março 22, 2004

Contactos em busca da paz

Fevereiro de 1973: Comandos israelitas entram em Beirute e matam dois dirigentes da OLP.
Janeiro de 1979: Agentes israelitas matam Ali Hassan Salameh à bomba, em Beirute. Salameh tinha planeado o atentado de Munique.
Abril de 1988: Agentes israelitas assassinam Khalid al-Wazir (Abu Jihad), assessor de Yasser Arafat na OLP .
Fevereiro de 1992: Dirigente do Hezbollah, Sheik Abbas Musawi, é assassinado por ataque de helicóptero.
Outubro de 1995: Fathi Shakaki, dirigente da Jihad Islâmica é assassinado em Malta. Israel não assume a responsabilidade de levar a sua política de pacificação para fora do território.
Janeiro de 1996: O especialista do Hamas em fabrico de bombas, Yehiyeh Ayyash, é morto com uma bomba em Gaza. Israel assume a autoria do atentado.
Setembro de 1997: Dois agentes da Mossad são presos na Jordânia quando tentava assassinar o dirigente do Hamas, Khaled Mashaal.
Janeiro de 2002: Raed Karmi, um dos dirigentes das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa é morto por um atentado israelita.
Julho de 2002: Em Gaza, são lançadas bombas sobre a casa do comandante do Hamas Salah Shehadeh, que é morto com mais 14 pessoas.
Setembro de 2002: Comandante do Hamas Mohammed Deif é abatido por um ataque aéreo israelita.
Março de 2003: Ibrahim Makadmeh, do Hamas, é abatido, em Gaza, por um ataque aéreo israelita.
Junho de 2003: O dirigente do Hamas Abdel Aziz Rantisi é abatido, em Gaza, por um ataque aéreo israelita.
21 de Agosto de 2003: Três membros do Hamas, incluindo Ismail Abu Shanab e dois guarda-costas, são mortos por mísseis lançados por um helicóptero israelita. Morreram mais 15 pessoas.
24 de Agosto de 2003: Quatro palestinianos, todos membros do Hamas, são mortos num ataque de helicópetero em Gaza. Vários transeuntes feridos.
28 de Agosto de 2003: Um membro do Hamas é morto por um míssil em Gaza.
30 de Agosto de 2003: Dois palestinianos, ambos do Hamas, são mortos por ataque israelita. Vários feridos sem qualquer relação com o ataque.
1 de Setembro de 2003: Um membro do Hamas é morto por um ataque de míssil, um transeunte também morre. Mais 25 ficam feridos.
20 de Outubro de 2003: 14 palestinianos são mortos por mísseis israelitas no campo de refugiados em Gaza. Alguns teriam ligações a grupos terroristas, outros não.
7 de Fevereiro de 2004: Dois palestinianos são mortos por um ataque destinado à Jihad Islâmica, em Gaza. Entre os mortos está uma criança de 12 anos.
28 de Fevereiro de 2004: Três membros da Jihad Islâmica são mortos, em Gaza, por mísseis israelitas.
3 de Março de 2004: Três membros do Hamas são mortos, no seu carro, por um míssil, em Gaza.
22 de Março de 2004: Sheik Ahmed Yassin, líder do Hamas, é morto por um míssil.

Aqui, estão só os ataques a dirigentes de grupos terroristas e a dirigentes da OLP. De fora ficaram outros, bem mais sinistros, porque dirigidos a populações inocentes. De fora ficam todas as humilhações, cercos, demolições de casas e provocações a um povo. Aqui, os mortos de que se fala são terroristas ou dirigentes políticos (no caso da OLP). Apenas para verificar que esta estranha forma que um Estado tem para lidar com o terrorismo, confundindo-se com ele e usando os seus métodos, já tem uma longa história. Diz muito dos seus líderes (sobretudo do actual) e tem tido os resultados que se conhecem.

Publicado por danieloliveira em
Comentários

Muito pertinente a cronologia que nos deixa o Daniel. Terão os israelistas concerteza a sua lista análoga de atentados e mortos.
Só é pena que um povo tão capaz como o
Judeu, com diversas provas dadas ao longo da História da Humanidade, não consiga alcançar que não tem razão, que não tem o direito, que a ocupação é ilegítima e que Sharon está a prejudicar todo o povo de Israel e a sua controversa acção pelo mundo fora.
Um País que não precisa, cuja economia é sólida, a qualidade de vida satisfatória e goza de sã democracia.
Sharon rebenta com a reino e o resto do Mundo assiste de braços cruzados, preocupadíssimo com a ocupação do Iraque, muito mais justa...

Afixado por: GUI em março 22, 2004 02:16 PM

Ano a ano, vai diminuindo drasticamente a lista de possiveis convidados para a festa do Avante.

Afixado por: dmarques em março 22, 2004 02:29 PM

Dmarques, fantástica piada! Eheheheheh!

