setembro 28, 2004

A cultura de esquerda precisa do poder de Estado

Escreveu o meu amigo José Neves, no Público, o seguinte, e resumindo de uma forma talvez grosseira: o poder não interessa para nada, toda a transformação está nos movimentos sociais. Na rua, nas experiências. O debate é velho de décadas e é quase decalcado da estafada e fratricida guerra entre os reformistas de esquerda e revolucionários. Mas hoje, aliás, como ontem, é um debate curto.

Interessa sempre saber quem manda. Não nego (só um cego poderia negar), que fizeram mais contra a guerra do Iraque as manifestações em todo o Mundo do que a oposição da França e da Alemanha. Não nego que é possível encontrar mais debate político à esquerda nos Fóruns Mundiais (de que a esquerda portuguesa e a comunicação social em geral pouco mais apreendem do que a parte folclórica e fácil) do que em todos os debates da Internacional Socialista. Não nego (quem o poderia negar?) que as fontes de poder são múltiplas e que o poder dos governos é hoje muito menos significativo do que foi no passado.

Mas se tudo isto é verdade, é apenas um dos lados da verdade.

1. O poder simbólico dos Estados é ainda um elemento central da própria iconografia da esquerda. A forma como alguma esquerda se agarra a trágica experiência de Cuba ou a anunciada derrota na Venezuela são a comprovação disto mesmo. O Estado é de esquerda e a esquerda precisa dele. A direita, essa sim, dispensa-o.

2. A esquerda que se reclama alternativa tem de provar que é capaz de encontrar, neste quadro, soluções para problemas concretos. Adiar a prova dos nove para amanhãs que cantam ou limitar-se à oposição sem proposta é perder a confiança de todos os que a podem acompanhar e deixar à direita e ao bloco central todo o debate sobre a resolução de problemas concretos. O tudo ou nada favorece sempre quem propõe quase nada contra quem podia propor alguma coisa.

3. Um reformismo radical, que tem sempre como objectivo a utilização do Estado para a regulação das relações de poder, que resista à globalização selvagem e desregulada, não conseguirá muito, mas conseguirá alguma coisa. E o balanço que se fizer no fim será, provavelmente, o mesmo que se faz hoje quando se compara a experiência da social-democracia nórdica (achei extraordinário que o Pedro a colocasse como qualquer coisa mais recuada do que o socialismo do sul da Europa, quando, na minha opinião, foi bastante mais radical e esquerdista) e a experiência comunista: milhares de mortos depois do lado de lá do muro, onde vivem melhor e com mais direitos os trabalhadores? Onde se chegou mais próximo do socialismo? E como se atingiu tudo isto? Na conquista do poder. E no fim, é isso que conta, sem salvação das almas, homens novos ou juízos finais. Ficar um pouco melhor é melhor que coisa nenhuma. Não nos dá sentido à vida, mas melhora a vida de muitos, dando-lhe algum sentido.

4. Para responder agora à questão que o José Neves realmente levanta: não há cultura de esquerda, num país como Portugal, não há projectos sociais mobilizadores que ultrapassem o impacto do bairro, sem o combate pelo poder. Porquê? Porque no fim, a vitória tem de sentir.

Resta uma pergunta ao José Neves: num tempo em que as pessoas não se querem mobilizar a não ser em espasmos momentâneos, como esperas que tudo o que queres aconteça? Ou não esperas e apenas querias que assim acontecesse?

