dezembro 19, 2003

Agora também no natal

Se você é daqueles que se aborrece por ter de estar dois dias refém daquelas pessoas da família que só vê nestas alturas. se já não suporta ouvir sinos a tocar. se acha que o natal dos hospitais é o melhor freak show que conhece. se se chateia de morte com o facto de não haver cafés abertos na consoada, não desespere: ao contrário de vários blogues de referência que vão de férias, o Barnabé aqui estará para lhe fazer companhia no 2003º aniversário do deus menino.

broas festas e filhozes.

Publicado por celsomartins em | TrackBack
Comentários

Grande Barnabé. Acho muito bem. Eu, cá por mim, vou-me enfartar de doces de natal e depois vou desmoer numa saída à noite. A noite da consoada é muito boa e não há nada como um Whisky com muito gelo para enfrentar o Dia de Natal.
Se calhar ainda passo pelo Barnabé, só para desejar boas festas

Afixado por: Viúva Alegre em dezembro 19, 2003 04:49 PM

:)

Afixado por: Cat S em dezembro 19, 2003 04:54 PM

Verdadeiro serviço público, caro Celso.
Assim ainda chegas a ministro

Afixado por: Real em dezembro 19, 2003 05:09 PM

um homem tem que se esforçar, Real.

Afixado por: celsomartins em dezembro 19, 2003 05:14 PM

(de uma música dos Everything but the Girl) Sem vocês, todos os dias seriam como o dia de natal: muito frio e nada para fazer.

Afixado por: Inês em dezembro 19, 2003 05:23 PM

...and i don´t like sleeping or watching tv on my own, so please come on home. vá lá Inês, assim ficamos comovidos...

Afixado por: celsomartins em dezembro 19, 2003 05:29 PM

boa ideia! Já não vou ficar sozinho, quando toda a gente se julga acompanhada...

Afixado por: zef em dezembro 19, 2003 06:13 PM

Já que estamos numa de espírito Natalício, que tal oferecer-me uma prenda: que algum dos barnabitúricos escreva sobre a Chechénia caraças.
Falei nisso num comentário e ninguém me ligou nenhuma.

Afixado por: O Bom Selvagem em dezembro 19, 2003 07:10 PM

Rica ideia. E com um bom malte para acompanhar o prazer da leitura.

Afixado por: OLima em dezembro 19, 2003 07:47 PM

Estava para vos chamar de viciados, mas se calhar sou como o peixe que morre por onde come e talvez ainda cá venha dar-vos uma rabanada. Pura solidariedade, claro...

Afixado por: Sofia em dezembro 19, 2003 09:35 PM

Ó Sofiinha,bem hajas.

Afixado por: zef em dezembro 20, 2003 11:19 AM

"Definitivamente, Karol Wojtyla já não se encontra apto para o cargo que exerce. Se dúvidas havia, elas foram dissipadas no passado dia 13, na sequência da torpe «revelação»1 (em versão Pilgrim's Digest) do suposto conteúdo da terceira parte do «segredo» de Fátima.

Escusado será dizer que tenho Fátima como uma mistificação da Igreja Católica e do Estado Novo.2 Até posso nem questionar que Lúcia tenha visto algo (o que não quer dizer que houvesse algo para ser visto - as crianças têm uma imaginação fertilíssima...), mas a «mensagem» de Fátima foi primordialmente moldada pela hierarquia católica portuguesa do pós-28 de Maio de 1926,3 como forma de denegrir a anticlerical Primeira República e, depois, como arma de arremesso anticomunista. Isso mesmo se deduz de certos elementos espúrios tardiamente acrescentados à mitologia das «aparições» de Fátima, quando o culto perdera já a sua raiz popular e se tornara uma construção eclesiástica. Estes elementos, que não fazem parte da mensagem
original, apareceram pela primeira vez as «memórias» de Lúcia, começadas a publicar na década de 40, numa altura em que a «vidente» era já uma freira em regime de clausura (forçada?).

O caso do «Anjo de Portugal» é paradigmático: com o intuito de trazer legitimação divina ao golpe de 28 de Maio de 1926, foi enxertado na cronologia de Fátima um anjo, que teria aparecido aos pastorinhos a prognosticar o retorno do país aos «rectos caminhos cristãos»; essa aparição teria ocorrido em 1916 (dez anos antes do golpe - os números redondos agradam ao Senhor). Só não se compreende a surpresa das crianças aquando da primeira aparição da Virgem: para quem privara no ano anterior com uma imanação divina, este tipo de hierofania deveria ter-se tornado o pão nosso de cada dia...

