No Iraque, adverte M. Fátima Bonifácio, o Ocidente não tem outra alternativa senão perseverar. Adaptando a exortação do Divino Marquês, é caso para dizer: «Américains: encore un effort si vous voulez être républicains».
Publicado por pedrooliveira em | TrackBackFátima Bonifácio escreve asneiras em série.
Vejamos:
"...lamentaram-se antecipadamente os inúmeros milhares de mortos que infalivelmente provocaria; deplorou-se o insuportável sofrimento humano que a "aventura" inevitavelmente custaria. (...) Houve mortos e sofrimento a lamentar, sem dúvida, mas numa escala limitada que surpreendeu..."
Mais de 20,000 pessoas morreram durante a invasão do Iraque (AP, Guardian, IBC), entre elas pelo menos 5,000 civis e mais de 15,000 soldados. Ou seja, pelo menos 6 vezes mais mortos dos que resultaram da "...inominável carnificina do 11 de Setembro...". Para mim ambos acontecimentos foram carnificinas, mas parece que para Fátima Bonifácio não. Será que tem a ver com o facto de os 20,000 iraquianos mortos serem árabes, muçulmanos, do terceiro-mundo? Ou seja, "...o inimigo...".
"Também não fiz qualquer referência às armas de destruição maciça que seria urgente destruir, porque na minha perspectiva o mais importante não era que Saddam efectivamente as tivesse, mas sim que fingisse que as tinha e que o mundo árabe acreditasse."
Portanto, Saddam tinha que ser deposto porque era um fanfarrão! Falava demais! E sabe-se como F. Bonifácio se irrita facilmente...
"Saddam fez sempre este jogo ao longo de mais de uma década em que ludibriou as inspecções ordenadas pelas Nações Unidas e desprezou as resoluções do Conselho de Segurança, dando propositadamente a entender que tinha muito que esconder."
Dando a entender!! Segundo Colin Powell as provas eram irrefutáveis! Quem é que tentou dar a entender que Saddam tinha armas de destruição maciça?...
"Tornou-se, deste modo, um factor subversivo da ordem internacional, da qual impunemente escarnecia, e uma dupla ameaça à segurança global: pelo seu irrenunciável desígnio de converter o Iraque numa potência hegemónica no Próximo Oriente, capaz de ditar o desfecho da questão palestiniana e de converter o acesso ao petróleo num meio de chantagem sobre o Ocidente..."
Ele queria é que o Ocidente lhe comprasse o petróleo e o deixasse em paz. Exactamente o que quer a Arábia Saudita...
"...e pelo apoio moral e político - senão logístico e financeiro - que concedia ao terrorismo islâmico com a sua sistemática e agressiva propaganda anti-ocidental. Propaganda tanto mais provocante quanto, a partir do 11 de Setembro, se passou a inscrever num pano de fundo dominado por um choque de civilizações (ou religiões)."
Não me digam que F. Bonifácio ainda acredita nas supostas ligações entre a Al Qaeda e Saddam?? Para historiadora anda muito mal informada. Saddam até fazia um desconto se os EUA lhe pagassem para acabar com a Al Qaeda (em qualquer lado). E choque de civilizações, religiões?? Só se fôr entre o fanatismo cristão-petróleo-mercados-em-expansão de Bush e o islâmico de Bin Laden. Sem um o outro não pode sobreviver.
"...julguei a intervenção anglo-americana justificada pelo legítimo interesse do Ocidente em garantir a segurança própria e global bem como o acesso aos recursos energéticos que sustentam a sua civilização e que seria pura irresponsabilidade deixar entregues ao inimigo..."
Ou seja ou eles nos vendem o que queremos a preços justos (?) ou então são forçados. Comércio livre significa que nós podemos pedir o preço exorbitante que quisermos (vide medicamentos para a SIDA) mas eles "...o inimigo..." é obrigado a vender, quer queira quer não, e a um preço justo. Não faz lembrar colonialismo?... Por muito menos as Colónias Americanas revoltaram-se contra o então formidável Império Inglês.
"...e que, na ânsia de fundar a hegemonia iraquiana no Próximo Oriente, não hesitou em invadir repetidamente os países vizinhos."
Esqueceu-se de dizer que essa ânsia foi repetidamente encorajada pelo Ocidente, em particular os EUA. Inicialmente para conter e extenuar o maléfico Irão. Posteriormente, antes da invasão do Kuwait, Saddam tentou saber como os EUA reagiriam, tendo-lhe sido ambiguamente dito que o conflito sobre a definição de fronteiras com o Kuwait era um assunto interno Arabe e portanto os EUA não interfeririam.
"Ajudada por tão bons aliados, resta à coligação perseverar, emendar os erros desastrosos que foram cometidos e empenhar-se a fundo para que se venham a cumprir os legítimos objectivos que presidiram à intervenção no Iraque; resta-lhe, em suma, estar à altura das suas responsabilidades. Se e quando isso se verificar, não tenho dúvidas de que o mundo ficará um lugar melhor para se viver."
Que erros desastrosos? Os que resultam de cada ocupação militar por uma potência estrangeira? Ou talvez F. Bonifácio estivesse a pensar na dissolução do poder Baas que tanto jeito teria dado para manter o Iraque governado com mão-de-ferro, agora com dirigentes mais amigáveis para o Ocidente. Afinal para F. Bonifácio "Recordo que nunca me entusiasmei com a hipotética democratização do Iraque em particular e do mundo árabe em geral; disse, expressamente, que não acreditava nisso." F. Bonifácio deve achar que foi por falta de flores que os soldados não foram bafejados com as ditas. Não me digam que ela ainda vive na ilusão de que o povo iraquiano queria/quer a invasão, os mortos, a humilhação, a ocupação, e foi por causa da França que não recebeu os Americanos de braços abertos. A imagem que escolheu para ilustrar o seu artigo no Público revela as suas ilusões, ou então quer iludir quem a lê. Ironicamente, no mesmo dia, na página anterior, directamente oposta, vinha a notícia de que no Afeganistão os EUA tinham morto 9 crianças num atentado à la Sharon... nações que matam crianças não merecem flores.
para quê dar atenção a uma fufa semi-psicótica? nesta terra há gente para tudo, até para o absolutamente irrelevante!
Afixado por: groing em dezembro 11, 2003 10:35 AM