A 2ª Guerra Mundial causou milhões de mortos, nem sei quantos, nem tenho vontade de ir ver. As bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki mataram, tanto quanto me lembro, centenas de milhares de pessoas. E os donos do diário desportivo português Record, que devem certamente pensar com a unha do polegar do pé direito, acham óptimo fazer uma campanha publicitária a um coleccionável qualquer sobre a 2GM com esta imagem:

Jogadas? Eh pá, lembram-se daquela em que o Eichmann mandou os gajos entrar pela porta da esquerda e as bilhas de gás pela porta da direita? E daquela vez que o Enola Gay sobrevoou Nagasaki? Viste aquela curva que o gajo fez antes de largar a bomba?
É tão divertido, não é? Então os senhores do Record que tentem fazer um favor à gente: imaginem o que sentirá um japonês que viva em Portugal e veja uma porcaria destas. E já agora, se alguém da Embaixada nipónica me estiver a ler: por favor processem aqueles irresponsáveis que é para ver se eles aprendem.
Publicado por ruitavares em | TrackBacknunca duvidei que o futebol é um cogumelo venenoso.
Afixado por: fernando esteves pinto em janeiro 12, 2004 04:29 PMEsta dos norte-americanos, a par dos alemães, terem sido os principais estados carrascos durante a segunda guerra mundial dá vontade rir. Mas ainda me rio mais quando os japoneses aparecem como vítimas. O que dirão os chineses, os russos, os filipinos, os malaios, já para não falar nos americanos. Já sei. Ou os japoneses atacaram Pearl Harbour porque os americanos a isso os obrigaram ou então queriam libertar o mundo do imperialismo norte-americano. Substituiam-no, entre outras coisas, pelo militarismo nipónico, uma realidade política e social muito recomendável e que encontra em Portugal, 70 anos, um, pelo menos um, defensor! É preciso absolutamente preservá-lo. Quanto aos inúmeros crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial por italianos, jugoslavos, húngaros, romenos, gregos, belgas, holandeses e soviéticos... fechemos a boca, não escrevamos nada. O mal do mundo está identificado. Chama-se?
Afixado por: Fernando Martins em janeiro 12, 2004 04:57 PMFernando Martins,
E deu-lhe para desabafar isso tudo porquê? Estava sozinho e não tinha quem o ouvisse? É que, não sei se reparou, mas o seu comentário não tem nada a ver com o post.
Afixado por: Pedro Sales em janeiro 12, 2004 05:11 PMÉ sempre bom saber que há alguém que se preocupa connosco. Devo registar que, pelos vistos, quando se escrevem posts e comentários, devemos fazâ-los nunca sozinhos mas no meio de uma grande animação, com muita gente à nossa volta, emborcar cervejas e a comer rissóis. Suponho que há festa aí em casa. Ainda sou capaz de fazer uma visita.
Afixado por: Fernando Martins em janeiro 12, 2004 05:22 PMConcordo com o sr. Rui Tavares. O cartaz também me chocou pelo profundo mau gosto e estupidez profunda. Ainda por cima as cores são vermelho e com uma estrelinha branca. Será por acaso? Por outro lado, os DVD's serão provavelmente a 1ª vez que alguns leitores do record terão conhecimento de vários aspectos da 2ª guerra mundial. Isso até é positivo. O 24 horas provavelmente venderia DVD's com o Best Of da Pedofilia dos Famosos.
Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 12, 2004 05:55 PMtotalmente de acordo: este slogan é uma vergonha!
Afixado por: Mário em janeiro 12, 2004 06:03 PMFernando;
Acabaram-se os rissóis, desculpa lá mas não dá para vires.
Fernando Martins: nada, mas absolutamente nada, no meu texto, permite o teor do teu comentário. Nem concluir que não me chocam os crimes cometidos por estados que não o americano, nem que eles sejam os principais carrascos da 2GM, e muito menos que eu seja um defensor do militarismo japonês. Nem do japonês nem de nenhum.
Acontece que o post era um comentário à imagem que vai com ele, tirada da campanha publicitária que o Record mandou espalhar pelas nossas ruas. E nessa imagem aparece um cogumelo atómico, numa referência às bombas de Hiroshima e Nagasaki. Qualquer pessoa, menos tu, consegue perceber isto. Qualquer pessoa de bom senso, o que evidentemente te exclui a ti e aos donos do Record, consegue perceber que espalhar uma foto destas pelas ruas e chamar o lançamento da bomba de "jogada" é de um mau gosto atroz. Acho aliás que poucas vezes escrevi um texto tão consensual. Excepto, claro, para os paranóicos. E tu hoje, definitivamente, não deves ter tomado os comprimidos.
Aliás, deixa-me dizer-te que se o meu texto te dá "vontade de rir", a mim cada vez menos me dão vontade de rir duas coisas.
A primeira - de somenos - é a tua agressividade, principalmente em relação a gente que, como eu o André ou o Pedro, conheces há anos, e que te tratam sempre com cordialidade e amizade. Precisamente porque me conheces, e conheces muita gente que me conhece muito bem, tens menos justificação para me interpretar de forma falsa e ofensiva – como fizeste agora e já tinhas feito na polémica da Maria Filomena Mónica.
