Pacheco Pereira continua numa lenta e ruminada descida até ao «hardcore» bushista nos seus pelo menos quatro artigo intitulados "Podem hoje as democracias conduzir uma guerra?". Só dará para fazer um comentário de conjunto no final. Sobre o Iraque, contudo, já sabemos que afinal as armas de destruição massiva não tinham importância nenhuma a não ser convencer a opinião pública a ir para a guerra – o que, para José Pacheco Pereira, é um sinal claro de frouxidão por parte de Rumsfeld e Bush. Só os maricas se preocupam com a opinião pública.
Hoje ficámos ainda a saber que, depois de tantos acusações ao cinismo da esquerda por esta falar no petróleo do Iraque, o petróleo era afinal uma boa razão para atacar o Iraque.
«[O Iraque] teria, para além disso, o benefício de permitir uma maior independência dos mercados de petróleo ocidentais do petróleo saudita, logo do regime wahabita saudi. Os falsos ingénuos, que aceitam todas as racionalidades menos a económica, sabem bem que o equilíbrio mundial passa também pelo acesso aos mercados de matérias-primas estratégicas, e que tal é do interesse nacional americano e ocidental, no sentido largo, sem ser hostil aos interesses das populações mais desfavorecidas dos países produtores, que estão longe de beneficiar da sua riqueza.» [infelizmente este artigo, o terceiro da série, não foi publicado na edição online do Público de hoje; podem encontrá-lo na página 11 da edição impressa]
Se bem entendo, isto quer dizer que é do nosso interesse controlar as matérias-primas de países terceiros e que portanto devemos fazê-lo e que quem não vê que isto é bom não passa de um "falso ingénuo".
Eu adoraria continuar este raciocínio; mas neste preciso momento estou a ver aqui na rua passar um miúdo com um sorvete. Ora eu sei que aquilo lhe faz mal aos dentes, ao passo que eu estou a ter uma quebra de pressão e preciso imediatamente de glucose. É do meu interesse controlar aquele sorvete, mesmo que para isso eu tenha de lhe dar uns tabefes, o que não tem importância nenhuma que ele também já deve ter apanhado mais dos pais. Portanto, miúdo, é assim: passa para cá isso e não te armes em falso ingénuo, que senão ainda é pior para ti.
Publicado por ruitavares emok seu barnabé de m*rda, dou o braço a trocer:
essa comparação com o sorvete do miúdo foi bem sacada! ;)
Concordo com tudo mas..para mim tudo tem que ver com amor...
Escondeste o amor na raiz quadrada
Dos segredos que derretem no medo.
Meu e da geometria da fiada
Gente remota que afasta o azedo.
Que em ti encosta. E sua retirada,
Estratégica demais p’ra do degredo
Te resgatarmos numa vida nova,
Ou iniciarmos seguinte prova.
albertovelasquez.blogspot.com
Boa analogia Rui, muito boa. Nada como uma comparação simples e evidente para tornar mais difícil atirarem poeira para os olhos das pessoas. Já agora podias ter dito que acreditavas no mercado livre e no direito de qualquer produtor ou prestador de serviços pedir o preço que ache adequado (ou até recusar vender), mas que dado o facto do gelado ser para ti como uma droga, não poderes dar-te ao luxo de fazeres uma oferta e o miúdo recusar-te vender o sorvete (ou pedir uma exorbitância). Com esta talvez calasses a facção neo-liberal que por vezes se gosta de mostrar mais prá-frentexe e razoável que os seus amigalhaços neo-conservadores. No fundo sabem que são todos da mesma laia, preocupam-se é consigo e os outros que se danem.
Afixado por: viana em maio 27, 2004 06:41 PMGenial essa do gelado. Agora imaginemos que o miudo não gosta de ser ameçado e dá ele um tabefe a quem lhe faz semelhante proposta. Nunca mais se livram do miudo.
