
«Democracia no Iraque bom, democracia em África mau». Esta parece ser a máxima que continua a orientar a política de muitos governos, incluindo o nosso, em relação a Angola. O Human Rights Watch divulgou hoje um relatório arrasador para o regime de Luanda. Para onde é que foi o dinheiro do petróleo, pergunta aquela organização? Pois nada melhor do que lhes enviar um dos últimos números da revista Caras, aquele que traz a reportagem do casório da Tchizé Santos.
Publicado por pedrooliveira em | TrackBackPorque é que durante dezenas de anos se deu mais importância ao facto de Savimbi ser amigo dos americanos do que ao facto de José Eduardo dos Santos ser inimigo dos angolanos ?
Afixado por: Real em janeiro 13, 2004 11:54 PMOra, não me diga que queria uma invasão preventiva em Angola, ou algo que violasse a soberania do país?!
Ou, neste caso, é diferente?
Ó GSC, aprenda de uma vez por todas que eu e o Pedro Oliveira não duramos sempre: Democracia em África bom, Democracia no Iraque mau! E pronto.
Afixado por: Alfredo Vieira em janeiro 14, 2004 12:45 AME qual é o partido democrático de Angola, alguém me explica? Como se democratiza quem não quer?
Afixado por: amigo em janeiro 14, 2004 12:59 AMCorrendo o risco de estar a mal interpretar (ou como diria G. W. Bush "miscalculating") o sr. Pedro Oliveira, e, se for esse o caso, peço, adiantadamente, as minhas mais sinceras desculpas.
No meu entender, este post visa demonstrar como o pseudo-argumento de que a administração Bush e seguidores (como bons rapazes que são), se servem ultimamente para justificar a guerra ao Iraque: "Nós só vamos lá para instaurar uma democracia, porque somos os bons da fita!" é uma grande FALÁCIA!!!
Não sei se estão a seguir o meu raciocínio, se eles quisessem instalar a democracia à escala global, porque não intervinham em Angola, por exemplo? Também podiam intervir em muitos outros países, o que não falta por aí é regimes totalitários! Aliás, podiam mesmo começar pela Arábia Saudita! Ou não, ou não...
A diferença, para o Império (do Bem, claro!...) entre o Iraque e Angola, é que o "pitroil" de Angola já lhe pertence... e a intervenção pode limitar-se ao pagamento de "luvas", por sinal, pelos mesmos que puseram o W na Casa Branca (sim, não me venham dizer que o homem foi eleito!...)
Aquilo só não era uma democracia quando lá estavam os Cubanos!...
A minha revolta foi tamanha que tive de escrever um post sobre isto! Pedro, vai lá e ouve a música e perceberás!
Afixado por: João Mãos de Tesorua em janeiro 14, 2004 02:03 AMAcho que é necessária uma "intervenção" em Angola. Não
uma intervenção militar, mas uma intervenção social; que soubesse aproveitar a vontade que muitos angolanos têm de viver num país democrático. Uma intervenção que obrigasse o governo angolano a investir as receitas do petróleo em infraestruturas sociais. Impedir que um grupo de ladrões pilhe um pais não é violar qualquer direito de não ingerência.
Sim senhora, sor Tomás, em vésperas de voltar a casa...
Acho tudo isso muito bem.E vontade de o fazer, alguém tem?
Quero acreditar que sim, meu caro João. Quero acreditar que sim...
Afixado por: antoniotomas em janeiro 14, 2004 02:46 AMReal,
Porque um e outro, independentemente dos amigos que tinham cá fora, dividiam o mesmo inimigo interno: os angolanos, exactamente. Mataram e roubaram os dois, com igual empenho.
Caro Daniel
A luta contra os ocupantes russos e cubanos foi uma luta legítima do povo angolano liderada pela Unita até uma determinada altura, depois a Unita perdeu-se.
Savimbi ganhou as eleições presidênciais em 1992, com a excepção da região de Luanda, portanto, não é correcto que digas que o povo votou no seu principal inimigo.
Ao arranjares um termo comparativo para um dos regimes mais despóticos e corruptos do mundo, não é senão uma forma ardilosa de o desresponsabilizares.
A Superioridade Moral dos Comunistas deixa as suas marcas... até no genial Daniel Oliveira.
Mas desde qnd é q alguém acredita q os americanos vão fazer uma democracia no Iraque? Desde a II GG invadiram todos os anos 1 país e onde fizeram democracias? Onde?
