O Pedro Mexia irritou-se por eu ter referido o seu artigo sobre o Álvaro Cunhal como «pedestre». É curioso verificar como os críticos literários reagem sempre mal quando alguém lhes dá a provar o mesmo remédio que ele gostam de aplicar aos outros. Paciência. Com o tempo estou certo de que a sua capacidade de encaixe melhorará. Apenas duas notas: conheço mal o seu blogue e acho que nunca li nenhum texto seu no DNA, onde, segundo creio, colabora regularmente (não é por pedantice: apenas quero ter tempo para ler os meus livros e revistas). Mas li uma entrevista que fez ao Vasco Pulido Valente para a revista Ler aquando da publicação do Glória – na minha opinião, trata-se de uma das entrevistas mais interessantes que vi alguém fazer ao VPV. Quanto ao Cunhal: o seu artigo pareceu-me realmente “pedestre”, mas, pronto, reconheço que muito melhor do que o texto da Cândida Ventura. “Pedestre” mas calçado com sapatos Church’s ou Sebago. Finalmente, aproveito para saudar a emergência de uma nova direita intelectual (onde você e o Pedro Lomba pontificam), que luta de peito aberto e guarda as suas distâncias em relação à direita tradicional portuguesa: a «direita social», nostálgica do Antigo Regime, frequentadora das missas de Santos-o-Velho e, acima de tudo, profundamente inculta. Esta «nova direita» até tem alguns pontos de contacto com a minha tribo: muitos deles aparentam ser intelectuais déracinés, são libertários em matéria de costumes e estão mais
ligados a uma matriz cultural anglo-saxónica. Daí que as trocas de piropos tendam a ser mais agressivas – as guerras civis são sempre mais cruéis. Às vezes penso que a Blogosfera precisava de uma Convenção de Haia.
Concordo consigo quando afirma que a nova direita pouco tem a ver com a direita tradicional portuguesa.
Na verdade, o que se passou com a direita em Portugal, e a chamada "gente de esquerda" ainda não percebeu, é que aquela tem hoje um programa político e bases sólidas para o sustentar.
Ao contrário da 'esquerda', e até da sua 'esquerda', sr. Pedro Oliveira, a 'direita' já não olha para o passado com nostalgia.
A 'esquerda' (que se esvaziou ideologicamente) e não encontra o seu rumo, procura desesperadamente algo em que se agarrar. Encontrou um presidente norte - americano que tinha fama de ser pouco culto e pintaram-no de estúpido. Procurou ridicularizar todas as decisõoes da administração Bush, única e exclusivamente, para criar atrito e se sentir viva. Mas o que conseguiu foi pouco...
Tenho uma pequena sugestão para si: pense, mas pense objectivamente, quantos paises são democráticos sem a cooperação dos EUA.
Afixado por: André Abrantes Amaral em novembro 17, 2003 06:43 PM
Vês, Pedro! Tu falas da nova direita e lá aparece a velha a buscar os louros.
Afixado por: Daniel Oliveira em novembro 17, 2003 07:11 PMe com uma certa razão. no fundo é tudo direita de programa
Afixado por: tchernignobyl em novembro 17, 2003 09:09 PMO nosso "amigo" André Abrantes Amaral embora seja detentor de alguma capacidade de retorica e de raciocinio. Comete o erro fatal de muitos supostos "intelectuais" quando procura numa ideologia, numa personalidade ou numa nação como uma forma de justificar as suas ideias.
Deixemos de idealismos, de visões dualistas (de certo e errado, e de bom e de mau) de dogmas (religiosos e politicos). E façamos tabua rasa a todas as ideias.
A cabeça é feita para pensar e não para nos aprisionamos a certos conceitos e ideias pensadas pelos outros. A riqueza e o valor da especie humana esta na sua infinita capacidade de insatisfação e procura da liberdade.