Afixado por: Filipe em maio 27, 2004 07:01 PMAHAHHA EXCELENTE ESGRIMA ARGUMENTATIVA .. ESSA ANALOGIA DO SORVETE UI UI. AI O OCIDENTE ESTÁ A PERDER A CARA AOS POUCOS E POUCOS. LÁ SE VÃO OS VALORES DA NOSSA MATRIZ JUDAICO-CRISTÃ, LÁ SE VÃO AS 'LUZES' E OUTRAS COISAS MAIS QUE. QUANDO UMA SOCIEDADE IMPORTA TUDO DE UMA SÓ ASSENTADA SEM PASSAR POR UM LONGO E GRADUAL PROCESSO HISTÓRICO, ACONTECE ISTO. PASSA-SE DA BARBÁRIE PARA A DECADÊNCIA DE UMA SÓ ASSENTADA.
Afixado por: OAKESHOTT em maio 27, 2004 07:09 PMExcelente analogia?
Só faltou o "pormenor" do "miúdo" assassinar, vá lá, roubar, uns quantos outros, para manter o monopólio sobre os gelados e a sua supremacia tirânica sobre as outras crianças. E. já agora, para interferir, se o pudesse, com o bem estar físico do Rui, pese embora a sua hipoglicemia. Pormenores de somenos calculo.
Não é só o JPP que faz analogias pela metade que mais lhe convém....
LOLOLOL AMOR RULEZ Alberto Velasquez LOLOLOL
Afixado por: Boss em maio 27, 2004 08:35 PMÓ Alfredo Vieira, leia lá outra vez a analogia. O Rui compara o miúdo com o povo iraquiano, não com o Iraque em si mesmo nem com o Saddam. Isso está bem explícito em «ele também já deve ter apanhado mais dos pais». Para a analogia ficar realmente perfeita faltava qualquer coisa como «e passas a dar-me todos os dias gelados e eu dou-te 20 cêntimos por cada um, mesmo que eles valham 2 euros»
Afixado por: João André em maio 27, 2004 08:49 PMAbora pergunto eu, e se o gelado tivesse sabor a laranja? aí até davas dinheiro ao puto para comer o gelado mais depressa , e acabavam-se todas as guerras :))
Cumprimentos
Enresinados!!
LIIIIIIIIIIIIIIIINDO!!!!!!!!!!
Afixado por: toy em maio 27, 2004 09:23 PMjá insinuaram neste blog que o alfredo vieira era um abruptozinho... mmm... ele tem os sintomas de abruptismo e tal... n sei n...
Afixado por: Panda Anti-virus em maio 27, 2004 09:48 PMJoão André
Como bem sabe, o "povo iraquiano" nunca teve "gelados" a quem alguém lhes pudesse deitar a mão, pelo menos na Era em que o "gelado" passou a valer dinheiro e a ser cobiçado. Mesmo do seu ponto de vista (que duvido que fosse o do autor), continua a não funcionar a analogia.
Panda anti-vírus
Não fiques confuso, eu explico: às vezes sou abruptozinho, outras não. Sabe, ainda não conheci ninguém com quem estivesse sempre de acordo.
A Lei da Selva teorizada, no fundo. Bem apanhado. Sempre em cima.
Afixado por: filinto em maio 28, 2004 12:11 AMO argumento do JPP e completamente ridiculo (alias era interessante fazer uma analise aprofundada dos textos dele, caso de psiquitria).
Se o problema e a Arabia Saudita, porque e que nao se invadiu logo a Arabia Saudita?
A Arabia Saudita nao e uma ditadura horrivel tambem?
E nao e um VERDADEIRO FOCO de terroristas? Ou pelo menos de dinheiro para eles?
Mas e, como dizia o Tony Blair: Os sauditas sao nossos amigos. O Saddam tambem era, ha uns anos.
