setembro 29, 2004

Compromissos de primeira e de segunda

Já sabemos que o governo e o novo líder do PS estão de acordo em que a GNR se deve manter no Iraque até ao fim dos compromissos assumidos por "Portugal".

Eu agora tenho curiosidade em saber o que é que toda a gente acha sobre o incumprimento de muitos compromissos assumidos por Portugal. A começar pela nossa participação financeira no maior laboratório do mundo, onde começam a trabalhar consistentemente várias gerações de físicos portugueses.

"Portugal não está a cumprir os acordos financeiros com o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), na Suíça. Não paga as quotas anuais, como devia fazer por ser um dos 20 países-membros. Não paga às equipas portuguesas para construírem componentes de duas experiências do futuro acelerador de partículas da Europa - o Large Hadron Collider (LHC), o mais potente do mundo, que deverá funcionar em 2007. E não paga as verbas dos projectos de investigação ligados ao CERN, através de concursos abertos em Portugal pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Nos 18 anos de adesão, nunca se viveu uma situação assim, diz a física Paula Bordalo, nas vésperas do CERN cumprir 50 anos de vida. [...] Para já, Portugal vai ter de pagar juros pelas quotas em atraso de 2003. Caso não sejam pagas também as quotas de 2004 até ao fim do ano, o país perderá o direito de voto no Conselho do CERN, o órgão de decisão máxima. É o que acontece quando se falha o pagamento por dois anos.

E a participação no novo acelerador de partículas, o maior de sempre, está em risco.

Trabalhos de casa para o novo líder da oposição, se quer que passemos a acreditar no seu "choque tecnológico": 1) pronunciar-se imediatamente sobre o assunto e trazê-lo para a frente da agenda; 2) nomear um porta-voz para as questões da ciência, de preferência José Mariano Gago ou alguém que este aprove. A restante oposição deve adiantar-se para não ser apanhada em contramão. E a blogosfera deve ajudar. Vamos a ver se conseguimos meter o estado comatoso da investigação portuguesa na ordem do dia.

Publicado por ruitavares em
Comentários

Epá, e eu acrescentaria: se o governo gosta tanto de contas de mercearia, pois façamos contas de mercearia. Então reparemos no parágrafo seguinte da mesma notícia:

«A humilhação nem será o pior. "O não pagamento das quotas traduz-se numa consequência mais grave: a impossibilidade das indústrias portuguesas participarem em concursos do CERN para projectos de construção e manutenção das suas infra-estruturas. Nestes concursos, Portugal tem obtido um grande retorno do investimento", diz a investigadora. "Tirando a parte humilhante, há a parte económica, que devia alertar o Governo."»

Isto é incrível!

Afixado por: Filipe Moura em setembro 29, 2004 06:59 PM

Epá, e eu acrescentaria: se o governo gosta tanto de contas de mercearia, pois façamos contas de mercearia. Então reparemos no parágrafo seguinte da mesma notícia:

«A humilhação nem será o pior. "O não pagamento das quotas traduz-se numa consequência mais grave: a impossibilidade das indústrias portuguesas participarem em concursos do CERN para projectos de construção e manutenção das suas infra-estruturas. Nestes concursos, Portugal tem obtido um grande retorno do investimento", diz a investigadora. "Tirando a parte humilhante, há a parte económica, que devia alertar o Governo."»

Isto é incrível!

Afixado por: Filipe Moura em setembro 29, 2004 07:00 PM

Epá, e eu acrescentaria: se o governo gosta tanto de contas de mercearia, pois façamos contas de mercearia. Então reparemos no parágrafo seguinte da mesma notícia:

«A humilhação nem será o pior. "O não pagamento das quotas traduz-se numa consequência mais grave: a impossibilidade das indústrias portuguesas participarem em concursos do CERN para projectos de construção e manutenção das suas infra-estruturas. Nestes concursos, Portugal tem obtido um grande retorno do investimento", diz a investigadora. "Tirando a parte humilhante, há a parte económica, que devia alertar o Governo."»