(//oblogdoalex.blogspot.com)
Mas desde qnd é q alguém acredita q os americanos vão fazer uma democracia no Iraque? Desde a II GG invadiram todos os anos 1 país e onde fizeram democracias? Onde?
(//oblogdoalex.blogspot.com)
Mas desde qnd é q alguém acredita q os americanos vão fazer uma democracia no Iraque? Desde a II GG invadiram todos os anos 1 país e onde fizeram democracias? Onde?
(//oblogdoalex.blogspot.com)
Angola é um enorme quintal, para alguns. Para resolver o que está mal teria de se fazer um rewind na História. Portugal voltaria a colonizar, criar-se-iam novamente movimentos de libertação e... dava-se outra vez a independência a Angola. Tinham é que mudar os actores em todo este filme.
Afixado por: cobracuspideira em janeiro 14, 2004 12:27 PMAngola é um enorme quintal... para alguns. Mudar o que está mal? só fazendo um rewind na História. Portugal voltava a colonizar, criar-se-iam novos movimentos de libertação, era novamente dada a independência, sem guerra civil. Receita: outros actores para este filme.
Afixado por: cobracuspideira em janeiro 14, 2004 12:31 PMJá não há paciência para este paternalismo de continuar a dizer que a culpa de tudo em Angola é da má descolonização. Então e os Angolanos, são o quê? Crianças? Não serão responsáveis pelo seu próprio país? Desde há 30 anos?
E como é que um Portugal a travar guerras em quase todos os seus territórios ultramarinos poderia fazer outra coisa senão simplemente sair dali, e o mais rápido possível?
Já deve ser tempo de aliviarmos este irracional colectivo sentimento de culpa por Angola. E admitamos que há 30 que só lá há monstros no poder.
Afixado por: torquemada em janeiro 14, 2004 01:30 PMTorquemada pôs bem o dedo na ferida. Eu evito entrar nestas discussões pois tenho opiniões politicamente incorrectas relativamente a Africa (passam por re-colonizações), simplesmente porque África subsariana nunca teve uma coisa chamada civilização. Pode ser politicamente incorrecta mas bardamerda, a verdade pura e crua é que o ocidente só dá a estes países o pior: dinheiro e armas do petróleo ou diamantes. O José Eduardo dos Santos pode estar ali de fatinho todo janota, afogando-se em dinheiro sujo, nunca deixará de ser um fantoche: um escravo. É isto a independência? A liberdade?
Não há paternalismo nem sentimento de culpa ao assumirmos que a independência foi dada por gente infectada por interesses externos que não eram os de Portugal nem os de Angola, gente sem grande experiência de governação, a pessoas que não eram mais que instrumentos de grandes potências. Isto é um facto. Com a saída gradual de algumas das potências externas de Angola (Bloco de Leste, China, Cuba, África do Sul)ficaram os facínoras como JES e os EUA com o petróleo de Cabinda. Continuo a achar que foi pena não ter sido tudo feito, com um pouco mais de maturidade política.
Afixado por: cobracuspideira em janeiro 14, 2004 03:59 PMO sr.Bom Selvagem, incluvive por este singelo epíteto, terá saído de que selva? Perceba que ser politicamente incorrecto não significa ser politicamente(e historicamente) obtuso. Ser politicamente incorrecto pressupõe irreverência inspirada. Re-colonização de quem por quem? Civilização de quem para quem? A repetição de tudo outra vez? Olhe bem para a sua civilização e faça perguntas a si próprio. Ou então abra bem seu livro para que todos percebam o vurmo argumentativo por trás do "bardamerda".
Afixado por: thirdbacus em janeiro 14, 2004 05:00 PMIsso de eu ser historicamente ou politicamente obtuso é a sua opinião, não se esqueça.
Recolonização, no sentido de ocupação, (não de perda de independência) de países onde não existe 1 única estrutura governativa funcional, como em Angola, onde não há um mínimo de população capaz de organizar ou gerir os destinos do seu país. Pura e simplesmente forças internacionais, como a ONU, tomarem conta de Angola. Começaria com um embargo ao petróleo e aos diamantes e um posterior desarmamento total. Ainda há zonas em Angola que estão em guerra, ou não sabia? Acha que algum dia aquilo se reconstroi sozinho!? É preciso criar um sistema de educação do zero, um sistema social do zero, uma economia 'normal' do zero. Você acha que Angola que se põe de pé sozinha!? Nunca. Onde é que em Angola há alternativas democráticas capazes de substituir este regime? África é uma permanente tragédia. Durante 30 anos fizeram-se as coisas à sua maneira. Eu digo que é tempo de as fazermos de outra. Porque neste momento morrem centenas de milhares de crianças em Angola. E quanto a isso, o que pensa você fazer? O que sugere? Aguardo ansioso.
