
O Daniel teve hoje a triste ideia de adornar o Barnabé logo pela manhã com a feia cara do Saramago. Senti ganas de colocar qualquer imagem a seguir, para não afugentar leitores, mas outras coisas se meteram pelo meio. Para meu espanto, nenhum dos outros barnabés se lembrou de assinalar esta importante efeméride: o centenário de E. P. Jacobs, genial criador da dupla Blake e Mortimer. O lapso, aliás, não foi só deles. Talvez o Público ainda se redima amanhã, mas honra seja feita ao DN que hoje decidiu dedicar duas páginas ao grande mestre. E correndo o risco de iniciar uma discussão homérica aqui no Barnabé, afirmo: não me falem cá de Hugos Pratts, Moebius, Hergés, Uderzos, porque o Jacobs está numa categoria aparte. E mais vos digo: depois do ensaio falhado que foi o álbum do Bob de Moor (a continuação das Três Fórmulas do Professor Sato), a série prossegue em grande estilo com as duplas J. Van Hamme e Ted Benoit (O Caso Francis Blake e O Estranho Encontro) e, sobretudo, Yves Sente e André Juillard (A Conspiração Voronov). Não só conseguiram perpetuar o traço de Jacobs, como vieram conferir às personagens a densidade psicológica que antes lhes faltava. Há coisas que deixamos irreversivelmente para trás ao sair da adolescência. Mas isso não se aplica aos livros de Blake e Mortimer.
Publicado por pedrooliveira eme mais: a personalidade de uma pessoa define-se pelo álbum que prefere.
eu voto s.o.s. meteoros
Afixado por: rui tavares em março 31, 2004 12:54 AMApoiado ! E o que eu lamento não encontrar a resposta à carta que no início dos anos 80 enviei para o Edgar Pierre Jacobs :-((
Afixado por: Paulo Baptista em março 31, 2004 02:00 AMse calhar voto "a marca amarela", não sei.
acho que a minha personalidade se define como indecisa
Afixado por: rui tavares em março 31, 2004 02:24 AMQuanto à questão do álbum preferido lançada pelo Rui, o melhor Jacobs, para mim, é o Raio U, que não é com Blake e Mortimer. Se tiver de escolher o melhor deles, voto ou no Enigma da Atlântida, ou na muito diferente Marca Amarela (não consigo decidir). A seguir vêem o SOS Meteoros e a Armadilha Diabólica (que me dava pesadelos quando era criança). Depois, o épico Segredo do Espadão, talvez um pouco grande demais, e o Mistério da Grande Pirâmide, definitivamente grande de mais, mas com um final estupendo. O Caso do Colar e As Três Fórmulas do Professor Sato não me dizem nada. E os novos também não me dizem muito, apesar de ter achado o Estranho Encontro interessante. Mas ainda não li o último volume (Os Sarcófagos do 6º Continente), que saiu há pouco tempo.
Afixado por: André Murteira em março 31, 2004 02:38 AMBy Jove! esqueci-me!
Salvas ao barnabé pela lembrança.
Não podemos votar em dois? "Marca amarela " e "SOS Meteoros"
Reparei que a imagem é d'A Marca Amarela, o melhor livro de BD de todos os tempos. Li-o pela primeira vez com +/-10 anos, e voltei a ele dezenas de vezes, antes e depois do Pratt, do Moebius/Giraud, e outros. Li o Raio U pela mesma altura (ofertas da minha mãe, que não percebia nada de BD!!), mas infelizmente perdi-lhe o rasto uns anos depois, quando mudámos de casa.
Afixado por: caznocrat em março 31, 2004 03:10 AMViva "A marca Amarela"
Afixado por: diogenes em março 31, 2004 07:15 AMDuas coisas que não concordo neste post:
1) Pratt e Jacobs são efectivamente duas categorias à parte, mas discordo totalmente da implicação do texto que o desenhador belga será superior ao italiano. Em comum só têm o facto de serem ambos geniais recriadores de ambientes. Fora isso não devem ser confundidos ou comparados.
2) Tenho francas dúvidas sobre a qualidade dos álbuns de Blake & Mortimer não-Jacobeanos. O tomo II das 3 Fórmulas era claramente um fiasco e os outros parecem-me clones robotizados.
Melhor álbum: Marca Amarela, sempre.
Afixado por: J em março 31, 2004 09:53 AM"Marca Amarela", claro!
Afixado por: Sara Figueiredo Costa em março 31, 2004 10:02 AME. P. Jacobs é de facto um mestre da BD e que nos deu albuns magnificos.
Agora comparar Jacobs com Hugo Pratts é como comparar Luís Sepulvada com Jorge Luís Borges ou Sílvia Nazaré com Elis Regina na música.
Lamento muito a discordância, talvez porque não fui um leitor de Jacobs na adolescência.
O meu preferido continua a ser um autor que não desenhava, apenas escrevia, e numa categoria muito diferente - o humor. Falo de Goscinny, autor que deu origem aos melhores albúns de Lucky Luke e Asterix. Sei que é banal mas foi o que me apareceu pela frente na adolescência.
Fora disso, outros dois que me marcaram foram os Bluberry (Giraud, sempre) e Alix.
Para hoje em dia aconselho a todos a leitura da série de 4 albúns "O Terceiro Testamento".
Afixado por: João André em março 31, 2004 01:14 PMA Armadilha Diabólica e o Segredo do Espadão (apocalíptico!) são sem dúvida os meus favoritos, embora a Grande PirÂmide também fosse inesquecível - e não o são todos? -mas realmente também discordo disso de EPJ ser tão superior assim aos outros da lista, sobretudo Hergé, seu colega de pranchas (sobre o criador de Tintin já escrevi aliás um post no meu blog), ou mesmo Goscigny/Uderzo e Pratt. Mas reconheça-se que a efeméride é merecida...
Afixado por: João Pedro em abril 1, 2004 12:33 AM