Isto é incrível!

Afixado por: Filipe Moura em setembro 29, 2004 07:03 PM

Passa-se o mesmo em relação à ESA (Agência Espacial Europeia) e ESO (Observatório Europeu do Sul)! Portugal será em breve EXPULSO destas organizações por falta de pagamento! Ah...mas precisavam certamente deste dinheiro para pagar alguma reforma...

Afixado por: pois é em setembro 29, 2004 07:12 PM

Sim, para alguma reforma ou então para equilibrar o défice do orçamente...porque isso sim contribui para o desenvolvimento da economia...agora a investigação já não interessa para nada! LOL

Afixado por: Ana F. em setembro 29, 2004 07:59 PM

O nome do Prof. Mariano Gago é inquestionável.
Resta apreciar a solução de Sócrates... se a houver!

Afixado por: mfc em setembro 29, 2004 08:47 PM

“INTERESSA SEMPRE SABER QUEM MANDA”...

É no que dá o DO só ler o Público (e às vezes o CM) - quando menos se espera já pensa como o Belmiro e o José Manuel Fernandes queriam que todos pensássemos. Então agora o Sócrates é o “novo líder da oposição”? Bem sei que no bloco não há líder mas havia necessidade de tão depressa adoptar este?

O DO diz num post aí mais abaixo, “Interessa sempre saber quem manda”. E depois desenvolve a sua choraminguisse habitual sobre a “esquerda alternativa”, alude à “trágica experiência de Cuba” e à “anunciada derrota na Venezuela” para acabar clamando que “não há cultura de esquerda, num país como Portugal, não há projectos sociais mobilizadores”.

Pois. Tivesse o DO passado algum tempo a saber o que se passou no passado fim-de-semana em Serpa no Encontro Internacional “Civilização ou Barbárie ou os desafios do mundo contemporâneo”, não teria possívelmente tirado tão desanimadoras conclusões.

Deixo aqui a conclusão da intervenção de Rui Namorado Rosa, “Imperialismo: seus limites e alternativas” e que tal como outras se podem ler no www.resistir.info

(...)
“O imperialismo globalizado mantém, reforçada, a base de organização em estados nações e, também reforçada, a sua organização em monopólios sobre todos os sectores de actividade e em escala planetária. A produção e o comércio progridem na sua intensidade e concentração. O capital financeiro cresce a taxa alucinada, tornado predominantemente fictício.

As vulnerabilidades e contradições não são mais de origem ou não mais se confinam a âmbitos nacionais, são claramente sistémicos, globais. De onde se deve concluir que nenhuma particular política nacional pode já criar ou resolver crises.

Mas estando o imperialismo organizado e irredutivelmente dependente dos estados-nação, estes são as instâncias primeiras da luta pela superação dos problemas mundiais contemporâneos, a luta anti-capitalista, uma luta que sendo nacional é dirigida contra os fundamentos de um sistema mundial, e que apela à cooperação internacionalista.”

Afixado por: João Lopes em setembro 29, 2004 09:08 PM

Lider da oposição é o lider do partido da oposição mais votado. É assim nas democracias de modelo ocidental. Não sei como era no tempo da querida Albânia do Luís Fazenda.

Afixado por: Ana em setembro 29, 2004 09:43 PM

Provavelmente trata-se de um pouco de vingança contra o Mariano Gago, já que este é o mais conhecido Físico de Particulas português, activo participante no CERNE e "pai" da adesão de portugal a este importante organismo europeu de ciência.

Afixado por: JPT em setembro 29, 2004 10:03 PM

Ah! “É assim nas democracias de modelo ocidental” e está tudo dito, Ana? E já agora pode explicar em que consiste esse modelo ocidental? E concretamente em que países ele se aplica? E se também inclui países em que a chefia do Estado é herdada? Ou países em que para a eleição do Presidente não se aplica o princípio “um cidadão, um voto”?

