«Se eu quisesse não havia educação sexual nas escolas»
Mariana Cascais, Secretária de Estado da Educação
Mas a entrevista ao Diário de Notícias de Mariana Cascais, secretária de Estado da Educação, vinda do PP e dos movimentos “pró-vida” e recordista em gaffes neste governo (record que não é fácil de manter), tem muito mais para ler. Para além de desdizer todas as decisões do governo no que toca a educação sexual nas escolas, Mariana Cascais, que, para tristeza de quem se gosta de rir, andava escondida, ofereceu-nos estas pérolas:
Educação sexual sem contracepção
«Se sou contra a contracepção, é um direito que me assiste e se sou a favor também! O ideal é que a escola seja suficientemente receptiva para abordar os diferentes modelos e permitir a escolha mais lúcida e mais honesta. Não sei se me fiz entender…»
Agora sim, fez-se entender muito bem
«Não cabe ao Estado decidir os conteúdos (da educação sexual)?
O Estado não tem o direito de impor um modelo de Educação Sexual, como não tem o de impor uma religião.
Qual a relação?
É muito importante, uma coisa não se pode desligar da outra.»
Nem quero imaginar os manuais que os alunos irão utilizar nas aulas de Educação sexual.
Em matéria de Marianas, prefiro a Alcoforado.
A Mariana tem razão. O estado não tem nada que se meter na educação sexual de ninguém. Parece-me claro que existem muitas formas de encarar a sexualidade e aquela que o Daniel defende não serve a todos. As pessoas devem ser livres de decidir quais os conteúdos da educação sexual dos seus filhos. Em particular, um católico tem todo o direito de não expôr os seus filhos à ideologia do preservativo, tal como tem todo o direito de não o expôr ao ateísmo ou a outra qualquer ideia que considere desadequada.
Aliás, eu quero ver o que o Daniel vai dizer quando sairem os conteúdos desta fantástica disciplina (se é que a coisa vai para a frente). Aposto que as temátias LesBiGayTrans vão ser um bocadito marginalizadas. Será que isso é correcto? Será que todos os estudantes devem ser expostos à ideia de que a relação padrão é a relação heterosexual? Pois eu não duvido que esta é a ideia que vai ser transmitida na generalidade das escolas. Alguém duvida?
Afixado por: Joao Miranda em fevereiro 9, 2004 01:20 PMO Estado define os conteúdos do que se ensina nas escolas públicas, ou não? Se Mariana Cascais quer ensinar os adolescentes a melhor forma de serem infectados pelo SIDA, faça nas escolas católicas, pagas pelos próprios. O Estado democrático decide do conteúdo das aulas que ensina e que paga. Que João Miranda, que é contra a existência de qualquer função do Estado, seja contra esta ideia, não mes espanta.
Afixado por: Daniel Oliveira em fevereiro 9, 2004 01:37 PMHá quem ache que filhos são propriedade dos pais. Barro para moldar à sua imagem, ou aquela que idealizaram para si mas que nunca conseguiram atingir. Talvez porque são humanos, demasiado humanos... mas os seus filhos serão perfeitos e atingirão o reino dos céus.
Afixado por: viana em fevereiro 9, 2004 02:10 PMParafreseando João Miranda, parece-me claro que existem muitas formas de encarar a vida na Terra, e aquela que a biologia defende não serve a todos. Logo, que não se ensine a teoria da evolução.
Mas eu até concordaria com o João Miranda, se ele fosse tão liberal como quer parecer. Não me importaria que nas aulas de educação sexual se ensinasse aos miúdos que a forma mais segura de evitar as doenças sexualmente transmissíveis é a abstinência. O que não admito, é que lhes ensine que essa é A ÚNICA forma, e que não se lhes ensine OUTRAS formas de evitar essas doenças. O que não acho admissível, é que se lhes ensine o método das temperaturas, mas não se lhes ensine o que é uma pílula.
Na prática, porém, por detrás do liberalismo do João Miranda esconde-se de facto uma ditadura. O que se pretende, é proibir-se os miúdos de aprender certas coisas. Coisas que seria importante que eles soubessem.
Afixado por: Luís Lavoura em fevereiro 9, 2004 02:37 PMA educação sexual a meu ver deve ter sobretudo o cuidado de informar, informar com verdade, sobre tudo: doenças, métodos contraceptivos, práticas sexuais etc.. sem dizer isto é bom ou isto é mau, apenas isto existe. Depois cada um sabe de si, e os pais que opinem.. mas com a falta de informação que há hoje, continuaremos a ter records de mães adolescentes e de infectados com SIDA. Quanto à Marina, não há vagas no Magalhães Lemos é? Por isso a puseram no governo?
Afixado por: Boss em fevereiro 9, 2004 03:20 PMA digníssima Secretária de Estado da Educação senhora doutora Mariana Cascais deve requesitar os serviços da Disney para dar educação sexual nas escolas.
Afixado por: Branco Velho em fevereiro 9, 2004 03:30 PMEsta senhora não é a que afirmou que o Estado português tinha religião oficial?
Afixado por: Manel em fevereiro 9, 2004 03:44 PMO estado não tem o direito de impor um modelo de educação sexual?!?!???!
Então quem o fará??
É por causa de utopias deste género que pura e simplesmente nem sequer há qualquer tipo de modelo de educação sexual em Portugal.
O Daniel não me explicou como se decide o que é que o estado deve ensinar nas escolas. Será que é democraticamente? Como? A maioria decide e a minoria obedece? Quer isso dizer que se a maioria decidisse uma barbaridade qualquer o sistema de ensino devia, em unissono, ensinar essa barbaridade?
