março 22, 2004

Quem tem fome ponha o dedo no ar

«Ministério da Segurança Social diz que, se tivesse números sobre a fome, localizaria as pessoas e estas seriam alimentadas».
in Público
Eu vejo-as todos os dias nas ruas de Lisboa, estarei a ter surtos psicóticos?

Publicado por celsomartins em
Comentários

Vês pessoas ou vês os números?
É que o Ministério quer os números...
;-)

Afixado por: Marco Oliveira em março 22, 2004 02:46 PM

não, o ministério quer saber onde estão as pessoas que são 200 mil. Como são poucas é natural que não as encontre.

Afixado por: celsomartins em março 22, 2004 03:04 PM

Algué leu, com olhos de ler, as reportagens e artigos do Público de ontem? Alguém se questionou sobre a falata de critérios e objectividade que os próprios investigadoes confessam?
Já agora, as pessoas que vê na rua estarão mesmo com fome? Perguntou-lhes? Ou apenas não lhes apetece trabalhar?

Afixado por: Dupont em março 22, 2004 03:18 PM

Caro Dupont: ponha-se nu lugar da fome deles e diga-me onde vai buscar a vontade de trabalhar; qualquer vontade de.

Afixado por: Depois do almoço em março 22, 2004 03:45 PM

Caro Dupont: ponha-se no lugar da fome deles e diga-me onde vai buscar a vontade de trabalhar; qualquer vontade de.

Afixado por: Depois do almoço em março 22, 2004 03:45 PM

Dupont: Algumas das pessoas que eu vejo na rua "dizem-me mesmo" que estão com fome eu nem preciso de ir perguntar. E quanto às que lhes "apetece trabalhar" calculo que tenha trabalho para elas. Talvez se deixasse o seu contacto elas se lhe pudessem dirigir. É que eu tenho o azar de conhecer muitas a quem "apetece trabalhar" e não sabem onde..

Afixado por: Leonor em março 22, 2004 03:48 PM

Custa-me a crer que pessoas que andam na rua em andrajos, com a doença e a fraqueza estampadas no rosto e no corpo, não queiram trabalhar. E provavelmente não podem.
Mas a solução de muitos é pensar que as pessoas que estão sujeitas á suprema e desesperada indignidade que é pedir algo aos outros, o fazem por escolha própria. Se calhar por gozo.
Provavelmente são aqueles que nunca souberam o que é ter uma real dificuldade na vida.
Eu vejo pessoas com fome, pessoas que moram na rua, que dormem em bancos de jardim ou em caixotes.
Mas cambada de safardanas, estão assim porque não querem trabalhar. Até porque trabalho há para aí aos pontapés, a jorrar por todo o lado, como se sabe. E uma pessoa que não tem uma casa para tomar banho, roupa para vestir, local para simplesmente se refugiar minimamente, fá-lo por gozo, porque é fixe e radical, e afinal, trabalhar é para os otários...
É isso mesmo, olas, como é que pude andar cego desta forma...

Afixado por: Stephen King em março 22, 2004 03:51 PM

Eu vejo os de Lisboa e do Porto quando lá vou. E vejo também, por este Portugal fora, a pobreza envergonhada nos meios rurais. Se estes se manifestassem as estatísticas seriam maiores.
Os ministros não vêem porque só olham para o partido.

Afixado por: Joao Norte em março 22, 2004 05:35 PM

Caro Dupont: eu é que me pergunto se você leu o dossier do Público. A título de exemplo, vejamos dois casos aí apresentados:

Sra. Maria José, 77 anos: "Vou fazendo uma bainhas numas calças, vou pondo uns colarinhos, ainda faço uma saia, se for devagarinho."