Publicado por danieloliveira em
Comentários

Um estudo interessante no contexto deste post foi publicado há pouco tempo e vai merecer uma reflexão num seminário organizado pela Organisation for Economic Co-operation and Development em Outubro:

http://www.oecd.org/document/42/0,2340,en_2649_33707_33617194_1_1_1_1,00.html

Estou a falar de um estudo realizado na Noruega subordinado ao tema Power& Democracy

http://www.sv.uio.no/mutr/english/index.html
http://www.sv.uio.no/mutr/english/scheme.html

que já mereceu várias análises na imprensa internacional mas nunca vi mencionado cá no burgo:

Deixo os links para algumas análises:

http://www.timesonline.co.uk/article/0,,1059-1008066,00.html
http://www.politicalreviewnet.com/polrev/reviews/PADM/R_0033_3298_006_20304.asp

Afixado por: palmira em setembro 28, 2004 09:46 PM

Ok... essa de "o que interessa é saber quem manda" é-me familiar... não é Alice? Quanto ao texto, congratulo-o. Conseguiu redigir com clareza o Manifesto Modificado. Palavras loucas...

Afixado por: tr em setembro 28, 2004 09:52 PM

Se a Esquerda não governar e ter a possibilidade de transformar a sociedade: Qem é que a transforma? A direita. Não a Esquerda a sério deve experimemtar o POder sem Medo!José Neves é pessimista.

Afixado por: José Manuel Faria em setembro 28, 2004 09:59 PM

Este gajo também tem jeito para inteligente: o caso casa pia prova à saciedade a 'sua' tese.

Afixado por: haja pachorra em setembro 28, 2004 10:14 PM

Existe no texto uma frase com que não concordo:a direita dispensa o Estado.
Acho que não, ela quere-o tanto como a esquerda, só que o manieta!

Afixado por: mfc em setembro 28, 2004 10:43 PM

Discordo da frase "A direita dispensa-o(ao Estado).
Ela quere-o tanto como a esquerda, só que o manieta!

Afixado por: mfc em setembro 28, 2004 10:44 PM

Não percebo como um jornal de qualidade pode dispensar uma página (já recorrente) a este debate primário...

Afixado por: Zeca Picão em setembro 28, 2004 10:48 PM

Não te preocupes pá. Ele explica-te.

Afixado por: MCG em setembro 28, 2004 10:52 PM

Para o Daniel:

"We live in an era of media concentration, vast efforts on many fronts (political, economic, military, ideological) to insulate state and private power from critical discussion or even popular awareness, and to reduce citizens to isolated atomized creatures restricted to satisfying personal “created wants.” This massive and coordinated campaign has been partially successful, but only in a limited way. The range and scope and dedication of popular activism has also increased, all over the world, reaching a level of international solidarity and mutual support that has never been seen before. The basic conflicts are very old, but they have taken quite dramatic and significant new forms, and the stakes are far higher than ever before. It is, regrettably, no exaggeration to say that the survival of the species is at risk—and many others with it. We all know why.

The popular movements are the hope for a decent future. They of course have to have access to information and modes of interaction. In addition to alternative print and video, to a very large extent they have relied on the internet, which allows people to escape from the constraints of the doctrinal systems, to explore and investigate and discuss crucial issues with one another, to plan and organize.(...)"

Noam Chomsky

eu, por mim, estou farta de quem possui a veleidade de pensar por mim decidindo como, quando e em que circunstâncias se reforma o quê. Estou farta de um poder transcendente e omnisciente, de um delegado todo-o-poderoso que me destina e exije o que entende ser o meu direito de cidadania: o direito de aceitar e legitimar todas as decisões políticas levadas a cabo por representantes (sempre em minoria) e renovados de 4 em 4 anos pelos seus pares.

Como homem tão de esquerda que reclamas ser não entendo porque razão o teu nível de discussão ainda não ultrapassou o quadro institucional da democracia representativa. Porque isso faz perigar o papel do teu partido no quadro político actual? Por essas e por outras alguém te chamou há bem pouco tempo "o revolucionista". Afinal, receio que realmente, para ti, o problema não se centre na natureza do poder, mas na personalidade que nessa cadeira se sente. Como diz o Zé Mário Branco, "o poder, bem usado ou mal usado é sempre prepotente".

abraços

Afixado por: o uno e o multiplo em setembro 28, 2004 11:01 PM

Cada vez mais reformista, Daniel...
Os Sócrates e os Blaires têm a mesma conversa: -um bocadinho mais ao centro para alcançar o poder e fazer coisas. Vê-se...
Não achas que conquistar o poder merece muito mais que do que apenas "ficar um pouco melhor"?
Ok, ok, claro que assim é mais difícil... não chegam uns acordos com o PS, nunca mais lá chegamos, etc., etc.
Mas não achas que só assim é que vale a pena? Pois, está bem, já percebi que não achas... ciao!