A segunda, muito mais grave, é quando escreves: "mas ainda me rio mais quando os japoneses aparecem como vítimas". Vamos lá a ver se nos entendemos: quem morreu em Hiroxima e Nagasaki não foi o imperador Hirohito, que tinha declarado a guerra e continuou no trono. Foram, na sua esmagadora maioria, civis, incluindo crianças, gente que não tinha participado na decisão de atacar Pearl Harbour ou em qualquer outra decisão. Tens coragem de te rir quando se diz que estas pessoas foram vítimas? Isso coloca-te ao nível do negacionismo.
Afixado por: rui tavares em janeiro 12, 2004 06:17 PMUm aplauso sincero ao Rui Tavares. Pelo "post" e pelo comentário ao "comentário" de um tal fernando martins, que todos os dias destila aqui o seu particular e desmedido "ódio" à esquerda. Não quererá ele ler antes "O Dia"?
Afixado por: Marujo em janeiro 12, 2004 06:35 PMRui,
Ao contário do que acontece com o Fernando Martins, para ti sempre se arranjam rissóis.
Acho injusta a condenação generalizada ao Sr. Fernando Martins. Afinal, tinha uma coisa para dizer e aproveitou este espaço. Pena é que de facto, e por mais boa vontade que se tenha, não se perceba o encadeamento desejavelmente lógico entre post e comentário.... Mas pronto, fica patente assim a sua opinião sobre japoneses, entre outros. A fotografia, essa, mete nojo, e o slogan é um autêntico gregório. Mas afinal, o público alvo não são os leitores do Record? Não há crise, estamos em Portugal....
Afixado por: Alfredo Vieira em janeiro 12, 2004 08:58 PMEu estive em Nagasaki e Hiroshima. Ambas as cidades estão reconstruídas mas ainda nos sentimos envergonhados quando visitamos alguns dos monumentos e vemos por exemplo a sombra de uma vítima, em Hiroshima, gravada no granito. Ou encontramos uma família japonesa (em Nagasaki) que nos diz que a mãe com 9 anos teve sorte e sobreviveu porque tinha ido trabalhar (forçada) para uma fábrica nos arredores da cidade. Foi a única sobrevivente da família.
Maria
Afixado por: Maria em janeiro 12, 2004 09:56 PMEu queria dizer, é claro, que este anúncio me revolta.
Maria H.
Afixado por: Maria em janeiro 12, 2004 09:57 PMUm carregamento de cogumelos destes devia ser entregue na agência que fez esta coisa, e outro na direcção do Record.
Afixado por: Brigada Anti-Lacoste em janeiro 12, 2004 11:52 PMUm carregamento de cogumelos destes devia ser entregue na agência que fez esta coisa, e outro na direcção do Record.
Afixado por: Brigada Anti-Lacoste em janeiro 12, 2004 11:52 PMQuem quiser observar uma fotografia de Hiroshima depois do bombardeamento atómico-humanista da U.S. Air Force ver no blog de fotocrítica em www.antiescravatura.blogger.com.br
Afixado por: jsilva em janeiro 13, 2004 12:29 AMQuem quiser observar uma fotografia de Hiroshima depois do bombardeamento atómico-humanista da U.S. Air Force ver no blog de fotocrítica em www.antiescravatura.blogger.com.br
Afixado por: jsilva em janeiro 13, 2004 12:29 AMQuem quiser observar uma fotografia de Hiroshima depois do bombardeamento atómico-humanista da U.S. Air Force ver no blog de fotocrítica em www.antiescravatura.blogger.com.br
Afixado por: jsilva em janeiro 13, 2004 12:29 AMQuem quiser observar uma fotografia de Hiroshima depois do bombardeamento atómico-humanista da U.S. Air Force ver no blog de fotocrítica em www.antiescravatura.blogger.com.br
Afixado por: jsilva em janeiro 13, 2004 12:29 AMQuem quiser observar uma fotografia de Hiroshima depois do bombardeamento atómico-humanista da U.S. Air Force ver no blog de fotocrítica em www.antiescravatura.blogger.com.br
Afixado por: jsilva em janeiro 13, 2004 12:29 AMQuem quiser observar uma fotografia de Hiroshima depois do bombardeamento atómico-humanista da U.S. Air Force ver no blog de fotocrítica em www.antiescravatura.blogger.com.br
Afixado por: jsilva em janeiro 13, 2004 12:30 AMRui Tavares, além de não saber, confesso, que éramos muito amigos - ou só amigos, ou quase amigos, ou apenas conhecidos -, devo-te dizer que não troco pessoalmente contigo uma palavra (além do bom dia, boa tarde, como tens passado, etc.) há uns três ou quatro anos, pelo menos. Conheço-te, ao contrário do André e, sobretudo, do Pedro, apenas de um detestável curso de Verão que contigo e com o André frequentei na Arrábida e que ainda hoje me causa calafrios só de pensar nele - e olha que, se bem te lembras, o tempo nem estava nada mau. A culpa não é tua, claro! Mas ainda me pergunto porque motivo aqueles senhores conferencistas diziam com um ar tão solene as coisas mais banais deste mundo (e se calhar também do outro).
