Portugal é um país especial. Por cá, dizem as estatísticas do Instituto da Droga e Toxicodependência, já morreram, desde que o PSD chegou ao governo, 40 pessoas por consumo de cannabis. Até hoje, tirando em Portugal, só foi detectada uma morte (sem confirmação) pelo consumo de cannabis. Foi no Reino Unido. Mas o mais maravilhoso é a forma como a comunicação social repete e amplia o disparate nos títulos para só o esclarecer no fim dos textos.
Estas estatísticas portuguesas resultam de uma extraordinária metodologia: se morreu e tem vestígios de cannabis no sangue, então morreu pelo consumo de cannabis. Estou curioso para saber quantas pessoas morreram em Portugal, o ano passado, por consumo de leitão da Bairrada. Os vestígios da cannabis ficam cerca de dois meses no organismo. Por isso, já sabe, se vai morrer, não se drogue.
Que Portugal, que tem um número assustador de consumidores de heroína (o País da União Europeia dos 15 onde é proporcionalmente maior o consumo desta droga dura), tenha um Estado que faz da cannabis o seu principal alvo de ataque, mais do que patético, é preocupante. E que se continue a colocar estas duas drogas ao mesmo nível é apenas irresponsável. Expliquem a um miúdo que fumou uns charros que no fundo isso é igual a injectar heroína e o que estão a fazer é a abrir-lhe a porta para a tragédia.
Publicado por danieloliveira emAs drogas deveriam ser todas despenalizadas, todo o resto é hipocrisia.
Afixado por: José Manuel Faria em setembro 30, 2004 11:35 AMdepois do disparate que bostaste ontem sobre fatima devias ter vergonha em comentar os disparates da comunicação social.
Afixado por: onça em setembro 30, 2004 11:36 AMonça, eu ontem fiz uma piada com o título de um jornal de uma notícia desmentida. A piada era sobre o título, estás a ver? Vaticano chocado com Fátima, não com o Santuário, mas com a nossa senhora, estás a ver? Queres que eu te faça um desenho?
Afixado por: Daniel Oliveira em setembro 30, 2004 11:45 AMHipocrita. Quando postaste não sabias que a noticia iria ser desmentida. Na tua ignorancia não sabias que aquela noticia era um disparate e quiseste ajudar a aumentar aquilo que pensavas ser um escandalo. Duplamente hipocrita porque agora estás a tentar tapar o sol com a peneira.
Aliás tu, nunca publicaste um desmentido, nem nos comentarios que sabes que agora poucos irão ler.
Deixaste ficar assim para ajudar a aumentar a confusão e porque gosta de sensasionalismo.
onça, eu postei duas ou três horas depois da notícia ser desmentida. Get a life!
Afixado por: Daniel Oliveira em setembro 30, 2004 11:53 AMQuando era mais novo fumei uns charros, e agora não consigo fixar números de telefone, nem sequer o meu! :(
Afixado por: caznocrat em setembro 30, 2004 11:54 AMQuando era mais novo fumei uns charros, e agora não consigo fixar números de telefone, nem sequer o meu! :(
Afixado por: caznocrat em setembro 30, 2004 11:56 AMEntão ainda é mais hipocrita e irresponsavel porque sabes bem que um desmentido nunca tem o mesmo destaque da noticia.
Aliás nos comentarios viste bem que muita gente acreditou naquilo que bostaste e não fizeste nenhum desmentido.
Mais hipocrita não há.
E agora, já depois de eu comentar este post, editaste e alteraste-o. Vergonhoso.
Afixado por: onça em setembro 30, 2004 12:00 PMonça, foi antes. Estás me a fazer sono.
Afixado por: Daniel Oliveira em setembro 30, 2004 12:01 PMAcho que essencialmente o problema em relação à despenalização das drogas leves tem a ver com a ignorância sobre os seus efeitos.
Nomeadamente estou-me a recordar do bruá recente sobre a utilização de marijuana na terapia da dor.