«João Baptista, 54 anos, está desempregado há um ano [depois de 17 anos a trabalhar na mesma empresa, a Fricarnes, que fechou um matadouro e despediu todo o pessoal], recebe um subsídio "de cerca de 130 contos" (650 euros), a esposa não trabalha, são cinco as bocas para alimentar. »

Bem. Eis o que se deve fazer: pôr a Da. Maria José a aceitar mais trabalho, afinal com 77 anos ainda pode aguentar carregar umas caixas na lota, por exemplo. E cortar o subsídio ao João Baptista que é para o ensinar a pescar e para os seus filhos não se habituarem à subsídiodependência. Aí teremos um país moderno e competitivo.

Afixado por: rui tavares em março 22, 2004 05:36 PM

Para além do gravíssimo problema das cem, duzentas ou trezentas mil pessoas que passam fome em Portugal, lembrem-se também daqueles, que são concerteza em muito maior número, que apenas têm dinheiro para não passar fome. Nunca se saberá o número certo, nem de uns, nem de outros.

Afixado por: antonio em março 22, 2004 06:07 PM

Meus caros: sei exactamente do que falo. Cá em Vila do Conde apareceram quase um milhar de desemprgados no último ano. Por questões que não interessa revelar, tenho contacto com eles e garanto-vos que nenhum passa fome. Dificuldades? Muitas! Imensas! Fome? Nenhuma. Os que passam fome são, precisamente, os que vão à Stª Casa da Misericórdia, e instituições afins, pedir sopa porque não só não têm emprego como não tencionam ter. Porque não lhes apetece, porque não aguentam ordens de ninguém, porque preferem lamentar-se a construir o que quer que seja, inclusivé a família que, muitas vezes, já destruíram. Miséria, sim, mas de vontade e capacidade.

Quanto ao "estudo": Leonor Vasconcelos Ferreira diz “não haver dados fidedignos” sobre as questões alimentares. Alfredo Bruto da Costa “admite que não há consenso quanto ao método científico para qualificar a pobreza”. Depois, há dois estudos pormenorizados. Um, de Sofia Guiomar, nutricionista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, que “em 2002 fez uma investigação com 102 agregados familiares de Évora, Beja, Baião, Setúbal e Porto” que recorriam a formas de apoio alimentar. Escolhidos a dedo, hem? Finalmente, e para não nos alongarmos com mais exemplos, o “Observatório Nacional de Saúde estudou 647 unidades de alojamento com telefone fixo em Portugal continental”. Telefone? Pelos vistos os esfomeados têm dinheiro para pagar à PT...
Nos meus tempos de estudante universitário, um "estudo" destes era brindado com um chumbo à disciplina respectiva. Agora dá direito a manchetes no jornal. "Sign of the Times", como cantava Sua Alteza...

Afixado por: Dupont em março 22, 2004 06:33 PM

Se as vê é porque elas não têm tanta fome assim... se tivessem andavam à procura dela e não na rua.

Afixado por: cparis em março 22, 2004 06:33 PM

Em tempo: enquanto houver e se houver um único português com fome, algo está mal.
Mas seria, sem dúvida, interessante, saber quantos portugueses viviam com fome há 10, 20 e 30 anos atrás, pelo menos...
E, já agora, quantos morreram de fome também seria um dado interessante... Um numerozinho concreto. Só para termos uma ideia sobre o que é que estamos a falar...

Afixado por: Dupont em março 22, 2004 06:38 PM

Dupont,
Acontece que há pessoas que tendo telefone... têm também fome. Espero que não saiba nunca o que é a pobreza envergonhada e escondida. Você sabe tanto e sabe afinal tão pouco.

Afixado por: antonio em março 22, 2004 08:12 PM

Meus amigos o negócio está em investir em produtos oftaonologicos, pois nem a Segurança Social vê a miséria que se planta nas grandes cidades, nem a Justiça apanha os pedófilos que frequentavam a Casa Pia, que também é uma qustão de visão...

