Ontem passei o dia de cama, prostrado com dores musculares. Como este ano tomei a vacina contra a gripe, estranhei. Ora bolas, como é que um tipo como eu, ainda novo, mais ou menos saudável e altamente sedentário, é tão vulnerável aos vírus que por aí andam? Emborquei dois Aspegics e hoje acordei bastante melhor. Então percebi: eu estava era deprimido com a derrota do Sporting. Como tive mais tempo para espreitar uns blogues, li o post do maradona sobre o Massacre de Quinta-Feira à Noite. E sobre ele direi o seguinte: concordo com a terapia, mas discordo do diagnóstico. Ou seja, acho que já é tempo da SAD começar a pensar numa alternativa ao Engenheiro, mas não sei se isso resolverá grande coisa. Conservador por natureza, não sou por princípio favorável às «chicotadas psicológicas». A estabilidade pode não ser um valor supremo, mas lá que ajuda a incutir algum brio e dedicação aos membros de uma organização, lá isso ajuda. No entanto, tenho de reconhecer que muitas vezes as «chicotadas psicológicas» resultam: em 1999-2000, por exemplo, fomos campeões porque os hooligans da Juve Leo fizeram uma espera ao Roquette e ele percebeu, finalmente, que tinha de correr com o Materazzi.
Mas o problema do Sporting parece-me mais delicado. Se tudo se reduzisse à questão do treinador, há muito que poderíamos estar a disputar taco a taco a hegemonia ao FCP: treinadores competentes há para dar e vender, pelo menos no mercado internacional. Temos, sensivelmente, o mesmo número de adeptos (e os nossos têm maior poder económico). Temos bons gestores profissionais, condições de treino ímpares, uma tradição invejável no domínio da formação de jogadores. Mas não temos o sentido da glória. A grandeza. Os Cinco Violinos são uma memória demasiado distante (o caso do Benfica é diferente: a memória das glórias passadas ainda é recente, mas tudo o resto não funciona). Nas horas decisivas, os nossos jogadores vão-se sempre abaixo. Se repararem bem, nos dois últimos campeonatos que ganhámos, a equipa claudicou sempre nos momentos cruciais: em 2000, contra o Benfica (0-1), e em 2002, novamente contra o Benfica (1-1). OK, tivemos aquele memorável 2-0 contra o FCP em Alvalade (o do passe do Secretário e do livre do André Cruz), mas esse não era ainda o jogo do título. Depois perdemos a Taça para o Porto e tivemos uma prestação miserável na Liga dos Campeões. A enumeração de outros fiascos dava pano para mangas. Mas não quero deprimir-me mais. Prefiro pensar naquilo que o Sporting tem de único: é o clube com miúdas mais giras, o sentido de abnegação dos sócios e adeptos é admirável e, às vezes, até abre os jogos com o «Leãozinho» do Caetano Veloso. Na verdade, não há clube como o nosso.
Miúdas mais giras, Pedro? São todas iguais...
Afixado por: rui tavares em novembro 29, 2003 04:58 PM...as do Sporting, evidentemente.
Afixado por: rui tavares em novembro 29, 2003 04:59 PMnum "campo de futebol" forrado a azulejos de casa de banho só dá p'ra fazer merda!!!!!!
Afixado por: nulo em novembro 29, 2003 09:23 PMcom "nulos" destes o futebol só podia estar como está !
Afixado por: sulista em novembro 29, 2003 10:07 PMEssa dos 5 violinos era no tempo do arroz de 15, em que só havia orquestras de câmara. Hoje só se joga com orquestras sinfónicas, como o FCP parece saber jogar.
Afixado por: olima em novembro 29, 2003 10:44 PM