisa que tem grandes hipóteses de vir a funcionar contra eles.

O Ensino Superior de propinas baixas permitiu dar uma machadada no apartheid social em que este país vivia. Isto é uma coisa pouco lembrada, mas geneticamente gravada nas memórias de gente como eu e muitos como eu. É verdade: para quem não saiba, antes do 25 de Abril vivia-se de facto em apartheid. Antes do 25 de Abril, um dos meus irmãos disse que gostaria de fazer medicina. Isto provocou escândalo e escárnio, com os patrões dos meus pais a avisá-los do ridículo que era deixar o rapaz ir para o Liceu, porque isso lhe podia dar mesmo ideias de que era possível entrar para a Faculdade. Quando eu ouço o argumento de que Portugal não pode ter só engenheiros e doutores, vejo que esta mentalidade ainda sobrevive, mais ou menos bem-intencionada.

O 25 de Abril e as propinas ridiculamente baixas inverteram esta situação. O meu irmão entrou em Medicina em 1975. Mas isto tem pouco tempo e não foi logo para toda a gente: só em 1990 entrou o primeiro jovem da aldeia natal da minha família, filho daqueles que não migraram, directamente para a Universidade. Hoje em dia, se ele quiser fazer o mestrado, a situação já regressou ao que era dantes. O mestrado para ele será um luxo. Os filhos dos colunistas com preocupações sociais fazem-no quando acabam a licenciatura. Ele, se o quiser fazer, vai ter de trabalhar durante uns anos, e depois partir atrasado, voltar a estudar mais velho, manter um emprego e o mestrado ao mesmo tempo. À atenção de quem acha que as propinas vêm nivelar o terreno de jogo: ponham os olhos nos mestrados, onde o contrário sucedeu.

Finalmente, o sistema do 25 de Abril, vilipendiado por todos os bem-pensantes, ensinava outra palavra que anda prostituída na boca de toda a gente: mérito. Trata-se do único sistema meritocrático que alguma vez tivemos no nosso país. As famílias já "participavam com qualquer coisa para os custos do ensino", como se diz. O acordo era este: nós [Estado] damos a Universidade, boa ou má, o que se puder arranjar. Vocês [cidadão] pagam todo o resto; alojamento, transporte, livros, etc. Os filhos da classe média-baixa e baixa sabiam as regras do jogo: tem boas notas, entra na Universidade Pública da tua cidade, e poderás fazer um curso. Se não, não.

Isto é pouco lembrado: os jovens que lá estão tiveram melhores notas do que os outros. Não merecem nada em troca? Então como poderemos ensinar-lhes o mérito? Quando o Prof. Sobrinho Simões, por exemplo, defende que as propinas em Medicina sejam mais caras para o curso ganhar qualidade, eu só me pergunto: então estes miúdos, pobres ou ricos [estou-me a cagar, como diria Ferro], que tiveram médias de 18 num país destes que tem falta de médicos, merecem pagar mais do que os outros?

Esta vai de raiva. Mas nada me irrita tanto como as boas intenções sociais (mesmo, e se calhar até principalmente, à esquerda) quando elas vêm envoltas em tanto raciocínio confuso. E nestas alturas, nada me dá tanto orgulho como ser filho do 25 de Abril.

Publicado por ruitavares em | TrackBack
Comentários

Santos da casa não elogiam posts. Mas eu elogio pela primeira vez. Regressar ao essencial é o mais dificil.

Afixado por: Daniel Oliveira em novembro 7, 2003 07:10 PM

deve haver gene metido nisto!... excelente... subscrevo na íntegra...

Afixado por: hmbf em novembro 7, 2003 07:15 PM

excelent... como vai felizmente sendo hábito.
apenas uma nota mais ... choca-me um bocado ver por vezes defensores da teoria do "egoismo", rapazitos que beneficiaram da democratização pós 25, beneficiaram da ausência das propinas, tiraram os seus cursos, e agora já relativamente a salvo, a doutorar-se muitas vezes em universidades no estrangeiro, passam-se para o campo dos "responsáveis". degradante.