Deixando de lado estas questões mais pessoais, e que apenas aqui discuto por teres sido tu a tomar a iniciativa (estas coisas tratam-se por e-mail) – reconhecendo embora que possa ajudar a subir as audiências (!) –, deixa-me que te diga o seguinte: assim como tu comentaste livremente o anúncio do Record, eu comentei o teu post. Da mesma forma que tu livremente interpretaste o bendito anúncio, eu livremente interpretei o que tu interpretaste. Não gostaste do que eu escrevi sobre aquilo que tu escreveste. Em princípio está bem. Por um lado, estou-me nas tintas. Por outro, fico contente por poderes dizer aquilo que te vem à cabeça sobre mim e sobre o que eu disse acerca daquilo que escreveste e interpretaste. Agora, por favor, não dramatizes nem me aborreças com essa mania – e que não é só tua aqui neste blogue – de te vires fazer de vítima e apresentar um rol de queixinhas típico de adolescente mimado. Aquilo que me trás a este blogue é, sobretudo, o gosto pelo confronto de ideias e com ideias que, normalmente, estão longe de ser as minhas. No Barnabé, leio muita coisa com que não concordo, pronuncio-me sobre algumas delas, sendo até que alguns comentários aos meus comentários são durinhos – e ainda bem que assim é, mesmo e sobretudo quando me causam alguma azia. Outros ajuizarão melhor do que eu, mas de coitadinho acho que ainda não fiz e ando por aqui muito contente, muito solitário – aliás, doutra maneira não podia ser, nem eu queria que fosse. Agora ver gente (Barnabés) que com aparente sinceridade preenche grande parte dos seus posts com hinos – explícitos ou implícitos – aos méritos da liberdade, cada vez que é confrontado com factos, opiniões e argumentos, mais ou menos duros, que são diametralmente diferentes dos seus, dizer que se sente ofendido, pessoalmente magoado, publicamente injustiçado e sabe Deus – peço perdão! – que mais, enfim… Resta-me sentir pena, um certo gozo e uma enorme complacência pelo facto de ver, ouvir e ler gente que tão depressa, e quando lhe convém, louva todos os princípios de liberdade e mais alguns, como mais rapidamente ainda e quando esse exercício de liberdade – feito de forma tão insignificante, quase pequenino – a ela lhe diz respeito, rapidamente correr a marcar-lhe um limite bem apertado. É claro que a liberdade tem limites. Mas qual é esse limite? É não gostarem de ler comentários que - pelos vistos - aparentemente lhes tocam fundo, vão contra aquilo em que intima e convictamente acreditam? Mas se não gostam desta liberdade, então não sabem o que é a liberdade e odeiam que a liberdade seja exercida com liberdade e em liberdade. Por isso, fechem o blogue de todo ou então fechem-no a todos aqueles que não pensam como vós. Aliás, este vosso modo de ver as coisas está bem expresso num desabafo que o nosso amigo Marujo – eu sei, não é um Barnabé genuíno – que aqui nos deixou para me criticar. Assim, e em primeiro lugar, mandou-me ler O Dia – ainda existe? – como se os leitores do Dia – que seria o meu caso, mas não é – não pudessem ler outras coisas e sobretudo aquilo que, pelo menos ideologicamente, nada tem que ver com O Dia. E que por lerem o Dia – jornal que suponho de extrema-direita (?), nacionalista (?), neofascista (?) – não mereciam o direito ao exercício livre das suas opiniões, sobretudo neste espaço política e ideologicamente puro que é o Barnabé. A atitude do Marujo, e até certo ponto de alguns dos Barnabés, é como se cada vez que um eventual leitor do Dia achasse que alguém era muito de esquerda, e metido no meio duma discussão que lhe não estava a correr ou simplesmente o estivesse a maçar, resumisse os argumentos da sua posição ao “vai trabalhar malandro”, “vai para a Sibéria”, “vai para a tua terra” ou “tu devias era ler o Avante!”, etc.. E porquê? Porque sendo de esquerda não mereceria mais do que estas bojardas, além de que, e antes de tudo o mais, não merecia sequer existir num espaço de livre expressão de opinião. Finalmente, o mesmo Marujo afirmou que eu odeio a esquerda. Sobre isso, devo dizer que se com muitas das ideias da esquerda não concordo e a elas até radicalmente me oponho, lamento igualmente informar que em momento nenhum significa que sinta, como nunca o senti e, provavelmente, nunca o sentirei qualquer ódio pela esquerda. Por várias razões. Mas em primeiro lugar por causa duma bem prosaica: é que jamais se odeia aquilo que nunca se amou.
Bem, Fernando, depois desta tua arenga fica um bocado difícil chamares queixinhas e mimados aos outros. Fica descansado que aqui nunca ninguém te mandou ou manda para a Sibéria. Nós não temos nada contra os siberianos.