Afixado por: Seaport em setembro 29, 2004 12:58 AM

Acho que leste apressadamente o texto do Neves. Na minha opinião ele limita-se a colocar um conjunto de ideias que me parecem de elementar bom senso: o poder político só pode servir para transformar as coisas. A premissa desta condição significa, no meu entender, que a esquerda anti-neoliberal só deve ir para o governo ancorada numa onda social que permita ter força para transformar, democratizando, a natureza hierárquica dos instrumentos de poder. Só assim será, eventualmente, possível levar a cabo um programa de transformação progressista da sociedade. Não há nenhuma estratégia de reformas cumulativas (reformas revolucionárias, segundo, salvo erro, Lipietz) , por mais comezinha que seja, que resista à lógica de um governo castrado.

Afixado por: nuno ramos de almeida em setembro 29, 2004 02:13 AM

1-O Estado é uma invenção organizacional do ocidente, na sequência do grande movimento Iluminista. Até lá, não havia estado, nem sequer uma noção precisa de nação: por exemplo, em França, havia bretões, normandos,etc, a Alemannha era um vasto conjunto de 2.000 entidades políticas, principados, principelhos, etc.
2-As ideias iluministas e as subsquentes ideias românticas, constituem o o lastro onde se consolidaram as noções de direitos individuais invioláveis, da educação pública universal e gratuita e por aís fora (saúde,etc).
3-Pôr em causa o estado, é pôr em causa a própria ideia de ocidente e da civilização em que ela se baseia (direitos individuais).
4-O que está em causa, não é o estado, mas a sua metástese contemporânea: o estado, não ao serviço das pessoas, mas ao serviço de quem benficia dele, à custa daquilo a que Von Schloser chamou a "sociedade civil"-que é o conjunto de pessoas que não vive do estado, não fornece bens e serviços ao estado, e para sobreviver, tem de trabalhar muito e duramente-
5-É isso que não acontece em Portugal e na Europa: o estado deixou de estar ao serviço da sociedade e do povo(em sentido republicano), fornecendo serviços de qualidade, para ser uma coutadad privada ao serviço daqueles que o dizem servir.
6-se a esquerda fosse inteligente, batia-se por um estado ao serviço das pessoas, e não defendia o estado ao serviço dos seus próprios beneficiários(reproduzindo preversamente, o modelo do estado ao serviço de certas classes e pessoas-no ancien régime-os aristocratas, hoje, os funcionários públicos, que vivem sem trabalhar e recebem rendiemntos à custa dos impostos cobrados ao universo dos cidadãos). Ora um tal modelo de estado, implica a sua drástica redução.
Até lá....ganha a direita porque soube compreender que a justiça (um valor iluminista)é mais importante que o parasitismo.

Afixado por: joao em setembro 29, 2004 09:47 AM

Aquele é um texto doutrinário e propagandístico na linha bloquista mais dura, i.e., tendo por objectivo a substituição dos partidos políticos pelos "movimentos sociais".

Afixado por: Pedro Sá em setembro 29, 2004 09:50 AM

"A experiência da social democracia nordica foi bastante mais radical e esquerdista"

É espantoso que isto seja dito pelo Daniel, sempre tão zeloso no papel de vanguarda da classe operária, da predominância do poder dos sindicatos no Labour, do estado interventivo que gerou a burocracia pública, clientelar e corrupta do sul da Europa, do estado patrão dono de empresas falidas com administrações paga a peso de ouro pelos contribuintes, da regulação desse estado (só aparentemente forte) por parte das corporações reinantes. Contra este modelo insurgiram-se os social democratas do norte, Michael Rocard e Mário Soares. O PS manteve até hoje esta tradição. A linha da Esquerda Moderna. Mas não tem sido este o teu combate ?

