março 28, 2004

A fé era muita, mas afinal não bastava rezar

"Saí do governo porque não tinha condições para executar o projecto político em que acreditei". António Guterres

Publicado por danieloliveira em
Comentários

E o Guterres, mesmo assim, será o candidato da esquerda na segunda vol das presidenciais? Conseguirá ser menos mau que o Santana Lopes?

Afixado por: Fernando Martins em março 28, 2004 04:21 AM

Se prometer não entrar em polémicas por causa da localização da Casa Eça de Queiróz já é um começo...

Afixado por: Pedro Sales em março 28, 2004 04:49 AM

Isto tem alguma coisa a ver com o Alqueva?!?

AP

Afixado por: AP em março 28, 2004 05:58 AM

Projecto!
Que projecto?

O homem sabia o que queria? Tinha uma visão, um destino, um porto para onde levar esta jangada?

Admitamos que sim???... o homem sabia que caminho tomar para lá chegar? O homem tinha um plano para lá chegar? O homem tinha avaliado os recursos de que dispunha?

Querem mais outro retrato da merda de sociedade civil que somos... ontem 27 de Março realizou-se um jogo de rugby entre Portugal e a Rússia no estádio Sérgio Conceição em Taveiro, localidade a cerca de 10 Km de Coimbra, como os espectadores não podiam levar os carros para as bancadas, resolveram parqueá-los à portuguesa (está tudo dito) entupindo literalmente a estrada... a 300 metros (são 300 metros) estava um parque para automóveis com menos de metade da capacidade tomada (o parque é gratuito, pertence a um retail park)...

Portanto barnabés lembrem-se sempre dos portugueses que somos, não esperem do governo, qualquer que ele seja, e qualquer que seja a sua cor, que seja composto por homens e mulheres fora de série, os membros dos governos são uma emanação, uma manifestação, um prolongamento da sociedade que somos... uma sociedade do curto prazo, do ar condicionado, do apagar de fogos, das águas chocas, das águas mornas.

Afixado por: diogenes em março 28, 2004 09:55 AM

Felizmente que temos o Diogenes para nos explicar que afinal a culpa é dos portugueses, assim como o pecado original que justifica todas as pragas que nos caem em cima.
Querias, não querias Diogenes....

Afixado por: Carlos em março 28, 2004 11:15 AM

Diógenes pelos vistos é um descrente total da nossa sociedade, o que me parece algo exagerado.
A ilustração que faz daqueles que foram assistir ao rugby não fazem a regra, ainda existem neste País pessoas civilizadas, honestas, trabalhadoras
e com outros atributos. Nós eleitores só temos que saber escolhê-los.

Afixado por: congeminações em março 28, 2004 11:19 AM

Espectacular Daniel, eu sabia que tratando-se de Guterres o génio não te ia abandonar. Mas eu não tenho nada a ver com o post, deus me livre, ainda me fazem um auto de fé.

Afixado por: Real em março 28, 2004 12:22 PM

Saiu do governo porque foi o pior e o mais cobarde primeiro ministro do pós-25 de Abril.

Afixado por: FV em março 28, 2004 12:35 PM

Entenda-se bem o que ele disse : o poder tem muitos atrativos - os Mercedes pretos, as secretárias (?), os chefes de gabinete, as prebendas. É claro que também que se ter um projectozito. Mas a questão não é bem que quem não tem projecto saia de cena.A questão é que quem tem condições e mandato para governar não governe nada.
Basta olhar.

Afixado por: dsousa em março 28, 2004 01:48 PM

Acho que depois da asneira que foi o seu governo, ficava-lhe bem ser voluntário às presidenciais (para perder), já que o PS não tem mais ninguém para esse sacrifício.

