Se me perguntassem quando é que me converto, eu responderia - talvez um pouco a medo, dependendo do interlocutor - nunca! Mas, numa atitude contraditória com aquilo que sei ser, andarei sempre olhando as fachadas das igrejas brancas de Lisboa e quererei entrar em plena missa do galo para me espantar com as luzes, como menino. E como menino deitarei fora toda a alma - que preferiria, se me perguntassem pela conversão, negociar com Satanás. E ficarei só com aquilo que a igreja não for, com aquilo que ela rejeitar. Ficarei só com tudo o que toca ao corpo, ao sexo, à forma, ao aparato. (A missa do galo a que não fui hoje é a que decorre neste momento na igreja de São Francisco de Paula, rua do Presidente Arriaga, onde habitantes do meu bairro de infância estão reunidos, como sempre fazem, para meu desconhecimento).
Publicado por andrebelo emPor isso tudo que diz é que tenho pena de si. Um Santo Natál.
Afixado por: Vasco Melo em dezembro 25, 2004 01:56 AM"Ser ateu é um especial dom que Deus, na sua infinita omnisciência e sabedoria, concedeu a alguns predestinados"
Afixado por: Fernando Isidoro em dezembro 25, 2004 05:30 AMA Igreja é mais do que os homens que a representam. Você devia saber isso.
Afixado por: dom tonho em dezembro 25, 2004 06:52 AMOs ateus são pessoas sem verdadeira esperança e logo sem verdadeira felicidade.
A fé é dos meus bens mais preciosos, um dos que mais felicidade e alegria me dá.
Se ficar só com o que a Igreja rejeita será uma pessoa infeliz. A Igreja só rejeita o que não é Amor o que o não permite. Também se preocupa com o corpo, também aceita o sexo, também cura a aparência. Não sabia?
Mas não lhe fica bem julgar as coisas (e as pessoas) só com a lei. A lei existe para regular, para indicar uma orientação. Olhe para o Estado... Julgue a coerência, julgue a fidelidade aos valores. E aí, pode-me dar muitos maus exemplos na Igreja, mas eu dou-lhe uma história de muitos mais que o foram plenamente.
Será sempre injusto falar e criticar a Igreja esquecendo o bem que faz/fez. É tão desonesto como criticar um Estado e dizer que um sistema político não funciona, porque tem falhas. Somos humano, graças a Deus e erramos. Ás vezes são os ateus que parecem querer ser divinos e exigir aos outros a plenitude da razão e da verdade (que eles de certeza cumprem na sua vida).
Um bom natal para si também!
Afixado por: iogui de esquerda em dezembro 25, 2004 03:42 PMTambém nunca me converti.
Não por uma questão de fé, por falta dela ou mesmo por deslumbramento. Nunca me converti porque imagino que o preço da conversão é a hipocrisia e para isso prefiro passar à porta das igrejas, abotoar o sobretudo e assobiar com a consciência tranquila face a tudo aquilo que nos poderia, eventualmente, deixar sós.
De qq modo, um Feliz Natal!
Afixado por: Paulo em dezembro 25, 2004 06:23 PMUm post fantástico :-)
Tb subscrevo, mas claro, não esqueçamos que a Igreja se apropriou de uma série de calores/ideias ateístas, p.e, a fraternidade, liberdade e igualdade iluministas tão vilipendiadas pelo beato PioIX que lhe dedicou o Sylabus Errorum. Isto, claro, para além da regra de ouro da moral, não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti, já citada umas centenas de anos antes de o culto se ter estabelecido por Confúcio.
Ou seja, tb rejeito tudo o que é genuinamente católico, que esprimido o resto só fica a treta do pecado original, a noção que o homem é intrinsecamente mau, que a forma de redimir essa natureza pecaminosa é negar a nossa humanidade, a sacralidade do ADN humano em qualquer forma, criado à «imagem de Deus?» e o desprezo pelo restante ADN, seja animal ou vegetal, criado com o propósito de servir essa imagem divina...
Em relação à suposta infelicidade dos ateus... bem cito Watson, um dos que descobriram a estrutura desse ADN tão sacralizado ppela Igreja:
"I don't think we're for anything, we're just products of evolution. You can say 'Gee, your life must be pretty bleak if you don't think there's a purpose' but I'm anticipating a good lunch."
