novembro 18, 2003

A revista do Powell

No início do próximo ano enfrentarei uma escolha agonizante: renovar a minha assinatura do The Economist (um vício que o Luciano me pegou) ou trocá-la pela Newsweek? Ainda não percebi bem se a minha deriva esquerdizante é um caso mais agudo do que eu pensava, ou se foi o The Economist que se tornou insuportavelmente pró-Bush? Há semanas em que uma pessoa já não aguenta aquela lenga-lenga beata sobre os mercados livres como a panaceia para todos os males, a necessidade de reforçar os «laços transatlânticos», etc. Mas, de repente, eles quase se redimem com números como aquele em que dissecaram todas as falcatruas do Berlusconi, ou um outro em que fizeram um mea culpa em relação às armas de destruição maciça. Também me vai custar deixar de ler o Lexington e o Charlesmagne, as recensões de livros e os dossiês temáticos. Mas agrada-me a renovação que o Fareed Zakaria levou a cabo na Newsweek. OK, aquilo é um bocado a revista da «linha Powell», mas os assuntos estão bem investigados e a escolha dos temas é sempre muito certeira - recomendo-vos, por exemplo, a leitura da excelente reportagem «Cheney's long path to war» publicada na penúltima edição, na qual fica amplamente demonstrado como um grupo de charlatães e ideólogos fanáticos capturou o ouvido do vice-presidente e conduziu a América a esta guerra maluca.

Publicado por pedrooliveira em | TrackBack
Comentários

Não é charlatães????

Afixado por: corrector em novembro 18, 2003 12:00 PM

Na minha óptica a decisão está mal justificada. Por que o que interessa são os argumentos! Os argumentos e a independencia! É irrelevante que se seja pró ou anti Bush, liberal, conservador, colectivista ou mesmo benfiquista, conquanto os argumentos sejam fortes e independentemente proferidos. E não há nenhuma revista mais independente que a economist, e onde a logica dos raciocinios seja mais acarinhada.

E essa de ser pró-bush é pura má vontade: das coisas mais maravilhosas contra o bush, e descontando o velo de ouro que é o numero dos 40 anos da New York Review of Books (de longe as melhores criticas à politica desta admnistração; nada, em português, jamais se aproximou a menos de um tera anos luz daquilo), vieram na Economist.

Claro que mudas por que o Zakaria vai lá estar, não é? Tudo bem. Seria melhor que a mudança fosse ao apenas por melhor......

Um abraço
mas reve-me essa posição, caralho

PS: sabes que eu, uma vez a ler um texto teu, aqui há atrasado, disse para comigo "Este gajo anda a assimilar coisas via economist!!" JURO! Pela minha saude!

Afixado por: maradona em novembro 18, 2003 12:03 PM

The Economist: o meu cheque anual já seguiu pelos CTT.
Pró-Bush? É ver os cartoons nas 1ªas páginas.
Mas como em qualquer democracia livre, pode-se discordar do que lá vem (muito bem) escrito. Nem que seja só por e para isso: claro que deves renovar a assinatura!

Afixado por: Palheirão em novembro 18, 2003 12:38 PM

Tenho pena que classifique o reforço dos laços transatlânticos de "lenga-lenga beata", mas está bem...

De qualquer forma não vai apreciar o Fareed Zakaria.

Afixado por: André Abrantes Amaral em novembro 18, 2003 12:39 PM

que esse artigo sobre o chenney tenha saído agora é sinal de alarme para a credibilidade dessa revista.
a história do senhor chenney ( e não só...) já é conhecida há muito tempo... só que à newseek vá-se lá saber porquê não deve ter pareceido importante publicá-la quando teria mais sentido fazê-lo.

Afixado por: tchernignobyl em novembro 18, 2003 07:22 PM

O seu é um caso de cegueira esquerdizante?
Para quem lê regularmente o Economist, o que escreveu é um insulto à inteligência.
Para não conhece o Economist é manipulação da ignorância.
Se algum dia o jornalismo português conseguisse criar uma revista assim, Portugal passaria directamente à divisão de honra.

Afixado por: Impertinente em novembro 21, 2003 11:19 AM
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