Afixado por: João Lopes em setembro 29, 2004 10:06 PM

É um bom artigo, convinha os nossos amigos darem uma espreitadela de vez em quando ao RESISTIR, é um bom contraponto ao pensamento único.

Afixado por: Carlos Marques em setembro 29, 2004 10:09 PM

E qual é o problema dos países em que a chefia do Estado é herdada, João Lopes? A Espanha, Dinamarca ou Holanda não são democracias?

Afixado por: João Pedro em setembro 29, 2004 10:23 PM

E qual é o problema dos países em que a chefia do Estado é herdada, João Lopes? A Espanha, Dinamarca ou Holanda não são democracias?

Afixado por: João Pedro em setembro 29, 2004 10:25 PM

Já agora porque é que não menciona também o Reino Unido, a Suécia, a Arábia Saudita, a Jordânia, o Japão, a Tailândia, por exemplo? Tanto quanto sei ainda têm chefias de Estado herdadas, não é verdade?

Mas repare, a Ana não respondeu às questões que lhe coloquei. Por ventura quererá você responder? Fico à espera.

Afixado por: João Lopes em setembro 29, 2004 10:43 PM

A física de partículas (como a astronomia ou a exploração espacial) é uma área da ciência onde a escala dos projectos é tâo grande que só uma programação a muito longo prazo permite obter resultados. Por exemplo, o acelerador actualmente em construcção no CERN, o Large Hadron Collider (LHC, http://lhc-new-homepage.web.cern.ch/lhc-new-homepage/ ) começou a ser pensado nos anos 80. Nessa altura ainda estava em construcção o Large Electron-Positron collider (LEP), que funcionou de 1990 a 2000. O LHC, que agora está a ser construído no tunel antes ocupado por LEP, é um projecto de dimensão comparável ao projecto Apollo. E os estudos para as máquinas que hão de seguir-se ao LHC já estão a ser feitos. O envolvimento em projectos desta escala não pode ser feito ao sabor do vento. Tem de resultar de uma aposta continuada. Portugal, através do LIP (www.lip.pt) participa em duas experiências do LHC: ATLAS (http://atlas.web.cern.ch/Atlas/) e CMS
(http://cmsinfo.cern.ch/Welcome.html/). São colaborações com milhares de pessoas. Em experiências de tal dimensão a luta por projectos é feroz, porém o LIP conseguiu em cada experiência assegurar uma participação relevante. Em ATLAS, participa decisivamente na construcção do calorímetro TILECAL, que vai medir a energia de partículas produzidas nas colisões. Em CMS, importante electrónica do sistema de trigger (que decide quando gravar uma colisão) foi feita por portugueses. Tal requer a presença de investigadores no CERN, a participação regular nas reuniões onde tudo é discutido e decidido pelos investigadores que estão em Portugal, e a existência em Portugal meios físicos (oficinas, computação) e sobretudo humanos (estudantes de doutoramento e investigadores séniores). Agora que as experiências estâo em plena construcção é preciso passar do hardware para o software e começar a criar grupos de análise de dados. Ora, só para terem uma ideia, a reforma de Mira Amaral daria para pagar 10 bolsas de doutoramento, participações em reuniões incluidas! Enfim, se nem o muito pouco que era dado à ciência é certo, como pensar em investimentos futuros...

Afixado por: Nuno Anjos em setembro 29, 2004 11:29 PM

D. Ana, do Luis Fazenda e jà agora do Jorge Coelho que tambem foi todo pró Albania.

Já quanto ao Sr. Socrates esse so conheceu eleições na JSD.

Afixado por: a.pacheco em setembro 30, 2004 12:56 AM

nuno anjos: muitíssimo obrigado pelas suas informações. dá gosto receber comentários desse nível de detalhe.

já agora, os académicos e investigadores (nomeadamente os jovens) têm de aprender a ser mais aguerridos e a entrar na opinião pública para saber explicar porque é que é essencial apoiar alguns dos seus projectos.