Afixado por: rui tavares em janeiro 13, 2004 03:49 AMProcessar o Record?
E a liberdade de expressão? E a liberdade de imprensa?
Então seja quem fôr tem o direito de processar outrem sempre que acha que uma mensagem é ofensiva, ou de mau gosto?
Vá mais devagarinho, Rui...
Caro Fernando Martins,
Desculpa lá meter-me nesta discussão, mas há aqui uma coisa que tu tens de perceber. Discutir é discutir aquilo que é dito explicita ou implicitamente pelo outro, é discutir interpretações de coisas que se disseram. É fazê-lo com rigor e respeito pelo conteúdo do que o interlocutor disse. O que irrita nalguns dos teus comentários é a falta de respeito que tu revelas para com o conteúdo dos posts, como aconteceu com este. É permitires-te dizer que o Rui, que disse uma coisa básica que qualquer pessoa com humanidade subscreve, estava a defender o militarismo nipónico. Isso é escandaloso e isto tens de perceber sob pena de o pessoal se zangar a sério contigo. É disso, e não da ofendida virgindade da liberdade de expressão (que, coitada..., já viu muito ambiente promíscuo), que se trata.
Afixado por: André Belo em janeiro 13, 2004 10:16 AMAcho deplorável que se tenham ideias deste calibre, quanto mais transformá-las em cartaz.
Quanto à discussão que se vai gerando à volta do tema com um tal senhor Fernando Martins, sinceramente... calem-se com isso. Esse senhor(?)
merecia estar no centro da Praça principal de uma das duas cidades japonesas em 1945. Já não estaria aqui a incomodar os outros com as suas asneiras.
Um abração do
Zecatelhado
Bem... essa conversa devia estar afixada noutro post, calculo...
Poderiam colocar o título:
"Não! ou a vanglória de expressar"
Vamos lá, não exagerem na coisa que passa a soar a ego.
Relativamente ao Post, calculo que nada tenha de ofensivo e, realmente, acho-o bastante consensual, referindo crimes de gregos e troianos.
Quanto às palavras do Sr. Rui Tavares, acho-as desnecessariamente reactivas - como se aproveitasse uma qualquer fagulha para expressar algo num ambiente que ele sabe contraditório e, assim, necessitasse de suposta agressividade.
A culpa também deverá ser de quem o agride, a meu ver. Será natural que ele reaja desmesuradamente quando o atacam de igual forma (falo em geral e não dos Barnabés, que devem ter algum senso de responsabilidade para não o fazerem...)
Felizmente as pessoas não têm todas as mesmas convicções, senão eu era contra a democracia por ser totalmente absurda.
Comentem com seriedade e humor, mas evitem ofender. Eu não venho aqui para ler trocas de insultos.
Cumprimentos,
Al-Qaeda Portugal
Afixado por: Uxana Bino Lada em janeiro 13, 2004 12:54 PMCaro Luís Lavoura:
Eu não estou a ir depressa demais. V. não me viu escrever contra a liberdade de expressão nem dizer que "qualquer pessoa" pode processar outrem por razões de mau gosto. Eu sugeri que a Embaixada do Japão o pudesse fazer, e isso não é um detalhe.
Vamos supôr o seguinte: num país qualquer decidem fazer um programa tipo "isto só vídeo". Vai daí arranjam uma cassete da ponte de Entre-os-Rios a desmoronar-se e fazem uma publicidade assim durante uma semana: "Veja as quedas de pontes mais divertidas em vídeo!". Dependendo da lei local, os familiares das vítimas (e só eles, não eu nem você) poderiam muito provavelmente processar os responsáveis e exigir uma indemnização. Não há aqui nada contra a liberdade de expressão, que está garantida, pois ninguém censurou a publicidade antes de ela ser emitida, nem eu sugiro que isso devesse ser feito post-facto no caso da publicidade do Record, retirando-a de circulação (embora a lei de alguns países, como a jacobina França e a liberal Inglaterra, o permita). Agora que um familiar ou mais das vítimas da bomba atómica, ou o representante do estado nipónico, têm, do meu ponto de vista, base jurídica para não verem a tragédia que vitimou os seus ser equiparada por um jornal desportivo a uma "jogada", parece-me que têm. E ainda que não ganhassem, seria bom para obrigar as pessoas a terem um pouco mais de consciência histórica. Não porque eu, em particular, me sinta ofendido, mas porque imagino que outros se possam sentir mais ainda do que ofendidos. Mas tudo feito com base na lei que já existe e que não propõe nenhum tipo de censura.
Afixado por: rui tavares em janeiro 13, 2004 02:23 PMCaro Uxana bino Lada: Não creio que tenha lido da minha parte nenhuma espécie de troca de insultos. O meu primeiro comentário dizia essencialmente, em tom perfeitamente adequado, duas coisas, a que depois o Fernando Martins, em 60 ou 70 linhas, nem sequer se referiu, acabando por desviar toda a gente do tema essencial: 1) que tinham sido feitas imputações falsas e ilegítimas ao meu texto, ou seja: não meras interpretações, mas imputações, duas coisas que são absolutamente distintas e às quais qualquer pessoa tem que reagir para impedir que as suas ideias sejam distorcidas, e 2) notava que a recusa do Fernando Martins em admitir que os japoneses normais pudessem ser "vítimas" o colocava ao nível dos negacionistas do holocausto. Registe-se que a isto não houve resposta, e à segunda nem tentativa de resposta sequer.