O Daniel ainda não apresentou solução para este problema. Existem muitas questões sobre as quais não existe verdade estabelecida (o que quer que isso seja) e para as quais o debate está em aberto, quer entre especialistas, quer entre não especialistas. Aliás, qualquer matéria científica está sempre em aberto por definição de científica. Como é que o estado decide nestes casos? Por maioria? A maioria agora é critério de verdade?
Afixado por: Joao Miranda em fevereiro 9, 2004 03:52 PMO Estado não é neutro. É ele que decide não ensinar o criacionismo nas escolas, que decide elogiar o sistema democrático de governo, promover a participação civica, etc. O Estado, dirigido por gente que nós elegemos, decide e eu, tu ou qualquer cidadão apoia ou contesta. A democracia é isto. Neste caso, eu conbtesto. Eu contesto e tu não dizes o que achas porque achas que o Estado não deve decidir nada. Assim, o nosso debate torna-se dificil.
Afixado por: Daniel Oliveira em fevereiro 9, 2004 04:16 PM
1) O Estado é neutro, sim senhor. E é mesmo por
ser neutro que pode "elogiar" a democracia mas
não pode fazer a propaganda do socialismo ou do
liberalismo.
2) O Estado ser neutro não implica que considere
a religião e a ciência como abordagens
igualmente válidas da realidade. O Estado pode e
deve promover o pensamento crítico e científico,
daí ensinar a evolução mas não o criacionismo.
3) O Estado ser neutro não significa que deva
abter-se de fornecer aulas de Educação Sexual,
pelo menos enquanto persistirem problemas graves
de saúde pública como a SIDA ou as gravidezes
adolescentes.
Caro João, a disciplina de educação sexual como qualquer outra não pretende a difusão de modelos, mas a divulgação de informação. É bastante simples esta ideia. Ninguém tem que se sentir marginalizado. O João apenas confunde modelo de educação sexual com modelo sexual.
Agora pôr a educação sexual no mesmo saco da religião é prosaísmo. O estado não tem que divulgar qualquer informação relacionada com a religião, excepto num contexto histórico, o que está a cargo da disciplina de história. O que eu quero dizer é que ter uma disciplina de religião é uma palhaçada, uma inutilidade, uma perda de tempo e de dinheiro. Defendo ainda que as aulas de educação sexual tenham um carácter obrigatório, diferente do carácter que tem a disciplina ligada à religião, que pode ser substituída por uma disciplina de ligada aos computadores. Sou ainda a favor que essa disciplina não seja apenas ligada à educação sexual, mas também tenha uma componente de primeiros socorros.
Não concordo com o Tiago em que uma disciplina de religião seja uma inutilidade. Pelo contrário, aprender um pouco sobre as diferentes religiões, é uma muito útil forma de cultura. Se as pessoas conhecessem melhor as diferentes religiões, certamente que aprenderiam também a aceitar-se mutuamente melhor.
Afixado por: Luís Lavoura em fevereiro 10, 2004 09:55 AMO primeiro comentário do João Miranda é das coisas mais reaccionárias que já li.
Ou seja, em seu entender:
1. Os filhos são propriedade dos pais.
2. Ao ponto de estes terem o direito de lhes impedir o acesso ao conhecimento.
Entre isto, os fundamentalistas islâmicos e os judeus ultra-ortodoxos, a diferença é pouco mais que zero.
Afixado por: Pedro Sá em fevereiro 10, 2004 11:23 AM"Em particular, um católico tem todo o direito de não expôr os seus filhos à ideologia do preservativo, tal como tem todo o direito de não o expôr ao ateísmo ou a outra qualquer ideia que considere desadequada."
João Miranda! Se você não fosse tão deprimente teria com certeza muita píada!
Para evitar criticar todos os seus comentários (que levaria muito tempo e você não o merece!) escolhi esta sua frase que sumaria tudo! A começar pela sua saúde psíquica:
MAS QUE RAIO É A IDEOLOGIA DO PRESERVATIVO!?
Na minha terra uma ideologia é um conjunto de ideias e convicções sociais, filosóficas, políticas, económicas e ideológicas segundo as quais se pretende moldar a sociedade! Coisas como o liberalismo ou o socialismo. Agora, o que o preservativo tem a ver com isto? Ultrapassa-me!
A não ser que o senhor se esteja a referir ao preservativo como ser social e lhe atribua um conjunto de ideias e um modo característico de pensar. E isso não me parece muito saudável! Não quero viver num mundo governado por preservativos usados, já bastou o Salazar e o Hitler!
Mas tergiverso! A questão essencial é que, sim senhor, a gente respeita a sua visão liberal do mundo, mas! Uma pessoa não é propriedade de ninguém!! E muito menos são os filhos propriedade dos pais se não, qualquer dia legaliza-se, em portugal, o tráfico de escravos (e o senhor gostava, não?). Lá pelos pais não quererem que o filho contacte com "ideologias" preversas como o ateísmo ou quiçá, piores, tais como a "idedologia" do atum, ou (nem quero dizer) a tenebrosa "ideologia" do funcionário da repartição das finanças! (ui, que medo!)
Lá estou eu outra vez! A questão central é que os pais não podem negar aos filhos o acesso à educação e ao conhecimento! Nem os pais, nem o estado! Se vamos ter educação sexual nas escolas, espero que seja feita correctamente e para todas as pessoas! Já estou farto de hipocrisia e de "ideologias" ridículas como o sexo bom é depois do casamento e com parceiros do sexo oposto! Não quero viver num estado em que ensinem às crianças o método das temperaturas e não lhes expliquem o que é a pílula, ou que não incluam a temática da homossexualidade no programa!