Afixado por: Real em setembro 29, 2004 10:08 AM

Discordo absoluta e completamente do ponto 1 acima. Até me custa a acreditar, ver o Daniel a escrever isto. Passo a analisar:

"O poder simbólico dos Estados é ainda um elemento central da própria iconografia da esquerda."

Iconografia? O que é que isso interessa, ícones? Ícones são merdas da igreja ortodoxa russa!

A "esquerda" de que o Daniel fala é a "esquerda" comunista soviética, que na verdade é uma forma de reacionarismo contra-revolucionário e conservador. Isso não é esquerda, Daniel. Esses adoradores marxistas do poder de Estado não são esquerda, Daniel. São direita.

"O Estado é de esquerda e a esquerda precisa dele. A direita, essa sim, dispensa-o."

Que disparate, Daniel!!! A direita precisa do Estado! Não o dispensa! Precisa da guerra, precisa do poder de Estado que assegura o funcionamento do mercado quando se pretende que o mercado funcione e destrói o mercado quando ele passa a ser inconveniente para os interesses da direita.

O Estado não é de esquerda, Daniel. O Estado é o instrumento de gestão das classes dominantes, como bem dizia (neste ponto ele estava correto) o Marx.

Afixado por: Luís Lavoura em setembro 29, 2004 10:15 AM

Desde o dia 26 deste mês não se consegue escrever a palavra social ismo ou o plural tudo pegado !!! Porquê ??

Buuuuuaáááaááááááá

Afixado por: Afonso Henriques em setembro 29, 2004 10:17 AM

Tambem tenho muitos pruridos com amanhas que cantam. Subscrevo totalmente uma abordagem pragamtica e holista. O fundamental e resolver problemas e qualquer meio e bom (desde que seja um meio moralmente aceitavel).

O uno e multiplo: O Chomsky apoiou o Ralph Nader e este ano apoia o Kerry (por razoes de mal menor). Sem duvida que ele acredita nos movimentos populares mais do que em qualquer outra coisa, mas o que esta aqui em discussao e se negamos os mecanismos da democracia representativa, nao me parece ser o caso do Chomsky

Real: Sugeria que te informasses melhor antes de fazeres certas afirmacoes (vou falar sobre o que sei, a Suecia). So tens razao que o SAP tinha uma boa relacao com o grande capital sueco. Nao tens razao nenhuma sobre o poder dos sindicatos na Suecia.
Alguns FACTOS: 85% (OITENTA E CINCO) dos trabalhadores suecos sao sindicalizados, penso que e o valor mais alto no planeta.
O subsidio de desemprego e pago pelo sindicato, se nao fores sindicalizado recebes uma verba bem menor paga pelo estado
Se fores aluno universitario nao tens que pagar propinas, mas tens que pagar a quota da associacao de estudantes.

Nao tenho aqui links para comprovar tudo o que disse, mas podes ler a opiniao do SAP no site deles em ingles
www.sap.se, Other Languages, The Swedish Social Democratic English.pdf
So a primeira pagina do texto (pag 3) desmonta metade do que dizes.

Vais encontrar la partes que o Francisco Louca so diz baixinho, por medo de parecer excessivamente esquerdista, exemplo:
"The chalanges for the future are, as always, how to defend democracy against the forces of the market"

Afixado por: Jean-Luc em setembro 29, 2004 11:31 AM

Mais um exemplo (este vi pessoalmente), nao num pais escandinavo mas nos Paises-baixos:

No ING Bank (um dos maiores bancos do mundo) a coisa funcionava assim: imaginem que a empresa e um funcionario concordavam em desloca-lo por exemplo de Haia para Amsterdao (60 KM de distancia), essa tranferencia so podia ocorrer com acordo da comissao de trabalhadores (nao e equivalente a comissao de trabalhdores portuguesa, mas e uma analogia aceitavel).