Se julgam que o que move a minha opinião é "ganância", ou querer "deitar a mão às riquezas de angola"... elas já são sugadas pelas multinacionas, não sobrando 1 tostão para o povo faminto, com a cunivência hipócrita dos nossos próprios governantes, como se viu. É preciso um abanão. Por detrás das boas palavras e dos apertos de mão esconde-se uma inacção brutal. Angola e outros países de África precisam de uma imigração massiça de mão de obra ocidental, no ensino, na medicina, na engenharia, na agricultura que lance sementes do desenvolvimento. Por todo lado o que assistimos no período imediatamente a seguir à "independência" dos países africanos é a fuga de todos os ocidentais deixando o país entregue ao caos e à desorganização total, à descivilização bárbara. Só se pode garantir essa imigração se houver oportunidades e estabilidade. Países como Angola não estão em condições de por si só garantirem essa estabilidade.
Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 14, 2004 07:17 PMA organização social em África não foi a mesma da europa ou do resto do mundo. Nem tinha de ser.
Até aos reinos do Gana e Mali e outros daquela zona do Sahel ( imediatamente a sul do Sahara )entre 600 e 200 A.C., as cidades muralhadas só tinham aparecido nos meados do segundo milénio A.C. no Sul da actual Mauritânia.
Isto prende-se essencialmente com a ausência da necessidade de demonstração de poder na forma de edifícios. O mesmo aconteceu mais a sul no reino do Zimbabué, no império de Monomotapa as muralhas de 10 mts de altura serviam apenas para defesa.
Os Zulus só foram derrotados quando apareceram as metrelhadoras nas mãos dos ingleses.
Agora quanto a não haver registo de civilizações abaixo do Sahara é que é mais complicado porque depende do conceito de civilização porque no limite, nesse caso, os índios da America no Norte eram o quê? selvagens?!, é complicado...
Para Angola e outras calamidades do género defendo uma ingerência por razões humanitárias, sob a ordem das Nações Unidas. Também já não acredito que eles se organizem sózinhos.
Afixado por: Pedro Lima em janeiro 14, 2004 07:49 PMAntes de mais sugiro que tenha mais cuidado com as palavras. Colonização[recolonização], ocupação[militar?],intervenção[humanitária?], e administração internacional, salve o termo[sob a égide da ONU] não são exactamente a mesma coisa. De todo. Falar em "re-colonização" querendo significar ocupação é um disparate pegado. A própria ideia de "ocupação" não é menos disparatada. Quanto à imigração em massa de técnicos ocidentais para África pouco há dizer mais do que isto - espalhados por este mundo fora estão milhares de quadros africanos impedidos ou fortemente desencorajados de trabalhar nos seus países. E estes ganhariam bem menos que os cooperantes que lá vão ganhar petro-dólares durante um curto período de tempo, depois muda-se a equipa, depois o projecto, depois vêm outros, e nada muda, e entretanto todos os anos são celebrados dezenas de protocolos de cooperação com países ocidentais. Um jogo de interesses execrável[veja o meu comentário sobre o mesmo tema no bde weblog]Todos nós conhecemos histórias sobre os salários contemplados pelos programas de cooperação, e nalguns casos até de ajuda humanitária. Se durante 500 anos os ocidentais não foram bons samaritanos não é agora que passariam a sê-lo sem mais nem quê. Porque se quisessem uma África(Angola no caso) minimamente funcional já teriam decretado muitos embargos[afinal a UNITA fraqejou de morte com o embargo diamantífero norte-americano] e de certeza que ninguém criticaria. É óbvio que África não se levanta sozinha, e muito menos o fará enquanto tiver a pata do elefante ocidental por cima. Mas quem vai dizer tal coisa aos bancos suiços. Talvez, e ironicamente, uma das pouquíssimas esperanças para África seja o ocidente ex-colonizador, mas não pelos motivos que você avança. A solução passa pelo Ocidente deixar de andar de mãos dadas com os líderes africanos que lapidam diabolicamente o património dos seus próprios países.