André Abrantes Amaral:
vamos pôr a sua questão ao contrário, que é mais rápido de responder. Quantos paises são democráticos gráças à cooperação dos EUA? Resposta: Granada, todos os paises da Europa Ocidental com a exepção de Portugal, Espanha (que parmaneceram ditaduras apesar da vitória aliada), Suiça, Suecia (que não percisaram de ser libertados, porque não foram ocupados pelos nazis) e Finlandia (a unica democaracia aliada de Hitler; vamos também admitir que Taiwan e a Coreia do Sul só são democracias,hoje em dia, graças à intervenção americana (embora essa intervenção tenha sido inicialmente,não em apoio à democracia,mas em apoio aos ditadores Chang Kaishek e Sygman Ree). Em todas as outras democracias do mundo,o apoio americano não foi decisivo.
Afixado por: Miguel Madeira em novembro 18, 2003 01:48 PMAndré Abrantes Amaral:
vamos pôr a sua questão ao contrário, que é mais rápido de responder. Quantos paises são democráticos gráças à cooperação dos EUA? Resposta: Granada, todos os paises da Europa Ocidental com a exepção de Portugal, Espanha (que parmaneceram ditaduras apesar da vitória aliada), Suiça, Suecia (que não percisaram de ser libertados, porque não foram ocupados pelos nazis) e Finlandia (a unica democaracia aliada de Hitler); vamos também admitir que Taiwan e a Coreia do Sul só são democracias,hoje em dia, graças à intervenção americana (embora essa intervenção tenha sido inicialmente,não em apoio à democracia,mas em apoio aos ditadores Chang Kaishek e Sygman Ree). Em todas as outras democracias do mundo,o apoio americano não foi decisivo.
Afixado por: Miguel Madeira em novembro 18, 2003 01:48 PMAntes de mais respeito as tuas opiniões (André Abrantes Amaral). Embora não concordo com elas e as considero muito ingenuas.
E já agora para não ser classificado de forma errada (a nivel ideologico) sou uma pessoa de espirito independente. E não me identifico com quaisquer ideologias de esquerda ou de direita actualmente existentes em Portugal. Mas voltando a questão inicial. Vamos lá analisar a acção dos Estados Unidos da America sem anti-americanismos primários e sem idealismos (tipo esquerda contra direita e vice-versa).
Os Estados Unidos enquanto potencia afirmaram o seu estatuto superior após a 2.ª Guerra Mundial. Embora admita que inicialmente (no pós-Guerra) tenha havido uma tentativa de promever valores universais de democracia e liberdade [sobretudo com a presidencia de Roosevelt (este morreu meses antes de acabar a guerra) e Trumann]. Estes ideais foram rapidamente esquecidos quando começou a denominada guerra-fria com a U.R.S.S.. A paranoia do papão-comunista afastou a concretização de tais ideias.
Houve então a necessidade de introduzir regimes (directamente ou indirectamente) que pudessem favorecer os interesses externos dos Estados Unidos. Não importava se eram introduzidas democracias ou ditaduras de modelo fascista. Importava sim era o controlo dos mercados e dos meios de produção destas nações. (ex.Chile em 1973; Vietman, Laos na década de 60 e 70, etc..). Este sistema de controlo foi igualmente utilizado pela U.R.S.S. (embora este pais fosse uma ditadura "comunista"). É claro que democracia era algo desconhecido para os russos. E pelo menos os americanos tinham umas noções "basicas" deste conceito (sobretudo no que se refere a liberdade economica).
Mas apesar de tudo isto o que importava era o controlo social, economico, politico e cultural (estas noções estão todas relacionadas) destes paises. E nisto os Estados Unidos com a U.R.S.S. faziam na perfeição.
A moral desta historia é que nenhuma nação toma decissões a pensar em valores morais e eticos. Toma sim a pensar nos seus proprios interesses. Não sejamos ingenuos ao ponto de pensar que os valores humanos tem alguma importancia perante o fascinio do controlo e do poder. A politica é a maxima arte da mentira e da manipulação nada mais. Por isso meu amigo foge dos idelos e das ideologias. Não acredites em nada do que te dizem e do que tu lês. Torna-te desconfiado perante as boas intençoes dos senhores do mundo e da guerra.