abril 26, 2004

As primeiras vítimas

Os blogues já fizeram as suas primeiras vítimas em Portugal. Três jornalistas d’O Primeiro de Janeiro foram despedidos por denunciarem, no blogue Diário de um Jornalista., algumas práticas comerciais menos ortodoxas daquele jornal. O despedimento foi justificado pela quebra da obrigação legal de dever de lealdade para com o empregador. O Sindicato dos Jornalistas considera que, a serem verdadeiros os factos denunciados, estamos perante um direito fundamental de qualquer cidadão e ainda mais de um jornalista. Se forem falsas, serão os jornalistas a responder judicialmente. Os blogues já não são a brincar.

Publicado por danieloliveira em
Comentários

Até que enfim vós acordaste.

Ficais a dever uma dia ao Trombinhas! :-)

Com calma e tempinho, vós ides acordar da vossa letargia proto-fascista.

É uma questão de perseverança.

Depois de abraçares o capitalismo e tudo o mais... Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!

Afixado por: anti-comuna em abril 26, 2004 06:10 PM

Permitam-me que abuse um bocado e repita parcialmente uma mensagem.

"Sobre o jornalismo de aviário, sobre a nobreza na profissão de jornalista e sobre tais assuntos.

Três jornalistas são despedidos de um matutino conhecido por revelarem práticas "comerciais" pouco abonatórias para os próprios jornalistas e para alguns dos proprietários de orgãos de comunicação social.

Ver aqui:

http://jornal.publico.pt/2004/04/26/Computadores/TI02.html

E o blogue deles aqui:

http://diariodeumjornalista.blogspot.com/

Ora, na verdade, há muita corrupção no nosso jornalismo.

As "andringas" de Portugal ensinaram os jornalistas a terem "pena aguçada" e com motivação. Seja política (sobretudo esta) ou outra qualquer.

Há no nosso jornalismo abundante opinião política disfarçada de jornalismo sério. Basta estar atento.

Outro tipo de jornalismo usa essa "arma ideológica" de maneira diversa: intuitos comerciais.

Mas não se pense que é na "província" que só isto acontece. Paulo Camacho foi acusado pelo Emídio Rangel de "corrupção" comercial, sobretudo devido a um programa sobre carros, com intuítos comerciais escondidos. Ou seja, na própria SIC.

Mas há mais jornalismo corrupto. Basta atentar nalgumas relações pessoais entre políticos e jornalistas.

Basta atentar nas ligações entre jornalistas e sedes partidárias.

Basta atentar nas chantagens e pressões sobre jornalistas, por parte das máquinas partidárias.

Há jornalismo sério? Há. Mas o ambiente geral decaiu muito nos últimos 20 anos.

Não se culpe a democracia. Culpemos antes as escolas de jornalismo, onde se ensina mal e porcamente. Com a agravante de cerca de 4/5 dos nossos jornalistas serem apenas uns ignorantezinhos que julgam saber muito. :-0

Para quando uma operação "mãos limpas" sobre o nosso jornalismo?

A par da bola, da política e dos negócios de duvidosa legalidade?

Hoje o mundo do jornalismo está prenhe de relações incestuosas. A classe das putas anda mais bem acompanhada! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!"

A intenção não é mostrar que espicacei os baranabés. Mas antes as críticas ao nosso jornalismo de aviário.

Porque os barnabés só meteram aqui esta mensagem porque está de acordo com as suas intenções politiqueiras.

Quanto ao artigo sobre a redução da pobreza devido à globalização... Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!

Chama-se a isto: manipulação com armas de desinformação em massa. Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!

Estes bloquistas não enganam ninguém! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!

Afixado por: anti-comuna em abril 26, 2004 06:41 PM

Há quem ainda tenha blogues a brincar... Como eu... Mas a serem verdade os factos denunciados no blogue, vai haver muito a falar ou a escrever sobre o assunto!