Afixado por: thirdbacus em janeiro 14, 2004 07:58 PMAdmito que o termo re-colonização foi infeliz mas o meu objectivo aqui no Barnabé é apimentar um bocado as coisas quando toda gente parece alinhar pelo mesmo diapasão. Acho que a sua visão de haver milhares de quadros africanos com vontade de trabalhar no seu país de origem é um bocado irreal. A minha experiência empírica é de que os estudantes ou quadros oriundos de países africanos em crise, não se safam nas nossas universidades ou empresas, porque chegam cá sem bases nenhumas.
Quando falou nos tais quadros de ocidentais que vão para países como Angola, só me lembro de alguns tipos de quadros: malta de consultoras para gerir a finança do petróleo e do diamante e voluntários corajosos.
E diz que "A solução passa pelo Ocidente deixar de andar de mãos dadas com os líderes africanos que lapidam diabolicamente o património dos seus próprios países". Essa solução é um mero descargo de consciência.Onde estão outros líderes? Não vê que acontecendo isso, facilmente surge outro escroque sem escúpulos disposto a atirar a pedra da ingerência internacional nos assuntos internos e conquistar eleições à custa de demagogia? E embargos num país moribundo parece-me a machadada final. Não é de um embargo que vai nascer renovação, porque nada surge do nada. É preciso estar lá fisicamente. Ah pois, porque é que o Ocidente ia ser bom samaritano agora depois de 500 anos... Porquê? Porque se admitirmos que não o será então toda esta discussão é inútil e deixemos estar tudo como está.
Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 14, 2004 08:20 PMA vontade de muitos quadros africanos trabalharem nos seus países não é nada irreal quando muito não seja pela exacta razão que você evoca - precisamente por terem fracas bases e de não conseguirem singrar no altamente competitivo mercado ocidental seria lógico que pudessem trabalhar nos seus países onde os requisitos exigidos são mais modestos. O problema é que muitos deles depois de passarem alguns anos no Ocidente ganham uma percepção sócio-política das coisas que os faz ficar atolados num impasse. Como voltar a um país em que o sentido crítico pode ser um pecado capital? Em que quem manda está-se bem a marimbar para o funcionamento básico de um hospital porque os seus familiares são tratados no estrangeiro. O que faz uma enfermeira angolana em Portugal que não pode fazer em Angola? Ou um técnico informático? Ou um advogado? Ou um Jurista? Ou um funcionário público?Ou um engenheiro agrícola? e por aí adiante. Não se está a falar propriamente de astro-físicos. Quanto a quadros de altíssimo gabarito, é verdade que em Portugal não os existem a torto e a direito(pudera!), mas basta olhar para universidades francesas, inglesas ou norte-americanas e talvez se espante.
Creio que a desculpa da ingerência estrangeira passou agora a ser usada também pelo Ocidente para que possa continuar de olhos fechados. Essa é que é essa. A verdade é que a União-Europeia só passou querer parecer mais séria no capítulo da cooperação(a ver vamos) sob pressão da imigração em massa vinda do sul. Tal como os bancos suiços só foram chamados à vergonha quando o caso Mobutu se transformou numa absurdidade insutentável que ainda por cima metia pelo meio o estado francês.
A cumplicidade que o Ocidente tem mantido com os líderes africanos de que temos estado a falar é de um cinismo atroz e indesculpável. Como digo, e repito, ninguém levaria a mal se em relação a certos líderes africanos fossem activados meios internacionais de bloqueio às suas contas. Este seria o embargo. Não embargos às exportações. Mas como deve imaginar também o Ocidente tira o seu mega-quinhão desse jogo macabro. Como aquele famoso caso em que uma empresa italiana concedeu um donativo chorudo ao estado guineense na condição de que a Guiné-Bissau importasse os sapatos daquela mesma empresa.
Talvez por pressão da imigração sulista o Ocidente venha a perceber que é possível adoptar medidas mais sérias no relacionamento com África. É que os povos africanos não precisam de mundos e fundos. E com uma política norte-sul mais exigente talvez África possa tornar-se paulatinamente num pequeno mas interesante mercado na economia mundial. Para o bem de todos.
Afixado por: thirdbacus em janeiro 14, 2004 09:35 PMPS:
Esqueci-me de dizer que outra forma do Ocidente ajudar África a sair da espiral de pobreza e de maus governantes(afinal já andamos em tempos democráticos) seriam estímulos como o perdão ou a redução da dívida externa de países que apresentassem anualmente boas prestações orçamentais(dentro das suas possibilidades).
É apenas um exemplo.
Muito bem, tem muita razão naquilo que diz.
Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 15, 2004 10:51 AMvoces sao todos bons
Afixado por: maria francisca em junho 4, 2004 03:20 PM