«A cannabis pode ser manipulada e tornar-se numa droga dura, usando esta terminologia, é uma planta ainda pouco estudada, portanto não pode nem deve ser usada para fins médicos». Fernando Negrão, sobre uma proposta de autorização de utilização de cannabis ou seus princípios activos para aliviar a dor de doentes terminais.
Saberá Fernando Negrão que grande parte dos medicamentos são à base de drogas ilegais, quase todas bastante mais perigosas que a cannabis? Lembra-se da morfina, usada exactamente para doentes terminais? Saberá que esta lei está em vigor no Canadá, na Holanda, em seis estados dos EUA (por referendo - o da Califórnia foi o mais votado na história dos EUA e as sondagens dizem que a medida tem o apoio de 80% da população), Reino Unido (em que uma empresa foi autorizada a desenvolver um medicamento, o santivex) e na Nova Zelândia (onde a legislação está a ser preparada)? Terá visto as "Invasões Bárbaras", um mau filme, mas muito instrutivo sobre o sofrimento de quem morre com dor prolongada?

Se é por falta de estudo, tenho aqui cinco links para Negrão: de um estudo do Senado canadiano; de outro da Câmara dos Lordes do Reino Unido; da GW Pharmaceuticals Plc, que tem a autorização do Governo Britânico para produzir um medicamento à base de cannabis; da revista científica The Lancet (para Neurologia); e do The New England Journal of Medicine.
Mas cuidado, são organizações perigosas. Tão perigosas como o editor do jornal da Faculdade de Psiquiatria de Havard. Todos eles acham que o cannabis consegue aliviar a dor em doentes terminais. Que a medida e aplica a pouquíssimos casos, casos em que as pessoas em causa vêem a sua qualidade de vida, de fim de vida, melhorada. Claro que é perigoso, porque cria habituação a longo prazo. O que para doentes terminais...
Fernando Negrão, em Setembro, achava que a medida era boa e queria até que o governo apresentasse uma lei para implementar esta medida. Hoje, perante os deputados do PP (mais preocupados com a moral e os bons costumes do que com o sofrimento concreto das pessoas) e ao lado de Manuel Pinto Coelho (um homem de negócios pouco recomendável que diz que os toxicodependentes são como talibãs) mudou de opinião. Não me espanta. Estamos a falar do homem que viu os meios de luta contra a toxicodependência reduzidos a quase zero sem abrir a boca.
Publicado por danieloliveira em | TrackBackComo vivo num dos Estados em que é «legal» o uso da cannabis, posso testemunhar que a minha vizinha, doente de qualquer coisa que não sei nem tenho de saber, está feliz. Aliás, está o prédio todo. Mais, eu que não serei muito doente, também estou. Este modelo de Portugal tonto e ignorante é uma porcaria.
Afixado por: Antonio em fevereiro 11, 2004 05:05 AMFalta de estudos? Há imensos estudos! E se o estado pagasse ainda havia mais estudos!
Não faz sentido a cannabis ser ilegal e o tabaco e o alcool legais, ou é a moral do dinheiro? Como esses somos nós q os fazemos
Não é por nós fazermos tabaco e álcool - também podíamos plantar cânhamo, o qual se dá muito bem no nosso país, no qual aliás foi abundantemente plantado (no Ribatejo) durante a 2ª Grande Guerra, como material para o fabrico de cordas e cabos (cultura industrial). A proibição da cannabis - iniciada e imposta largamente pelos Estados Unidos - deriva precisamente de se tratar de uma planta que faz concorrência industrial a muitas coisas que dão muito lucro. Em particular ao algodão - pois o cânhamo pode ser cultivado praticamente em qualquer sítio, o algodão só em países quentes, como o Sul dos EUA. Faz também concorrência às fibras sintéticas na produção de cabos e cordas, prejudicando pois a petroquímica. E faz ainda concorrência a uma data de outras indústrias. Por tudo isso, há uma forte pressão para ilegalizar o cânhamo, alegadamente por causa das suas propriedades psicológicas.