Afixado por: tchernignobyl em novembro 7, 2003 08:01 PM

Será possível imprimir o texto e distribui-lo no próximo debate parlamentar, no próximo debate televisivo sobre o tema, nas redacções dos jornais onde os colunistas fazem opinião, nas próprias RGA's...? Eu acho que seria uma excelente ideia para um excelente texto.

Afixado por: Sara Figueiredo Costa em novembro 7, 2003 09:51 PM

Todos sabemos que nos EUA só os filhos dos ricos tiram cursos superiores... ou seja 40% da população (a percentagem mais alta de todos os países desenvolvidos).

Afixado por: Pedro Beirão em novembro 7, 2003 10:33 PM

Obrigado Barnabé
Importa cada vez mais que haja vozes críticas à esquerda. Este país está cada vez mais parecido com um que pensávamos ter desaparecido em abril de 1974, o acesso ao ensino é uma das poucas conquistas que ainda resiste, daí o engulho que provoca a certos personagens. O que por aí há mais são arautos do fascismo mascarados de modernidade, como o imbecil José Manuel Fernandes que ontem assinava um editorial vergonhoso sobre esta temática.
Saudações bloguistas

Afixado por: mijanaesquina em novembro 7, 2003 10:56 PM

parabéns barnabé, foi a primeira vez que li o teu blogue e desde já fiquei deveras impressionado com o teu raciocínio e lógica. pensei que era eu a escrever estas opiniões. infelizmente não consigo ter um blogue meu devido aos custos mensais da net em portugal, isto também é uma vergonha, pois assim também permitiria a partilha de mais opiniões que não a de pessoas que já ouvimos a toda a hora na comunicação social. qual a tua opinião sobre a passagem de jornalistas de imprensa escrita para jornalistas de tv´s? obrigado e um abraço caloroso

Afixado por: joão martins em novembro 8, 2003 12:06 AM

A melhor argumentação que li contra as propinas nos últimos anos.
Parabéns.

Afixado por: João Caramalho em novembro 8, 2003 01:52 AM

(...) e até de esquerda (...). Essa é fixe, lá por se ser o senhor Rui acha que não se tem o direito pôr os nomes aos bois. Filho do 25 de Abril, acredito, nunca me cruzei com semelhante alma lá na choça.

Deslumbrem-me porra...

Mote principal: “Não pagamos”.
É curto, muito curto. Esperava que dissessem que esta universidade não serve porque está desligada da realidade. Esperava que proclamassem que esta universidade não serve porque vive olimpicamente fechada sobre si mesma, ignorando, regra geral, o local e a região onde está instalada. Esperava que se insurgissem contra o facto da maioria dos cursos existentes estarem descontextualizados do mercado de trabalho. Esperava que se rebelassem contra esta universidade por continuar a produzir funcionários “doutores” cinzentos para um país cinzento. Esperava que propusessem uma discussão séria e alargada sobre a universidade que faz falta na construção de um país a cores.
Nada disto, antes pelo contrário. Continuam apenas bem trajadinhos e defensores de práticas iniciáticas do tempo da maria cachucha, verdadeiramente ofensivas da dignidade a que cada um tem direito. Quanto a reclamações, ficamos pelo “não pagamos” aconchegado de mais uma mão mal cheia de ideias atamancadas, manifestas sob a forma de uma fotocópia truncada de um tempo em que ainda não havia fotocópias.
Onde deveria haver pujança, rebeldia e ideias inovadoras, há apenas um reflexo de uma anquilosada juventude desentendida com um país igualmente desentendido consigo próprio. Vamos longe!

Afixado por: Isidoro de Machede em novembro 8, 2003 02:14 AM

também eu esperava por muita coisa deste ministério da ciência e ensino superior, mas aparentemente a primeira (e às vezes parece que única) coisa de que a universidade precisa é de aumentos de propinas. ah, e outra coisa: precisa de outros estudantes. porque não comprá-los noutro país?