Aliviar a dor é praticamente um sinónimo de Medicina e, mesmo antes de Hipócrates, os seus praticantes sempre tentaram a melhor forma de o fazer. Sempre procurraam as melhores substâncias para o fazer, efectivamente e durante o máximo tempo possível e… sem efeitos secundários de preferência. Estas substâncias eram nos primórdios do que hoje chamamos medicina os princípios activos encontrados na natureza, especialmente em plantas. O medicamento mais velho existe deve ser o chá de casca de salgueiro em que se extrai a quente o ácido salícilico de que deriva a actual aspirina. Muitos dos medicamentos que hoje utilizamos são ou derivados ou princípios activos isolados de plantas.
Todos os analgésicos da farmacopeia actual têm efeitos secundários e portanto há sempre um balanço a efectuar entre o alívio da dor proporcionado e os efeitos secundários do medicamento em questão.
Desde o ínicio dos anos 90 que a comunidade científica assiste a um debate aceso sobre um analgésico (cuja acção terapêutica não se restringe apenas ao alívio da dor) o delta-9-tetrahidrocannabinol (THC), o ingrediente activo da marijuana. E este debate aceso surge apenas porque a sua efectividade como medicamento só foi descoberta depois de a marijuana ou cannabis ter sido proíbida devido aos seus usos “recreacionais”.
Ninguém considera proibir a utilização terapêutica da morfina porque esta foi estabelecida antes de a morfina “recreacional” ter sido declarada ilícita (quem leu Conan Doyle e o seu Sherlock Holmes sabe que não foi assim há tanto tempo, não saberá quiçá o porquê...).
Este debate aceso é considerado por muitos inconclusivo porque de facto não chega às conclusões pretendidas :-) .
Na realidade, tanto quanto eu saiba, todos os estudos realizados indicam que o THC não induz habituação física. Na realidade a sua actuação a nível de receptores é francamente mais “mild” que uma vulgar benzodiazepina ou outro inibidor de recaptação de serotonina/noradrenalina, os Prozac´s, Valium’s & afins que uma % razoável da população portuguesa toma. Ou que a nicotina com que acabei de estimular a minha produção de endorfinas :-)
Como é óbvio tem também alguns efeitos laterais indesejados. O THC mimetiza os canabinóides naturais que nós produzimos (em particular a anandamida cujo nome deriva do termo sânscrito que significa felicidade interna) que induzem cascatas de sinais a um estímulo de dor. O THC liga~se aos receptores "CB-1" no centro modulador da dor do cérebro (rostral ventromedial medulla) diminuindo a sensibilidade à dor.
Mas os receptores a que o THC se liga são expressados noutras partes do cérebro tais como os centros processadores da memória e informação no hippocampus criando alguns efeitos secundários: distorção da percepção, dificuldade na resolução de problemas, aumento do ritmo cardíaco e pressão, e, nalguns casos, ataques de pânico ou ansiedade.
Os estudos realizados indicam ainda que não ocorre desregulação destes receptores como acontece no caso de drogas que se ligam aos receptores de neurotransmissores vários ou que inibem a recaptação destes neurotransmissores (GABA, serotonina, noradrenalina, norepinefrina...) e que conduzem a habitução física e sintomas de privação.
Afixado por: palmira em setembro 30, 2004 12:02 PMCara Drª Palmira, e quanto ao meu problema? (ver 4 ou 5 comentários atrás)
Afixado por: caznocrat em setembro 30, 2004 12:07 PMcaro caznocrat:
:-)
Se foram só uns charros acho que tem de procurar a origem da sintomatologia que apresenta noutro culpado :-)
Aliás a memória é algo que tem de ser acarinhado e estimulado a penas de, negligenciado, ser pouco cooperante...
Afixado por: palmira em setembro 30, 2004 12:12 PMCaro Daniel, 100% de acordo ( e mais haveria para dizer, talvez daqui a uns dias no Mar Salgado...). E a anandamida de que fala ( e bem) a Palmira, é uma proteína canabinóide que reveste o tecido uterino ao qual acopla o pré-embrião humano. Parece que é boa.
abraço
FNV
Muito obrigado, drª Palmira, estou mais descansado. Julgo que a minha memória é bastante boa, embora seja algo selectiva. Desconfio que é do vinho. :)
Afixado por: caznocrat em setembro 30, 2004 12:28 PMcaznocrat, uma droga excelente para provocar perdas irreversíveis da memória é o valium. Tive uma namorada que tomou isso durante um ano, ficou desmemoriada para o resto da vida. Vende-se nas farmácias e na internet.
