Sempre que há posts que envolvam o Porto, a reacção é irracional.
O sentimento contra o centralismo é, para mim, mais do que compreensível. Ele tem, num país como Portugal, muitos bons argumentos. Tem, diga-se em abono da verdade, mais para outras cidades e, muitas vezes, não apenas em relação a Lisboa, mas também em relação a outros centros regionais. Pergunte-se ao pessoal de Braga o que acha do Porto. Ao de Guimarães o que acha de Braga.
Este sentimento é compreensível mas tem de ser racionalizado. Vir em defesa do TGV para o Porto com argumentos anti-centralistas é comprometer irremediavelmente o debate. Vir com um discurso regionalista em defesa do Estádio do Dragão contra quem se opôs a todos os estádios é pura má-fé.
Não sou ninguém para dar conselhos aos portuenses. Mas se abandonassem os complexos de inferioridade, tão explorados pelo populismo mais barato, só tinham a ganhar. O Porto é uma grande cidade, com uma vida cultural interessantíssima, que se tem deixado esmagar por figuras boçais como Pinto da Costa. No dia em que os portuenses recusarem ter como símbolo da sua cidade um clube de futebol, estarão a recusar a caricatura que deles é feita. Por mim, desanquem no Sporting ou no Benfica ou no Atlético ou no Belenenses à vontade. Estou-me nas tintas. Felizmente, a minha cidade não depende da bola. A vossa também não.
Pois, esta linda cidade que existe dentro da minha cabeça....
Afixado por: sueca em novembro 17, 2003 05:16 PM"mas se abandonassem os complexos de inferioridade, tão explorados pelo populismo mais barato, só tinham a ganhar..."
O tanas, meu caro Daniel.
É justamente por isso que se reparares no investimento público, PIDDAC ou outro, o Porto ganha sistematicamente por comparação com o resto do país. Mais, porque razão o TGV se faz primeiro na ligação Porto/Vigo se os estudos sobre a procura de utilizadores é esmagadoramente maior para o trajecto Lisboa/Porto ?
então e o oriental? ninguém bate no oriental de marvila, pá?
Afixado por: rui tavares em novembro 17, 2003 05:59 PM“Vir com um discurso regionalista em defesa do Estádio do Dragão contra quem se opôs a todos os estádios é pura má-fé.”
O problema, caro Daniel Oliveira, é mesmo esse.
Parte do princípio de que a defesa de um estádio, de um clube, de uma cidade como o Porto é regionalismo, provincianismo e (esta é simplesmente a melhor) reveladora de “complexos de inferioridade” que deveriam ser abandonados porque nessa altura os portuenses só teriam a ganhar.
Sábio conselho este.
Partir do princípio de que a população do Porto é complexada...
Belo princípio para conseguir chamar a atenção.
Como comentar este post, dirigido “aos portuenses” como se de boa nova se tratasse, pejado de frases verdadeiramente insultuosas para quem vive e ama esta cidade?
A saber:
1- “Sempre que há posts que envolvam o Porto, a reacção é irracional."
(Considerará esta, não tenho a mínima dúvida, como uma delas)
Falta esclarecer a origem (geográfica/ideológica) da irracionalidade. Para um melhor esclarecimento, sugiro a leitura dos comentários aos posts do “Dragão até à exaustão”..
2 - "Não sou ninguém para dar conselhos aos portuenses. Mas se abandonassem os complexos de inferioridade, tão explorados pelo populismo mais barato, só tinham a ganhar."
(Tap, tap... senti as palmadinhas reconfortantes nas minhas costas, acompanhado de um vislumbre da solução para todos os nossos problemas)
3 - "O Porto é uma grande cidade, com uma vida cultural interessantíssima, que se tem deixado esmagar por figuras boçais como Pinto da Costa"
(Ah... o elogio condescendente mesclado com novo insulto. Então o Porto deixa-se “esmagar” - atente-se ao peso da expressão - pelo Pinto da Costa e “figuras boçais” afins? E, pergunto eu, não será também esta uma reacção irracional... da sua parte?)
Resta agradecer o conhecimento e divulgação de que há vida cultural na cidade, há noite, monumentos, paisagem, vinho do Porto,... e tantas mais coisas para além do FCP e do Pinto da Costa.
Muito obrigado ao Barnabé.
PS: Era importante não confundir portistas e portuenses: podem coexistir, para uns, ou serem perfeitamente inconciliáveis, para outros.
Afixado por: M.Oliveira em novembro 17, 2003 07:32 PMTem razão, M.Oliveira. Esta é uma das reacções irracionais a que me referia. Onde me limitei a constatar que o Porto tinha uma vida cultural interessantíssima (em vários casos, sobretudo tendo em conta a diferença de dimensão das duas cidades, mais interessante que a de Lisboa) você viu condescendência. E não me referia nem à paisagem, nem ao vindo do Porto, nem à vida noturna. Confesso (espero que não ache isto insultuoso) que não sou fã de nenhuma das três. Referia-me à música, aos arquitetos, às galerias, aos cafés, às livrarias, aos escritores.
