As eleições legislativas na Irlanda do Norte saldaram-se por uma vitória dos radicais: no campo protestante triunfou o Partido Unionista Democrático, do reverendo Ian Paisley; entre o eleitorado católico, o Sinn Féin, de Gerry Adams, emergiu como a principal força política. Principais perdedores: os Unionistas de David Trimble e os Sociais-Democratas católicos, as duas forças que assinaram os «Acordos de Sexta-Feira Santa». Estes resultados poderão não ser o prelúdio de um novo ciclo de violência comunal, mas não deixam de ser deprimentes. À partida, a Irlanda do Norte reúne todas as condições para pôr termo a um conflito sem sentido: um certo nível de prosperidade económica, uma população educada, um consenso entre as elites políticas em relação à inutilidade da violência, o empenhamento de ingleses e americanos no compromisso alcançado em 1998. E, no entanto, as pessoas preferiram votar em partidos sintonizados com um discurso identitário extremista (o caso dos Unionistas Democráticos), ou com uma posição ambígua em relação a alguns aspectos do Acordo de Paz (o caso do Sinn Feín). Como diria o velho Brecht, eis um daqueles casos em que o governo deveria dissolver o povo e eleger outro.
Publicado por pedrooliveira em | TrackBackUma posição é defender o papel da Inglaterra na Irlanda do Norte; muito outra é fingir que se diz que não se defende, defendendo-a. Será que o Pedro Oliveira não conhece a História daquelas ilhas? Estou certo que conhece. Penso que deveria haver um Barnabé II para entradas destas.
Afixado por: Nuno em novembro 29, 2003 06:58 PMCom o extremar de posições, será fácil voltar aos tempos do terrorismo - "o nosso", não "o deles". Altura para perguntar o que foi feito dos prémios Nobel há poucos anos atribuídos a dois lideres irlandeses. Um foi, o outro aguentou-se...
Afixado por: olima em novembro 29, 2003 10:48 PM