Afixado por: GSC em março 22, 2004 02:36 PM

Tens razão. Que se lixem os autocarros. Afinal, a seguir a um vem outro.

Afixado por: AFerreira em março 22, 2004 02:45 PM

MAIS UM DEMOCRATA PARA AS VIRGENS
Basta ya, Yassin
Não lamento a morte de psicopatas. Nem temo as consequências: quem escolhe um psicopata como guia espiritual não necessita de pretextos para alimentar o ódio. O ódio já lá estava. As consequências serão as habituais.
IN O HOMEM A DIAS// posted by ag

Afixado por: RUI CARMO em março 22, 2004 02:54 PM

Quem contraponha estes assassinatos aos atentados terroristas está, na prática, a por um Estado em pé de igualdade com um grupo terrorista. E fica resitado.

Afixado por: Daniel Oliveira em março 22, 2004 02:55 PM

"esta estranha forma que um Estado tem para lidar com o terrorismo, confundindo-se com ele e usando os seus métodos"

1) Não é terrorismo. Em geral, trata-se de assassinatos bastante seletivos de pessoas comprovadamente culpadas, comprovadamente envolvidas em guerra contra Israel e/ou em ataques terroristas. Ocasionalmente há vítimas colaterais, e ocasionalmente essas vítimas são numerosas, o que certamente retira legitimidade a estas operações bélicas. Mas não se trata de terrorismo. Terrorismo é espalhar indiscriminadamente o terror por entre populações civis inocentes.

Confundir um bombista que se faz explodir num autocarro carregado de civis, ou um atacante que sequestra e assassina toda uma delegação de atletas, com um agente de serviços secretos que faz explodir um telemóvel ao ouvido de um líder inimigo, é totalmente enganador.

2) Trata-se de uma guerra. Na guerra fazem-se coisas de forma pouco bonita, muitas vezes até porque é impossível fazê-las de outra forma. Há naturalmente que fazer uma escolha entre custos e benefícios, e não se justifica matar 20 civis para alcançar apenas um líder inimigo. Tal como não se justificaram os bombardeamentos, esses sim terroristas, de cidades alemãs por forças americanas e inglesas na 2ª guerra mundial. Mas na guerra nem sempre é possível fazer as coisas de forma elegante: capturar um tipo, levá-lo a julgamento, condená-lo, executá-lo (como Israel fez com Eichmann). Faz-se as coisas de forma suja - o menos suja possível, esperemos.

Longe de mim ser um admirador de Israel. Mas daí até chamar terrorismo a uma operação de guerra, aliás relativamente seletiva, vai uma grande distância.

Afixado por: Luís Lavoura em março 22, 2004 02:56 PM

Pensa nos civis que estão refens dos dirigentes extremistas dos DOIS LADOS; esses não têm quem os defenda.
Os dirigentes radicais que se matem uns aos outros, mas que deixem os civis de fora.

Afixado por: Marco Oliveira em março 22, 2004 02:56 PM

Daniel dá para colocar aí a cronologia de atentados a autocarros civis e correspondentes assassinatos? Desde já o meu muito obrigado.

Afixado por: Bionic em março 22, 2004 03:04 PM

Repito, Bionic: «Quem contraponha estes assassinatos aos atentados terroristas está, na prática, a pôr um Estado em pé de igualdade com um grupo terrorista. Fica registado que a comparação não foi feita por mim.»

Afixado por: Daniel Oliveira em março 22, 2004 03:12 PM

o daniel não me digas que estas com pena

fico à espera de ver os tes comentários quando dos atentados palestinianos

"estavam maesmo a pedir"

Afixado por: akenaton em março 22, 2004 03:31 PM

Daniel:
Quem contraponha as razões de um grupo terrorista às razões de um Estado de Direito está, na prática, a pôr um grupo terrorista em pé de igualdade com um Estado de Direito. Fica registado que a comparação não foi feita por mim, mas sim, por Mário Soares e quejandos.

Afixado por: Águalusa em março 22, 2004 03:35 PM

Terroristas que frutificaram à conta de uns teimosos que embirram que aquela terra há-de ser deles. Terroristas desesperados, atrocidados por tropas e governos que insistem em entrar ali, que têm na chipala uma democracia mas praticam toda a tirania que bem lhes apetece. Aqui não há manobras de guerra (como gosta de dizer Luís Lavoura) e terrorismo. Aqui há mortes à pazada, um povo a quem querem roubar território e outro que não se contenta com o que tem. Aqui os limites e a legitimidade da violência há muito que se apagaram. E o terrorismo é o fruto dessa luta injusta de Israel.

Afixado por: GUI em março 22, 2004 03:54 PM

Esqueceste-te do secretàrio geral da Frente Popular pela libertaçao da palestina, acerca do qual nao consta que fosse um fundamentalista.
Foi dos primeiros a ser eliminado e o seu grupo armado, tal como a maioria dos grupos laicos palestinianos, sempre restringiu os seus ataques a alvos militares ou da extrema-direita israelita.
Mete-los a todos no mesmo saco é còmodo, mas nao deixa de ser desonesto.