Afixado por: Francisco em março 22, 2004 10:29 PM

"pobre" Dupont. Calculo que vocé não saiba o que é ter fome. É que eu também não mas infelizmente tenho olhos na cara para ver o que se passa a minha volta. Eu não sei de onde é, presumo que de Vilamoura ou da Quinta da Marinha, mas se um dia passear por Lx, Porto, Setúbal ou Coimbra verá o que é miséria nas urbes. Se passear pelo interior verá o que é miseria e fome. Verá como em 2004 se divide um tacho de agua com toucinho por 6 ou mais pessoas. No dia em que aquilo leva uma couve ou uma batatita é uma sorte. Crianças que NUNCA comeram peixe fresco. Ter fome não é estar a uma semana sem comer, ter fome é só ter ordenado para 15 dias quando o mes tem 30. Ter fome é ter de gastar 300 euros em medicamentos quando se tem uma reforma de 200. Ter fome é não ter um tecto para se abrigar e onde fazer comer. Ter fome é a vergonha que se tem em ter de pedir ao vizinho uma chavena de arroz para aguentar um dia de trabalho. ter fome é isto tudo e muito mais. Mas para ti Dupont as pessoas têm fome porque querem, porque não lhes apetece trabalhar, porque querem viver do subsidio, porque gastam o dinheiro em alcool. Para ti todos são prosperos e ricos. Só porque na tua rua todos são assim. Só numa coisa tens razão. Comparadas contigo a maioria das pessoas pobres são ricas, pelo menos no espirito, onde tu és de facto muito pobre. É por existirem pessoas como tu que eu por vezes tenho vergonha dos meus compatriotas, não é pelos pobres. É por pessoas como tu.
Que nunca te falte a comida no prato.

Afixado por: Daniel Arruda em março 22, 2004 11:02 PM

O rui Tavares mostrou exactamente quais os grupos que mais são afectados pela pobreza: os idosos sem família (ou que não quer saber deles)e sem apoios. E os desempregados de meia idade, com família para sustentar, que a dada altura são despedidos em massa porque a empresa faliu devido à fuga do patrão para o Brasil.
Dupont: muita coisa está mal em Portugal. em Vila do conde talvez a fome não seja tão visível, porque é u,ma cidade pequena e com formas de rendimento diversificadas. Mas experimente subir o rio Ave e vá ver o desemprego que as falências fraudulentas causaram; sobretudo a gente que devido À idade tem imensa dificuldade em arranjar novo ofício, ou não vai a tempo de se readaptar.
É certo que há muitos "enganadores", e eu também tenho dúvidas em dar esmola na rua. o problema é que a maior parte das pessoas com reais dificuldades não anda a pedir esmola: pede emprego ou prefere ficar calada. É curioso aliás ver que os mais "anti-pobres" são exactamente os membros do PP, esses "cristãos" que têm como garboso lema "vai trabalhar, malandro!". aliás, Cristo não se cansava de dizer o mesmo, desprezando tudo o que era pobre ou desvalido.
A propósito, a frase não seria aplicável aos meninos da JP? É que a maior parte dos que conheço não só são péssimos estudantes, como o único trabalho que querem arranjar são o respectivo tacho partidário. Como aqueles novos gestores hospitalares, que ganham balúrdios e não têm carros abaixo dos 45.000 Euros. Grande distribuição de riquezas, não é?

Afixado por: João Pedro em março 23, 2004 12:13 AM

Lamento, Daniel Arruda, mas não vai ser você a redefinir o conceito de fome. Muito menos quando se baseia em meia dúzia de lugares comuns e de exemplos de coitadinhos e, claro, à falta de capacidade argumentativa resvala para o ataque soez e a arruaça rasteira própria de um conceito de vida feita a partir de genralizações e não de factos concretos - que era, aliás, o tema do post, caso v. não tenha reparado.

Afixado por: Dupont em março 23, 2004 01:08 AM

Se derem uma volta pelos shoppings hão-de reparar nas imensas folhas colocadas nas portas dos establecimentos a dizerem "Precisa-se funcionário(a)".
Se derem uma volta pelas milhares de obras que se constroem por esse país fora, hão-de reparar que não deve haver uma única que não precise de trabalhadores.