Afixado por: Jean-Luc em setembro 29, 2004 11:51 AM

Concordo absolutamente com os comentários do "uno e o múltiplo" e o Luís Lavoura. O comentário deste é particularmente certeiro. A Direita adora o Estado, precisa absolutamente dele para exercer controlo: policial, judiciário (nomeadamente protecção do direito de propriedade e da inviolabilidade do contrato), militar. Repito o que tenho dito várias vezes: a Esquerda diferencia-se da Direita acima de tudo naquilo que pretende fazer com o Poder (nas suas múltiplas formas: económico, social, político). Desde sempre que a Esquerda se destingue por congregar todos aqueles que defendem que o Poder deve estar o mais distribuído possível, enquanto que na Direita se encontram todos os que defendem a concentração do Poder nas mãos de alguns. As razões de uns e outros são múltiplas, e muitas vezes coincidentes, e seria necessário um longo texto para as discutir.

Isto quer dizer que a Esquerda deve abdicar do Estado, pois "feitas as contas" ele levaria a uma maior concentração que distribuição do Poder? A resposta é difícil, mas a minha opinião é não. Desde a revolução francesa, e principalmente desde o início do séc. XX, que o Estado na generalidade das democracias de estilo Ocidental tem tido um papel positivo como agente da distribuição do Poder. No entanto, muito mais podia ter sido feito. E, em particular, cega pelo seu acesso (intermitente) ao poder político, a Esquerda (que teve acesso a esse poder) não foi capaz de perceber que não basta tentar redistribuir o poder económico e social. Sem permanentemente redistribuir o poder político, a Direita com o tempo aprende (e aprendeu) a usar o Poder social e económico que possui para manietar o sistema político, assegurando que quando não tem o poder político consegue manietar de múltiplas formas qualquer forma de Esquerda que aceda a esse poder político.

A conclusão é que hoje em dia, e desde há pelo menos 20 anos, o papel do Estado como centro de redistribuição do Poder está esgotado e em regressão. A Direita conseguiu com enorme sucesso minar o sistema político da Democracia Representativa, efectivamente tornando qualquer governo de "Esquerda" pouco mais que gestor do sistema político-económico-social enquanto a Direita não acede novamente ao poder político para fazer avançar a sua agenda. Portanto, se a Esquerda não usar o o seu acesso ao poder político para transformar o sistema político de (pura) Democracia Representativa, então no final não vale a pena. Os seus ideais estão condenados. Acho que essa era a mensagem do José Neves.

Não deixa de ser algo paradoxal, mas tanto a Esquerda como a Direita precisam do Estado (em diferentes formas, é certo) para atingir os seus objectivos. A Esquerda precisa dele para assegurar que o Poder é, e permanece, distribuído. É impossível destruir o Poder, e na ausência dos instrumentos para o impedir, ele concentrar-se-à. A história humana até à revolução francesa assistiu a uma contínua concentração de poder. Desde então, depende dos países...