Afixado por: Luís Lavoura em fevereiro 11, 2004 11:18 AMEsse Manel Pinto Coelho merecia um post só para ele, de tão brilhante que é.
Afixado por: STP em fevereiro 11, 2004 11:42 AMPois todos nós sabemos, que o Dr. Negrão sabe, que nós sabemos, que ele sabe, que o problema não está na cannadis, para os doentes em fase terminal. Mas que podemos fazer o Dr. Negrão está numa de durão...
Afixado por: zé escorpião em fevereiro 11, 2004 01:15 PMTal como Luís Lavoura afirmou, os motivos por detrás da ilegalização do cannabis nunca estiveram relacionados com a saúde pública, mas sim com interesse económicos dos EUA.
No início do séc. XX o governo americano pediu a um conjunto de especialistas um relatório sobre os efeitos do cannabis, tendo estes concluído que não representava uma ameaça para a siociedade e que em determinadas circunstâncias era até aconselhável o seu uso terapêutico.
Mas como na altura constituia uma das maiores exportações mexicanas e como os EUA pretendiam submeter a economia deste país à sua, nada mais simples do que proibir o seu consumo e plantação.
Afixado por: Bruno Ribeiro em fevereiro 11, 2004 02:53 PMA hipocrisia de novo.
Como eu abomino a hipocrisia...
Aliás sem o cânhamo os Descobrimentos portugueses (essa gesta tão nobre e globalista) não teriam acontecido por falta de cabos (cordas) para (o velame, etc. etc.) dos navios. Por conseguinte fomos ao longo da história grandes produtores de cânhamo.
Afixado por: antónio em fevereiro 11, 2004 06:16 PM
Toda a gente fala das propriedades terapêuticas da Cannabis, dos seus milhentos usos, potencialidades e benefícios, das conspirações capitalistas em torno da proibição da dita, mas sejamos francos:
- eu não quero ter esclerose múltipla para poder fumar uns charros legalmente e sentado confortavelmente num café;
- eu não quero utilizar Cannabis, para ter apetite (eu quero a fome química por tê-la fumado, quero essa magnífica gula induzida);
- eu não quero padecer de doenças várias ou de estar à beira da morte, para poder comprar um hash ou erva de boa ou muito boa qualidade.
- eu não quero emigrar para a Holanda;
- eu amo o clima de Portugal!
Além de falar das suas possíveis e mais que desejadas utilizações também não nos esqueçamos de falar dos seus usos recreativos!
É certo que nos torna um pouco preguiçosos, mas é uma planta tão simpática... tão divertida... tão bonita... tão... tão... Aí que me faltam as palavras!
Caro Daniel:
o sal também cria habituação a longo prazo e o seu uso excessivo ajuda a matar muita gente. É, de facto, uma substância muito perigosa e, por isso, também se recomenda o seu uso com moderação. O mesmo com a Cannabis!
Aproveito a ocasião para lhe elogiar o sentido de humor. Parabéns! Apesar de, às vezes, ser um pouco abespinhado em alguns posts e comentários aos comentários, o seu sentido de humor e algum sentido político faz-me esquecer as suas frequentes exaltações. Nada como fumar um charrito e ler alguns dos seus posts mais inspirados!
Afixado por: Miguel em fevereiro 11, 2004 10:51 PMNa verdade o que acontece é a falta de estudios do camarada que diz uma asneira destas.
Afixado por: Marco Gracie Imperial em fevereiro 24, 2004 10:47 PME se o mundo não funcionasse à base da hipocrisia e sustentado pela gula monetária?
Isso seria uma desgraça para os proibicionistas porque no dia a seguir estavam com cannabis semeada até ao quintal.
Não existe outra planta com tantas utilidades. Até o canivete suíço cora de vergonha ao olhar de soslaio para a cannabis.
Na vertente industrial já começou o advento, por isso prevejo o seu ressuscitamento económico para breve, como não poderia deixar de ser. Mais cedo ou mais tarde ela voltaria. E há-de voltar também na sua vertente recreativa, porque o seu uso não é MENOS perigoso do que o álcool.