Um padre disse ontem, na SIC Notícias, que as mulheres que procuram a Igreja porque não querem abortar são mulheres de classes sociais mais baixas, "com uma intuição natural para o amor à vida" e "que não têm os perconceitos sociais em relação à gravidez na adolescência que se encontram nas classes sociais mais altas". É assim mesmo. Temos de nos libertar dos preconceitos. Há lá coisa mais bonita do que uma mãe de 14 anos.
Infelizmente, não decorei nem o nome, nem a paróquia desta criatura. Imaginem que a minha filha resolve ser católica...
Daniel, mais uma vez a tolerância fica no saco. Ouves um homem que passa a vida dele a ajudar pessoas em alturas dificeis a celebrar - à sua maneira - a vida e escreves um poste destes. Quem te disse, como podes saber que as raparigas que aquele padre ajudou não foram felizes com os filhos que tiveram? Nesse caso, o raciocínio contrário pode aplicar-se? Se uma rapariga engravidar aos 14 anos, mesmo que o queira fazer, aborta? Porque há coisas muito mais bonitas que ser mãe aos 14 anos. O que me chateia neste poste, Daniel, não é a defesa do aborto - já o escrevi no meu blogue que não tenho ideias absolutas e definitivas sobre o assunto - mas a forma como tratas aqueles que têm esperança numa outra forma de resolver o mesmo problema. Nem sequer sou católico, nem cristão, sequer crente. Mas fico banzado quando te vejo zurzir num homem que não só acredita que pode salvar as vidas das mães (adolescentes ou adultas) se as convencer a não abortar como dedica a isso grande parte da sua vida. Eu, por exemplo, não me posso gabar disso. Tu podes?
Um abraço,
STATLER
Só uma pergunta dos confins desta venerável Grande Loja : Importa-se de "definir" maturidade ?
Afixado por: Manuel em dezembro 17, 2003 06:14 AM
Francamente. Há posts que nunca deviam ter sido postados. Se não conhece-se o Daniel imaginaria uma criatura biliosa e vil.
Afixado por: Câmara em dezembro 17, 2003 09:25 AMErrata (qu'isto ainda é mui cedo) : Conhecesse
Afixado por: Câmara em dezembro 17, 2003 09:26 AMSTATLER
Eu não defendo o aborto. MAs acho intolerável que alguém se refira ao mais do que natural combate à gravidez na adolescência como um preconceito. Eu conheço uma rapariga que foi mãe aos 14. Não tem nada de bonito. A vida dela ficou destruida e a mãe da criança foi a avó. Claro que depois a criança cresceu, claro que a mãe a adora. Mas a vida dela não existiu. Não teve direito à adolescência. Por isso é que acho extraordinário que um padre diga fale em preconceito. Não admiro estes padres porque sei o que fazem. Salvam a alma, convencem as miúdas a não abortar, muitas vezes contra a família e nunca pedindo nada ao pai da criança, quase sempre com a chantagem do pecado para com a miúda, e depois dão roupinha e leite. São os mesmos que disseram à miúda para não tomar a pílula, que impediram a escola de ter educação sexual, que são contra o preservativo. Não resolvem problema nenhum.
Não consigo, desculpa mas não consigo admirá-los
Câmara,
como vais continuar sem me conhecer, vais morrer com essa imagem de mim. E eu, com a imagem de um tipo que cai a um blogue, abre uma caixa de comentários e escreve dois insultos. Tanto trabalho para tão pouco.
Afixado por: Danie Oliveira em dezembro 17, 2003 10:51 AMAcho que o STATLER está a confundir "tolerancia" com "aceitação": o DO quer prender ou matar o padre? Se não, como é que está a ser intolerante? "Intolerante" é querer obrigar as outras pessoas a pensarem ou agirem como nós. Se eu as achar que as pessoas que pensam diferente de mim são perfeitos idiotas e dizer isso abertamente, mas não as obrigar a pensar como eu, estou a ser tolerante.
Afixado por: Miguel Madeira em dezembro 17, 2003 10:58 AMSubscrevo as palavras do senhor Statler.
Oh Daniel Daniel Daniel Daniel... a vida é um caminho! Não tomes atalhos!
Nestas questões o senhor Daniel devia escrever o que tem para escrever e depois ir à janela, ver a vista bonita, ver as crianças a brincar alegremente, ver os passarinhos a chilrear, inspirar profundamente o ar de Lisboa, esticar os braços para o céu como uma árvore bonita e viçosa, estalar os ossos, ouvir aquela música das Doce "vou ficar a ouviiiiir, a radiooo no ar" e depois relia o texto, relia, relia e só depois postava.
Este assunto é sensível. Deixa a insensibilidade para os outros. A vida é um caminho.
Afixado por: O Bom Selvagem em dezembro 17, 2003 12:05 PMCruzes Canhoto!!! Daniel isso não se diz nem a brincar! Virgem Santíssima! Uma filha católica, CREDOOOO!