Afixado por: Jean-Luc em maio 28, 2004 01:14 AMQuem é JPP? Saí há muito tempo e já não conheço o pessoal do bairro. Disseram-me que em tempos estava na loja do Chinês. Mas agora a loja é um supermercado! Se é um dos gerentes gostava de lhe agradecer a inovação. Aquele cheirinho artificial na zona do peixe faz-me sentir civilizado.
Afixado por: asma em maio 28, 2004 01:29 AMSr Jean-Luc
Só umas notas esclarecedoras:
A Arábia Saudita é uma Monarquia Salafista, e não uma ditadura;
A monarquia na Arábia Saudita é tão alvo dos extremismos religiosos quanto os americanos ou qualquer outra nação no mundo, que a consideram corrupta e traidora dos preceitos islámicos por alinhar frequentemente em acordo com os interesses ocidentais;
Só sobrevivem porque têm pulso de ferro e poucas limitações no exercício do poder; e, se quer a minha opinião, duvido que sobrevivam muitos mais anos;
Nessa altura invadir-se-á, de certeza absoluta, a Arábia Saudita, detentora, sozinha, de cerca de metade das reservas mundiais de petróleo.
LOOOOOLLLOLOL!
Este Alfredo Vieira se não existisse tinha de ser inventado "A Arábia Saudita não é uma ditadura", diz ele...
BUAHAHAHAHAHAHAHA!!!
Afixado por: Jorge em maio 28, 2004 01:41 AMLembre-se da "piada" que lhe contei. Pode ser que o faça parecer menos pateta noutra ocasião.
Aqui já é tarde, o seu comentário não vai ser apagado.
E vá ver o significado de monarquia salafista. E leia, de uma forma geral, leia....
Sim, Alfredinho. Vou já a correr.
Tu também és dos tais que chamam "regime paternalista" ao Estado Novo, não és? Ai, não, não se pode chamar "fascista": é pa-ter-na-lista. Ou então "autoritário de direita". Fascista é que não.
E a Arábia Saudita, coitadita, também nunca foi uma ditadura - é uma "monarquia salafita".
hehehehe...
Mais um digno votante no PPD. Mas este tem piada :)
Afixado por: Jorge em maio 28, 2004 03:09 AMMas olha, já agora, e para não morreres estúpido, deixa-me oferecer-te uma citação:
ditadura. 1 governo autoritário exercido por uma pessoa ou grupo de pessoas, que tomam o poder desrespeitando as leis em vigor, co supremacia quase absoluta do poder executivo, apoiado pelas forças armadas, e com o poder legislativo inexistente ou enfraquecido e subordinado ao poder do(s) ditador(es), o mesmo acontecendo com o judiciário, e onde geralmente não há estado de direito, imprensa livre, liberdade de associação, de expressão nem eleições livres e regras claras de sucessão. 2 por extensão qualquer sistema de governo em que não sejam respeitadas as liberdades individuais. 3 figurativamente excesso de autoritarismo; tirania, despotismo.
Houaiss.
Pronto. E como és um moço à antiga portuguesa, podes ir para o canto depois de um par de reguadas. Ah, e não te esqueças das orelhas.
Afixado por: Jorge em maio 28, 2004 03:17 AMCaro Alfredo, se a Arábia Saudita, que não tem nem eleições nem partidos políticos legais, que não tem direitos civicos nem de organização, que tem apenas um Conselho Consultivo totalmente nomeado pelo Rei (que nem é um Parlamento) e tem presos políticos, não é uma ditadura, diga lá então o que entende por ditadura.
Afixado por: Daniel Oliveira em maio 28, 2004 03:33 AMExcelente post...
Aliás, Pacheco Pereira parece um daqueles pais extremosos que sabem que as filhas já têm vida sexual activa, que apanharam os respectivos namorados a sair do quarto das meninas com as faces rubras e uma transpiração de Agosto surgida em Janeiro, mas que ainda assim tentam arranjar um qualquer argumento obscuro para reapreciar a evidência.
Lamentável...
A analogia do gelado é de antologia!
