fevereiro 12, 2004

Foi do vinho, meu Deus, foi do vinho

O Luciano escreveu uma vez, referindo-se a Harold Bloom, que todas as celebridades intelectuais chegam inevitavelmente à idade "n'importe quoi". Mais ou menos isto – foi na idade pré-blogosférica, de forma que vocês terão de confiar na minha palavra.

Pois bem, é com tristeza que vejo a idade da baboseira chegar ao historiador Timothy Garton Ash. O artigo dele hoje no Público, uma crónica futurológica passada em 2009, é já um sintoma claro. Comenta a explosão de uma mini-bomba nuclear em Paris, lançada por duas irmãs muçulmanas radicalizadas pela proibição do véu, com o saldo de 100 mil vítimas. Aparentemente, dá para entreperceber que a intenção é culpar Bush e Chirac pelo estado da comunidade internacional, ao mesmo tempo que se salva Blair. Uma missão delicada, de facto só possível com os efeitos especiais de uma mini-bomba nuclear na margem esquerda do Sena.

Garton Ash é um excelente historiador especialmente conhecido por ter iniciado a disciplina da "História do Presente". Hoje deu o primeiro passo em direcção à "História Tablóide do Futuro".

«Nenhum de nós esquecerá a fotografia da estátua de Balzac por Rodin, pairando, como se apanhada numa dor torturada, sobre os corpos meio desmembrados mas reconhecíveis de um jovem casal no "boulevard" Raspail»

O título é uma pergunta à Durão Barroso – De quem foi a culpa? – e merece uma resposta à Durão Barroso – a culpa é tua e do que andas a tomar.

Publicado por ruitavares em | TrackBack
Comentários

Custa assim tanto ao Rui perceber que o combate aos radicalismos e fundamentalismos islâmicos e outros (como o racismo e xenofobia proclamados pela extrema-direita) não deve dar azo a que se tenha receio das ameaças vindas desses radicais. Essas ameaças são a prova de que os fundamentalismos nada têm que ver com a defesa de valores humanistas...

Afixado por: Peixoto em fevereiro 12, 2004 09:53 AM

custa tanto assim ao peixoto ler os textos que uma pessoa escreve antes de os comentar? custa tanto perceber que fazer um texto de prospectiva política que começa logo com uma mini-bomba nuclear no centro de paris, 60 mil mortos e casalinhos de namorados trucidados aos pés do balzac de rodin é chantagem intelectual e sensacionalismo?

Afixado por: rui tavares em fevereiro 12, 2004 04:58 PM

Ó Rui, desculpa lá, isto é só daqueles comentários idiotas a dizer «muito bem, apoiado, bravo». Tens toda a razão, o artigo é uma vergonha. (Embora o TGA tenha nos últimos tempos gasto tanta tinta para fazer propaganda descarada e realmente pouco séria pelo Blair que não sei se merece os elogios todos).

Afixado por: Ivan Nunes em fevereiro 13, 2004 12:23 AM
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