A data de 25 de Novembro de 1975 é, normalmente, vista pela esquerda comunista, e não só, como o fim simbólico do sonho de Abril. Ora, eu acho precisamente o contrário: o 25 de Novembro é a correcção (e confirmação) de uma linha de rumo que está inscrita nos três D's que inspiram o manifesto do MFA e o 25 de Abril (democratizar, descolonizar, desenvolver) e funcionou como a cura possível para o descambanço intolerante que a revolução estava a levar. Não por acaso, o seu grande inspirador e artífice ideológico é o autor do programa do movimento dos capitães: Ernesto Melo Antunes, uma das figuras mais importantes e discretas da história portuguesa do último quarto do século XX - intransigente na defesa da liberdade no momento da tentação de sovietização do país e inteligente na percepção de que era absolutamente necessário não excluir o PCP do sistema político. 28 anos volvidos, parece-me claro que ficámos todos a dever-lhe esse difícil equilíbrio.
Publicado por celsomartins em | TrackBackO Melo Antunes é o inspirador e artífice do 25 de Novembro? Acho que a história não é bem essa.
Afixado por: Francisco Frazão em novembro 25, 2003 12:56 AMEquilíbrios? Com este B(arroso) a reboque dos outros dois Bs, tá cá um equilíbrio do catano!
Afixado por: olima em novembro 25, 2003 12:59 AMé o artífice do programa do MFA e inspirador do 25 de Novembro (o estratega é o Eanes).
Afixado por: celsomartins em novembro 25, 2003 12:59 AMNão é isso que a sintaxe diz... Mas acho de qualquer modo que a história do 25 de Novembro é demasiado complicada para arrumar dessa maneira. A ideia que tenho é de vários golpes a funcionarem ao mesmo tempo, com avanços e retiradas, sem se saber muito bem quem começou; e que ao fim do dia 25 o Melo Antunes foi à TV defender a importância de manter o PC dentro do sistema (certamente contra muita gente). Daí a dizer que é o grande inspirador...
Claro que dizer "25 de Novembro" é uma fórmula estenográfica para falar de muitos outros dias antes e depois, com as generalizações que isso implica (generalizações comandadas por visões divergentes da História). É a esse nível que se pode falar de "fim simbólico" ou de "confirmação/correcção" (aqui dividem-se campos, o que é bom, mas explica-se pouco).
Enfim, não sei muito disto mas parece-me que o post faz um curto-circuito entre (uma visão da) História e história (do dia, com a intervenção final do Melo Antunes). Não tenho nada a opor à importância do Melo Antunes, parece-me é que para se chegar a essa conclusão se faz aqui corta-mato por muitos clichés ideologicamente determinados (de que eu desconfio).
caro franscisco frazão, isto era um post humilde, não um artigo ou um livro de história contemporânea que hoje não tenho tempo de escrever. a ideia foi sobretudo chamar a atenção para uma das figuras mais interessantes do PREC e de caminho aproveitar a efeméride para discutir uma das datas que mais dividem as opiniões na esquerda. Mas o Melo Antunes é mesmo o inspirador do grupo dos nove (é ele o autor do documento, por exemplo).
Afixado por: celsomartins em novembro 25, 2003 01:35 AMOK, fico à espera do livro para a próxima (a ritmo de messenger era difícil escrever um...).
O que me pareceu importante era sublinhar que o 25 de Novembro é uma das "datas" mais ramificadas, complexas e obscuras que conheço (não acho possível dizer-se, por exemplo, que o MFA está para o 25 de Abril assim como o grupo dos nove para o 25 de Novembro) e que para a tal discussão na esquerda era preciso mais do que generalizações, por mais humildes (de contrário ficamo-nos pelos slogans). Para começar, proponho(-me) uma revisão do "Gestos e Fragmentos" de Seixas Santos...
Caro Celso,
Justíssima a homenagem a Melo Antunes que teve a clarividência de não excluir o PCP numa altura em que Cunhal dava entrevistas afirmando que a democracia parlamentar em Portugal era uma ilusão.
Cunhal ainda tem uma segunda tentativa, com a criação do PRD, mas aí o Melo Antunes é Mário Soares.
O Melo Antunes, pessoa com quem privei, foi o mentor e o porta voz do grupo dos nove. O general Eanes, então oficial subalterno, apenas assumui o comando do contra-golpe porque Vasco Lourenço, indicado para tal, á última hora borregou.
Recomenda-se o livro
25 de Novembro sem máscaras da autoria do Almirante Pinheiro de Azevedo
O Melo Antunes, pessoa com quem privei, foi o mentor e o porta voz do grupo dos nove. O general Eanes, então oficial subalterno, apenas assumui o comando do contra-golpe porque Vasco Lourenço, indicado para tal, á última hora borregou.
Recomenda-se o livro
25 de Novembro sem máscaras da autoria do Almirante Pinheiro de Azevedo
O Melo Antunes, pessoa com quem privei, foi o mentor e o porta voz do grupo dos nove. O general Eanes, então oficial subalterno, apenas assumui o comando do contra-golpe porque Vasco Lourenço, indicado para tal, á última hora borregou.
Recomenda-se o livro
25 de Novembro sem máscaras da autoria do Almirante Pinheiro de Azevedo
28 Setembro
11 Março
25 Novembro
Ainda não apareceram todos os dados sobre estas datas.
Afixado por: Mário em novembro 25, 2003 08:59 PMEstá por fazer a homenagem devida a essa figura cimeira da fase de transição da ditadura para a democracia que é Ernesto Melo Antunes. O seu equilíbrio e sua discrição numa fase de excessos e de radicalismos (à esquerda e à direita) foi fundamental para que se consolidasse em Portugal a democracia e a liberdade.
Afixado por: miguelc em novembro 25, 2003 10:52 PMO que falta fazer é responsabilizar os oportunistas infiltrados nos democratas e dar-lhes o correctivo da ordem.Enquanto isso não acontecer andamos todos a fazer que fazemos...e assim vamos andar sempre...e o país a afundar-se cada dia mais...
Afixado por: Amadeu em abril 26, 2004 02:05 AM