Afixado por: Pintelho em abril 26, 2004 07:08 PM

Não é de estranhar no actual contexto político, nem os despedimentos nem as causas que os motivaram. Já sabiamos que o jornalismo que actualmente se faz é essencialmente comercial, logo, está viciado à partida, porque vai fazendo o jogo do grupo económico a que pertence. Há dias Fernando Dacosta numa pequena entrevista que deu a Mário Crespo referiu isso exactamente.
Entre o jornalismo que actualmente se pratica e aquele que se praticava sob censura, "venha o diabo e escolha", palavras suas.

Afixado por: congeminações em abril 26, 2004 07:09 PM

'O direito à informação',a sociedade de mercado,regula isto, gere infinitamente melhor do que,LIBERDADE DE EXPRESSÃO.dESDE QUANDO É QUE UM CAPITALISTA VAI DEIXAR SAIR NO seu JORNAL UM ARTIGO A DESMASCARAR UM NEGÓCIO,ou O MAU CARÁTER DO SEU DONO?

É isto uma sociedade democrática com instituiçôes nada mas NADA democráticas?

Afixado por: ezer em abril 26, 2004 07:48 PM

Diz o Daniel: "O Sindicato dos Jornalistas considera que, a serem verdadeiros os factos denunciados, estamos perante um direito fundamental de qualquer cidadão e ainda mais de um jornalista. Se forem falsas, serão os jornalistas a responder judicialmente."
No entanto, o sítio do Sindicato dos Jornalistas nada diz sobre o assunto.
Qual foi a fonte para esta afirmação, Daniel?

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em abril 26, 2004 07:59 PM

primeiro fazem o que o patrão manda, depois vêm denunciar em blogs. Ou será coitados que não podem recusar o trabalho sob pena de irem para a rua ou de ficarem na prateleira? Pois, ficar na prateleira nunca! O jornalismo além de tudo é uma profissão que permite alcançar a fama e ascender à vida pública. Deus nos livre perder oportunidade de sermos conhecidos na praça. É o querem muitos alunos saídos de Comunicação Social.

depois, há um código deontológico cada vez mais esquecido, cada vez mais fácil de ludibriar. Basta não assinar e está tudo bem.

E há grupos económicos a dominar a imprensa com Governos amigalhaços que permitem tudo, como a Portugal Telecom, que faz o quer com os seus jornalistas e restantes empregados. Onde não há respeito nem escrúpulos. Onde há filhos e enteados. Regalias a uns, desprezo e nem um chavo de aumento há mais de três anos a outros.

A estes que foram despedidos do Primeiro de Janeiro, resta dizer que pela boca morre o peixe. Foram simplesmente otários. Antes e depois.

Afixado por: gui em abril 26, 2004 08:00 PM

Ó Barnabés, até me admira que deixeis passar ao lado este "estranha" condecoração:

http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1192036&idCanal=12

"Isabel do Carmo esteve presa entre 1978 e 1982, sendo o Partido Revolucionário do Proletariado (PRP) - partido que fundou antes da revolução - acusado de acções terroristas."

Um dia destes condecora o sheiq Omar! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!

Já agora, acham mesmo que é estranho esta condecoração?

Se investigassemos a sério... Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!

Afixado por: anti-comuna em abril 26, 2004 08:14 PM

Luís Humberto Teixeira,

Pode encontrar essas declarações no jornal Público, no suplemento Computadores.

Afixado por: Pedro Sales em abril 26, 2004 08:29 PM

Obrigado, Pedro.

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em abril 26, 2004 08:47 PM

Este post do Barnabé é tendencioso e desinforma. Isto porque os jornalistas não foram despedidos, uma vez que nunca trabalharam para o jornal em causa... Estavam a "recibo verde", e quando o contrato de prestação de serviços terminou, a entidade dicidiu não renovar. Um situação perfeitamente normal, dentro da legalidade.

Informem, porra!

Afixado por: Bichona Maluca em abril 26, 2004 08:53 PM

Bichona Maluca (?), grande parte dos jornalistas, sobretudo em jornais pequenos, trabalham a recibos verdes, são falsos prestadores de serviços porque têm horários e hierarquia.