Afixado por: rui tavares em novembro 8, 2003 04:38 AM

Parabens

As propinas são um dos outros meios para a escravização social mascarada, pois esses senhores e senhoras que criam estas leis são os mesmos que têm prazer em ajudar os coitadinhos, os idosos, os aleijados,etc. Criam leis e injustiças sociais para demosntrarem depois benevolência podre e falsa para os desgraçados da vida que eles próprios ajudaram a criar.

Afixado por: Diogo em novembro 8, 2003 07:43 AM

Assustam-me tantos bons e generosos filhos do 25 de Abril, tanta raiva contra os ricos e os seus filhos, contra a permanente injustiça deste detestável mundo que, afinal, nos permite aqui escrever. Afinal haverá algo a pagar, não? A propina deve ser paga, não? É só saber qual o valor justo, não? Senão caimos na demagogia que já vi ali em cima de protestar contra os custos da net: que seja de borla, para os filhos dos pobres poderem blogar!
Só me admira é que estes estudantes, que tanto se indignam com 800 Euros/ano, se puderem vão fazer uma qualquer pós-graduação no estrangeiro. E aí pagam contentes, arranjam bolsas, qq coisa... deve ser para se passar para "o outro lado"...

Afixado por: Gasel em novembro 8, 2003 10:56 AM

Brilhante senhor Tavares, brilhante, quase que ia jurar que desde que veio lá da sua santa terrinha para vir formar fornadas de futuros e lustrosos “doutores” (e eu a pensar que o senhor era da venda de produtos de contrafacção na feira de Carcavelos, por alguma coisa foi...), que o senhor Tavares não devia ter parido uma tão excelente ideia. As parcas ideias do senhor Tavares deve ter a ver com o ozono da grande urbe, tá a ver senhor Tavares se o senhor Tavares tem ficado lá pela sua santa terrinha, ainda certamente com escassez de ozono, teria um manancial de ideias brilhantes e, quiçá, até poderia chegar a presidente da Câmara senhor Tavares. E depois já viu o afago no ego que era ouvir os munícipes: esperto o moço Tavares, rasinho de ideias o moço Tavares e subiu a corda da vida a pulso. E depois senhor Tavares, espéculo tá a ver, não tinha misturado o seu aristocrático sangue de filho do 25 de Abril com degenerados da grande urbe, possivelmente, filhos do 24 de Abril, e, possivelmente, teria casado com uma moça rosada daquelas criadas à mão e a campo igualmente filha do 25 de Abril. Que belo casal senhor Tavares, o senhor Presidente da Câmara e a primeira-dama filhos do 25 de Abril. Mas voltando à vaca morna, compramo-los, pois claro senhor Tavares, e já agora faça-me uma pequena vontade, não daqueles com fixações nas fardinhas do século XVIII e de torturarem e vexarem os mais pequenos, é que tá a ver, gastam as energias todas nesses extras e depois ficam sem nenhumas para as sebentas. Agora proposta minha senhor Tavares: compramos também um lote de ministros com o primeiro incluído, daqueles novinhos em folha, finaços, filhos do 25 de Abril, marxistas sem hífen (não sei se o Louçã estará de acordo com o Cunhal quanto ao hífen, ele ainda tem aquela pontada da 4ª internacional, não é), que aguentem governar por muitos e bons anos. É que sabe senhor Tavares, assim evitamos que o senhor Tavares vá parar a ministro daqui por uns anos.

PS: deixe o 25 de Abril em paz senhor Tavares!

Afixado por: Isidoro de Machede em novembro 8, 2003 03:14 PM

Vamos ver se não me esqueço de nada.
Concordo na generalidade com o post, acrescentando apenas mais uns dados que julgo relevantes na parte em que se refere aos mestrados.
Hoje em dia, na maioria dos cursos de Ciências (Matemática, Química, Biologia, Física), os mestrados são a maneira das pessoas que acabam esses cursos terem alguma coisa que fazer. É verdade. Porque simplesmente não há quem queira contratar um licenciado para fazer aquilo que andou a 'aprender' na Universidade. É demasiado caro. E a esperança dos mestrandos é terem depois alguma Universidade que abra um concurso de admissão de pessoal. Mas parece-me que a situação dos mestrados vai-se alterar, passando toda a gente a ter bolsa. E acho bem.
Quanto ao senhor Isidoro, está a confundir propinas com praxes (compreendo a confusão, começam ambas por 'p'), o que, quando os argumentos acabam, é sempre uma boa táctica .
A táctica da diversão.

