Numa época em que os jornais competem desenfreadamente para encontrar o melhor brinde para os leitores (muitos deles de duvidosa qualidade e dirigidos a um público ávido de preencher as estantes com lombadas vistosas), é de saudar a mais recente iniciativa d’O Independente.
Uma colecção de 16 antologias de crónicas e ensaios de um leque muito variado de autores (de Alexandre O’Neill a Luís Sttau Monteiro, de Agustina a Cesariny), muitos dos quais só disponíveis nas hemerotecas ou nos sótãos dos coleccionadores de recortes. Os livros têm uma paginação impecável e todos trazem na capa uma caricatura do genial André Carrilho. Em suma, prata da casa e do melhor que há.
Esta semana foi posto à venda Outra Opinião. Ensaios de História, do historiador Rui Ramos. O volume reúne um conjunto de textos publicados no semanário entre 2003 e 2004, geralmente a propósito de uma efeméride ou de um tema da actualidade. Todos são polémicos e atentam contra a ortodoxia bem pensante, seja ela de esquerda ou de direita. Muitos sentir-se-ão irritados com algumas das suas interpretações, mas, se querem que vos diga, às vezes é melhor ser picado pela direita do que adormecido pela esquerda – especialmente quando os temas em questão são a I República, a Guerra Colonial ou a Revolução de Abril (as análises de RR acerca do Estado Novo pareceram-me menos penetrantes quando as li pela primeira vez no jornal, mas vou confirmar agora na versão em livro).
Se houvesse em Portugal uma verdadeira tradição de debate intelectual (nas universidades, nas revistas eruditas, nos suplementos dos jornais), este livro causaria uma pequena tempestade. Mas, se bem conheço os nossos costumes, o mais provável é que a intelligentsia o receba com uma estudada indiferença. Se tal acontecer, será uma pena.
Concordo plenamente. Aliás, a inteligência quase nem sempre se confunde com a ideologia. É o caso de João Pereira Coutinho, cujo livro, da mesma origem, é de leitura obrigatória. Para não adormecermos na "cultura de esquerda"!!
hr.
Mas tu, Pedro, não fazes parte da intelligentsia?
Afixado por: Daniel Oliveira em julho 2, 2004 03:25 PMGUERRA TOTAL!!! Chegou ao nosso conhecimento que um site americano, ou blog ou lá como aquela merda se pode classificar tem em marcha uma campanha de difamação da pátria portuguesa.
www.worldwiderant.com
Em nome de uma suposta Comunidade Portuguesa de Blogs... defendam-se uns aos outros! Vamos rebentar com o gajo, aniquilar-lhe os comentários (se alguém perceber alguma coisa de scripts, faça favor de lhe rebentar o canastro), insultar, atacar sem medo este imperialista americano com ar de bacoco!
Aproveitem e passem também a palavra!
Afixado por: Dinhas em julho 2, 2004 03:59 PMOs livros do independente como os do cunha rego, do coutinho e este do rui ramos é do melhor anda por aí e o preço é ESCANDALOSO: 4 euros! E ainda se admiram que os tipos do indy estejam a ir por agua a baixo...
Afixado por: carla em julho 2, 2004 04:26 PME não terão alguns professores responsabilidades pesadas??
Têm! e esses que têm não são educadores de vocação, para alem de outras razões sobejamente conhecidas e que passam pelas intenções do poder...
Muito bem. Suponho que, de vez em quando, até um Barnabé é capaz de escrever um post sensato...
Afixado por: AAA em julho 3, 2004 07:46 PM
O problema da esquerda em Portugal é ter poucos intelectuais verdadeiremente intérpretes dos anseios e aspirações das classes exploradas. o debate intelectual reflecte a pobreza cultural do país onde toda a gente se conhece e onde os artistas e os intelectuais na sua grande maioria se vendem por um prato de lentilhas. Quem não se recorda do beija mão ao presidente Sampaio?
Desculpa qualquer coisinha Pedro, mas, depois de ter visto algumas das datas históricas que o autor considera importantes para Portugal e, com espanto, ver que constam datas como: "1960 - conseguida pela primeira vez a escolarização completa ao nível do ensino primário" e são ignoradas outras como, imagine-se, a morte de Humberto Delgado, posso afirmar, sem ponta de ironia e sem ser necessário refinar os meus argumentos, que o homem é um direitoso daqueles à antiga usança!
Contudo escreve bem, de forma escorreita e até engraçada. Aconselho a leitura todos os "amigos de esqerda" quanto mais não seja para reafirmarmos, a alto e bom som, porque somos de esquerda.
Só para terminar uma outra pérola do dito historiador:"Salazar representou uma reacção contra a esquerda republicana em nome da doutrina da independência do estado, que ele interpretou como a limitação da actividade política de todos os grupos ao mero apoio ao governo. Sob o Estado Novo começou a maior transformação económica e social de Portugal nos últimos 200 anos". Ufa!! Cheira a ranço, cheira, cheira!!