Afixado por: Luís Lavoura em setembro 30, 2004 12:31 PMComparar canabis com heroína????
Isto demonstra o nível da ignorância? por estas duas no mesmo saco, é o meso que dizer que um Porche é igual a um Fiat 600.
Enfim quando exemplos destes vêem de cima, como podem esperar que na parte mais baixa haja um consenso.
AJUDEM NOS AHHHHHHGGGGGGRRRRRRRRRRRRR
Afixado por: euqrop em setembro 30, 2004 12:34 PMDaniel Oliveira para que é que comenta comentários (passo o pleonasmo) de pessoas que nem sequer têm a coragem de usar o seu próprio nome ? Essa "onça" deveria era fazer comentário n'O Acidental onde há a grande liberdade, típica da extrema direita, de dialogar e comentar.(Claro que estou a ironizar).
Afixado por: Paulo Baptista em setembro 30, 2004 12:49 PMporque o que eu disse é verdade.
Ele postou algo bastante diferente daquilo que aparece agora.
Eu fiz o meu primeiro comentário.
Ele alterou o post e depois eu comentei novamente. Depois ele teve o descaramento de dizer que alterou antes de eu comentar. Sim, alterou antes de eu comentar pela 2ª vez mas não da primeira em que o centro da questão era outro.
por outro lado, pergunto-me até que ponto os charros não poderam estar ligados a alguns surtos psicóticos, nomeadamente mania da perseguição, vide os ataques de pânico e ansiedade de que falava a palmira no seu excelente comentário. a maioria dos utilizadores parece fumar sem problemas, mas conheço algumas pessoas que, apesar desses ataques, vulgo "mocas más", insistiram em prolongar o uso do cannabis e cuja condição psíquica se degradou prolongadamente. sem grande informação científica que o comprove, sempre pensei se não haveria uma relação.
alguém sabe alguma coisa sobre o assunto?
entretanto, devo dizer que continuo a considerar a cannabis uma droga menos nociva do que o álcool e o tabaco, sabendo-se que não há drogas pouco nocivas. a proibição tacanha da cannabis só piora o quadro. diaboliza a droga que depois, para contrabalançar, será "angelizada" pelo resto do pessoal. o debate fica assim desviado do essencial que é o direito individual à informação e a responsabilidade pessoal na utilização das substâncias que cada um desejar.
Afixado por: rui tavares em setembro 30, 2004 12:59 PMPrimeiro post:
Portugal é um país especial. Por cá, dizem as estatísticas do Instituto da Droga e Toxicodependência, já morreram, desde que o PSD chegou ao governo, 40 pessoas por consumo de cannabis. Até hoje, tirando em Portugal, só foi detectada uma morte (sem confirmação) pelo consumo de cannabis. Foi no Reino Unido. Mas o mais maravilhoso é a forma como a comunicação social repete e amplia o disparate nos títulos para só o esclarecer no fim dos textos.
Estas estatísticas portuguesas resultam de uma extraordinária metodologia: se morreu e tem vestígios de cannabis no sangue, então morreu pelo consumo de cannabis. Estou curioso para saber quantas pessoas morreram em Portugal, o ano passado, por consumo de leitão da Bairrada. Os vestígios da cannabis ficam cerca de dois meses no organismo. Por isso, já sabe, se vai morrer, não se drogue.
Post alterado:
Portugal é um país especial. Por cá, dizem as estatísticas do Instituto da Droga e Toxicodependência, já morreram, desde que o PSD chegou ao governo, 40 pessoas por consumo de cannabis. Até hoje, tirando em Portugal, só foi detectada uma morte (sem confirmação) pelo consumo de cannabis. Foi no Reino Unido. Mas o mais maravilhoso é a forma como a comunicação social repete e amplia o disparate nos títulos para só o esclarecer no fim dos textos.