Toda a longa discussão posterior veio a partir de uma questão que eu próprio escrevi ser "de somenos" (ao passo que chamei à número 2 acima de "muito mais grave" e pedi directamente uma resposta que não veio) e de um comentário feito por outra pessoa. Aí levantaram-se fantasmas descabidos, idas para a Sibéria, etc etc. E foi assim feito propositadamente: como cortina de fumo para tapar as respostas que não se deram e as justificações que faltaram para as imputações abusivas que se fizeram. Gostaria que fosse este o último comentário sobre este assunto. Mas se acha que eu fui desnecessariamente reactivo, sempre lhe vou dizendo: não gosto de ficar de braços cruzados perante a desonestidade intelectual, e quando dela sou vítima acho que tenho todo o direito de a expôr publicamente.
Vá, um abraço e desculpe lá esta seca.
Afixado por: rui tavares em janeiro 13, 2004 02:42 PMPois é, caro Fernando Martins, há coisas que desconheces. O André e o Rui, "genuínos" barnabés, respondem-te com conta, peso e medida. Eu não o fiz, porque aos teus tiros ao lado resolvi mandar-te ler "O Dia" (sim, rapaz, ainda existe!), não porque goste de mandar alguém para a Sibéria, mas porque ali a cartilha parece estar mais de acordo com as tuas ideias. Tu, resolveste entender outra coisa, dar a volta e devolver ao remetente, metendo no ramalhete os da casa, mas - mais uma vez - fugindo ao essencial: aquilo que o Rui escreveu sobre o cartaz é sobre o cartaz. Tu "tresleste" para o lado que mais te interessa. "O Dia" (sim, sim, existe) faz isso todos os dias.
Afixado por: Marujo em janeiro 13, 2004 03:01 PMPerdão, perdão!
Desde logo – seca alguma!
Tem toda a razão e lamento ter provocado confusão por erro. Troquei acidentalmente o nome.
Onde se lê Rui Tavares dever-se-á ler Fernando Martins.
Aliás, nem poderia ser de outra forma, dado que, naturalmente o Sr. Rui Tavares não estará em terreno hostil mas sim em sua própria casa.
Referi inclusive que os “barnabés” até tinha algum cuidado (como cicerones que são) na forma como tratavam as pessoas (excluindo um ou outro infeliz caso de um rapaz algo “badalhoco” que vos colocou entre algumas questões éticas – na minha opinião correctas).
Agora... também sou forçado a reparar que o Sr. Rui Tavares não foi de todo isento na resposta que deu.
Utilizou na mesma alusões de carácter pessoal e comparativo, tendo complementado com a noção de reincidência do facto. Esses são argumentos pessoais e, assim, acabou por tê-los devolvidos de forma amarga – seria escusado utilizá-los e evitaria por antecipação uma resposta daquelas.
Quanto às questões que fala: sim, elas não foram respondidas. Mas, novamente aqui, essa é uma habitual questão rectórica. Naturalmente que elas não foram respondidas.
Estávamos no calor da discussão e o Sr. Fernando Martins tem os seus sentidos alertas para as frases agressivas que lhe chovem de todos os lados.
Se estivesse a levar pedradas também não teria capacidade ou disposição para fazer contas de dividir, não acha?
Naturalmente que a questão levantada pelo Sr. Fernando Martins é despropositada (neste contexto) e não suscitada (directamente) pelo seu post.
Consegue ser absurdo como algumas questões são levantadas e mantidas quando todos estão a falar da mesma coisa e ninguém admite isso com medo de estar a pactuar com argumentos extremos imiscuídos.
Quanto ao seu post, achei-o propositado ao ponto de ter reparado sábado nesse cartaz e ter comentado (factualmente, não por blogue) o seu extremo mau-gosto (de conteúdo e grafismo).
Agora sim, tem razão de ser – As-salam Alaykun (que a Paz esteja sobre vós),
Afixado por: Uxana Bino Lada em janeiro 13, 2004 03:36 PMNão percebo a distinção que o Rui Tavares faz entre censura (prévia) e processos em tribunal posteriores à publicação de qualquer coisa. Do meu ponto de vista prático, ambas vão dar à mesma coisa: as pessoas vêm-se coibidas de publicar aquilo que querem, de exprimir o seu pensamento como bem entendem. Se um jornalista (ou outra pessoa) se arrisca a um processo em tribunal por ter ofendido o bom gosto, ou a sensibilidade de outra pessoa, na prática faz auto-censura, ou seja, obtem-se o mesmo resultado da censura.