Foi exactamente na sua reacção ao post que indicou que que vi, mais uma vez e sem conseguir entender a razão, o "esmagamento" de que falava. Eu destingo, como pode ver no meu post, o Pinto da Costa do Porto. A questão é saber se a M.Oliveira distingue (“Mas indignam-se agora com o tempo de antena dedicado ao Estádio do Dragão.A inveja é uma coisa muito feinha.O que vale é que contra (excelentes) resultados não há argumentos, não é verdade?». «Os "anti-portistas" - o 2º maior clube nacional a seguir ao FCP». Quem não quer ser da claque, não lhe veste a pele.
Falar de complexos de inferioridade e dizer que uma população é complexada não a é a mesma coisa. Mas para quem quer ser ofendido, qualquer frase serve para a vitimização.
Para terminar: o texto não era dirigido a todos os portuenses. Era mais a portuenses como a minha cara M.Oliveira. São os que se fazem ouvir com mais veemência. O texto não era – e basta ler sem tantas pedras na mão – insultuoso para ninguém. Nele não se ouvia nenhum som de fundo comparável ao “eu só quero ver, Lisboa a arder», uma das frases mais cretinas e banalizadas que alguma vez me foi dada a ouvir. Não sou bairrista, nunca fui. Gosto, como lhe disse, do Porto. Mas às vezes os fanáticos fazem-me pensar duas vezes.
Mas que o seu texto paternalizava, lá isso...
Mas é o costume, daí ser uma idiotice pegada persistir nessa argumentação. O que estava em causa era o TGV - e a sua importância para o desenvolvimento da região. E há outra coisa que os lisboetas praticamente ignoram: a relação da cidade do Porto com Vigo, que é fortíssima no plano cultural e económico. Só três exemplos, pessoais, mas amplamente praticados na região. Viajar de avião: qualquer portuense avisado consulta os preços e horários das companhias portuguesas e também da Iberia, com particular incidência nas saídas do aeroporto de Vigo. Compras: qualquer nortenho com dois níqueis vai frequentemente a Vigo fazer compras. Espectáculos e vida nocturna: qualquer habitante da região norte, interessado em concertos, exposições, teatro ou em saídas à noite, encontra em Vigo a sua segunda cidade (ou até a primeira, conforme as temporadas). É óbvio que esta relação merece ser estimulada e fortalecida.
Quanto ao Pinto da Costa e aos complexos, vocês têm de meter uma coisa na cabeça, de uma vez por todas: essa conversa passa ao lado de muita gente e só vos diminui. Não é um discurso sério, caro Daniel. Um abraço.
Afixado por: Pipote em novembro 17, 2003 08:26 PMUma última coisa: ter orgulho do FCP é a coisa mais natural do mundo. Qualquer cidade ou região dá importância ao seu clube. Qualquer uma. E quando esse clube ganha tudo, como foi o caso do FCP ano passado, é evidente que as pessoas se sentem orgulhosas e ufanas. Pergunte aos benfiquistas com mais de 40 anos o que sentiam pelo seu clube.
Agora, é óbvio que há aqueles para quem o clube é TUDO (portistas, benfiquistas ou flavienses) e os outros para quem o futebol é apenas um desporto e um interesse de fim-de-semana. A diferença está sempre aí.
Eu sei que o Pinto da Vosta passa ao lado de muita gente, a começar por todos os meus amigos do Porto. Mas está presente no diálogo público com Lisboa.
Quanto a Vigo, bem sei, até porque sou um apaixonado por Vigo e pela Galiza em geral. Não concordo com o TGV no Porto por razões de viabilidade económica. Mas o que estava em debate não era isso: era o facto de, depois do escrever, me terem chamado centralista e não terem tentado debater argumentos que não estão dependentes do lugar de onde escrevo e vivo. Muitos dos lisboetas também têm um discurso irracional em relação ao Porto, como se pode ler no incicio destes comentários (que me desculpem), mas é menos habitual.
Pinto da Vosta?? Vosta ?? Uma tecla para a direita e acertavas.
Afixado por: Piada Boçal do Dia (Cabaret Estáile) em novembro 17, 2003 09:53 PME duas teclas à direita e ainda acertava mais.
Afixado por: Daniel Oliveira em novembro 17, 2003 10:18 PMCaríssimo Daniel Oliveira, prezo muito que tenha respondido ao meu comentário.
Tem toda a razão.
Ao ler o seu texto considerei que transpirava condescendência por todos os poros.
Ao relê-lo, a minha opinião não se modificou.
O mesmo aconteceu com o seu comentário posterior, uma vez que insiste em não “conseguir entender” as razões do meu, muito embora este seja ilustrado com as frases que me levaram a redigi-lo.