Gostei da parte dos preconceitos, "Get it"? Um padre, preconceitos. LOOOL! É que não têm nada a ver...
De facto ele até tem razão, no século XV as meninas de 14 anos também tinham bebés e ninguém achava mal. AI MALDITA evolução!
Ai sim, Miguel? Agora entendo algumas coisas.
Daniel, esta explicação no comentário já não me choca tanto. Já te disse que não sou católico. Continuo a admirar quem faz aquele tipo de trabalho, apesar de tudo, mas também não vejo com bons olhos o discurso contra os anticonceptivos. Saio caladinho pela porta dos fundos.
Atenção: quando digo "não me choca" quer dizer que entendo melhor os argumentos. Continuo a não concordar com eles. Mas assim discute-se melhor.
Afixado por: STATLER em dezembro 17, 2003 12:10 PMe mais uma vez só os homens se debruçam sobre este assunto
e nós andamos por aqui caladinhas a ler
Então fala, laurinha. É para isso que os comentários existem
Afixado por: Daniel Oliveira em dezembro 17, 2003 03:23 PMlaurinha, não tens roupa para lavar nalgum lado? Andor, que isto é conversa de homens.
Aha hah ahhhaaai (suspiro)
Sou tão boçal.
Agora a sério, já aqui disse que desconfio que o Daniel é aquela moça espectacular do BE, portanto não sei se é bem assim como dizes laurinha.
Afixado por: O Bom Selvagem em dezembro 17, 2003 06:05 PMhoje não foi dia de lavar roupa, q chove pa caraças, ó senhor bom selvagem
hoje foi dia de tratar de uma gata que anda deprimida e deixou de comer, para que saiba :p
daniel, falarei um dia, prometo
Afixado por: laurinha em dezembro 17, 2003 07:03 PMSei que o que vou dizer é polémico (ou talvez não, para mim).
Desconfio dos padres. Desconfio de todas as pessoas que têm um discurso "bonzinho" e uma prática diferente. A maioria dos padres que conheci eram desta qualidade. Sei que há padres diferentes e, a esses, peço desculpa pela minha postura.
Quando os padres defendem perantes os seus crentes, a NÃO utilização de contraceptivos, consideram o sexo como um pecado, apelam à paciência perante situações de exploração e violência, apelam a uma vivência na pobreza em nome do ganho dos reino dos céus e depois vivem em condições de conforto, fazem sexo deixando ou não descendência, neste último caso utilizando contraceptivos, fico irritada.
Quando os padres falam em NÃO discriminação, em solidariedade, etc. e depois dirigem associações de solidariedade social de apoio à infância, por exemplo, com a maior das indignidades e maltratando quer o pessoal que ali trabalha, quer as crianças, então é que fico irritada de todo.
Não é por serem padres, é por serem pessoas hipócritas, sem princípios e sem qualquer ponta de dignidade ...
pois ... bolas
GIN
É de sofrimento que se fala quando se fala do aborto, de sofrimento da mulher que resolve interromper a gravidez.
A mulher ou a adoloscente têm o direito e o dever de obstar serem vítimas da falta de condições que a sociedade, de que elas são parte, lhes impõe. Todos nos deveríamos empenhar nesta luta pela criação das condições que faltam.
Parece-me claro que haverá sempre falta de condições ideais ou razoáveis para todos os casos de gravidezes, e que, portanto, sempre estas razões serão invocadas numa qualquer I.V.G.
Como os princípios, tabela de valores e conceitos éticos que sustentam as várias posições sobre esta questão, são afinal o que nos divide, o referendo seria bem vindo.
Sim Pedro lima ... desde que os padres e as freiras não tenham direito a voto ... risos
foi piada
gin
Afixado por: GIN em dezembro 17, 2003 08:25 PMGIN não sabias, todos os padres são assim. Os gajos para tirar o diploma têm de passar o teste de hipocrisia. E olha que não é fácil, só os melhores é que chegam a representantes de deuse.
Afixado por: _achtung_ em dezembro 17, 2003 11:14 PMÉ a típica argumentação de 2 caras da esquerda.
Pelos vistos só eles podem ser preconceituosos.
Nem que para isso tenham de atirar areia aos olhos das pessoas. Então todos os adolescentes tem 14 anos não?
Sim é que tens toda a razão! Ter um bebé com 14 anos é deplorável! Ele concerteza que só se referia aos preconceitos das pessoas de alta sociedade que acham que não é normal ter um bebé com 16 anos ou com 11, ou 12, ou 15, ou 17. Há lá coisa mais natural!
Afixado por: _achtung_ em dezembro 18, 2003 06:03 PMhttp://62.48.143.220/noticia.asp?noticiaid=5150
Não estou muito longe: descriminalizar, nao legitimar!