
Para algumas pessoas, trata-se de um lugar que promove uma imagem estereotipada de Portugal. Para mim, Ferry Street foi amor à primeira vista. Na altura, eu comparava o que via com os acabrunhados portugueses de França, centenas de milhar deles quase invisíveis que cruzamos todos os dias. E essa comparação não me deixou quaisquer dúvidas de que a Europa tem muito para aprender com o Novo Mundo em matéria de imigração. Nem tudo é rosas. Mas, caramba, estão umas décadas à nossa frente. Em Newark os portugueses andam descontraídos, falam português alto na rua, já receberam cerca de 50% de brasileiros e outros lusófonos entre si sem complexos de maior, imprimem jornais com resultados do campeonato português brasileiro e angolano, vendem bacalhau. Os galos de barcelo são pirosos? Por acaso até nem acho.
É por tudo isso que é para mim um prazer ler este artigo do New York Times sobre o bairro português de Newark.
Publicado por ruitavares em | TrackBackE alem disso no Novo Mundo ha sempre estas maneiras de justificar os problemas:
"I believe the reason I smoke and drink and my wife is overweight is because we watched TV every day for the last four years."
TIMOTHY DUMOUCHEL, who threatened to sue a cable company for providing free cable for four years after he asked that it be canceled. (Time, January 19 2004)
Encontrei esta joia neste interessante blog Luso-Americano
http://www.impulsivo.blogspot.com/
E alem disso no Novo Mundo ha sempre estas maneiras de justificar os problemas:
"I believe the reason I smoke and drink and my wife is overweight is because we watched TV every day for the last four years."
TIMOTHY DUMOUCHEL, who threatened to sue a cable company for providing free cable for four years after he asked that it be canceled. (Time, January 19 2004)
Encontrei esta joia neste interessante blog Luso-Americano
http://www.impulsivo.blogspot.com/
Uff! O Fernando Martins ainda aqui não chegou. Vou aproveitar.
Olha, André, tens toda a razão e nada como algumas pessoas que passam a vida a encher a boca com frases como "os imigrantes devem aceitar a nossa cultura" aprenderem qualquer coisa com o seu sol na terra. Mas escusas de exagerar. Eu sei que a distância faz milagres, mas os galos de Barcelos????? Vem para cá durante uns tempos que a estás com o Sindrome de Nostalite Aguda (SINA).
O Fernando Martins ainda não chegou, pois não? Vou sair de surra. André, não lhe digas que eu estive aqui, está bem? Olha, diz-lhe que esta caixa está fechada para balanço. Ou foi dizimada pelo militarismo nipónico. Diz-lhe que depois de tanto apoio, os cabrões dos japonas deram cabo disto tudo.
Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 14, 2004 06:40 AMNão é só em Newark. Em Toronto também existe um extenso bairro português (misturado com italiano, no entanto).
E hoje em dia os emigrantes na Europa também já se assumem. Em Dortmund havia, há dez anos atrás, um restaurante português e uma loja de produtos portugueses. E em Genève é facílimo ouvir-se falar português na rua. Em França há clubes de futebol portugueses, etc.
Em suma, as maravilhas de Newark (que eu por acaso não considero nada maravilhosas) não são nada originais.
Há dias assim. Um camarada barnabita acha que o texto só pode ser escrito pelo único barnabé estrangeirado e já nem olha para a assinatura.
Um leitor acha que se um gajo fala bem de Newark tinha que ter falado de Toronto, Dortmund e Genebra.
Ai, ai. Olhem, como diz o Pacheco Pereira: bom dia.
Afixado por: rui tavares em janeiro 14, 2004 10:43 AMCaro Rui
Acho que o Daniel Oliveira atribuiu o post ao André propositadamente. Ou seja, recrimina-te por entender que um post assim só podia ser escrito por um estrangeirado.
É que há uns dias atrás, instado sobre o bom acolhimento da emigração nos EUA o Daniel respondeu-me, isso é no Canadá.
Não é só para João Cesar das Neves que não há almoços grátis
Pois é Real, eu já nem me queixo. Bastava ter reparado na hora do post. O André nunca escreveria às 3:28 da manhã.
Afixado por: rui tavares em janeiro 14, 2004 11:58 AMObrigado pelo link e pelo post. Tenho família no Ironbound e gostei muito de ler o artigo do NY Times.
