Ou seja, se o Estado censura a culpa é do Estado. Se um privado censura a culpa é… do Estado!
Em Portugal, os privados são dependentes do Estado porque querem ser dependentes do Estado. Porque querem favores do Estado para travar a concorrência. Era assim antes do 25 de Abril em todos os sectores estratégicos. Assim continua a ser. Por isso vemos ministros a sair do governo para as grandes empresas e a regressar das grandes empresas para o governo. Porque o Estado e os privados, os privados que contam, em Portugal, confudem-se.
As televisões privadas querem limitações para a publicidade na RTP e nenhuma limitação à publicidade nos seus canais. Querem impedir a existência de televisões regionais que lhes tirem público. A SIC e a TVI não querem concorrentes no Cabo e pedem esse favor à PT. A Cofina, a Impresa e a Media Capital não querem leis anti-concentração que favoreça a concorrência e pedem esse favor, por omissão, aos sucessivos governos. Nos EUA, as leis que limitam a actividade da comunicação social são bem mais severas. Alguém pode dizer que por lá o mercado não funciona?
Quando os privados querem oligopólios, ficam a dever favores ao Estado. O Estado não é neutro e em Portugal os grupos de comunicação social precisam do seu apoio. Depois, claro, têm de pagar a factura.
A mão invisível do mercado não funciona? Não. Mas alguma vez funcionou em algum lado? A única mão que funciona, por cá, é bem visível.
Publicado por danieloliveira emO argumento liberal ou liberalista é estapafúrdio... vou dar uma volta e respirar!
Porque é que se "posta" apenas por "postar"... liberalmente falando?
É a velha querela das ciências políticas e da filosofia política.A questão não é hegeliana,mas defini-se numa coisa simples,que há séculos se discute.É a questão de se saber a quantidade,logo, é saber se à mais Estado ou menos Estado.
Afixado por: Joao em outubro 10, 2004 04:42 PMExcelente post, Daniel. 100% de acordo.
Afixado por: Luís Lavoura em outubro 10, 2004 04:54 PMBoa!!!!
Afixado por: ezer em outubro 10, 2004 07:38 PM"Se um privado censura a culpa é… do Estado!"
Esse argumento neoliberal resulta da suposição que uma empresa detentora de um meio de comunicação essencial só tem interesse em censurar uma notícia que prejudique o governo em gestão ou um provável governo futuro (os neoliberais gostam de confundir Governo com Estado) se esse governo puder prejudicar ou beneficiar essa empresa de alguma maneira. Em grande medida isto é verdade. Mas a solução não é evidente. O problema pode ser minorado diminuindo a intervenção directa do governo na comunicação social (atribuir à RTP um estatuto semelhante ao do Guardian ou da BBC) e na sua regulação (deixando-a a entidades o mais possível independentes). No entanto, é óbvio que em geral uma empresa da comunicação social, tal como qualquer outra empresa, devido ao seu egoísmo tão elogiado pelos neoliberais, prefere um governo com uma certa ideologia no poder, que por exemplo diminua o mais possível os impostos sobre as empresas. É óbvio que a censura numa empresa da comunicação social acontecerá com muito maior probabilidade quando estiver em causa uma notícia prejudicial a um governo com uma ideologia que a beneficie que o contrário. Só quem é cego pela ideologia não vê tal....
Mas a questão da censura não se esgota nas notícas ou comentários sobre o governo. Muito mais comum e incidiosa é a censura exercida sobre notícias ou comentários que genericamente põem em causa o presente sistema sócio-económico, desde notícias sobre o impacto ambiental do consumismo à pobreza e alienação resultante do actual modelo económico, ou que em particular podem prejudicar empresas com uma grande presença no mercado publicitário.
Um exemplo gritante de censura clara é o facto de nenhum meio de comunicação social (privado) publicar o que quer que seja sobre o impacto negativo que a publicidade tem a vários níveis na sociedade (e.g. incentiva a destruição ambiental, tenta manipular o comportamento individual, distorce o desenvolvimento na infância e modifica as relações pessoais). E porquê?... Porque as empresas da comunicação social são egoístas e precisam da publicidade para sobreviver. Já viram algum artigo de opinião num jornal a apelar à proibição da publicidade?... Não é o egoísmo fantástico?!
Afixado por: viana em outubro 10, 2004 08:16 PMDaniel, não te ocorre que o Estado possa (e deva) dizer não à pedinchice dos grupos económicos?