Conheci um dono de um cash & carry na Trofa que me confessou que tinha constantemente um anúncio a pedir gente para trabalhar e que nunca lhe aparecia ninguém, ou então só lhe apareciam drogados que queriam ganhar logo duzentos contos.

Conheci um dono de uma bomba de gasolina em Braga que está constantemente a pedir gente para trabalhar. Ele oferece o salário mínimo, fora as grojetas, e apareceu-lhe lá uma vez uma mãe de 3 filhos que ao saber quanto era o ordenado, disse que não aceitava porque ganhava mais em casa com o rendimento mínimo garantido.

Na empresa onde eu trabalhava estava sempre cá fora um drogado que vivia das grojetas a arrumar carros para sustentar o vício. Conseguiu (sei lá como) ter direito a 75.000$00 de rendimento mínimo garantido, que era, óbviamente, estourado nos primeiros dias em droga.

Já não é a primeira vez que vem ter comigo gajos a pedir uma moeda porque estão com fome, e eu ofereço-lhes comida, uma sopa, leite, pastéis ou sandes, e a resposta deles é: "Não. Eu quero a moeda ou não quero nada."

São estes "esfomeados" por droga ou por alcoól que devem fazer o número elevar-se para duzentos mil!

E é este tipo de gente que vêm para a TVI dizer que vive mal e que passa fome e que o culpado é o giverno.

Não digo que não existam casos excepcionais de gente que realmente passa mal, mas recuso-me a acreditar no número de 200.000!

Se não, como é que tantos ucranianos arranjam trabalho?...

Afixado por: Heroi do Silêncio em março 23, 2004 05:28 AM

Pobre Dupont, o genero da minha resposta é aquela que me aprtece dar. O tom que imprimi ao meu comentário é aquele que me apeteceu. É aquilo que eu penso de pessoas que vivem tal como alice num qualquer pais das maravilhas. Nos teus comentários anteriores disseste o que pensavas. Que o artigo do publico era especulativo, que não tinha base, que as pessoas até tinham telefone. Quiseste impor a tua opinião, é justo. No entanto no meu pensamento mando eu e não tu ou a pseudo sociedade a que pertences. Se achas que aquele discurso que eu fiz era de lugares comuns e que era a conversa do coitadinho, pensas mal. É a conversa de quem passeia pelas cidades e pelos campos sem ser de carro e com os vidros fechados.
Acha o que quiseres pois se és feliz assim............. continua. Agora sim vou entrar num lugar comum. O verdadeiro cego é aquele que não quer ver.

Afixado por: Daniel Arruda em março 23, 2004 04:13 PM

"Quiseste impor a tua opinião, é justo"; "a pseudo sociedade a que pertences"; "pensas mal"; "se és feliz assim".
OK, recebido e compreendido, Grande Líder...

Afixado por: Dupont em março 23, 2004 05:45 PM

Dupont, não me faças rir, agora deste em ironico????? Não condiz com o teu estilo. Ou será isso falta de argumentário????????? Já vi que afinal não és feliz assim, és triste, muito triste. Desculpa por ter pedido tempo contigo.

Afixado por: Daniel Arruda em março 23, 2004 06:55 PM

Bruto da Costa diz que não se pode quantificar e classificar a pobreza de qualquer maneira porque a pobreza não é o ter fome, algo para comer, mas não ter comida normal que o Dupont come, nós comemos. Comida saudável.
O comer batatas com batatas tira a fome ,mas o organismo necessita de muito mais.
Como os miúdos que ao pq almoço comem uma sopa de casca de cebola.
Sr. Dupont é isto que é FOME e foi o que Bruto da Costa sociológico quiz dizer. Foi meu Prof.
Quantas vezes, Sr. Dupont, levou alguém a comer consigo ou pagar-lhe o almoço quando à hora do dito lhe pedem esmola para comer??
Experimente, que não fica pobre, e veja como comem...
É isso Leonor

Afixado por: Ariann em março 25, 2004 03:36 AM