Continuem.
Abraços
Afixado por: Stephen King em maio 28, 2004 09:57 AMDaniel
Tudo isso que disse está certo.
Porque não lhe chamo ditadura? Olhe, vá ver a definição do Houaiss do pateta: "...que tomam o poder desrespeitando as leis em vigor...".
A lei em vigor, o regime, é uma monarquia (goste-se ou não, ilegítimo ainda não se pode chamar, há pelo menos 3 gerações, talvez mais mas não tenho a certeza, que a família Abdel Azis ('ibn, filhos de... por aí fora) reina no país). E é Salafista, isto é, tem um regime legal baseado nas sagradas escrituras; uma Sharia, portanto.
Só porque não se lhe chamo ditadura, não quer dizer que não seja mau, o Daniel interpretou-me mal.
Já o pateta, se soubesse o significado do que eu disse, não teria feito confusão. E ficaria tranquilo, sabendo que, "por extensão" e "figurativamente", seria um regime aparentado a uma ditadura. Ele até tem boas referências bibliográficas, mea culpa. Não sabe é ler.
Peço desculpas, saltei um post...
Há a clássica insinuação de que sou fascista. Já foi aqui explicado que com x trocas de correspondência, é uma tendência natural ígnara. Não me prolongo portanto sobre o tema.
Quanto à frase: "não lhe chama monarquia, chama-lhe monarquia salafista", só mesmo do pateta, que deve achar que o segundo regime é melhor do que o primeiro.
Eu dizia-lhe para ir à Arábia nas próximas férias. Só que o pateta não pode. E é por ser uma "monarquia salafista". Como não poderia exercer o seu credo, tirar fotografias, circular de calções, fumar no Ramadão, frequentar locais de culto (inclusive certas cidades e vilas) islâmicos, interpelar senhoras (no sentido abrangente), discutir com as autoridades (no sentido estrito), pretender um regime de excepção às leis vigentes (que se caracterizam por ter penas, digamos, severas), ser homossexual, passear com a sua mulher a conduzir, passear com a sua mulher sem abaia, ver a sua mulher a tomar banho de fato de banho, ou tomar banho com o tronco descoberto, entre muitas outras limitações, que poderá aprender se quiser. Chama-se salafismo. E é mauzinho, não acha?
Eu, pessoalmente, preferiria Cuba. Uma ditadura de facto, por extensão e figurativamente, as três juntas.
Afixado por: Alfredo Vieira em maio 28, 2004 10:46 AMMas, quem é que disse que o colonialismo era uma coisa do séc. XIX, e que tinha sido liquidado no séc. XX?
Parece-me que é isto que o cinismo do JPP quer dizer.
Alfredo,
Boa tactica de fuga: concentrar num pormenor irrelevante NESTE CASO para fugir ao central da questao. Entao eu rescrevo para continuarmos a discutir o que interessa:
O argumento do JPP e completamente ridiculo (alias era interessante fazer uma analise aprofundada dos textos dele, caso de psiquitria).
Se o problema e a Arabia Saudita, porque e que nao se invadiu logo a Arabia Saudita?
A Arabia Saudita nao e uma monarquia salafista?
E nao e um VERDADEIRO FOCO de terroristas? Ou pelo menos de dinheiro para eles?
Mas e, como dizia o Tony Blair: Os sauditas sao nossos amigos. O Saddam tambem era, ha uns anos.
