janeiro 13, 2004

Guantánamo Blues

Já sabíamos, desde o III Reich, que juristas moralmente corruptos são capazes de justificar o injustificável. O conselheiro jurídico do Colin Powell acaba de nos oferecer mais um exemplo dessa triste verdade. Leiam vocês mesmos.

Publicado por pedrooliveira em | TrackBack
Comentários

mas não foram os americanos que disseram não os considerar "prisioneiros de guerra" ?
devia então ser aplicada a convenção de Genebra(salvo erro).
como não é previsível que o "terrorismo" acabe tão cedo , vamos assistir à manutenção destas prisões durante algum tempo...

Afixado por: zippiz em janeiro 14, 2004 12:02 AM

A leitura do post do Pedro fez-me lembrar outros prisioneiros doutras guerras feitos e feitas com o respeito pela convenção de Genebra. Em qual delas é que os ditos prisioneiros foram julgados e depois, eventualmente, condenados ou inocentados? Alguém se lembra de alguma? Normalmente, e enquanto decorre um conflito militar, os prisioneiros de guerra continuam prisioneiros de guerra. Mesmo depois de terminado um conflito, os prisioneiros de guerra não são imediatamente libertados e, menos ainda, incondicionalmente. É claro que aquilo que se passa em Guantanamo é muito complicado e não dignifica os EUA aos olhos tanto de muitos dos seus cidadãos, como do Direito Internacional - algo de que muita gente fala mas não sabe muito bem o que é em concreto - e da famigerada opinião pública internacional. De qualquer forma, e olhando friamente para o problema, numa situação de guerra, aquilo que se impõe é o tratamento digno dos prisioneiros e não o seu julgamento. Imagine-se o que será países em guerra, por um lado, e a consecutivamente julgarem os prisioneiros de guerra que lhes vão parar às mãos, por outro.

Afixado por: Fernando Martins em janeiro 14, 2004 12:56 AM

O problema é que os EUA, para uns efeitos não os consideram prisioneiros de guerra (para evitar a aplicação da convenção de Genebra) e por outro lado não os consideram prisioneiros comuns (para não poderem beneficiar de um processo judicial justo e equitativo). Guantanamo é uma realidade kafkiana "legitimada" por um cinismo tenebroso.

Afixado por: timshel em janeiro 14, 2004 07:10 AM

Segundo a lei dos EUA, qualquer guerra tem que ser declarada pelo Congresso. Esta lei tem sido repetidamente violada, agora mais uma vez.
A "guerra ao terrorismo" é uma guerra contra um inimigo não-identificado, e que dura um tempo indefinido (potencialmente infinito). Durante esse tempo indefinido, podem ser mantidos os prisioneiros de guerra. São prisioneiros, na prática, enquanto apetecer aos EUA.
Como o terrorismo não é um inimigo bem identificado, nunca se rende e a guerra nunca acaba. Portanto, a guerra ao terrorismo permite manter prisioneiros por tempo indefinido.
Tudo isto é tenebroso.

Afixado por: Luís Lavoura em janeiro 14, 2004 10:23 AM

A própria localização desse campo de concentração, fora do território americano, foi propositadamente para ilibar os EUA de crimes e atentados contra os direitos humanos cometidos no seu território. Guantanamo está para a tortura como a Madeira para a fiscalidade.

Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 14, 2004 10:23 AM

"É claro que aquilo que se passa em Guantanamo é muito complicado e não dignifica os EUA aos olhos tanto de muitos dos seus cidadãos, como do Direito Internacional"
Ó Fernando Martins, explica-me lá porquê...

Afixado por: Turra em janeiro 14, 2004 10:24 AM

É a síntese do sadismo do poder imperial-colonial de G. W. Bush.
Análise mais aprofundada em diversos textos no blog em www.antidireitaportuguesa.blogspot.com

Afixado por: jsilva em janeiro 14, 2004 11:43 AM

O poder "imperial-colonial de G. W. Bush"...?
Se há um país que sempre foi anti-imperial e anti-colonial são os EUA, ou não fossem os EUA uma colónia. A explicação para isto é um pouco complexa e envolve a recapitulação da história da diplomacia americana que não me apetece estar aqui a debitar. O "imperialismo americano" transformou-se num sofisma incontornável para a esquerda menos elucidada. Uma mentira repetida muitas vezes. Ora os americanos sempre orientaram a sua política externa por um equilíbrio entre o isolacionismo autista e um idealismo destructivo. O George Bush não é mais do que uma Joane D'Arc versão protestante sec XXI. Nós, europeus, verdadeiros colionalistas, temos dificuldade em compreender o que motiva os EUA a, por exemplo, invadir o Iraque. Faço uma analogia com o Vietname. Os francius colionalistas largaram a Indochina e acharam os americanos chanfrados.Os EUA só queriam 'libertar' o povo e instaurar a democracia com um fantoche caprichos (Nguyen), para travar um ridículo 'efeito dominó' de um ainda mais inexistente, bloco comunista. No fundo, o comunismo aí ou na China, não era mais do que uma expressão nacionalista ou independentista e pouca ou nenhuma ligação tinha com a USSR. No Iraque, volvido quase meio séc. continuam a fazer merda, não percebendo que o islamismo radical é uma expressão nacionalista. Veja-se a sua génese no Egipto com Nasser. Os EUA misturam assim Al Quaedas e Iraques e Sírias e Irões no mesmo saco. A realidade é que Bush não é hipócrita quando afirma que quer instalar um regime livre e democrático no Iraque. Ele está mesmo a falar a sério. E isso é bem mais assustador do que o sábio cinismo Europeu, maturado por anos e anos de colonização. Andavamos nós a discutir a partilha de Africa com os bifes com um mapa cor de rosa e andava Woodrow Wilson a apelar à auto-determinação desses povos. O único acto 'imperialista' dos EUA foi invadir o México. Mostrem-me um único país que eles tenham invadido e colonizado.

Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 14, 2004 01:41 PM

Pedro, uma vez mais remeto-te para um dos meus posts. Não o faço por publicidade mas tão somente porque acho que vais gostar ... se tiveres tempo!

Afixado por: João Mãos de Tesorua em janeiro 15, 2004 05:22 AM
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