Afixado por: rui tavares em setembro 30, 2004 01:19 AM

Oh! Sr.Doutor!!!
Aguerridos?? É uma piada não é?? São todos doutores...
O que espera?

A recuperação económica nacional?

O que há é Tacho nas academias!! Quem quer saber de investigação e ideias.. Se as tivessem nas estavam por cá de certeza.

Afixado por: André Fernandes Esteves em setembro 30, 2004 02:05 AM

As grandes Universidades e centros de investigação americanos têm gabinetes especiais de ligação com a imprensa e produzem press releases sobre a investigação que por lá se faz(disponíveis online).

Mas por lá boa parte do financiamento provem de privados, nomeadamente doações, etc... de particulares. Portanto é importante que as Universidades mantenham o público em geral e as comunidades onde se inserem em particular, bem informados do que fazem.

Por cá a investigação é mantida principalmente por dinheiro da FCT (grande parte proveniente da CE) pelo que não se sente essa necessidade de divulgação para a opinião pública.

Mas concordo com a sugestão do Rui Tavares... o problema é pô-la em prática já que a ci~encia, em particular a mais fundamental, não tem o apelo mediático de qq desgraça ou acidente aparatoso.

Talvez a inversão desta realidade passe pela realização de mais conferências de divulgação científica devidamente publicitadas... Talvez se a opinião pública estiver despertada não se verifiquem estas situações caricatas...

Afixado por: palmira em setembro 30, 2004 09:24 AM

Já agora, este artigo com quasi dois anos explica o porqu~e do incumprimento do pagamento das quotas da participação nacional numa série de agências europeias... E com o B&B (Beato Bagão) à frente das Finanças não estou a ver uma solução...


http://astro.oal.ul.pt/caaul/imprensa/30Out02Pub.htm

Afixado por: palmira em setembro 30, 2004 09:48 AM

"nomear um porta-voz para as questões da ciência, de preferência José Mariano Gago ou alguém que este aprove"

Não é uma escolha adequada. Por um lado porque Mariano Gago está ligado ao PS, foi ministro da ciência no governo Guterres; logo, não pode agora ir ligar-se ao PSD, sob pena de não haver oposição. Por outro lado, e principalmente, porque Mariano Gago é parte interessada, enquanto diretor do LIP (Laboratório de Instrumentação e Partículas), no financiamento da ciência. Não me parece, de forma nenhuma, adequado que um governante da área da ciência seja simultâneamente diretor de um dos laboratórios que é suposto receber grande financiamento do governo.

Afixado por: Luís Lavoura em setembro 30, 2004 10:01 AM

André Fernandes Esteves, não me chames de doutor, que eu sou um mero licenciado em engenharia :) De facto estou a fazer um doutoramento, e pela tua lógica, deveria ter um tacho à espera numa qualquer universidade. Ora o problema é que não há, nem para mim, nem para ninguem... Nos últimos anos Portugal investiu muito na formação de recursos na área científica. Muitos jovens fizeram pós-graduações, aqui ou no estrangeiro. Se há áreas onde só se pode progredir lá fora, em outras Portugal já colabora em igualdade com os grupos estrangeiros. Em todo o caso garanto-te que muitos excelentes investigadores que estão lá por fora querem muito voltar a Portugal. Mas não podem, porque não há postos permanentes cá. Só bolsas que se eternizam até ao abismo.
O teu colega de blogue, Ricardo Alves, que também esteve na Física do Técnico e andou lá por fora pode esclarecer-te!

