Graça ao Cruzes Canhoto, ficámos a conhecer o hino da Nova Democracia.
O refrão não traz dúvidas: «Nova Democracia/traz a alegria/de mais Portugal por cada um/de mais Portugal por todos nós.» Muito Portugal para haver muito para cada um. Está certo, mas antes de seguir, queria desde já informar o dr. Manuel Monteiro que prescindo da minha parte. Não me julgue mal, não é falta de patriotismo, mas já tenho problemas que cheguem.
Mas as coisas pioram aqui: «Participar e ser feliz e ser igual/e ter mais pão mais sol mais sal/e vida nova e sã.» Mais sol percebo, ok, é bom para o turismo. Mais pão, também. Não chega para uma alimentação equilibrada, mas é o mínimo. Mas mais sal? Para quê? Para pôr no pão? Acha que isso nos trará uma vida sã? Uma vida nova? Adoro açorda, mas estou aí a sentir a falta do ovinho.
E a complicação continua: «Nova e justa/nova e sã/começar de novo um novo dia
branco, rubro, azul como a manhã.» Justa, ok. Sã, já vimos que nem por isso. Mas não será um pouco estranho começar de novo um novo dia. Pois se ele é novo não vejo como o podemos começar de novo. Vi um filme, chamava-se «O dia da marmota», que era assim. Um jornalista que começava todos os dias o mesmo dia. Era desesperante. Tão desagradável como pão com sal. Mas vendo bem, se calhar é melhor não sair deste novo dia, porque o dia a seguir, amanhã, portanto, é «branco, rubro, azul». Não me quero imaginar ao espelho, todo branco, rubro e azul. Sei que não me vai agradar.
Resumindo: com Manuel Monteiro, todos os dias o mesmo dia se repete, sempre a comer açorda sem ovo e ouvir a Dina, e, mesmo assim, na esperança que o amanhã não chegue.