Sempre fui ateia, nunca fui mais infeliz do que um crente normal, nunca senti necessidade de acreditar num qualquer ser omnisciente e omnipotente, não tenho qualquer particular atracção espiritual por igrejas e por aquilo que representam. Não sou nem melhor nem pior do que os crentes e não admito que estes se sintam melhores do que só porque acreditam.
Afixado por: Mariana Pereira da Costa em dezembro 26, 2004 04:49 PMMariana, melhores talvez não, diferentes de certeza. Pelo menos partimos para o debate sem preconceitos, sem pedras na mão, sem críticas que vêm sempre acompanhadas de meia dúzia de lugares comuns racionais ou científicos e de exemplos menos felizes duma instituição feita de homens e mulheres com limites. Que mal lhe fazemos nós, para nos atacar desta maneira? Conversamos com a humildade de quem sente que descobriu qualquer coisa que deve transmitir e oferecer. Procuramos incutir uma atitude que contrarie os comportamentos desumanos e violentos que invadem as nossas culturas e as nossas sociedade. Temos uma história cheia de defeitos, é verdade (fale-me de instituições perfeitas com 2000 anos de vida...), mas também de grandes homens e de grandes mulheres marcaram a história, que defenderam com própria vida grandes causas, que são lembrados pela sua fé e fidelidade. Talvez um dia, quando viajar pelo mundo africano, quando souber a história das reduções do Paraguai e do desenvolvimento de muitos países da América Latina, da cultura Japonesa e de muitos outros lugares do mundo, possa esquecer o Sylabus ou Galileu). Pelo mundo inteiro a Igreja continua a prestar serviços de educação e de saúde, que os estados nunca conseguiriam suportar sózinhos. Veja o trabalhos com os mais pobres, o apoio aos refugiados (hoje em dia das maiores preocupações das Nações Unidas) e veja quem está à frente das principais organizações, quem as patrocina. Veja quem dá a vida hoje em dia nos trabalhos de fronteira, quem se levanta para defender o povo...
A Igreja tem uma mensagem de paz e concórdia, de solidariedade e diálogo. A Igreja não é só Roma, a Igreja é muito mais do que Roma. Às vezes o vosso rótulo de ICAR parece esquecer isto. Faz lembrar o Tio Manel que critica o governo, porque a rua está suja...
Mas mais do que tudo, Mariana (e leio-a as vezes suficientes na sua casa ateísta para o poder dizer) parece-me que partimos para a conversa, colocando-nos em causa (fazêmo-lo todos os dias), conscientes dos erros, assumindo-os, determinados a corrigi-los. No dia que em que você partir na mesma condição (pondo a hipótese que, talvez estes cristão possam estar certos), podemos começar a comunicar, porque talvez abandone a sua aspreza.
Por isso é que, em sua casa, ainda não viu o meu nome a assinar nenhum comentário.
Realmente a fraternidade não é um valor cristãos. O facto dos cristãos se tratarem por irmãos desde o inicio da igreja é um pormenor sem importancia.
As confrarias religiosas tratavam os seus membros por irmãos muito antes da revolução francesa.
A visão dos cristãos como sendo irmãos em Cristo, filhos adoptivos de Deus, Deus esse que é dito na Biblia que não faz acepção de pessoas é um pormenor sem importancia.
Afinal de contas foram as ideias do iluminismo já existiam antes de existir a mensagem cristã.
Por outras palavras, o iluminismo sofreu uma forte influencia dos ideais cristãos. Por isso surgiu o iluminismo na europa e não na asia budista ou no proximo oriente islamico.
Afixado por: Gabriel em dezembro 26, 2004 10:52 PMé pena...Eu devo confessar que a Missa do Galo é o momento em que me sinto mais em Paz, em que sinto o verdadeiro Natal.
Afixado por: João Pedro em dezembro 26, 2004 11:58 PM"Afinal de contas foram as ideias do iluminismo já existiam antes de existir a mensagem cristã.
(...) Por outras palavras, o iluminismo sofreu uma forte influencia dos ideais cristãos."
Palavras para quê?
Afixado por: Pedro Costa Freitas em dezembro 27, 2004 10:30 AMah...
que bonito.
ah...
que bonito.
Opps, desculpem.
Era só um comentário.