Afixado por: Daniel Oliveira em abril 27, 2004 12:42 AM

Não, eu nunca vi um post neste blogue que continha no título a palavra "jacobinos". Não, eu não afixei comentário algum nesse post. Não, esse post não desapareceu inexplicavelmente. Não, eu não mandei um mail ao Barnabé a perguntar o que é que se passava.
Pois, este comentário não tem nada a ver com o post, mas que querem? Estou a alucinar!

Afixado por: lucrecia em abril 27, 2004 12:45 AM

E eu respondi-lhe. Postei, por engano, em cima dele um outro texto ("De expresso para o Iraque"), poderá lá ler comentários incompreensíveis por nada terem a ver com aquele post, mas apenas com o anterior. Foi engano, mas sem solução.

Afixado por: Daniel Oliveira em abril 27, 2004 01:09 AM

Boas!
O dever de lealdade é, continuo a crer, um valor que todos devemos respeitar. Se os senhores jornalistas queriam denunciar qualquer coisa, colocavam-se na vertical, despediam-se e depois faziam valer os seus pontos de vista, da forma que entendessem mais conveniente!
Andamos a brincar, ou quê?
Saudações.

Afixado por: António em abril 27, 2004 01:48 AM

Obrigada. Não recebi a resposta, mas está tudo explicado.

Afixado por: lucrecia em abril 27, 2004 02:19 AM

Não gosto de posturas cegamente corporativistas e tendo a concordar com o António neste particular episódio. Creio ter havido aqui pelo meio alguma imaturidade. «O jornalista deve recusar actos que violentem a sua consciência», está no Código Deontológico, que ainda não é letra morta, pelo menos para os que ainda conservam alguma dignidade no exercício da profissão e pretendam estar bem com a sua consciência. De resto, este postulado é defendido pela Lei de Imprensa em vigor. Já me aconteceu uma situação semelhante, com contornos diferentes, que não envolviam promiscuidades comerciais mas que implicavam com a minha ética profissional, num órgão de imprensa regional, e não desatei a contar ao mundo os atropelos de que era vítima (coitadinho do rapaz!) enquanto funcionário da empresa. Isto é: enquanto ainda era funcionário daquela organização. Nem vim fazer queixinhas para os blogues. Simplesmente escrevi uma carta ao director a relatar as razões do meu descontentamento e a pedir a minha demissão. Não estava bem, mudei-me. E se mais grave tivesse sido a situação, teria à minha disposição os mecanismos legais apropriados, designadamente os tribunais. E, afinal, para que é que serve o sindicato? Não presta este assistência jurídica aos profissionais que dela necessitarem? Obviamente que acho repugnantes os métodos e práticas relatadas pelos ora despedidos, a serem factuais. Mas também me custa a engolir a atitude dos mesmos. Se eu fosse patrão do Janeiro mostrava a porta da rua aos chefes mencionados nos relatos E aos "relatadores". Se estes tinham assim tanta necessidade de divulgar urbi et orbi os alegados atropelos, saíssem e, depois, faziam-no com o estrondo que bem entendessem. O jornalismo em Portugal carece urgentemente de ser dignificado, é uma realidade, mas não creio que este seja o melhor caminho.

Afixado por: JPC em abril 27, 2004 03:36 AM

Leiam por favor o DN de hoje - 27/04/04 - e os blogues www.tortoedireito.blogspot.com e www.filinto.blogspot.com.