Afixado por: Nuno Anjos em setembro 30, 2004 07:06 PM

palmira, a investigação científica nos EUA é fortemente financiada pelo governo! A NSF
(http://www.nsf.gov/) é o equivalente americano à nossa pobre FCT. Muito projectos conseguem ir buscar dinheiro à DARPA (http://www.darpa.mil/)
A NASA é financiada directamente pelo orçamento federal. Quanto à investigação em física de partículas, é suportada pelo Departamento de Energia (http://www.energy.gov, e seguir o link Sience). Há areas mais aplicadas, como a saúde e a eletrónica, onde os privados têm um papel preponderante. Mas, mesmo no EUA, a ciência fundamental é essencialmente financiada pelo governo.

Afixado por: nuno Anjos em setembro 30, 2004 07:25 PM

Rui Tavares, tens razão quando dizes que os investigadores devem comunicar mais. Alguns não terão tempo ou vocação para isso. Mas outros simplesmente não têm canais de comunicação a que recorrer. A palmira diz que os grandes laboratórios americanos têm grupos de ligação à imprensa. Ora os pequenos laboratórios portugueses não têm recursos para as suas actividades básicas... E esta situação não mudará no curto prazo!

Reconheço que será chutar a bola para o lado, mas para mim isto só irá a algum lado se os media tomarem a iniciativa. O problema é quem por cá quem escreve sobre ciência geralmente não parece saber o que se faz no própio país. Os jornalistas não podem estar à espera, têm de procurar boas fontes no meio. A cobertura do Público do aniversário do CERN foi dos poucos casos em que os participantes portugueses foram directamente contactados!

Afixado por: Nuno Anjos em setembro 30, 2004 08:04 PM

Luis Lavoura, a tua primeira razão é totalmente válida, Mariano Gago é uma figura ligada ao PS e não faria sentido ser ele a definir a política de um governo PSD. O PSD deve é procurar quadro seus ou independentes com uma visão científica esclarecida.

Já a tua segunda razão é inaceitável. As pessoas com competência para definir a política científica são todas professores numa qualquer universidade ou directores de algum grupo. O que importa é definirem boas políticas e serem imparciais.
Ora Mariano Gago é director do LIP, mas deixou de o ser quando esteve no ministério, e desligou-se por completo do laboratório - nesses anos acho que o vi duas vezes. O LIP não recebeu nenhum tratamento especial e os projectos continuaram a ser financiados por concurso.

Mas, caro Luis, porque não convences o Gustavo a avançar? Ele seria alguem com competência cientifica a toda a prova!

Afixado por: Nuno Anjos em setembro 30, 2004 08:34 PM

Não meu caro Nuno Anjos, também a minha segunda razão é válida. Tal como não é aceitável que um tipo ande a saltar da EDP para a secretaria de Estado da energia e vice-versa, também não é aceitável que outro tipo ande a saltar do LIP para o ministério da ciência e vice-versa. E sabes muito bem que é isso que Mariano Gago fez: foi diretor do LIP antes de ser ministro, e voltou depois a ser diretor do LIP.

Em todo o caso, mesmo que não o fosse, está estreitamente ligado ao LIP.

A polítia científica deve ser dirigida por pessoas com conhecimento do meio, claro, mas que, ou estejam inativas desse meio, tendo-se já desligado de quaisquer instituições de I&D, ou então que não ocupem lugar de proeminência em qualquer instituição.

Acharias aceitável que o presidente, digamos, da NSF dos EUA fosse também o diretor do BNL?

É também falso que Mariano Gago não tenha favorecido o LIP. Fê-lo de forma muito discreta, através da criação do estatuto de Laboratório Associado. Mas não discutamos esse ponto.

Afixado por: Luís Lavoura em outubro 1, 2004 11:52 AM

Caro Luís Lavoura, a EDP, ou equivalente, é uma empresa privada, mesmo que ainda tenha participação do estado. A sua gestão tem de estar separada da coisa pública. Já não me chocaria que um hipotético gestor competente de uma empresa exclusivamente pública fosse para o ministério da tutela e regressasse. O que me choca é a incompetência, e os salários de gestores de empresas deficitárias.
O que eu quero dizer é que a lógica de separação privado-público nao se aplica necessariamente a laboratórios-ministério. É um nível diferente.
Desde logo ser director do LIP não é remunerado.