Afixado por: ricardo em novembro 8, 2003 04:17 PM

Claro que é perfeitamente irrelevante que depois de sairem das universidades se calhar não tenham emprego porque elas não formam em função do que é necessário.

Afixado por: Mário em novembro 8, 2003 04:35 PM

Absolutamente fantástico! Aplaudo com todas as minhas forças, este é de longe o melhor texto que li sobre o assunto!
Não entendo como pode haver "pessoas" de tal maneira estúpidas que possam discordar disto.
As propinas não fazem justiça social coisa nenhuma, para isso servem os impostos (que ainda por cima são mal aplicados), a educação é direito básico de uma pessoa. Não se lhe deve exigir dinheiro, para além do que paga em impostos, para ter direito a este serviço.

Afixado por: _achtung_ em novembro 8, 2003 04:43 PM

A minha opinião, por muito politicamente incorrecta que possa parecer, é a de que o Estado devia tornar o ensino superior totalmente gratuito. Em contrapartida, os estudantes deviriam esforçar-se ao máximo para tirar boas notas e acabar o curso no menor tempo possível. Caso isto não se verificasse, os estudantes deveriam ser severamente punidos com o pagamento de pesadas multas, caso quisessem continuar a estudar. Seriam, evidentemente, excepções a esta regra, os estudantes que por motivos de força maior (acidentes, doença prolongada, etc...), devidamente justificados, não conseguissem completar o seu curso no tempo limite.

Afixado por: _achtung_ em novembro 8, 2003 05:00 PM

caro senhor isidoro de machede: só duas notas.

1) Não sou um fundamentalista anti-praxe (ao contrário, creio, de outros barnabés). Mas nunca praxei ninguém e cheguei a interromper (com outras duas pessoas) uma praxe especialmente humilhante na minha faculdade. Digo-lhe que não foi um momento fácil aquele de interromper o divertimento básico a uma multidão frustrada.

2) Não sou marxista. Curiosamente sou até um anti-marxista um tanto primário, e isto desde os meus treze anos.

Corolário: nada do que eu escrevi poderia dar a entender que eu tivesse opiniões contrárias às que eu resumo acima. Não o digo com o intuito de me justificar ou desculpar de qualquer coisa, até porque o meu texto não tinha nada a ver com qualquer destes assuntos. Digo-o apenas para que veja como essa personagem contra a qual você teve o seu divertido ataque histérico nasceu exclusivamente dentro da sua cabeça. E é só.

Afixado por: rui tavares em novembro 8, 2003 05:37 PM

Boa noite.
Temos lido os comentários a esta posta com quase tanto interesse como o dispensado à posta.

Não gostámos que o sr. Tavares se arvorasse em 'filho do 25 de Abril'. É um lugar comum que não quer dizer quase nada. Mas pronto... Sempre dizemos que aqui na Planície, o gado perdido no Campo de Ourique tomava o nome de 'gado do vento'... Ambas são expressões abrangentes e de efeito lírico convicente...
Concordamos com o comentário do autor do Alentejanando: 'Surpreendam-nos!'
É mesmo isso.
As questões andam desfocadas. Os grandes conluios, assumimos esta expressão, não são os expostos. E, toda a mole que ganha alguma coisa com esta situação se põe de lado esfregando as mãos.
O Estado (com maiúscula) tem alguma razão. Mas os seus representantes políticos são objectivamente culpados da situação a que se chegou.
Os moços que vemos nas imagens a portar-se como babuínos, chamando traidores a Reitores, etc., são fruto de um esquema que não pode parar... Mas devia!
A quem é que aproveitam as múltiplas reformas de ensino que se sucedem sem ter sido verdadeiramente avaliadas?
O que é que fazem milhares de ditos professores nos edifícios do Ministério da Educação?
O que é que fazem?
Entretêm-se com reformas?(Vem aí outra...)
A quem é que servem estes cursos superiores?
Aos moços mal preparados e sem noção de qualquer tipo de regras?(Coitados...)
Os estudantes estão a lutar pelos seus interesses?
Estarão?
Os eventuais leitores deste comentário sabem quantas Eses existem?
Sabem para quê?
Sabem que existe um excesso confirmado de professores e que apesar disso as Eses continuam a aceitar estudantes com notas negativas e tudo?
Sabem porque é que os sindicatos de professores são verticais?
Alguém saberá?
O interesse de um Professor do Primeiro Ciclo será igual ao interesse de um professor de uma Ese, por exemplo?...
Se um jovem tira um curso sem saída profissional a culpa dessa situação caberá exclusivamente ao Estado?
Nestas circunstâncias?
Adiante...

