Não sou cristão. O meu cristianismo é inconsciente. O que admiro no exemplo de Cristo é o seu radicalismo. Social, por exemplo ('um rico dificilmente entrará no reino dos céus"). Mas não apenas: o radicalismo da sua crença e da sua missão. O mesmo que lhe fazia invectivar os que o seguiam quando duvidavam: "homens de pouca fé!". Sendo eu próprio um homem de pouca fé, considero-me no entanto mais perto do exemplo de Cristo (que não quero seguir conscientemente) do que o reaccionário que apenas usa o cristianismo como o adorno de que precisa para legitimar as suas concepções conservadoras da sociedade - e não ousa acreditar. O que este cínico carente de outra legitimação usa não é Cristo mas a exuberante aura estética de séculos de cultura cristã. Ao contrário da melhor desta arte, a estética está-lhe ao serviço da política, não da fé.
Publicado por andrebelo em | TrackBackE, afinal, estamos de acordo, André. Também a mim me incomoda o reaccionário que usa o cristianismo como adorno, o empresário que se diz católico, benze-se e bate com a mão no peito mas despede os seus trabalhadores sem pestanejar, o político que invoca o nome de Deus para defesa das águas territoriais e adora expulsar os seus semelhantes só por serem imigrantes, ... Os exemplos são muitos. Mas também por isso (para mim, crente) é mais exigente ser cristão nos dias de hoje - ou apenas estar próximo de Cristo, como escreves.
Um abraço.
Afixado por: Marujo em janeiro 28, 2004 11:07 AM"Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho?" Lc 6)
Afixado por: Vasco Melo em janeiro 28, 2004 11:09 AMDe facto, o André tem uma postura radical face ao Cristianismo: ou se está mais perto das ideias de Cristo, sem se ser um homem de fé (como o André), ou se é um "beato" que utiliza o nome de Cristo como um meio e não um fim...
Para o André na questão da fé ou se é 8 ou 80...
Radicalismo puro!
É sempre falacioso 'instrumentalizar' Cristo para provar um ponto, seja a favor ou contra a Igreja.
O fosso que separa Cristo dos beatos que André Belo refere é enorme. Mas também é enorme aquele que separa Cristo de André Belo.
Como já aqui disse uma vez é bom ficar (muito) contente com o (eventualmente pouco) que nos dão. E o que o André deu foi muito.
Afixado por: timshel em janeiro 28, 2004 04:54 PMSempre achei o crucifixo um brinquedo de arestas vivas que podem magoar.
A minha tia Ermelinda apanhou uma herpes labial por andar sempre a beijar aquilo.
Parece-me que o André Belo está tão longe de Cristo como o Paulo Portas, que invoca a Senhora de Fátima ao mesmo tempo que expulsa imigrantes. A esquerda gosta muito de invocar o "radicalismo social" de Cristo, mas esquece completamente a moral sexual e familiar que Ele pregou (e não venham com a história que a moral sexual cristã sofreu influencias estóicas; isso até é verdade, mas não explica tudo...).
Afixado por: Filipe Alves em janeiro 28, 2004 06:19 PMMãezinha... o que um gajo aqui aprende!!!
Afixado por: CIANETO em janeiro 28, 2004 06:54 PMPalavras sábias... Sempre me perguntei o mesmo. O conservadorismo mais puritano apoiado pela Igreja sempre serviu para justificar as maiores atrocidades cometidas durante os ultimos dois mil anos. Pelo contrário sempre que a Igreja e a Direita fogem ligeiramente ao alinhamento cósmico que os une na cabeça de algumas pessoas, vem sempre à baila a máxima que mais ouvi nos últimos tempos ("a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mt. 22:21)) e que serve de justificação para tudo, desde a Guerra do Iraque a "choques fiscais" por esse Mundo fora. O que pensaria Jesus Cristo de gente que tira dinheiro aos mais pobres para deixá-lo nas mãos dos ricos? Espanta-me como algumas pessoas dizem o que dizem, fazem o que fazem e conseguem dormir à noite...
Afixado por: Cipri em janeiro 28, 2004 07:23 PMCipri:
O choque fiscal de Reagan no início dos anos 80 (o início da "Supply-Side Economics") deu origem à mais prolongada e mais acentuada fase de crescimento económico desde sempre nos EUA. Os choques fiscais não são "Robins dos Bosques Invertidos": melhoram a vida de toda a gente.
Caro André,
Mais uma reacçãozita na Voz.
Imagino uma mulher grávida e que tem um grande problema com essa gravidez por causa de ... e de ... e também por causa de ...
Agora imagino a mesma mulher a consultar o Mestre acerca do que devia fazer e, ou é de mim, ou aquele não lhe sugeriria nunca abortar.
Afixado por: Pedro Lima em janeiro 29, 2004 01:49 AMA dualidade existente na vivência destes crentes, de boca para fora, não é, de facto, inocente, hão de perguntar-se estas coisas, as que descreve, senão amiúde, pelo menos de vez em quando.
Afixado por: Pedro Lima em janeiro 29, 2004 07:55 AM
Michael:
respeito a sua opinião e peço que não me tome por um radical nestas coisas. Gostaria só de saber a sua opinião sobre os seguintes links e artigos:
http://www.house.gov/sabo/ie.htm
http://uts.cc.utexas.edu/~rjensen/vol2no8/ceo.htm
http://www.globalpolicy.org/socecon/inequal/2003/0801gap.htm
Cumprimentos,
Cipri
A questão que estão levantando nos remete à inquisição. Temos que analizar o cristianismo separadamento do Cristo. O cristianismo é toda essa "seita" em que o homem transformou os castos ensinamentos de Cristo. Toda edumentarizada para se tornar uma arma na mão de quem a detém. O Cristo é algo maior e fora de nossa total compreenssão. A essência da fé é acreditar no que não se vê. Por isso dê-mos a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
Afixado por: Breno em fevereiro 12, 2004 02:08 PMAmigo,não se pode chamar de cristão aquele que usa Jesus nas orações e despensa seus funcionários sem pestanejar ou o político que invoca o nome de Deus para defesa das águas territoriais e adora expulsar os seus semelhantes só por serem imigrantes ou tantos outros exemplos. Cristão é algo mais, é aquele que segue Cristo em seus ensinamentos, o sente dentro de si. Deixa uma chance prá ele. Deixe ele entrar. É só o procurar.
Aguinaldo Saturnino da Silva - Brasil
Afixado por: aguinaldo em julho 27, 2004 08:45 PM