Afixado por: MG em abril 27, 2004 11:33 AM

Os despedidos d'O Primeiro de Janeiro não estavam a fazer jornalismo, mas sim publicidade. Trabalhavam no departamento comercial e escreviam apenas a troco de anúncios. Um deles, pelo menos, até tinha carteira profissional mas, durante meses, colaborou e concordou com uma prática absolutamente repugnante.
No weblog em causa, e nos comentários que colocaram em vários weblogs, os despedidos não mostram o mínimo de arrependimento por escreverem a troco de anúncios e até acham normal. A título de exemplo, deixo um dos comentários colocados por um desses rapazes no meu próprio weblog:
"Fazer publireportagens não implica que não se tenha uma postura séria, jornalística. Pode e deve ter-se essa postura... Por isso, e concordando que não será tudo a mesma coisa, não posso deixar de notar que, ao tornar uma actividade num desvirtuamento da outra, incorre num erro que, infelizmente, é frequente. Fazer uma publireportagem não é fazer de conta que se é jornalista, enquanto se é, na realidade, um redactor publicitário. Fazer uma publireportagem é ser jornalista, com a dificuldade acrescida de, naquilo que se escreve, procurar a verdade, não caíndo no facilistismo do elogio que, por inerência, é suposto existir na publicidade. Por isso mesmo, é claro que não é tudo a mesma coisa. Mas, por isso mesmo também, é mais difícil fazer uma publireportagem."

Afixado por: António Granado em abril 27, 2004 01:14 PM

Pois, pois. Aqui estão escancaradas as virtudes da livre circulação de informação. Descobrem-se as carecas e expõem-se as garotices. Afinal a rapaziada nem jornalismo fazia. O desplante com que assumem a sua prática profissional (onde é que esta gente tirou o curso? Quem é que lhes ensinou tais coisas?), despudoradamente exposta neste comentário no blog de António Granado (que só agora li) é flagrante. E para além da discussão que se possa fazer acerca do jornalismo, ensino e prática, em torno deste episódio, apetece perguntar se esta gente pensa que o mundo do trabalho, a vida profissional, é uma extensão das RGA's.

Afixado por: JPC em abril 27, 2004 01:40 PM

Independentemente de serem jornalistas ou não (confesso que é uma discussão que não me parece que seja relevante), eles foram despedidos (ou o contrato não foi renovado, o que acaba por dar no mesmo) por fazerem aquilo que todos os cidadãos deveriam fazer: combater os negócios escuros.

Tudo bem que o deveriam ter feito primeiro na judiciária, mas a verdade é que foram despedidos por vingança.

Afixado por: João André em abril 27, 2004 02:25 PM

A discussão sobre serem ou não jornalistas não me parece, de todo, irrelevante. Quanto ao carácter e à dignidade dos envolvidos, basta dar uma vista de olhos aos comentários que se têm multiplicado no tal diário de um jornalista (repito, "de um jornalista"), ao nível da latrina. De resto, já dei para aquele peditório pueril e mal explicado. Mas continuo a achar que é importante debater, com elevação e bom senso, certas questões relacionadas com o exercício (e o ensino) da profissão.

Afixado por: JPC em abril 27, 2004 03:17 PM

Caro JPC,

Por favor, não queira vir fazer considerações sobre a minha dignidade e o meu carácter, mais ainda quando se baseia nos comentários que aparecem no blogue. Que muitos deles estão "ao nível da latrina" é bem evidente. Não alimento essas trocas de insultos, e respondo sempre qd surgem quetões colocadas de uma forma séria. Tb não apago comentários. Portanto, o baixo nível fica com quem escreve esse tipo de coisas. Não queira ligá-las a coisas que não conhece (uma vez que não me conhece) como o meu carácter e a minha dignidade. Seria o mesmo que eu fazer considerações idênticas sobre si, baseando-me no facto de também já lá ter deixado comentários. Não faria sentido. Portanto, não o faça.

Afixado por: RicardoSimães em abril 28, 2004 05:01 PM

O cavalheiro não se enerve que não vale a pena. Reconheço que V. Exa., em isolado particular, até tem tentado conferir alguma elevação ao debate e não foi minha intenção insultar quem não merece, muito menos a si que não tenho o prazer de conhecer de lado nenhum. Felicidades.

Afixado por: JPC em abril 28, 2004 07:07 PM

Ainda bem que ficamos esclarecidos. Não se trata de me enervar. Senti que o seu comentário me visava e, assim sendo, reagi ao mesmo. Já me respondeu, portanto a questão ficou esclarecida e sem mal-entendidos.
Felicidades para o Sr. também.

Afixado por: Ricardo Simães em abril 29, 2004 05:42 PM