Outro exemplo ilustrativo é a necessidade de «conversão da Rússia», que constitui a segunda parte do segredo e seria a maior profecia dos tempos modernos, tivesse sido revelada em 1917 e não em 1941: «A Guerra [de 1914-18] vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI [Papa de 1922 a 1939] começará outra pior.»4 Mensagem mais clara não há: a Virgem foi ao pormenor de indicar o nome adoptado por aquele que seria Papa nas vésperas da - imprevisível em 1917 - Segunda Guerra Mundial! Mudam-se os tempos, mudam-se as revelações: o relativismo finemilenar só nos concedeu um «terceiro segredo» a obrigar a uma interpretação por parte da Congregação da Doutrina da Fé, nome moderno e politicamente correcto do Santo Ofício. (Espera-se best-seller.)

O chamado terceiro segredo foi uma das grandes fontes de fascínio de Fátima, sequioso como é o povo de revelações divinas que, de alguma forma, amenizem a incerteza que viver, esperar o futuro, é. O seu carácter secreto garantia-lhe ainda uma outra vantagem: como ninguém sabia do que se tratava, cada circunstância presente ou cuja ocorrência parecesse iminente podia ser transformada no objecto do oráculo mariano; estávamos perante o perfeito «segredo-camaleão», o joker do baralho político-teológico, que a cada momento podia assumir o valor mais conveniente.5

A 13 de Maio último João Paulo II desperdiçou esse joker: no final da cerimónia, o desalento era evidente entre aqueles que se tinham apercebido que aquilo era a terceira parte do segredo; só muito a custo o Padre Vaz Pinto conseguia esconder a sua atrapalhação, e José Rodrigues dos Santos tentava, como um malabarista sem talento, tornar o momento da revelação em algo empolgante e histórico. Mas esta deu para tirar algumas ilações que não são de desprezar, embora, por outro lado, não constituam novidade; são antes
confirmações.

A primeira ilação é que o rebanho de Deus é agora um pouco mais exigente. Está claro que o povo esperava mais: esperava revelações sobre o futuro, não sobre o passado, que esse toda a gente conhece.6 Infelizmente, esta desilusão com o terceiro segredo não dará frutos de maior monta: a vasta maioria dos crentes continuará, cegamente, a sê-lo, refugiando-se num de dois expedientes possíveis (ou ambos): «Eles ainda não revelaram tudo...»,7 ou «Estas coisas é melhor a gente não aprofundar uito...».8 E, depois, o tempo fará o seu trabalho e o facto de a profecia ter sido feita a posteriori cairá no esquecimento ou será relativizado. (Não devemos menosprezar o desejo das massas de acreditarem em algo.)

A segunda ilação é a de que a hierarquia da Igreja Católica não tem os pés assentes na Terra. Um segredo tão mal «alinhavado» só pode provir de uma estrutura desfasada do mundo a que, apesar de tudo, pertence, e para mais habituada a ser seguida por uma multidão acrítica. Só assim se entende que queiram que se acredite que o Vaticano tinha há décadas uma profecia vaticinando a ruína do bloco soviético e que não usou esse trunfo. A explicação «esfarrapada» que o Padre Vaz Pinto adiantou (que a Igreja Católica manteve o segredo para não influir no curso da História) só pode fazer rir: por um lado, desde a fundação da União Soviética que o Vaticano se desdobrou em esforços para deter o «terror vermelho»; por outro lado, para que servem as profecias se não for para alterar o curso («errado») da História?

A terceira ilação é o facto de se confirmar o delírio místico-mariano em que vive o Papa: João Paulo II acredita ter um elo especial com a Virgem Maria, em particular com Nossa Senhora de Fátima.9 Freud e a idade explicam, mas mesmo assim o Sumo Pontífice deveria ter resistido à tentação de se associar desta forma às aparições - cair no pecado de orgulho10 nesta idade pode revelar-se erro irremissível.

Não havia necessidade..."

Fernando Gouveia em http://www.ateismo.net/

Afixado por: zapatista em dezembro 21, 2003 10:14 PM
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