Estas estatísticas portuguesas resultam de uma extraordinária metodologia: se morreu e tem vestígios de cannabis no sangue, então morreu pelo consumo de cannabis. Estou curioso para saber quantas pessoas morreram em Portugal, o ano passado, por consumo de leitão da Bairrada. Os vestígios da cannabis ficam cerca de dois meses no organismo. Por isso, já sabe, se vai morrer, não se drogue.
Que Portugal, que tem um número assustador de consumidores de heroína (o País da União Europeia dos 15 onde é proporcionalmente maior o consumo desta droga dura), tenha um Estado que faz da cannabis o seu principal alvo de ataque, mais do que patético, é preocupante. E que se continue a colocar estas duas drogas ao mesmo nível é apenas irresponsável. Expliquem a um miúdo que fumou uns charros que no fundo isso é igual a injectar heroína e o que estão a fazer é a abrir-lhe a porta para a tragédia.
Diga lá o que é que isto mudou e o que é que isto tinha a ver com o que você disse? Acho que você tem um problema qualquer.
Ó barnabés de certeza que não contrataram os gatos fedorentos para fazerem este Post e também os Comentários?
É que o nível humuristico está elevadissimo!
Afixado por: joao em setembro 30, 2004 01:11 PMBom...existem partes no post que revelam que anda alguém muito entretido e a brincar com esta merda... o que é sério!
Afixado por: joao em setembro 30, 2004 01:20 PMEu acho que o pessoal está a exagerar na teoria e a fumar/snifrar/injectar muito pouco na prática. Por exemplo… tanta treta sobre charros e ninguém ainda fez uma rusga no Conselho de Ministro, na Assembleia da Republica, que é onde claramente mais cenas se fazem sob o efeito de drogas. Basta ver que a maior parte das medidas ficam pelo caminho e a maior parte das leias está cheia de buracos e depois o pessoal recorre pró constitucional e safa-se e a maior parte dos criminosos com dinheiro para pagar a advogados sem drogas tb se safa. Posto isto, reocmendo que só se criminaliza as drogas que NÃO se encontrarem na corrente sanguínea dos nossos Ministros, deputados e Procuradores Públicos. E já agora, eu drogo-me, com cocaína, sou feliz, sou um bom profissional, tomo droga ao fim de semana e que eu saiba o meu QI continua bem acima da média nacional bem como o uso que faço dele.
Abraço para todos os invejosos que têm de falar mal da cocaína em vez de a snifrar
Afixado por: noiseformind em setembro 30, 2004 01:21 PMNão se atirem é aos "puros", por favor.
Afixado por: Real em setembro 30, 2004 01:32 PM"O problema da colocação de professores foi resolvido através de uma nova solução informática pensada em seis dias e executada em 30 minutos, com o apoio de um novo servidor vindo de Espanha."
Mas querem melhor prova de que o pessoal se anda a charrar aos amgotes do que o caso/escândalo/caso prá prateleira da COMPTA?????
Os tipos garantiram que faziam aquilo em 72 dias, ao fim de ano e tal n tava a funcionar, o Ministério da Educação passou o problema pra uma empresa que faz testes de drogas mensalmente e tudo se resolveu em menos de uma semana... enfim... por isso é que n percebo como é que ainda n legalizaram a droga, com tanta gente nos ministérios agarrados a ela!!!!!!!!!!!!!!
Afixado por: noiseformind em setembro 30, 2004 01:41 PMVamos mandar um mail a agradecer a esse homem que em seis dias resolveu o problema que a COMPA n resolveu em mais de um ano
landrade@atxsoftware.com
LUIS ANDRADE, ÉS O MAIORRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
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Eu sei, tem linhas a mais o meu post do Luis Andrade... mas pronto... corte-se ; )
Outra coisa que encotnrei foi esta página deliciosa e simples de outro membro da equipa, o "tal" que é perito em lógica matemática
http://www.fiadeiro.org/jose/
Ora bem, este rapaz, como todos os nossos rapazes, n se mete na política, n anda atrás de tachos, n quer ser primeiro-ministro nem ministro da Defesa, gosta de OVO e veio por aí fora salvar a Pátria e nem sequer pediu um cargo ministrial. Sabem pq? Pq n precisa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Esses fdp dos partidos é que só com companhias e tal é que vão lá...