Aceito que muitas formas de expressão têm muito mau gosto e são muito ofensivas para muito boa gente. Mas discordo completamente da prática (e da possibilidade) de colocar processos em tribunal para suprimir essas formas de expressão. A expressão deve ser livre, mesmo quando (potencialmente) ofensiva.
Luís Lavoura, essa distinção é a distinção que está na lei. Não se fala em suprimir nada, mas em compensar alguém por danos morais. Proibir antes ou suprimir depois seria censura (eu pessoalmente sou contrário a ambas as formas). No entanto, é evidentemente que quem escreve ou faz publicidade tem de pensar em não provocar danos morais a outros, tal como quem conduz tem de se preocupar em não provocar danos físicos a outros. Caso o faça, a lei prevê compensações aos lesados. Tão simples quanto. Claro que não se aplicam quando se tratam de ofensas ao bom-gosto, mas sim ao bom nome de uma pessoa ou grupo étnico, à imagem pessoal, etc. Este caso estaria, e aí concordo consigo, na fronteira entre o mau-gosto e o dano moral, mas é minha opinião (não sou jurista) que uma associação de familiares de vítimas ou a embaixada teriam bases jurídicas para um processo. Não sei se o ganhariam, mas ao menos o Record passaria por trabalhos e vexame inteiramente merecidos, e aprenderia qualquer coisa. Repare que tudo isto é uma questão meramente hipotética e nem é a central ao meu post. Acho a proposta do André, de se fazer uma carta de propesto, bem mais adequada à nossa posição. Mas, já agora, gostaria de ouvir mais opiniões técnicas sobre o assunto.
Afixado por: rui tavares em janeiro 13, 2004 04:25 PMEsta publicidade pode ser denunciada ao Instituto do Consumidor como violando o princípio da licitude. Caso se entenda que viola tal princípio, será retirada e serão aplicadas coimas ao anunciante, à agência de publicidade e ao(s) proprietário(s) dos meios utilizados para a sua divulgação.
Afixado por: Inês em janeiro 13, 2004 04:36 PMO debate já vai longo, mas queria pedir ao Fernando Martins, se não for abusar da sua boa vontade, que nos explicasse com clareza qual é a sua posição em relação à campanha do Record, que deu origem a esta discussão.
Afixado por: Vera Tavares em janeiro 13, 2004 06:45 PMLamento não ter podido vir mais cedo à refrega. Outros compromissos se entrepuseram. Os comentários que o Rui Tavares me tem dedicado não me merecem qualquer resposta. Quem ler toda a literatura sobre o tema ficará devidamente elucidado. Fiquei contente por ver o André vir em defesa do Rui - os amigos servem para isso mesmo, sobretudo quando eles não têm razão e, claro está, é compreensível que reajam chamando nomes e lançando umas ameaças veladas. Gostava de ter vários amigos como o André. Quanto aquilo que penso sobre o anúncio do Record, devo dizer que só hoje nele reparei. Isto é depois da discussão. Acho-o do ponto de vista dos objectivos de quem o pensou e lançou um autêntico fiasco. Esteticamente é uma desgraça. Tenho dúvidas, por outro lado, que represente uma explosão nuclear e, ainda mais, a de Hiroxima ou de Nagasaqui. Como acho que não tenho uma mente retorcida, não vejo política em tudo, não sou anti-americano, não estou sempre a pensar na Segunda Guerra Mundial ou na Guerra Fria, é óbvio que nunca ligaria, como não ligo, o anúncio a qualquer acontecimento histórico e dele não retiro qualquer pretexto para fazer passar uma mensagem política embrulhada em discurso ético repleto de hipocrisia. Os japoneses de Hiroxima e de Nagasaqui foram vítimas. Claros que sim. Mas estavam em guerra, numa guerra que sempre apoiaram e guerra essa que eles - japoneses - tinham antes levado de forma absolutamente bárbara a vários pontos da Ásia e do Pacífico.
Afixado por: Fernando Martins em janeiro 13, 2004 09:06 PMÓ Fernando Martins, eu não vou entrar em defesa de alguém que não precisa, e muito menos fazer ameaças de me zangar (infelizmente tenho muito mais coisas com que me zangar do que com os teus comentários). Por outro lado, também sei que uma imagem pode ser vista de muitas maneiras, mas já agora, o que é que tu vês naquela imagem...? um míscaro gigantesco?, as furnas dos Açores a aquecer para o cosido?, o cabelo da Maria de Belém em dias de especial laca? é que eu, francamente,... não percebo, mas enfim...
Afixado por: celsomartins em janeiro 13, 2004 09:38 PMA campanha do Record é triste e desagradável. Talvez não seja a explosão da Bomba atómica, mas a mensagem passa e isso é que é preocupante. O que estaria na cabeça de quem pensou isto? Assustar? Estimular?
No entanto, sendo leitor atento (apesar de pouco interventivo) deste blog, alegra-me (e surpreende-me) a preocupação de quem leva este blog, com o choque que tudo isto pode provocar nas pessoas que o vêm (principalmente se directamente ligadas).