Afixado por: LR em outubro 10, 2004 09:04 PMO caso do Marcelo tem dado origem a tomadas de posição que, vindas de quem vêm, me deixam perplexo.
Por exemplo, um sujeito que dá pelo nome de Carlos Albino - "correspondente diplomático" (ridícula designação!) do "Diário de Notícias" - arvorou-se em defensor da liberdade de informação.
A desvergonha não tem, realmente, limites.
Nem toda a gente tem a memória curta e há quem se lembre perfeitamente de que esse mesmo Carlos Albino foi o chefe de fila do assalto ao "República".
O Pacheco Pereira - que é da mesma cepa - acolheu-o imediatamente no seu arrogante blog de petas...
Há crimes que não deviam prescrever.
Atento diga-me se algum dia teve algo a ver com o Repùblica, o que duvido, de que lado estaria se fosse vivo Raul Rego, do seu e da sua posição, ou ao lado de Marcelo e da posição de Carlos Albino, esta é que é questão.Eu como conheci o Republica não tenho dúvidas ao seu lado não estaria concerteza.
Afixado por: a.pacheco em outubro 10, 2004 10:10 PM_
«BIG BROTHER IS WATCHING YOU»
No Caricas.
http://ocaricas.blogspot.com/
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Diário Digital
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A Santa Inquisição
Luís Delgado
O que é que leva pessoas inteligentes, que merecem respeito, a perder a cabeça, transformando-se em «copistas» da Santa Inquisição Mediática, que condenam, criticam, e pronunciam veredictos antes de ver e perceber a acção das pessoas?
Felizmente, o tempo, as escolhas e as decisões mostrarão o erro primário, de censura prévia, em que incorreram.
Não era preciso ser brilhante, nem premonitório, para antecipar essa luta política entre grupos que se degladiam ferozmente.
Por mim, estou tranquilo: não será agora que vou fazer o que nunca fiz no DN, no DD ou na Lusa. Ponto final.
10-10-2004 15:37:41
DN,DD,Lusa,PT : fulgurante !
Afixado por: zippiz em outubro 11, 2004 12:30 AMO que João Miranda diz é que mera existência de um Estado é um incentivo a que os grupos económicos tentem aproveitar-se dele e vice-versa. E tem razão.
O Estado deve ser controlado por todos nós que acreditamos que este é essencial como garante da sociedade em que queremos viver.
Não o fazer é acreditar nas boas intenções do Estado e, nesse ponto, estou de acordo com os liberais: não devemos esperar a bondade do Estado.
Afixado por: Nuno em outubro 11, 2004 09:02 AMÓ a.pacheco, do seu lado é que eu não estaria (com certeza e não concerteza, que é vocábulo que não existe)...
Afixado por: Atento em outubro 11, 2004 09:08 AMValeu a pena este post: é uma definição verdadeira do que é o estado moderno, com exmplos que o leitor comum compreende. Só uma coisa: «o Esto em Portugal não é neutro». Sê-lo-á nalgum lado?
Afixado por: jm em outubro 11, 2004 10:27 AM100% de acordo. Infelizmente os grupos económicos portugueses querem é favores públicos, e não um mercado realmente livre.
Afixado por: Pedro Sá em outubro 11, 2004 11:31 AMMandavam fechar uma fábrica que não dê lucros mas que consegue manter 500 empregados , por exemplo ?
Não dá lucro agora , pode vir a dar ou não !!Depende de muitos factores .
Fechavam a fábrica ?
E se for de 50 empregados ? Fechavam ?
E se for de 5 ?
Afixado por: Afonso Henriques em outubro 11, 2004 12:17 PMSe fosse só o Afonso Henriques eu fechava!
Afixado por: Nuno em outubro 11, 2004 02:13 PMEnsaiei uma réplica no Blasfémias.
CAA
A propósito de regulação, independência e do caso Marcelo Rebelo de Sousa:
"Um curso a não perder!
A 28 de Setembro de 2004, foi noticiado no Jornalistas Online a realização do curso de pós-graduação em “Direito da Comunicação Social”, que será levado a cabo na Faculdade de Direito na Universidade de Lisboa de 5 de Novembro a 17 de Dezembro de 2004, coordenado por Jorge Miranda.
O programa é o seguinte:
[...]
12 de Novembro de 2004
18h00: Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa – A independência perante o poder político e o poder económico
19h30m: Mestre José Alexandrino – O regime jurídico da rádio e da televisão"
[...]
Saudações Bloguistas
Afixado por: J. Mário Teixeira em outubro 11, 2004 10:00 PM