janeiro 12, 2004

Game Over

Que a invasão do Iraque foi decidida ainda antes do 11 de Setembro, já desconfiávamos. Hoje sabemos que foi em 2001, logo na primeira reunião do Conselho Nacional de Segurança. O antigo Secretário do Tesouto, Paul O'Neill, meteu a boca no trombone. A investigação está no The Independent e no 60 minutes, da CBS. Não foi por causa das armas de destruição massiva, não foi por causa da Al-Qaeda, não foi por causa do 11 de Setembro. Os créditos da mentira estão esgotados. Game Over.

Aproveitando a maré de conselhos de leitura, aqui está a entrevista ao escritor paquistanês Tariq Ali, em que este examina a hegemonia dos Estados Unidos e o cariz militar e ideológico da Nova Ordem Económica. Fica ali guardadinha no Barnabé Rebelo de Sousa. Para quando tiverem paciência.
E, já agora, comprem a revista de que este vosso amigo é editor, o “Manifesto”. Este 4º número é sobre “trabalho, produtividade e conflito social”. Lá podem encontrar: uma entrevista a Carvalho da Silva; um artigo de Elísio Estanque sobre trabalho e acção sindical; um ensaio de Yann Boutang, sobre rendimento incondicional de subsistência; uma conversa com Robert Castel, à volta dos conceitos de trabalho nas sociedades modernas; um texto de André Gorz, sobre trabalho imaterial; e um artigo de Luciana Castellina, sobre Cancun e a Organização Mundial do Comércio. Esta é uma cunha que meti a mim mesmo. Em qualquer livraria, a partir de dia 15.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

O seu 'post' encontra-se fora de tempo. Não o digo num sentido depreciativo.

No meu blogue (http://observador.weblog.com.pt), no meu último 'post' procuro explicar porque as famosas armas de destruição massiva não foram a única, mas sim a mais visível, razão para a intervenção militar no Iraque.

São os críticos da intervenção que sempre procuraram reduzir tudo a um único fundamento.

Afixado por: André em janeiro 12, 2004 04:14 PM

Foi, de facto, escrita fora de tempo. Ainda não tinha lido o seu post. Prometo ler sempre, antes de escrever. Mas, se entendi, a principal razão da intervenção, para si, foi a "democratização do Iraque". Devemos portanto esperar intervenções militares na China, em Cuba e na Arábia Saudita?
Já agora, você escreve que "Os EUA forçaram a democratização da Europa, após a II Grande Guerra". Lamento, mas eu acho que a democratização da Europa foi obra dos europeus. E então em Portugal, não foi seguramente obra dos EUA. Mas são opiniões.

Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 12, 2004 04:26 PM

Não pedi para ler os meus 'posts' antes de escrever. Foi uma interpretação, devo dizer, errada e unicamente sua.

Não são de esperar intervenções na China, na Arábia nem em Cuba. Existem outras formas de pressionar a democratização destes regimes.

O Secretário de Estado Colin Powell, num artigo intitulado "A Strategy of Partnerships", publicado na revista 'Foreign Affairs' (http://www.foreignaffairs.org/20040101faessay83104/colin-l-powell/a-strategy-of-partnerships.html) menciona isso mesmo.

A sua generalização com as intervenções militares na China, Arábia e Cuba, apenas comprovam a forma como, no meu entender, precipitada, vários sectores da esquerda julgam e condenam a política externa norte - americana.

Nunca referi ter a democratização de Portugal sido obra da América. Pelo contrário, digo que Salazar não aceitou o Plano Marshall, pois, ele sabia que tal implicaria, mais tarde ou mais cedo, com o inerente desenvolvimento do país, uma forçada democratização.

Afixado por: André em janeiro 12, 2004 04:38 PM

Quero recordar que depois da Segunda Guerra Mundial, a democratização da Europa Central e de Leste tamém foi obra dos europeus. Europeus esses que marchavam muito felizes e direitinhos à frente das baionetas caladas do exército vermelho. Já antes da Segunda Guerra Mundial, a democratização da Europa também foi obra dos europeus que, por exemplo, e onde puderam, colocaram no poder regimes autotitários e totalitários de pendor... muito democrático. O mesmo é válido para a Rússia que, como se sabe, entre 1917 e 1991 optou democraticamente pelo comunismo. Este André sabe tanto de história como eu de colombofilia.

Afixado por: Fernando Martins em janeiro 12, 2004 04:48 PM

Os europeus fizeram o terror. Os europeus morreram como poucos graças ao terror. Os Europeus construíram a paz na Europa. Lamento recusar-me a alinhar nessa leitura que faz de nós todos activos até 1945, passivos depois de 1945 e inexistentes depois de 1989.

Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 12, 2004 05:05 PM

Onde se lê colombofilia, deve ler-se columbofilia. Já agora Daniel, foi mesmo isso que eu disse. Tens carradas de razão. Erro meu, má fortuna, amor ardente...

Afixado por: Fernando Martins em janeiro 12, 2004 05:26 PM

Passei por aqui e quis ler o post. Alterei a ordem natural das coisas e comecei pelos comentários. Corri a ler o observador o que, afinal, deve ser sempre feito antes de ler o Barnabé, sob pena de não perceber o que este quer dizer. Acabei a baralhar as mãos e a julgar-me ambidextro como o professor Marcelo. Fui à procura de informação e acabei a saber que não há ninguém no Iraque. Os EUA empenham-se agora na democratização da Libéria enquanto o Sr José Eduardo Agualusa faz o mesmo em relação a Angola. Porque é que eu continuo tão estúpido mãe?

Afixado por: Placard em janeiro 12, 2004 05:43 PM

Não se diz "massiva", diz-se "maciça".

Afixado por: Luís Lavoura em janeiro 13, 2004 09:40 AM

Caro Daniel, relativamente à primeira parte do seu "post", aconselhava a leitura do seguinte:
http://www.frontpagemag.com/Articles/ReadArticle.asp?ID=11722
Cumprimentos.

Afixado por: Michael Oakeshott em janeiro 13, 2004 04:53 PM
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