Afixado por: Carlos em março 28, 2004 01:50 PM

Não querendo ocupar demasiadas linhas, só para dizer que subscrevo o texto do Diogenes (um comentador que me vou habituando a ler com atenção).
Essa portuguesa maneira de ser pode, porém, mudar. Leva é muito, muito tempo, gerações. Para a nossa, isso é obviamente intolerável, e corremos o sério risco de baixarmos os braços. É a tal geração rasca (foi simpática, só se referiu a uma) que uma admirável ministra assim caracterizou, sendo severamente punida pela ousadia descritiva.
A mistura de um certo catoliscismo (ver "a riqueza e a pobreza das nações"), com um certo esquerdismo desculpabilizante, com essa maneira pouco trabalhadora de se estar na vida, pouco solidária com o próximo, pouco cívica, da liberdade e libertinagem individual, leva a este cocktail explosivo que é um português (maioritariamente falando), com todas as suas qualidades (há que o admitir), mas também todos os seus intoleráveis defeitos.
É a vida. E este blog é o único sítio em que ainda me dou ao trabalho de ter intervenção no sentido destas coisas. Não sou um exemplo, sou um desistente. E o Diogenes para lá caminha...

Afixado por: Alfredo Vieira em março 28, 2004 01:59 PM

Meus caros Desistentes,
Tenho de reconhecer que a maioria de nós, vindos da esquerda ou vindos da direita passam por este Blog e deixam a mensagem, QUEREMOS um Portugal melhor.
Por outro lado penso que não faltam exemplos de outros locais no mundo onde é POSSÍVEL viver melhor, com melhor educação, com melhor saúde, com melhor ambiente etc...
Se queremos, se é possível, então o que é que falta para alterarmos este estado das coisas.
ACREDITAR, acreditar em nós próprios.
Os beneficiados com o actual estado das coisas fazem tudo para que não acreditemos em nós próprios, querem convencer-nos que somos maioritariamente pedófilos, que somos violentos, que somos preguiçosos, que não queremos trabalhar, que devemos ter medo dos pretos, dos gays, dos ciganos, e tudo o mais que passa nos telejornais, nos jornais e nos blogs.
Porque consciente ou inconsciente eles sabem que no dia em que acreditarmos não haverá mais lugar para vampiros.
Os Desistentes são apenas alguns de nós que morreram às mãos do inimigo...

Afixado por: Carlos em março 28, 2004 03:55 PM

Mas qual era o projeto político do Guterres? Ganhar uma maioria absoluta, creio eu. Não o conseguiu à 1ª vez. Também não o conseguiu à 2ª. Viu que as chances de a conseguir à 3ª eram nulas, e desistiu.

Não vi mais nenhum projeto político no Guterres. Governou 6 anos na política do deixar andar. Não fez nenhuma das n reformas que se impunham. Deixou andar, confiado de que os juros baixos, a compra de casas, de telemóveis e de carros faria a felicidade de todos os portugueses, e mais não seria preciso.

Foram 6 anos em que o país esteve parado. Que é como quem diz, andou para trás.

Quanto ao mais, subscrevo por inteiro o comentário do diogenes. Não vi o espetáculo em Taveiro, mas calculo. Foi esse espetáculo de carros espalhados desordenadamente na via pública que os governantes sucia-listas sempre estimularam e olharam com prazer. O povo está satisfeito, é o que eles querem. Não vale a pena impôr regras, rigôr é coisa lá da Europa. Aqui vivemos à indiana, carros espalhados a esmo e merda de cão por baixo.

O diogenes, ao que creio, vive lá bem perto de Espanha, mesmo quase dentro dela. Por isso, cada vez lhe deve fazer mais confusão a política do jardim à beira-mar plantado.

Afixado por: Luís Lavoura em março 28, 2004 04:53 PM

Em tempos, ingenuamente, pensei que o Cavaco era mau. Apareceu o Guterres.
Acreditei, então, com certa candura, que pior não era possível. Caíu de paraquedas o Durão.
Aí, desesperado, decidi trocar o método lírico pelo científico: empiricamente, comecei a vislumbrar uma qualquer lei física. Por isso, não sei quem vai ser o próximo, mas supeito (justificadamente, hão-de concordar) que será pior. Não me perguntem como, mas eles conseguem sempre superar-se, até mesmo a si próprios quando os elegem para segundo mandato.
É um assunto sobre o qual tenciono elucubrar, num livro que estou a pensar escrever ( intitulado "Crítica da Nação Pura"), sob o capítulo "Mediocridade Transcendental".
dragoscopio.blogspot.com

PS: o senhor Diógenes não deixa de ter a maior pertinência: os políticos são, de facto, emanações do povo. Resta saber se de halitose, flato ou chulé. Não obstante, convém não esquecer que são também ( e ainda em maior escala) vulgares biscateiros de poderes transnacionais.

