O post do André levanta uma questão complicadíssima: como é que nos aturamos uns aos outros. Para esclarecer, nos termos postos pelo André, concordo sem nenhum reparo com ele. Mas antes que ele escreva a sequela, quero dizer algumas coisas sobre a matéria.
Há, nesta polémica recorrente, um limite: o limite dos direitos. Passámos, no Ocidente, séculos a lutar pela libertação de mulher. Quando digo passámos, estou a falar das correntes progressistas e não daqueles que se mostram mais ferozes a defender, contra o infiel, conquistas para as quais não contribuíram nem com uma pinga de suor. Ora, por mim, se não aceito que os ocidentais atentem contra esses direitos, não vejo nenhuma razão para ter um comportamento diferente para com qualquer outro cidadão, estrangeiro ou nacional.
Recuso a ideia de uma escola neutra. Isso pura e simplesmente não existe. A escola do Estado deve incorporar os valores da República: a democracia, a liberdade, a igualdade de direitos, os direitos das minorias, os direitos das mulheres, o direito à criação e à livre expressão de todos. E é este quadro lato, e tantas vezes contraditório, que tem de impor as regras no espaço da educação pública. O que significa que a Escola não tem religião mas aceita todas as religiões e costumes na medida em que estas respeitem estes critérios. Quem não o quer fazer, faz a mesma escolha que exijo aos católicos que me querem impôr as suas regras, maioritários no meu país: as suas próprias escolas.
Tudo isto serve para dizer que não, não concordo que se permita a utilização do foulard na escola pública. Não por ser um sinal exterior de religiosidade. Nada contra. Mas por tornar a mulher, no espaço escolar, em alguém não identificável e por isso inferiorizada. Claro que o bom senso deve comandar a gestão deste conflito. Duvido que os franceses o tenham tido – quase nunca o têm. Mas o limite é sempre este: a defesa de direitos conquistados.
Não sei exactamente de que tipo de véu islâmico estamos a falar (como foi dito mais atrás, há muitos), mas creio que a maior parte deles apenas cobrem o cabelo,não tornando ninguém "inidentificavel".
Afixado por: Miguel Madeira em novembro 14, 2003 09:32 AM'A escola do Estado deve incorporar os valores da República: a democracia, a liberdade, a igualdade de direitos, os direitos das minorias, os direitos das mulheres, o direito à criação e à livre expressão de todos.'
Os valores da República? Ou os valores da democracia? Não nos podemos esquecer que os países com Monarquia também têm democracia. Assim como as Repúblicas. Quer República, quer Monarquia, não são sinónimo de democracia e liberdade, e existem (infelizmente) vários casos por esse Mundo fora para o demonstrar.
1 - Referia-me, obviamente, aos veus que tapam a cara.
2 - as monarquias não têm como valor a "igualdade de direitos". Estes valores são os valores da república que, em alguns casos, foram parcialmente assimilados por monarquias. Mas são valores republicanos.
Concordo Daniel. Acho aliás que as mulheres ocidentais deviam andar todas com as mamas à mostra. Afinal, é iso que as identifica como mulheres. Idiotices e incapacidade de aceitar a diferença.
Afixado por: cparis em novembro 21, 2003 10:42 AM