Afixado por: Jean-Luc em maio 28, 2004 02:00 PM
A tese pereiresca é prenhe de consequências e constitui um precedente de longo alcance... Imaginemos JPP passeando a sua rechonchuuda bunda numa rua de Lisboa... um arrebenta em ressaca observa-o atentatamente... está desempregado e não tem dinheiro para ir até às moitas do Parque...por outro lado, nos bares de engate há que ir bem produzido e o nosso "arrebenta" está teso (pois, também nas massas)... Que fazer ? É claro que a moral e o direito estabelecem certos interditos, mas, bolas, o nosso arrebenta é cultivado e está ao par das novas teorias vindas dos States sobre o carácter relativo deses valores universais... Afinal, quem tem a força do seu lado, tem o direito de fazer o que quer...unilateralmente, como agora se diz ! O nosso herói, decide-se, e num impulso avança para JPP, derruba-o, e sussura-lhe: "faz de conta de que estás em Abu Graibh, e que vais ser "libertado" ! E, zás... Então, JPP tomou consciência de que a sua "tese" levanta algumas objecções de peso...
Pegando no exemplo do miúdo.
Imaginemos que o miúdo em um principezinho das arábias e, por via disso, dono das maiores reservas de petróleo do mundo (gelado).
Imaginemos que o povo desse país (o adulto) sofria de subnutrição (hipoglicémia) ao qual um inesperado mau ano agrícola atirou para o desespero (súbita quebra de tenção).
Obviamente que seria do interesse desse povo controlar o petróleo (sorvete), mesmo que para isso tivesse que tomar o poder pela força (dar uns tabefes), o que não tem importância nenhuma uma vez que, naquele país, sempre se tinha alcançado o poder por essa via. Portanto, miúdo, é assim: passa para cá o poder (o gelado) e não te armes em falso ingénuo, senão ainda é pior é para ti.
Continua a ser uma excelente analogia.
Já agora, para que conste, se eu estivesse com um ataque de hipoglicémia, e não visse outra alternativa para resolver o meu problema, dava mesmo um par de tabefes ao miúdo para lhe ficar com o gelado se o miúdo se armasse em parvo (falso ingénuo) e não me cedesse o geladito. Depois, provavelmente, levava-o ao Mc Donnald's e compensava-o com um "Sunday", uma "Coca-cola" e um hamburguer. E se o puto fosse vegetariano (nunca se sabe), vá lá, dava-lhe uma salada em lugar do hamburguer. Tinha era de ser no Mc Donnalds.
Afixado por: Agualusa em maio 28, 2004 02:44 PMLOL
Citando: Porque não lhe chamo ditadura? Olhe, vá ver a definição do Houaiss do pateta: "...que tomam o poder desrespeitando as leis em vigor...".
A lei em vigor, o regime, é uma monarquia (goste-se ou não, ilegítimo ainda não se pode chamar, há pelo menos 3 gerações, talvez mais mas não tenho a certeza, que a família Abdel Azis ('ibn, filhos de... por aí fora) reina no país). E é Salafista, isto é, tem um regime legal baseado nas sagradas escrituras; uma Sharia, portanto.
Vejamos, deixem ver se eu percebi. Uma ditadura só o é enquanto desrespeita as leis em vigor. Ou seja: assim que a ditadura muda as leis, deixa de ser ditadura. Corolário: não há ditaduras, porque todas elas são legais à luz do regime jurídico interno que elas próprias instituem ou adoptam.
Brilhante! Este Alfredo Vieira é genial. :)
Mas ainda não acabou: o seu cérebro hipertrofiado talvez consiga chegar à conclusão de que a definição do Houaiss se refere à altura de tomada do poder, e não aos anos subsequentes. Parece-me que isto talvez seja demasiado simples para tanta inteligência, que se concentra, como é óbvio, nas grandes questões, mas enfim, há essa hipótese.
Mas aí, das duas uma: ou o Alfredo não sabe como foi que a família Saud chegou ao poder na Arábia Saudita, o que é difícil de crer pois tal génio nunca poderá ser ignorante, ou então terá de admitir que a Arábia Saudita é, de facto uma ditadura, o que também é impossível porque os génios nunca se enganam.
Oh, paradoxo!
Pronto, desisto. Nunca serei capaz de resolver coisa tão complexa. Agora vou ali para o canto chorar baba e ranho.