Não sei qual é a tua ideia, se calhar é só o Gago que te provoca alergia, mas o teu segundo parágrafo indica que qualquer pessoa ligada ao LIP seria inconveniente. Ora esta lógica nao é aceitável.
Por vezes há a imagem que o LIP e' um labóratorio muito financiado, e isso não é bem visto. A imagem é errada. É verdade que o acordo Portugal-CERN cria uma verba específica para a física experimental de partículas, o fundo CERN. Mas esse financiamento é o básico. Os grupos do LIP nas colaborações internacionais têm o tamanho mínimo para serem relevantes. Sem o fundo CERN, Portugal nao faria nada de relevante no CERN, e por isso esse fundo foi exigido pelo CERN a Portugal para permitir a adesão. E os grupos só são financiados por concurso, se os projectos não forem aprovados por falta de qualidade não há verbas.
Bater no LIP é inútil e contraprodutivo. Todas as áreas têm de exigir o modelo mais adequado que permita um financiamento estável.

Em Portugal pessoas com uma visão científica alargada não surgem debaixo das pedras. O modelo de gestão que sugeres dizes seria o ideal mas não me parece que possamos estar com critérios tão estritos. Como ficou implícito no meu comentário anterior, não veria nada de errado se alguem do CFIF assumisse a gestão da política científica, ate ficaria contente.

Finalmente, o teu último ponto é um ponto relevante. Nao achas anormal Portugal nao ter um laboratório NACIONAL de física de partículas?
O "N" em BNL (http://www.bnl.gov/) ou
FNAL (http://www.fnal.gov/) e' de NATIONAL.
Em vez disso tem um laboratório associado, que é apenas uma parceria privada entre universidades, sem quadro próprio ou instalações definitivas.Também devia ter uma agência espacial, e o que fosse necessario noutras áreas...

"Em casa sem pão, todos ralham e ninguém tem razão" diz o ditado, e é assim que estamos

Afixado por: Nuno Anjos em outubro 1, 2004 01:53 PM

Duas faltas no comentário anterior: CFIF é o Centro de Física das Interacções Fundamentais do IST (http://cfif.ist.utl.pt/); os Laboratórios associados são definidos pela FCT (http://www.fct.mct.pt/pt/apoios/laboratoriosassociados/) e presentemente são estes: http://www.labs-associados.org/oquesao.shtml

Afixado por: Nuno Anjos em outubro 1, 2004 02:46 PM

Vai aqui uma discussao muito interessante e animada. Dois pontos a acrescentar ao penultimo comentario do Luis Lavoura.
A discussao entre o Luis e o Nuno sobre o Mariano Gago nao tem razao de ser uma vez que nao foi isso que o Rui propos. O Rui propos que o Ze Mariano fosse porta voz da OPOSICAO para a ciencia. Parece-me uma escolha logica, embora haja outras. Porta voz do GOVERNO nao faria sentido nenhum, mas so o Luis leu assim. E o Nuno respondeu...
Quanto a proposta do Luis de que nao deveriam ser cientistas activos a administrar a FCT: quem deveria ser, entao? Cientistas reformados? Ou burocratas? Quem definiria as prioridades cientificas entao?
Acrescentaria que o conselheiro do Bush para a ciencia, John Marburger, fisico, foi antes director do BNL (precisamente!) e presidente da minha universidade. Desde que haja transparencia, parece-me tudo bem. Se o Luis Lavoura acha que nao houve durante o consulado Mariano Gago/Luis Magalhaes, que a denuncie. Agora, comparar o LIP com a EDP ou a Caixa Geral de Depositos e ridiculo.

Afixado por: Filipe Moura em outubro 1, 2004 05:21 PM