Afixado por: Bruno em janeiro 14, 2004 03:06 PMO problema destas coisas, meus caros, é tomar como o todo as médias. Há um bairro português, orgulhoso e descomplexado, em Newark? Há. E também os há em muitas outras paragens da América. Mas dás um saltinho à zona Redneck e se calhar acabas espancado na rua por falares inglês com sotaque.
E assim mesmo em Portugal. Há uma maioria a achar que os emigrantes que temos são demasiados? Há. O desemprego e a crise por um lado, e a incultura, ignorância e pura e simples estupidez de boa parte do povo português por outro, juntos, só poderiam ter esse desfecho. Mas ao mesmo tempo, na minha cidade algarvia, ouve-se falar russo e ucraniano, em voz alta, um pouco por toda a cidade. Ainda há pouco, saí de casa depois de almoço para ir tomar um café, um trajecto de uns 20 metros, e passaram por mim duas mulatas, com penteados afro, a conversar em crioulo. Entrei no café e um grupo de quatro alemães (ou suíços, ou austríacos, ou...) conversavam em voz alta numa mesa perto da porta. Lá mais para dentro, uma empregada ucraniana conversava em russo com um cliente. E tudo isto na maior paz.
Tal como há EUA e há EUA, assim também há Europa e Europa, e há Portugal e Portugal. Seria bom não nos esquecermos disso.
(e o artigo do NYT é só para leitores registados)
Afixado por: Jorge em janeiro 14, 2004 03:13 PMo registo é gratuito e depois nem se precisa de entrar com password. foi por isso que eu nem dei conta que o artigo era para registados. as minhas desculpas.
Afixado por: rui tavares em janeiro 14, 2004 04:36 PMLi mal, porque foi o André que esteve nos Estados Unidos. Real, tu és o Fernando Martins? E Newark não é no Canadá? E serei eu o Celso?
Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 14, 2004 06:44 PMHoje vou-me levantar às 4 da manhã só para veres, Rui, que sou capaz de escrever posts a essa hora. Sou muito homem, ouviste? Já agora: os lusófonos em França também andam todos descontraídos na rua e contentes da vida. Vão é a falar francês, porque já perceberam de onde é que vem o guito.
Afixado por: André em janeiro 14, 2004 11:39 PMOlá, a todos.
Sobre o assunto acho que é verdade que a maioria desses sítios são mais ou menos pirosos porque vivem mais da imagem do que propriamente da essência. Mas, será isso assim tão mau? Não me parece assim tanto! Mau é estarmos em Portugal e vermos sítios pirosos que , por vezes, nem nos é possível evitar. Isso é muito mau, a falta de essência na origem. Torna-se preverso e perde-se identidade.
Mas, quando se está num país como França, Inglaterra, etc, esta imagem, mesmo com pouca essência que seja, torna-se, talvez, um grande link às origens daqueles que por ali escolheram fazer pela vida. se calhar o fado até é uma grande coisa, as pataniscas, o Benfica, etc. Brinco um pouco mas não será um pouco assim? Mas, também é lindo ver o turista portuga, garrafão de vinho em punho e máquina fotográfica a tira colo.
Voltando ao imigrante, acho que não deve ser muito fácil distanciarmo-nos das origens e passar a viver e conviver com sociedades, normalmente, mais evoluidas e que requerem uma adaptação que pode ser muito difícil. Recordo que a maioria dos nossos imigrantes, são-no, por tentativa única de melhorar a sua vida e conseguir ter oportunidades de ser mais igual aos outros que lhes é mais favorável noutro país. Portugal é um país muito bom, para mim, mas pode ser algo penalizante para quem tem muito poucos recursos.
No seio desta aventura e luta qual será o imigrante que não se sente mais ele próprio e mais "quente" quando num país diferente ele vê um galo de barcelos, um "olá boa tarde ti manel".
quanto a isso recordo uma das minhas experiências, em londres existe o café Porto e o café Lisboa que no meio de uma bairro muito bonito nos delicia, qualquer um deles, com um café ou cimbalino, há pastilhas gorila, fala-se português e procura-se convergências. "Então como está aquilo por lá, ouvi dizer que...), "Há quanto tempo está cá? Já não Volta?".
Enfim, a troca de experiência e a partilha de emoções e sensações é um bem maior.
Um bem haja a todos os sítios no mundo onde se fala português e onde de alguma forma se perpectua a nossa cultura, mesmo que eu não aprecie a maioria desses sítios atribuo-lhes todo o valor.
Fiquem bem, viajem muito e opinem sempre.