Afixado por: ricardo noronha em março 22, 2004 04:02 PM

Ricardo, eu escrevi:«Aqui, estão só os ataques a dirigentes de grupos terroristas e a dirigentes da OLP» e «os mortos de que se fala são terroristas ou dirigentes políticos (no caso da OLP)». Não sei se te referias a mim, mas não meti tudo no mesmo saco.

Afixado por: Daniel Oliveira em março 22, 2004 04:14 PM

só falta a cronologia das "acções de libertação" do Hammas...

Afixado por: thx1138 em março 22, 2004 04:21 PM

thx1138, pela terceira vez: «Quem contraponha estes assassinatos aos atentados terroristas está, na prática, a pôr um Estado em pé de igualdade com um grupo terrorista. Fica registado que a comparação não foi feita por mim.»

Afixado por: Daniel Oliveira em março 22, 2004 04:24 PM

«Quem contraponha estes assassinatos aos atentados terroristas está, na prática, a pôr um Estado em pé de igualdade com um grupo terrorista. Fica registado que a comparação não foi feita por mim.»

Mas eu faço-a. Um estado que recorre aos mesmos métodos das organizações terroristas põe-se a si próprio em pé de igualdade com um grupo terrorista. E, muito pior que isso, entrega de bandeja aos (outros) terroristas uma legitimidade que eles nunca deviam ter.

É que ao tratarmos Israel como um estado como os outros, estamos a dar legitimidade aos seus actos. Se Israel utiliza essa legitimidade para fazer terrorismo, estamos a dizer ao povo que Israel oprime e a todos os seus amigos espalhados pelo mundo que o terrorismo é legítimo.

Na verdade, Israel é uma organização terrorista que deve ser tratada como tal. E mais: a organização terrorista chamada Israel é o maior aliado das outras organizações terroristas que diz combater: a Jihad Islâmica, o Hamas... a Al Qaeda. São os seus actos que lhes dão força.

E nós, o mundo civilizado, depois pagaremos as favas...

Afixado por: Jorge em março 22, 2004 05:57 PM

Falta incluir na lista dos "esforços de paz" os inúmeros atentados terroristas que levaram à criação do estdo judaico.

Afixado por: Teixeira Pinto em março 22, 2004 07:00 PM

Ó Daniel,
esqueceste-te de colocar aí uma data muito importante que foi quando, antes dessas mortes todas, os israelitas foram ter com os terroristas e lhe pediram muito humildemente:
-Epá, vocês querem parar de nos atacar e de cometerem actos terroristas contra o nosso povo, por favor? É que estamos a ficar sem autocarros.
-Ó meu, a malta até gostava, mas temos aqui um stock grande de bombas e além disso temos aqui muitos candidatos a homens bomba, pá, o que é que a gente faz com eles? É que eles estão filados nas 72 virgens, pá, vai ser dificil!
Já não deu para ver que estes gajos (os terroristas) não entendem a via do diálogo?
Que arranjam sempre pretextos para matar?

A tua opinião é que um Estado que utiliza estes expedientes para lutar contra o terrorismo fica em pé de igualdade com os terroristas.

A minha opinião é que, um Estado de 5 milhões de habitantes que quer sobreviver à fome de matança de 800 milhões de árabes, têm que utilizar a única linguagem que eles entendem: A guerra!

É chato?
É, mas é a realidade.

Afixado por: Heroi do Silêncio em março 23, 2004 04:25 AM

Tinha ideia que a fome era mais do outro lado do muro. Mas provavelmente estou enganado.

Afixado por: Daniel Oliveira em março 23, 2004 09:16 PM

Pois estás, a fome deles é outra...

Afixado por: Heroi do Silêncio em março 23, 2004 11:53 PM

Mais uma prova de que a esquerda portuguesa está sempre do lado dos terroristas. Se não vejamos:

Nos anos 70 - esteve do lado da ETA, escrevendo nas paredes e muros deste pais o seu apoio à ETA e a alguns terroristas condenados à morte por Franco.

Depois o apoio ao IRA e a Bobby Sands

Em seguida o declarado apoio às FP 25 de Abril, por parte da esquerda radical e o silêncio da esquerda democrática.

Depois da queda do Partido Trabalhista em Israel, em 1978 e a subida ao poder de Begin, a esquerda mudasse de armas e bagagens para o apoio à OLP e aos grupos terroristas que a ela estão aliados.

Oposição da esquerda à invasão da do Afeganistão, um santuário dos terrorista.

O mesmo em relação ao Iraque.

Dirão que é por isto e por aquilo. A grande verdade é que estão sempre do lado do terrorismo.

Afixado por: Catarina Vaz em março 24, 2004 10:37 AM