Diz o senhor Tavares que o seu irmão se licenciou em Medicina. Entrou na faculdade em 1975 e, se não fosse o 25, não teria entrado.
Aceitamos esse argumento com reservas...
A massificação do ensino não ocorreu com o 25, ocorreu com o Veiga Simão que, surpreenda-se, já propôs a actualização das propinas...
Mas continuemos...
Supunhamos que o seu irmão tirara uma qualquer especialidade.
Supunhamos que dava consultas particulares no seu consultório, ou, ainda mais interessante, se bem que não raro, dava consultas privadas nas instalações do Hospital.
Estaria a explorar o 'Zé'... ou não?...
Estaria a explorar o Zé que lhe tinha pago o curso...
Aliás, o seu irmão, provavelmente está contra o numerus clausulus absurdo para medicina. Mas a Ordem Profissional a que o seu irmão pertence não está.
Está a ver os interesses esquisitos que os moços defendem?...Han?

Ainda hoje estivémos à conversa com uma rapariga excelente aluna da Faculdade de Letras. A maior parte dos grevista só não boicotam as esplanadas...
Garantiu-nos.

Sem raivas, com amizade,
cumprimentos,

Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em novembro 8, 2003 07:43 PM

Eu, comum humano com um QI apenas suficiente, dobro-me em reverência perante a precocidade dos seus treze anos. As ideias que o senhor Tavares alinhava, cose e passa a ferro são bafejadas por esse extraordinário génio.
Estamos entendidos senhor Tavares.

Afixado por: Isidoro de Machede em novembro 8, 2003 08:39 PM

Caro Rui Tavares
Eu, filho de um pescador com a quarta classe, tirei um curso superior graças a uma bolsa de estudo e à estadia numa residência universitária. Se muitos dos que por lá andavam pudessem pagar para que as bolsas fossem mais dignas, era justo que pagassem.
Ah! sou de esquerda e é assim que encaro um procedimento da mais elementar justiça social. Infelizmente, não há almoços gratis.

Afixado por: Real em novembro 9, 2003 12:41 AM

há um erro de má fé básico neste post (para além da argumentação obliqua habitual): as pessoas que são a favor das propinas acham que só deve pagar quem pode. Todo o texto infere que a nossa (dos que são a favor das propinas) posição se baseia num modelo que aplicado à nação desde o 25 de Abril provocaria que ninguem cujos avós são analfabetos e os pais quase nem conseguem ler estaria irremediavelmete afastada de um curso universitário... o que, como até vocês são capazes de perceber, é mentira. sucederia apenas que nessa altura só pagariam propinas um por cento (as pessoas que nessa altura tinham dinheiro para tal) da população estundantil e agora, graças ao capitalismo selvagem, mais de metade poderia pagar....

Nota: o texto do Diogo é hilariante.... vou já guarda-lo

Afixado por: maradona em novembro 9, 2003 03:17 PM

eu não percebo bem qual é o problema de se ser fundamentalista anti-praxe.

Afixado por: tchernignobyl em novembro 9, 2003 08:24 PM

Nem eu. Será que é melhor ser um fundamentalista pró-praxe?

Afixado por: J em novembro 10, 2003 12:09 AM
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