Alegra-me (e surpreende-me)a preocupação em que seja salvaguarda a memória daqueles que morreram (estando a favor ou contra a guerra).
Alegra-me a preocupação com as vidas perdidas(para além de saber quem tinha mais direitos, para além de exercícios rigorosíssimos de cálculos das semanas das vítimas).
Tem-se visto pouco disso por cá, mas hoje sorrio.
Afinal, às vezes, defendem-se a Vida neste Blog!
Hoje durmo mais sossegado.
Loooooooool, Celso!
Afixado por: Inixnender em janeiro 13, 2004 10:27 PMó Um Sobrevivente, o teu nickname tem alguma coisa a ver com a questão do aborto?
Afixado por: celsomartins em janeiro 13, 2004 10:27 PMA campanha dos DVD's da II Guerra Mundial no Record será, presume-se, da autoria de uma qualquer agência de publicidade. Mas isso não invalida o esencial da questão: é de mau gosto. E se houvesse um pingo de inteligência na cabeça de quem gere um dos jornais que mais baixou as vendas em 2003 (dados da APCT), ela, a campanha, e respectivo cartaz teriam recebido um simples "não, mudem lá essa merda". Mas o trajecto recente desse diário desportivo está implacavelmente ligado à chegada de uma nova direcção há cerca de um ano. Direcção onde pontua A.Pais, ex-director do pasquim "24 Horas", um dos que mais subiu nas vendas em 2003 (dados da APCT). Ora uma coisa -- a campanha de mau gosto -- e a outra -- a chegada de A.Pais -- estão ligadas. Porque não se pode esperar mais nada (e basta folhear o jornal) de quem assina escritos de opinião confessando que não conhece as pessoas com quem trabalha e de quem trouxe para esse diário desportivo a lógica "trash" já testada no "24". Curiosamente, ou talvez não, a fórmula parece (dados da APCT) não estar a resultar. O que nos remete para outra questão. Serão os leitores do Record suficientemente inteligentes para, paulatinamente, deixarem de o ser? E pode uma colecção de DVD's sobre a II Guerra Mundial (que terá, supõe-se, interesse) inverter esse abandono?
Afixado por: Kevin Concreto em janeiro 14, 2004 04:08 AMFernando Martins,
Tenho a enorme vantagem de não te conhecer de lado nenhum e, sobretudo, de nunca ter estado contigo no Convento da Arrábida (um lugar isolado e com poucas possibilidades de fuga). Posso, assim, falar sem grandes constrangimentos.
Confesso que raramente consegui ler os teus comentários até ao fim (só leio ensaios de autores que me sejam aconselhados por gente de confiança o que, vê bem o nível da injustiça, nunca aconteceu contigo). Ainda assim, estou em condições de te oferecer quatro notas que te podem ser úteis. Vou perder algum tempo contigo, mas não te habitues.
1 - Não faço ideia se as nossas respostas são boas para as nossas audiências, mas tenho informações seguras de que os teus comentários/ensaios/obras estão a ter um efeito catastrófico.
2 - Amigos como o André não se aranjam assim às dezenas. Nem mesmo tu, que pareces ser um tipo às direitas, amigo dos seus amigos, agradável para com as pessoas com quem se cruza, que escreve de um modo cuidado a pessoas que conhece há anos.
3- Que tu gostas de confronto, já tinhamos reparado. Nós também. Tenta agora começar uma nova modalidade: comentar o que está nos posts. Irás ter uma experiência que vai mudar a tua vida. Saberás que, para além do confronto, existe aquilo a que tu chamas "confronto de opiniões". É muito estimulante. A sério! Experimenta. Acho que até és tipo rapaz para se habituar.
4- Poderás ser um fulano fantástico, não faço ideia. Mas, por favor, não digas que não tens uma mente retorcida. Tenta manter alguma credibilidade.
5- A mim, nunca terás de dizer bom dia, boa tarde ou (Deus nos salve) boa noite. E tenho algum receio se isso fosse uma obrigação entre nós. Eu dizia "boa tarde", tu acusavas-me de cumplicidade para com os crimes do Camboja. É melhor, já que não nos conhecemos, evitarmos este tipo de "confrontos de opiniões" presenciais, não achas?
Daniel Oliveira
Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 14, 2004 05:59 AMFalei em quatro notas e escrevi cinco. É assim que eu queria que fosse. Fica demonstrado até que ponto pode ir o meu relativismo, seja moral ou de qualquer outa espécie.
Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 14, 2004 06:06 AMOs comentários do Fernando Martins têm, apesar de tudo, um lado positivo. Recordam-nos o fascínio da inteligência.
É que ele não tem nenhuma.
O Rui Tavares informa-me que na lei é proibido fazer censura prévia mas é possível intentar processos em tribunal por ofensa ao bom nome ou seja lá ao que fôr. Eu sei, Rui Tavares, mas julgava que Você tivesse percebido, do meu comentário anterior, que EU NÃO CONCORDO COM ESSA LEI. E como não concordo com a lei, não concordo com quem coloca processos em tribunal. Para mim, Rui Tavares, a expressão deve ser livre, LIVRE Rui Tavares, mesmo queando potencialmente ofensiva. Em suma, eu sou pela liberdade de expressão no sentido americano (em que até o "hate speech" é permitido) e sou contra as leis europeias que limitam essa liberdade de expressão.