Afixado por: noiseformind em setembro 30, 2004 02:02 PMO problema cannabis é apenas mais um cavalo de batalha ao estilo do caso women on waves.
Querem fazer de um caso menor um caso mediático, mostrar que os charritos fazem mutiooo mal, e que são os defensores da moral e da saúde.
Ao mesmo tempo, o consumo de heroína e cocaina não param de subir. E o que se faz quanto a isso? nada!
Ao mesmo tempo vai se dizendo que o cannabis é tão nociso como heroína, apesar de o dizerem indirectamente, o que poderá levar a pensar, que se o cannabis não faz nada de mal por que não experimentar a heroina?
E depois temos de aguentar com notícias fantásticas de mortes e mortes relacionados com o cannabis, é completamente hilariante.
Qualquer dia analisam uma morte e dizem que o resultado desta prende-se com o esperma, e que este é nocivo à saúde!
Rui Tavares,
Todos os estudos científicos publicados sobre a toxicidade da cannabis são conclusivos num ponto: os riscos aumentam exponencialmente nos casos em que o consumidor já manifesta, à partida, sintomas de esquizofrenia ou outras patologias nervosas. Nesses casos, o consumo da cannabis potencia essas patologias, podendo mesmo tornar-se um consumo perigoso.
Bom documento, e com bastantes links: http://www.medicalmarihuana.ca/pdfiles/senatesummary.pdf
excelente, daniel
cambada de ignorantes... :]
nociso = nocivo , como é obvio.
Afixado por: cachucho em setembro 30, 2004 04:56 PMmorrer, morreram, mas foi de cancro do pulmão
Afixado por: jd em setembro 30, 2004 06:29 PMComo consumidor ocasional de cannabis, este texto parece-me um pouco simplista.
Ninguém morre de fumar um charro. Simplesmente, fumar um charro não é fumar um cigarro. Altera o comportamento das pessoas e influi de uma maneira tão interessante, como perigosa na psique do indivíduo. Curiosamente, noto em amigos meus que são muito mais aqueles que fumando charros se sentem deprimidos do que aqueles que não fumam e que desenvolvem depressões. Parece haver uma ligação não fortuita entre fumar regularmente charros e desenvolver depressões, para além da habitual moleza de espírito e falta de capacidade de trabalho. Daí que não se trate apenas de aumentar a liberdade das pessoas, liberalizando o consumo de drogas, pois que liberalizando, se diminui a autonomia das mesmas, porque o charro diminui as suas capacidades e, consequentemente, a sua liberdade. Paradoxalmente, corre-se o risco de querendo aumentar a liberdade individual, se diminuir esta, pois que o charro tem esse efeito.
Caro Pedro Sales,
Tens toda a razão, um amigo meu com uma propensão natural para psicoses, acabou por ter um esgotamento e uma psicose provocada pelos tóxico que andava a tomar. As primeiras medidas foi proibir totalmente o consumo de álcool, cannabis e haxixe. Com o explicação de que nesse caso, o consumo destas drogas "potência essas patologias, podendo mesmo tornar-se um consumo perigoso". Será que vão proibir o consumo do vinho?
O tabaco potência o cancro no pulmão e outras doenças pulmonares, ao seu consumidor e ao consumidor passivo. Será que vão proibir o consumo de tabaco?
O café potência a tensão alta, taquicardia e ataques cardíacos. Será que vão proibir o consumo de café?
Ruisiva,
Mas onde é que você tirou a ideia de que eu sou a favor da criminalização do consumo da cannabis? Como todas outras as drogas, legais ou ilegais, tem efeitos secundários que podem ser nocivos - dependendo estes da utilização que cada um lhes dá.
Afixado por: Pedro Sales em outubro 1, 2004 01:22 AMclaro que o pedro sales e o daniel sabem que o haxixe não mata – até porque o eleitorado do bloco está a crescer.
brincadeirinha, brincadeirinha.
Afixado por: rui tavares em outubro 1, 2004 02:00 PMGosto desta lógica: se morreu de acidente ao conduzir um automóvel, e tem uma taxa elevada de alcool no sangue, como é que se pode provar que essa morte tem a ver com o alcool? Ou, ainda melhor: se morreu de acidente ao conduzir um automóvel, e é cego, como se pode provar que essa morte tem a ver com a cegueira?
