janeiro 23, 2004

De não saber o que se espera

Na impossibilidade de outra comunhão de sentimentos pela manhã, eu deixo-vos a letra e vocês lêem cantando. Em termos de tecnologia de alta fidelidade ainda não se inventou melhor. E o Barnabé, que tem falado pouco de Zeca Afonso, fica mais bonito.

De não saber o que me espera
Tirei a sorte à minha guerra
Recolhi sombras onde vira
Luzes de orvalho ao meio-dia

Vítima de só haver vaga
Entre uma mó e uma espada
Mas que maneira bicuda
De ir à guerra sem ajuda

Viemos pelo sol nascente
Vingámos a madrugada
Mas não encontrámos nada
Sol e água sol e água

De linhas tortas havia
Um pouco de maresia
Mas quem vencer esta meta
Que diga se a linha é recta

Publicado por andrebelo em | TrackBack
Comentários

Eu gosto de Marilyn Manson e gostava de partilhar este poema da musiqueta "Slutgarden" ou "Jardim de vaconcias" com o povo que nos lê:
When I said we
(Quando eu disse nós)
you know I meant me and
(Sabes que eu queria dizer eu e)
When I said sweet
(E quando eu disse querida)
I meant dirty (hey, hey)
(Queria dizer vaca (epá, epá))

No fundo esta musiqueta começa por criticar a hipocrisia do comunismo defendido pelo José Afonso, porque quando ele diz "nós", ele quer dizer "eu", tal como o capitalismo só o que o capitalismo não diz "nós", diz logo "eu" para começar e por isso não é hipocrita. Depois temos uma crítica implícita às duas faces dos políticos pós 25 de Abril, porque no fundo eram muito "queridos" ou "ingénuos" mas depois são umas grandes vacas do capitalismo que lhes suga as tetas de forma ávida, descontrolada até diria eu.

Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 23, 2004 10:55 AM

Depois da saudável troca de ideias tida acerca do nascimento da democracia dos dias de hoje, o caro André, talvez um pouco ressentido, prefere fazer greve ao verdadeiro debate e ter um registo, digamos, "culturalmente" correcto. Ok!

Afixado por: Peixoto em janeiro 23, 2004 04:23 PM

Vocês não sossegam, hein?

Afixado por: rui tavares em janeiro 23, 2004 04:47 PM

Pois, pois, belas desculpas. Vocês não conhecem é a música do Zeca Afonso.

Afixado por: André Belo em janeiro 23, 2004 04:58 PM

"Quem diz que é pela rainha,
não precisa de mais nada.
Embora roube à vontade,
ninguém lhe chama ladrão,
todos lhe apertam a mão,
é homem de sociedade".

Também do Zeca. Viva o Zeca!

Afixado por: O Padrinho em janeiro 23, 2004 04:58 PM

Peixoto, conheço uma música muito instrutiva, não sei se é da Mónica Sintra, acho que não. É indiferente: "Não desliga/Não desliga/Não descola/Não descola/É por isso raparigas/Que ele é o Cola-Cola». Baixei o nível poético, mas pareceu-me que te podia dizer alguma coisa.

Saudades de Zeca Afonso.

Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 23, 2004 05:26 PM

«Não desliga/Não desliga/Não descola/Não descola/É por isso raparigas/Que ele é o Cola-Cola».

Cá está outra crítica implícita ao capitalismo, democracia representativa e imperialismo americano.

Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 23, 2004 07:39 PM

Mas eu gostei muito desse poema do Zeca Afonso, não conheço essa música infelizmente.

Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 23, 2004 07:40 PM

Bonito André, não ligues às más línguas.

Amigo, maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem.
Não tenhas medo que o vento
É meu amigo também.

"Traz outro amigo também", mais uma vez do Zeca Afonso.

Afixado por: Clara em janeiro 23, 2004 07:46 PM

Ao nível da música popular portuguesa, versão pimba, o Daniel parece um autêntico doutorado...
Parabéns pelo seu conhecimento desse género de música!

Afixado por: Peixoto em janeiro 23, 2004 07:48 PM

E o sr. André que até meteu um "não sei se é da Monica Sintra, acho que não" para disfarçar o seu doutoramento... como se não soubesse que essa é da Rute Marlene e que a Mónica Sintra é a do "Afinal havia outra"... tss tss...

Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 23, 2004 08:20 PM

... acho eu! Acho eu!

Afixado por: O Bom Selvagem em janeiro 23, 2004 08:34 PM

Rute Marlene, tens toda a razão. E olha que nessas coisas eu nunca disfarço. Sem quase toda a música pimba de cor. Só não tens razão em relação ao meu nome. Eu chamo-me Oliveira, Daniel Oliveira.

Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 23, 2004 08:40 PM

Peixoto,
Tens razão. Nesta matéria, sou Jubilado. São tiques desta esquerda intelectualóide. Fico é espantado por tu saberes que se trata de música Pimba. Foi pela letra? Ou saberás quem é a Mónica Sintra (afinal era a Ruthe Marlene)? Não tenhas vergonha, sai do armário.

Afixado por: Daniel Oliveira em janeiro 23, 2004 08:43 PM

Como um dia ouvi dizer ao António Vitorino de Almeida " música pimba é como os tremoços também os como mas não posso fazer refeições com eles" por favor não queiram comparar o Zeca com Marlenes e Mónicas. Cada qual tem o seu lado. A esquerda tem o Zeca, e outros. E não tenham problemas em o assumir pois tenho a certeza que o Zeca nunca teria vergonha de se assumir de esquerda.

Afixado por: Branco Velho em janeiro 24, 2004 06:58 PM

Caro Daniel, o pessoal do centro-direita é multifacetado... Tanto ouve a Ópera de Aída, como vai à Queima das Fitas curtir Quim Barreiros!

Afixado por: Peixoto em janeiro 25, 2004 02:21 AM
Comente esta entrada









Lembrar-me da sua informação pessoal?