Em primeiro lugar, e uma vez que “colou” frases minhas de um anterior comentário a este seu, tenho a referir que, não tendo porventura ficado claro, essa primeira intervenção tinha o objectivo de chamar a atenção para os “2 pesos e 2 medidas” que se aplicam quando o assunto é Benfica ou Porto.
É ou não verdade que o tempo de antena dedicado à inauguração do Estádio do Dragão fica aquém daquele dedicado ao da Luz? Minto? Estarei a ver coisas? A minha TV será diferente da dos demais portugueses?
É que, não querendo assistir ao Praça da Alegria Especial do Domingo, e mesmo ao espectáculo à noite, o cidadão poderia optar por um dos outros três canais, coisa que na inauguração do Estádio da Luz não aconteceu (uma vez que, volto a dizê-lo, todas as emissões giravam à volta desse assunto).
Mas a indignação quanto à perturbação na emissão normal surge apenas agora. Não nessa altura. É inevitável reparar-se neste facto.
Quanto ao texto ser-me especialmente dirigido.. que comentários fazer?
Quando se intitula um texto de “Aos portuenses”, subentende-se que é dirigido às pessoas que vivem e/ou são naturais do Porto. Se é dirigido a apenas um subgrupo, nomeadamente aos “fanáticos”, aos que apoiam frases como “só quero ver Lisboa a arder”, isso deveria ficar mais claro. Ficaria então "A alguns portuenses".
Pelos vistos inclui-me nesse subgrupo ( “portuenses como a cara M.Oliveira”). Acho estranho. Quem me conhece, mais estranho acharia.
Mas como reafirma que a sua intenção não é ofender... se calhar estou a vitimizar-me outra vez.
Concordo com o caro “Pipote” que, para além de ter encontrado algo de paternalista no seu texto e ter enaltecido a importância do orgulho no Clube, chama a atenção para o facto de que rivalidades Porto/Lisboa e subsequentes fait divers como “Pintos da Costa e Cª.” passam ao lado de muita gente e são encarados mais com um sorriso nos lábios do que como ofensa pessoal.
Subscrevo inteiramente.
Tenho amigos e parte da minha família em Lisboa. Conheço bem a cidade e sei bem que opiniões destas só alguns as têm.
PS: Não percebi porque se me dirigiu no feminino (“a M.Oliveira”).
Afixado por: M.Oliveira em novembro 17, 2003 10:25 PMMeti na cabeça que era uma mulher. A nossa cabeça é uma coisa estranhíssima. De resto, devo dizer-lhe, que tenho falado sobre o Euro 2004 aqui e antes no barnabé. Disse sempre o mesmo.
De resto, meu CARO M.Oliveira, acredito que não seja um fanático. A sua discussão sobre o tempo de antena dado ao estádio da Luz ou do Dragão era conversa de claque de futebol? Acha o quê? Que o que nos incomoda é ver que o pessoal do Porto também é capaz de fazer um estádio? Se é isso, então estamos conversados. Se não é, para quê andar a medir os minutos.
E respondia também à história do TGV, que não foi sua.
haja paciência para contabilizar tais tempos de antena...
Afixado por: tchernignobyl em novembro 17, 2003 11:32 PMCaro Daniel, quem não é por mim é contra mim, não é próprio da tua distinta inteligência. Porque é que quem acha (e tem dados comprovativos)que o Porto é beneficiado em relação ao resto do país há-de ser de Lisboa ?
Afixado por: Real em novembro 18, 2003 01:06 AMÉ pena que o Daniel Oliveira não reconheça algumas realidades. O Pinto da Costa pode ser boçal na sua forma de expressão e provocação, mas é indubitavelmente um grande gestor. Assim tivessem todas as empresas públicas gestores como ele... É um gestor que ama a sua empresa e a leva à vitória. A boçalidade na expressão não interessa. O que interessa são os resultados práticos.
O FCP é um símbolo da cidade. Não tem nada de especial, muitos outros clubes são símbolos das suas cidades. Os barceloneses não passam a parvos por terem no FC Barcelona um dos seus símbolos. Dortmund não desce ao Terceiro Mundo por ter no BV Borussia um dos seus símbolos.
A perspectiva do Daniel é isso, uma perspectiva. Contudo, a razão medeia o Daniel e o Andrade.
O bairrismo do Porto é um grito contra a macrocefalia da capital(o problema entre as restantes cidades é diferente, é completamente emocional), o desprezo de Lisboa é a resposta ao que entende ser irracional.
Vivi nas duas cidades e noutras tantas, também "abroad"! Digo-vos, o problema só se vê olhando de fora e, isso sim, é triste e patético independentemente do local de observação.
Façam vocês a quadratura do círculo ...
Daniel,
Concordo com o post quase todo, menos com a parte da "vida cultural interessantíssima" que, se existe, ainda não a consegui descobrir.
Mas olha que tom paternalista, lá isso o post tinha.