Afixado por: Dragão em março 28, 2004 06:16 PM

Como vejo, oiço e leio tantas, mas tantas vozes como a de Diógenes, isso já me permite questionar: afinal quem são esses portugueses de que falamos? nós não somos porque somos como Diógenes, aqui estes ao lado também não porque também se revoltam como nós e como Diógenes face às características da "identidade do cidadão nacional". Bem afinal esses portugueses de que fala Diógenes não são assim tantos, ou então nós também nos incluímos nesse protótipo do cidadão nacional?
Julgo que não. E por isso acho que Diógenes e todos os outros como nós têm de passar da crítica da razão impura à pura crítica a favor da razão e exercerem o seu papel como cidadão, cada um no seu mundão que é uma enorme pluralidade de identidades de muitos e diversos cidadãos.

Afixado por: Joseph Saint-Simon em março 29, 2004 02:16 AM

Se nos deixássemos de pintelhices e fizéssemos uma puta duma revolução é que éramos uns cidadãos como deve de ser!...
Sim, já sei: sou herético.

Afixado por: Dragão em março 29, 2004 11:33 AM

"Diógenes e todos os outros como nós têm de passar da crítica da razão impura à pura crítica a favor da razão e exercerem o seu papel como cidadão, cada um no seu mundão" (Joseph Saint-Simon)

Acho muito bem. Proponho 3 medidas muito simples para cada um de nós contribuir para melhorar este país e o tornar mais sério e progressivo:

1) Chegar sempre a horas a todos os compromissos, e insistir para que tudo comece (e acabe) à hora marcada.

2) Estacionar o carro sempre de acordo com a lei. Não deixar o carro em cima de passadeiras para peões, em cruzamentos, ou em cima do passeio.

3) Cumprir os limites de velocidade: 50 nas povoações, 90 nas estradas normais, 120 nas auto-estradas.

É muito simples. Se cada um de nós cumprir estas 3 medidas, o país já terá avançado um bom bocado em direção à seriedade e ao rigor.

Afixado por: Luís Lavoura em março 29, 2004 12:23 PM

Há gajos que não têm mesmo vergonha na cara!!
CC

Afixado por: Maxou em março 29, 2004 02:34 PM

Há gajos que não têm mesmo vergonha na cara!!
CC

Afixado por: Maxou em março 29, 2004 02:35 PM

Luis Lavoura,

Concordo com o princípio. Podíamos começar por essas três, entre umas dezenas que conheço para nos tornarmos melhores cidadãos e o nosso país um país mais "civilizado". Só que acho que essas normativas, legais ou morais, têm de ser realistas, caso contrário acontece o que agora temos: muitas e bonitas normativas que não são cumpridas. A questão não passará pela responsabilização dos indivíduos? (dos cidadãos enquanto tal às autoridades fiscalizadoras e aos dirigentes politicos e empresariais) e isso não se fará desde o berço? de pequenino é que se forja o bom cidadão, não será?

Por exemplo: se a lei fôr não ultrapassar os 120 numa auto estrada e carros potentes tiverem de viajar a travar o tempo todo, ninguém vai cumprir e as autoridades vão ser "tolerantes". Que tal impor um limite de 150 e quem o ultrapassar ficar inibido de conduzir por 2 anos? colocando mecanismos de controlo e brigadas a fizcalizar com rigor e seriedade um limite que é razoável? Este realismo aplicado a tudo, com um investimento forte na educação e na formação, para criar cidadãos responsáveis, talvez seja o caminho, não concordam?

É que tenho deparado com muita falta de realismo nos planos e decisões que redundam em fracasso, descrédito, desmotivação e laxismo como ciclo vicioso. Quiça planear e tomar decisões com mais realismo seja meio caminho andado para o desenvolvimento de facto e não apenas no papel húmido das boas intenções...

Afixado por: Joseph Saint-Simon em março 29, 2004 07:51 PM

onde se lê fizcalizar deve ler-se fiscalizar
JSS

Afixado por: Joseph Saint-Simon em março 29, 2004 07:54 PM