Afixado por: Luís Lavoura em janeiro 14, 2004 10:40 AMLuís Lavoura: eu percebi que V. não concordava com ambas. Mas V. tinha-me perguntado qual era a distinção que eu fazi entre ambas, e eu descrevi essa distinção. Limitei-me a responder a uma dúvida sua, portanto não precisa de GRITAR. E agora duas notas, já um pouco distantes do nosso tema:
1) Mesmo quem é absolutamente contra a censura, como é o meu caso, não pode deixar de supôr algum tipo de responsabilização pelos efeitos das suas palavras, como pelos efeitos dos seus actos. Se eu caluniar alguém e com isso levar essa pessoa a ser despedida ou se eu escrever uma carta a alguém a dizer para tomar cianeto para as enxaquecas, serei obrigado a indemnizar a primeira ou responsabilizado criminalmente pela segunda. Isto em todo o mundo. Tenho um pouco de dificuldade em imaginar como isto vai contra a liberdade de expressão, tal como as leis que me obrigam a indemnizar as pessoas que eu atropelar na rua não vão contra a minha liberdade de expressão ao volante.
2)Quanto ao hate speech, que é uma coisa diferente do que eu descrevo acima, não acho que deva ser proibido, embora concorde que quem se sentir lesado possa accionar judicialmente e depois se verá se tem razões. Agora o Luís está mal informado ao considerar que a liberdade de expressão à americana é indêntica à sua posição. Não só os EUA têm disposições de salvaguarda do bom nome, da imagem pessoal etc. (against libel and slander) como os casos de processos em tribunal por estes motivos são correntes. Mesmo a nível do Supremo, como se passou com a proibição da utilização da bandeira confederada como símbolo estadual por ser considerada gravosamente ofensiva para os descendentes de escravos. Ao contrário do que se pensa, algumas leis europeias (a holandesa e, olhe, a portuguesa) são bem mais libertárias do que as leis e a prática judicial americana ou inglesa.
Afixado por: rui tavares em janeiro 14, 2004 11:15 AMQue problema que se gerou à volta disto.....FOGO!
Afixado por: Weeeee em janeiro 14, 2004 11:16 PMnão sei onde o rui tavares foi buscar hiroshima e nagasaki, mas a foto retrata uma detonação no novo mexico.
eu não leio o record, mas estou interessado em comprar a dita colecção de dvds, foi através da referida campanha que tomei conhecimento, aqui está demonstrado para que serve pensar com a unha do polegar do pé direito
se não reparou trata-se de dvds sobre guerra o que é que queria fotografias de flores?
Eu nunca disse que era uma fotografia real da explosão da bomba de Hiroshima ou Nagasaki. Disse, várias vezes até, que era uma referência a essa explosões. Como disse aqui um outro comentador, é essa a mensagem que passa, e em comunicação é isso que interessa. Numa colecção sobre a segunda guerra mundial, com o slogan "as jogadas que o mundo nunca esqueceu", seria possível que a imagem de um cogumelo atómico fosse uma referência a uma qualquer explosão de teste no Novo México? Porque é que o mundo "nunca teria esquecido" um ensaio de explosão no Novo México que não provocou vítimas? Porqué é que essa explosão seria escolhida para imagem de uma campanha publicitária sobre a 2GM? É pois evidente que o publicitário escolheu uma imagem de cogumelo atómico que fosse de uma leitura gráfica fácil, ainda que fosse captada noutro lugar, e lhe deu aquele slogan para se referir às bombas sobre Hiroshima e Nagasaki. Esta leitura é do mais elementar que há em termos de análise de imagens e nem há volta a dar-lhe.
Quanto ao resto, não me pronuncio sobre a colecção de DVD's, que não conheço. Admito até que possam ser muito utéis. É a justaposição daquela imagem e daquele slogan que são de uma inconsciência histórica gritante que em qualquer país com mais visibilidade internacional do que Portugal – ou com uma comunidade japonesa mais forte – já teria dado que falar.
Repare que nem sequer falo da admissiblidade do lançamento da bomba. Tenho opinião sobre esse assutno, mas nem preciso de a trazer para aqui, porque basta-me isto: este anúncio é uma trivialização da morte em massa. Imagine uma publicidade semelhante feita a propósito do holocausto, com uma fotografia de um campo de concentração (que aliás, nem precisaria de ser de um campo real, mas de um caminho de ferro que levasse a um portão e que funcionasse para toda a gente como referência iconográfica a Auschwitz). Imagine que se justapunha um slogan semelhante a este (nem vou desumanizar-me a imaginar um). Não seria escandaloso? Não andaria toda a gente justamente revoltada? Então porque é que há gente que não se revolta com a trivialização de uma outra tragédia da 2GM? Falta de empatia com os japoneses?
Afixado por: rui tavares em janeiro 16, 2004 11:31 AM