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Uma das coisas bizarras da semana foi o mea culpa de Pedro Lomba sobre a mentira e a guerra do Iraque [Iraque: todos mentiram, Diário de Notícias, 18.11]. Como estas coisas, assim sozinho, custam sempre muito, o mea culpa de Pedro Lomba é extensível a nem mais nem menos do que toda a gente: "Todos mentimos. Devemos assumir as nossas responsabilidades. Pela minha parte, estou pronto." O autor disse entretanto noutro lugar que 80% por cento do seu texto era irónico [Post único, 19.11], sem explicar quais são os 20% que restam.
Caro Pedro Lomba: venho por este meio pedir-lhe que se digne fazer a seguinte correcção ao seu artigo: "todos" terão certamente mentido sobre o Iraque, já que você o diz, mas o Rui Tavares, por exemplo, não. Sou até um gajo cheio de defeitos, e já me tem acontecido mentir sobre uma quantidade praticamente infinda de assuntos, mas sobre o Iraque, por acaso, não menti. Chateia-me ter de assumir responsabilidades [cf. "defeitos"atrás] e pela Guerra no Iraque, então, ainda me chateia mais — chateia-me como o caraças. E como creio que caibo na designação "todos", desejo que isto se saiba, porque não me apetece ser confundido com essa multidão de mentirosos encabeçada por (na sua ordem) Saddam, Chirac, Bush e Blair [para outras pessoas que possam sentir a necessidade de se demarcarem de "todos", tomei a liberdade de criar uma petição para a limpeza dos respectivos nomes]. Bem sei que 80% do seu texto é ironico, mas é aí precisamente que bate o ponto: não quero cá ironias, poucas ou muitas, com o meu bom nome. Eu não sou "todos". Eu sou um homem de poucos sorrisos.
Existe ainda uma parte curiosa do seu texto em que se lê o seguinte: "Os pacifistas têm a sua culpa. Foram eles que levaram os americanos a esta inconstância argumentativa. Se a esquerda pacifista não fosse tão desconfiada dos motivos dos americanos, era provável que os americanos não tivessem mentido. Espero que os americanos aprendam a lição. Não é bom ser influenciado por um pacifista." Tive uma certa dificuldade em seguir o raciocínio [cf. "defeitos" ali atrás], mas como não creio que tenha influenciado "os americanos", não devo fazer parte destes pacifistas que "têm a sua culpa". É a culpa lá deles, e eles que se defendam, —pacificamente como é seu dever.
Por último, dentro de um sempre crescente despacho de assuntos entre os nossos blogues, queria fazer-lhe notado que o Daily Telegraph já está ali nos nossos linques [Links, 20.11.2033]. O Barnabé Rebelo de Sousa, tal como o seu primo tele-comentarista, lê, agora sem exageros, tudo.
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Entretanto, o Contra a Corrente escreve acerca de um texto meu sobre anti-americanismo. Agradeço as referências. Neste texto escrevi que o anti-americanismo é um racismo e que, como tal, ele é inaceitável. Acerca do anti-semitismo, escusado será dizer, penso o mesmo. O McGuffin do Contra a Corrente concorda comigo. Óptimo.
Só que, acto contínuo, o McGuffin escreve isto: «Quem hoje disfarça o seu anti-semitismo - considerando-se, somente, «anti-sionista», ou explicando que a sua crítica é, apenas, dirigida a Sharon - é, sobretudo, a esquerda. Negar isso é negar o óbvio ululante. É sobretudo na esquerda (embora também em certas franjas da direita) que ainda se fazem ouvir os ecos do “L’Angalis est-il un Juif?”, livro de Louis Martin escrito em 1895, onde os judeus eram descritos como parasitas, gananciosos, mercantilistas, diabolicamente inteligentes e prontos a tomar de assalto o mundo.» [Assim sim, 16.11] Ou seja: não lhe bastava concordar sobre matéria de princípio; tinha de lançar uma acusação vaga, mas aviltante, sobre "sobretudo" a esquerda. Muito bem: só é pena que não tenha conseguido resistir à tendência, infelizmente epidémica na direita, de fazer acusações sem as comprovar – são exemplos que vêm de cima.
Ora numa matéria como o anti-semitismo, as acusações não podem ficar por meias palavras, McGuffin: são precisos nomes, textos, citações. Os "evidentementes", os "sobretudos", os "óbvios ululantes" aqui não valem pevide. Não me estou a lembrar de um único texto que à esquerda tenha feito eco desses estereótipos nauseabundos que descreve, e estou seguro de que a vastíssima maioria de textos da esquerda contra Sharon andam bem longe dos autores que você vai buscar a... 1895. Pessoalmente acho Ariel Sharon um indivíduo sinistro e criminoso: e daí? Portanto, das duas uma: ou documenta aquilo que diz, ou explica melhor (mas muito muito melhor) o que queria dizer. Porque assim não.
Post-scriptum: umas horas depois, corrigi os links e aproveitei para dar uns toques no estilo deste post. Nada de essencial foi modificado.
Publicado por ruitavares em | TrackBackQue cena, meu...
Escrevem coisas destas (parte 1).
Depois admiram-se por as pessoas dizerem que a esquerda nao tem sentido de humor.
Ao menos o Lomba nao se leva a serio.
A direita tem um óptimo sentido de humor e consegue brincar com tudo. É tão levezinha e divertida. É um amor.
Afixado por: Pipote em novembro 24, 2003 07:23 PMQuem diz que a esquerda não tem sentido de humor nunca viu um Daily Show.
Jon Stewart (geralmente) rula!
Afixado por: Jorge em novembro 24, 2003 07:52 PMO texto de Pedro Lomba é muito interessante. Não me peçam para dizer sobre que ponto de vista.
É pena o texto não mencionar as mentiras que realmente nos foram esfregadas na cara. É pena e é estranho, porque foi a isso que ele se propôs ao escrever o artigo.
Será que o plagio descarado de um trabalho com mais de dez anos será uma "verdade revista e aumentada" e não uma mentira? E a apresentação desse elemento como prova que deverá sustentar a intenção de fazer uma guerra será o resultado da pressão da viciosa esquerda pacifista? Shame on you, seus pacifistas medonhos. Levarem o pobre "líder do mundo livre" a fazer uma coisa daquelas... não há direito!
ò Rui será que tu és mesmo de esquerda? Ou será que não tens amigos de esquerda? Porque o que o McGuffin diz é mesmo verdade, basta falar um pouco com a maior parte dos esquerdistas para perceber e o pior é que agora já nem fazem nada para disfarçar. Um conselho visite os foruns (comentarios) da TSF sobre qualquer coisa que possa ou não implicar os judeus. Sim é verdade quem pos as bombas na Turquia foram as judeus. Incrivel.
Afixado por: Bruno Pinto em novembro 24, 2003 09:20 PMCaro Bruno Pinto:
Força, meu caro! Estou à espera dos recortes de jornais, dos discursos de dirigentes políticos da esquerda, dos autores alinhados à esquerda. Estou à espera das sondagens, com perguntas aos eleitores dos partidos de esquerda – mas desde que a pergunta não seja: concorda com a política de Ariel Sharon? Estou à espera: mas, se não se importa, vou esperar sentado.
Afixado por: rui tavares em novembro 25, 2003 12:38 AM