Afixado por: Jorge em maio 28, 2004 03:34 PMO que começou a ser uma achega (e não uma crítica, Sr. Jean Luc), acaba num enorme emaranhado de desinformação e jogo de anca do Sr. pateta que acaba agora de me consumir a paciência, porque a evidência não lhe chega, nem quando patente nas definições que ele próprio apresenta, e chega agora ao delírio de questionar a "legitimidade" de um "regime", que já estou cansado de definir (mas cuja aceitação é impossível por parte da criatura), instituído desde 1932.
Em vez de fazerem fé em mim ou no pateta, consultem, por exemplo:
http://en.wikipedia.org/wiki/Ibn_Saud
Verão como chegou ao poder e instituiu as suas leis, inspiradas no Corão. Para o pateta, Afonso Henriques invadiu Portugal e fez leis, logo, a monarquia foi um longo período ditatorial da nossa história. E eu assim não discuto mais, porque começo a ter vontade de descer de nível. É que com a minha idade, já começo a ter dificuldades em lidar com crânios. Prefiro cérebros.
Comentando outros posts, Sr Jean Luc:
A monarquia salafista está neste momento a viver um grande dilema na sua história; por um lado rege-se pela Sharia; por outro depende do Ocidente para a sua subsistência e bem estar social e económico; desagrada ao Ocidente porque lá, e nomeadamente em Jeddah, encontram-se as maiores escolas corânicas do mundo, donde brotou bin Laden, e é um foco teorizante do regresso à pureza islâmica que levaria de novo, segundo eles, ao Grande Islão dos séculos VII/VIII-XVII/XVIII, sociedade avançada e próspera, superior às demais moral e materialmente, e que é motor do fundamentalismo; desagrada aos fundamentalistas religiosos apoiantes desta teoria, porque continua a suportar e a pactuar com o Ocidente economicamente, através da produção de petróleo, e militarmente por motivos da sua própria defesa nacional contra vizinhos perigosos.
A posição da monarquia (entenda-se príncipe Abdulah) é a da aliança com o Ocidente, de quem depende, combatendo as células mais fundamentalistas no seu próprio país, não apenas por razões de pressão externa, mas sobretudo por uma questão de sobrevivência. Isso ao mesmo tempo que pretende manter a aura do Salafismo em terras Santas do Islão, guardiões que se auto-denominam desses locais e da boa prática muçulmana.
Mas é sem dúvida um sério conflito de interesses a gerir. Agora, também sou da opinião que, actualmente, não representa, na figura das chefias, qualquer ameaça para o Ocidente, antes um poderoso e útil aliado. Daqui a dez anos não sei.
Olhe, Euroliberal, gostei muito do seu comentário sobre "o direito do mais forte à liberdade", plagiando o saudoso Fassbinder.
Saúdo também a sua mudança de estilo. Este é mais convincente, porque menos repetitivo - embora eu ache que os seus comentários mais antigos são verdadeiros no que respeita aos elementos informativos, aos factos. Mas pecam por desadequação da retórica.
HAHAHAHAHAHAHA!
Adoro este Alfredo!
Tenho pena que não queiras conversar mais, pá, juro que tenho. Isto foi muito divertido. Enfim, fica para a próxima.
Mas como me diverti tanto, não quero deixar-te sem te dar uma mãozinha. É justo compensar quem nos diverte.
Surpreendi-me um bocado, porque pensei que não precisasses tão cedo, mas vejo pela tua última mensagem que andas à procura de um cérebro? Então olha, os americanos agora abriram uma nova cadeia self-service chamada Brains'R'Us que está a ter muito sucesso. Parece que são os fornecedores da família Bush e tudo. Não te posso dizer se o produto é bom, porque a mim me basta o que trago de nascença, mas se eles cumprirem o que promete a publicidade, deverás gostar. Parece que dá para fazer contas simples, se bem que na parte linguística deixe um bocadinho a desejar e tenda a entaramelar. Mas olha, sempre é uma melhoria. Não se pode ter tudo. :)
Abraço, e não tens nada que agradecer.
