O Primeiro-Ministro assinou hoje uma petição para a inclusão de uma referência ao cristianismo no preâmbulo da Constituição da União Europeia. Um dos promotores da iniciativa, José Pedro Ascenção, alega que "há razões sócio-culturais que justificam esta exigência, nomeadamente o facto de 85 por cento dos europeus serem cristãos".
Tanto quanto sei, isto começou por causa do projecto de preâmbulo conter uma referência à herança iluminismo, o que me parece infeliz. Eu quero uma constituição que me defenda a mim e aos outros cidadãos, e não que me dê palestras de história das ideias políticas. Portanto: quanto menos "referências" e "heranças", melhor. Mas sendo que assim foi, parece-me justificável a petição pela inclusão da referência ao cristianismo, como também me parece justificável que se faça o mesmo pelo politeísmo [Zeus e Europa, estão a ver?], o feudalismo e o renascimento humanista.
Aplicando a mesma lógica à nossa própria revisão constitucional, decidi iniciar não uma, mas três petições:
– Pelo reconhecimento da fobia à mãe (e do complexo de Édipo) na Constituição da República Portuguesa; e
– Pelo reconhecimento do papel do acaso na Constituição da República Portuguesa.
Assinem e dilvulguem, por favor. E sugiram novas ideias de referências a incluir nas nossas duas constituições. Peticionemos. Não ficaremos descansados enquanto elas se esquecerem de qualquer referência importante.
Publicado por ruitavares em | TrackBackNão assino !
Não vá alguém lembrar-se de em "outros clubes de interesse nacional" colocar algumas riscas, como diz o Cavaco, safa !
Eu acrescentava a referência à importância dos cancioneiros galego-portugueses. Sim, eu sei que não interessa nada à defesa dos direitos e garantias dos cidadãos europeus, mas eu gosto, o que é que querem?
Afixado por: Sara Figueiredo Costa em novembro 25, 2003 11:00 AMDoença grave e contagiosa, essa das petições.
Cuidado ...
É falso que "tudo isto tenha começado por
causa da referência ao iluminismo". Tudo
isto começou com um documento dos bispos
católicos europeus em que se pedia a referência
a "Deus". A referência ao "iluminismo" foi
uma tentativa de acomodar a referência ao
"cristianismo".
O incrível é que, com tudo isto, anda toda
a gente convencida de que a Constituição
Europeia faz algum tipo de ofensa à ICAR.
No entanto, o artigo 51º concede-lhe
privilégios que reduzem a referência
preambular à sua diminuta importância.
É falso que "tudo isto tenha começado por
causa da referência ao iluminismo". Tudo
isto começou com um documento dos bispos
católicos europeus em que se pedia a referência
a "Deus". A referência ao "iluminismo" foi
uma tentativa de acomodar a referência ao
"cristianismo".
O incrível é que, com tudo isto, anda toda
a gente convencida de que a Constituição
Europeia faz algum tipo de ofensa à ICAR.
No entanto, o artigo 51º concede-lhe
privilégios que reduzem a referência
preambular à sua diminuta importância.
Por uma vez: estou quase, quase de acordo consigo, Rui.
Afixado por: Pedro Lomba em novembro 25, 2003 06:13 PMPor uma vez: estou quase, quase de acordo consigo, Rui.
Afixado por: Pedro Lomba em novembro 25, 2003 06:13 PMSó não assino a primeira. Mas proponho outra: Pelo reconhecimento do bacalhau na fundação do espírito nacional. Não é Portugal uma democracia eternamente em águas de bacalhau? E não nos cabe tão bem o dito: para quem é, bacalhau basta?
Afixado por: hmbf em novembro 25, 2003 10:09 PMGostaria muito que houvesse menos cristianismo e mais respeito aos direitos humanos e as necessidades do povo e que o primeiro ministro tivesse ideias mais criativas para resolver os problemas dos protugueses e dos europeus oprimidos.
Brasil
Afixado por: glaci em janeiro 11, 2004 08:34 PM