Um charrito só aguça a atenção e os reflexos. Toda a gente sabe isso. Só mesmo gente mal intencionada pode dizer o contrário.
Rui Tavares: De facto, há uma relação, sobejamente conhecida pelos profissionais na área da saúde mental, entre o consumo de substâncias como a cannabis e o desencadear de sintomatologia de ordem psicótica. O haxixe é das drogas, por incrível q possa parecer, mais susceptíveis de ‘activar’ núcleos psicóticos, até em quem n é psicótico. (pelo q susceptível de desencadear manifestações ao estilo do q referes - crises de ansiedade/angústia, mania de perseguição, etc.) O q n nos faz estranhar tb alguns casos da passagem - depois de algum tempo de consumo excessivo de haxixe, em que se começam a tornar crescentemente notórias as tais ‘más mocas’- para drogas como a heroína, que permite prosseguir com o estado de evasão procurado com uma acalmia superior, sem estes efeitos. E o resultado é a alienação do sujeito, com a degradação física, psíquica, relacional e social que todos conhecemos (mais uma razão para concordar com o poste do Daniel e tb ctg – é arriscado colocar td no mm barco).
Isto é mt complexo para tratar num comentário, portanto perdoem-me algum simplismo q virá. Basicamente, esta questão, na forma como é vulgarmente apresentada, lembra-me sempre a história do ovo e da galinha. Não me parece que a questão central seja o efeito da cannabis, no sentido dos seus efeitos directos e/ou estáveis na realidade psíquica de quem a consome, mas fundamentalmente, a estrutura/funcionamento mental (prévio, claro) de quem a toma.
Como é natural, quem tem realmente uma estrutura mental psicótica ou border-line (de uma forma mt simplista…algo que, apesar das suas características especificas, basicamente, está algures no limiar da neurose e psicose, com mais ou menos traços significativos de uma ou outra, e que mesmo que, muitas vezes, em indivíduos bem adaptados à realidade, susceptíveis de desencadear descompensações psicóticas, nomeadamente, mas n somente, sob o uso de certas substâncias) irá, mt provavelmente despoletar as manifestações ao estilo do referido, bem como, descompensações de facto psicóticas, com delírios, alucinações, etc. Em casos psicóticos, dos quais as esquizofrenias são ex., estes efeitos n são literalmente subsidiários do efeito do haxixe, persistem após o mm. O q é realmente mt grave nestas situações, tb daí a necessidade absoluta da paragem imediata do uso de substâncias, tal como refere o ruisilva, é q cada descompensação psicótica (desencadeada p/cannabis ou por qq outra questão q n drogas) tem o efeito de agravar o estado psíquico e a destruturação mental implicada nas psicoses – q é tremenda - e isso n tem volta (pd ter possibilidades de (re)ajustamento da sintomatologia pela via terapêutica, mas a destruturação/desorganização mental gradual e crescente está lá na mm e vai-se instalando, dificultando as possibilidades de adaptação e minoração do sofrimento psíquico - atroz - destas pessoas).
Agora, n é só nestes casos em que este consumo pode ser um problema. O consumo excessivo de haxixe, em pessoas com outras estruturas mentais, nomeadamente neuróticas (para ponto de referência - é dentro da neurose q se situa tb a ‘normalidade’), também traz problemas - tal como acontece, p ex, com o consumo excessivo do alcóol. Num caso e no outro, encontramos traços psíquicos e contextos que tornam certas pessoas mais atreitas às dependências, e frequentemente a servir de contra-investimento a 1 depressão manifesta ou latente. Entre o haxixe e o alcóol poderia dizer, venha o diabo e escolha, senão achasse que aqui é incomparavelmente pior o efeito do consumo excessivo do alcóol (com efeitos mais devastadores a vários níveis).