Afixado por: Jorge em maio 28, 2004 05:48 PMMuito bem.
Belo exemplo de como este mundo continua louco e pouco evolui.
NY-USA
O que o PP disse foi : Roubar não é crime, mas depende de quem rouba.O gajo é um sátrapa, e depois diz que não é de direita,que é democrata,etcc...É um miserabilista, e agora vai para a UNESCO,imaginem só,o bicho na UNESCO
Quanto á analogia do puto e o gelado, cuidado Rui que o caso Casa Pia ainda não esta fechado.
Alfredo Vieira, cuidado... estás a mexer onde não deves... Quem pode defenir ditadura são eles, que viveram décadas sob um regime opressivo capitalista. É por isso, que Cuba não é ditadura, mas sim uma democracia popular. A Coreia do Norte também é uma democracia de sucesso que faz frente ao gigante americano. A China, que até tem uma praça de liberdade chamada Tianamen.
Tu não percebes que a Democracia que eles querem é a liberdade que poderem apoiar a ditadura do proletariado?
Aliás isso é flagrante nos ESTATUTOS DO BLOCO DE ESQUERDA. (Ainda não os encontrei mas dizem que andam por aí)
Ah, a outra coisa em que os fachos são bons: virar tudo de pernas para o ar. :)
Não, Reaça. Eu digo que Cuba, a Coreia do Norte e a China são ditaduras. É o génio do teu amigo quem diz que não são, porque ele acha que um regime deixa de ser ditadura se tem legitimidade à luz do seu arranjo jurídico interno. Como em todos esses países se cumprem as leis, não são ditaduras.
Genial. :)
E antes que perguntes, abomino o sistema da Coreia do Norte e detesto o da China. Já por Cuba até tenho alguma simpatia, confesso, apesar da prepotência do Fidel. É que os Estados Unidos nunca deram a Cuba a mínima hipótese de democratizar-se em liberdade. Só se a tivesse tido e não se tivesse democratizado na mesma (o que concordo que é provável) a minha atitude mudaria. Há países onde a democracia tem condições prévias; em Cuba é o fim do embargo e das pressões colonialistas americanas.
Afixado por: Jorge em maio 29, 2004 03:17 AMDepois deste post, em q chorei a rir, até o Alfredo Vieira me deu graça!
Afixado por: lucrecia em maio 29, 2004 03:51 AMReaça, é tão flagrante nos Estatutos do Bloco de Esquerda que tu nem os leste.
Afixado por: Daniel Oliveira em maio 29, 2004 04:43 AM"Não, Reaça. Eu digo que Cuba, a Coreia do Norte e a China são ditaduras. É o génio do teu amigo quem diz que não são..."
..."Eu, pessoalmente, preferiria Cuba. Uma ditadura de facto, por extensão e figurativamente, as três juntas."
, alguns posts acima
Conforme prometido, não comento mais....
Afixado por: Alfredo Vieira em maio 29, 2004 12:27 PMPeço desculpas, assim é que fica bem:
"Não, Reaça. Eu digo que Cuba, a Coreia do Norte e a China são ditaduras. É o génio do teu amigo quem diz que não são..."
-pateta dixit-
..."Eu, pessoalmente, preferiria Cuba. Uma ditadura de facto, por extensão e figurativamente, as três juntas."
-génio do amigo do reaça dixit-, alguns comentários acima do prévio, nesta mesma janela.
Conforme prometido, não comento mais....
Afixado por: Alfredo Vieira em maio 29, 2004 12:32 PMAlfredinho, vai lá fornecer-te ao Brains'R'Us rapidamente para ver se finalmente entendes a contradição em que te enterraste. Relamente antes que isso aconteça não vale muito a pena comentares mais. Até porque quando uma piada é muitas vezes repetida perde a graça.
Afixado por: Jorge em maio 29, 2004 02:36 PM