Como então assegurar que o Estado será sempre usado para assegurar que o Poder é, e permanece, distribuído? Como fazer à Direita o que ela fez à Esquerda? Como fazer com que a Direita se, quando, atingir o poder político não o possa usar para fazer avançar a sua agenda de concentração e exercício do Poder? Acho que a solução é re-distribuir o próprio poder político. Acabar com a representatividade (puramente) eleita, e substituí-la (ou introduzir em paralelo) o sistema de Júri: cidadãos aleatoriamente escolhidos formam um parlamento, renovado frequentemente, que se pronuncia sobre as políticas de um governo eleito por um outro parlamento-júri. Referendos em urna aberta continuamente legitimam ou deslegitimam as decisões tomadas pelos parlamentos-júris.
Também é necessário redistribuir o próprio Estado. Descentralizar. Localizar. No cidadão, Na comunidade. Tornar os processos de decisão em co-decisão cidadão-comunidade, comunidade local-regional-nacional-internacional, em que é necessário elevados níveis de consenso. Interligar. Basta ver que a Direita quer atomizar, dividir, e diminuir ao máximo a possibilidade de cada um exprimir livremente a sua opinião e conseguir que ela conte: essa é a sua receita. A Esquerda tem de seguir o caminho inverso: criar comunidades abertas, movimentos sociais, e devolver o Poder (político).

Afixado por: viana em setembro 29, 2004 12:10 PM

teste

Afixado por: Ricardo Alves em setembro 29, 2004 12:41 PM

O artigo de José Neves exprime o pensamento de uma corrente de esquerda contemporânea que quer, de alguma forma, virar o neo-liberalismo a seu favor. José Neves, tal como os neo-liberais mais radicais, quer enfraquecer o Estado.

Afixado por: Ricardo Alves em setembro 29, 2004 12:49 PM

desisto

Afixado por: Ricardo Alves em setembro 29, 2004 12:58 PM

Caro Daniel Oliveira:

Aceitamos a oferta para negociacöes pré ou pós-eleitorais (depois se verá) com o Partido Soci alista com vista à formacäo de uma coligacäo governativa.
Muito respeitosamente:
o secretário-geral do P.S.


nem dá para disfarcar a ansiedade pois näo! ;)

Afixado por: poper em setembro 29, 2004 06:36 PM

Não vejo em que o que é que o seu comentário tem a ver com o meu post. Eu estava a falar da social-democracia, o PS está agora tomado pela terceira via.

Afixado por: Daniel Oliveira em setembro 29, 2004 06:55 PM

E quem representa a social-democracia?

Afixado por: HNRK em setembro 29, 2004 07:20 PM

"E quem representa a social-democracia?"

A ala esquerda do PS e provavelmente existirão sociais-democratas no BE (suponho que em clara minoria). Lembro de ver no blog do Miguel Vale de Almeida que ele se considerava um social-democrata.

Falando por mim, assim que o José Socrates foi eleito mudei-me imediatamente para o BE.

Sei bem que o BE não é social-democrata, mas aquilo que eles têm defendido na AR é bastante razoável. Aliás muito mais social-democrata que aquilo que o José Sócrates parece ser.

Afixado por: Jean-Luc em setembro 30, 2004 07:54 AM

Essa é que é a liberdade e a democracia na Suécia...quer queiras quer não queiras tens que ser sócio da associação de estudantes....mas que raio de liberdade é essa ?

Bem dizem os dinamarqueses que a Suécia é o último país comunista da Europa...

Afixado por: Pedro Sá em setembro 30, 2004 09:08 AM

Pedro Sá, anes fosse isso o comunismo.
Jean-Luc, eu considero-me, na medida em que essa definição sobreviveu ao seu abastardamento, um social-democrata, aliás, na mesmíssima linha que o Miguel Vale de Almeida.

Afixado por: Daniel Oliveira em setembro 30, 2004 11:06 AM

Há lugar para mais um social-democrata?

"Jean-Luc, eu considero-me, na medida em que essa definição sobreviveu ao seu abastardamento, um social-democrata, aliás, na mesmíssima linha que o Miguel Vale de Almeida."

Idem, e posso acrescentar que estou na linha de René Passet.

"Falando por mim, assim que o José Socrates foi eleito mudei-me imediatamente para o BE."

Fiquei extremamente dividido. Há uma abismal distância entre o PS liderado por Socrates e o BE liderado por Louçã.
Citando Orwell "há mais vida para além do Liberalismo e do Leninismo".

Afixado por: HNRK em setembro 30, 2004 09:11 PM