Tal como com o com haxixe, há quem beba o seu copito moderadamente à refeição, há quem beba a mais em situações específicas de festa, n o fazendo no seu dia-a-dia, e há quem n consiga viver sem beber o tempo td. No último caso, e como em qq droga, se pode surgir tb em função das características psicológicas individuais, é bem verdade que a dependência gera um ciclo difícil de quebrar que, tal qual bola de neve, vai estreitando, cada vez mais, os interesses do indivíduo, empobrecendo a vida psíquica, relacional e social; a tal ponto q para lidar com os efeitos psicológicos de td isto, a pessoa vai sentindo n ter outra solução q n reforçar o comportamento de dependência – com todos os seus efeitos como os estados depressivos (ou a sua acentuação) de q José Barros falava há pouco.
Voltando ao caso específico do haxixe, acredito que algum dia terá q se entender q n será a esconder a cabeça, como a avestruz, com afirmações moralistas e políticas demagógicas, que alguma vez se irá encontrar uma forma séria e mais eficaz de tratar o problema das condutas aditivas. Não tenho é dúvidas de que isso não acontecerá com este governo. :-)
Hum...agora relendo o que escrevi, dei-me conta de algo – e que testamento…sorry…entusiasmei-me ;-) - que pode induzir em erro no meu comentário anterior: Quando falei na passagem do haxixe à heroína, em decurso das ‘más mocas’ não queria com isso dizer que é a motivação ou a causa habitual para experimentar a heroína, pode sim, ser uma motivação, em alguns casos particulares, com as características referidas, para prosseguir com o consumo de heroína em detrimento do haxixe.
Afixado por: Sónia R. em outubro 1, 2004 04:55 PMacerca disto da morte por uso de cannabis ainda ontem alguem me informou q afinal ja não é o primeiro a morrer por cannabis, um outro morreu porque levou com um saco de sabonetes de 20 kg que caiu de um 3º andar.
causa da morte: overdose.
another one bites the dust
siga pa bingo
Afixado por: pikle em outubro 1, 2004 05:09 PMPassei por este sitio e o tema interresou-me, relembro que o haxixe, é tomado como chá em algums sociedades, é um excelente desenibidor, com o tempo é concerteza contagiante e necessário para anular o stress do dia a dia.
Preferia que a maioria fumasse charros ao invês de encher o estomago de narcoticos, como aquelas senhoras quarentonas, cheias de serenais...
Depois o charro deve ser fumado na privassidade, ao fim de um longo dia, é o melhor auxilio ao racocinio e divagação tão necessária.
Deve ficar ao critério de cada um, mas nem de Heroina se morre, os consumidores em geral morrem de hepatite, sida, overdose de cocaina, ou outras doenças.
LOL
8)
A problemática das dependências não deverá ser analisada de uma forma simplista, em termos de drogas legais/ilegais, leves/duras(pesadas), já que, o que em ultima instância "determinará" o comportamento de dependência, é a relação que o individuo estabelece com a substância. Neste sentido, há individuos que podem consumir uma substância leve, como tem sido designada a Cannabis, de uma forma pesada, e há também aqueles que consumirão uma substância pesada de uma forma leve (embora, neste caso, o consumo de heroína,por exemplo, muito dificilmente possa ser mantido com uma frequência ocasional).
Assim sendo, poderemos olhar a dependência como o encontro entre um indivíduo (suas características de personalidade e potencial genético, incluindo a predisposição para o desenvolvimento de determinado tipo de perturbações psicológicas, designadamente a tendência para o desenvolvimento de psicoses, as quais, como já foi dito, podem ser potenciadas pelo consumo de determinado tipo de substâncias, incluindo a cannabis), uma determinada substância (a qual possui determinadas características aditivas) e uma dada circunstância.
A meu ver, a informação acerca dos efeitos e consequências do consumo de substâncias, deverá ser feito de uma forma consistente, clara, objectiva, honesta e realista, isto é, baseada em informação cientificamente validada e não em afirmações e mensagens exageradas, de validade duvidosa, demagógicas e moralistas (dizer que as pessoas se tornam dependentes logo após os primeiros charros ou que passam imediatamente para o consumo das denominadas drogas duras é tão grave e falso como dizer que se fica alcoolico após duas ou três bebidas; dizer que alguém morreu devido ao consumo de cannabis sem apurar outras possiveis causas para essa morte, parece-me perigoso e excessivo). ..
Afixado por: Fernanda em outubro 6, 2004 12:43 PM