janeiro 31, 2005

As contas

Diz-se que votaram 60% dos iraquianos. Estou confuso. Há 27 milhões de iraquianos, o que deverá corresponder a 20 milhões de adultos. Votaram oito milhões. Ou seja, os 60% ou 70% que votaram só podem, mais coisa menos coisa, corresponder apenas ao universo de 14,5 milhões que estavam registados. Como é normal, quem não tencionava votar nem sequer se registou. Ou seja, terão votado pouco mais de 40% dos iraquianos que teriam, numa situação normal, direito a voto.
Isto tudo, esquecendo o facto de, e esse é que foi várias vezes referido como um problema central para o futuro do Iraque, a esmagadora maioria dos sunitas ter ficado de fora do acto eleitoral e da representação política. E esquecendo o facto de não haver praticamente jornalistas nas zonas sunitas. E de não haver observadores internacionais no Iraque. Estão a observar de longe, na Jordânia. As eleições foram acompanhadas por iraquianos treinados por eles, mas sem nenhumas garantias de independência. Dantes, em qualquer outro país, ninguém daria um chavo por estes números. Mas, no Iraque, o que interessa é cantar vitória.

Publicado por danieloliveira em
Comentários

Caro Daniel Oliveira,
Tanto primitivismo de análise aproxima-o dos seus "primitivos ódios" de estimação , ou seja George W. Bush. Já lá dizia o outro : "os extremos tocam-se "
Cumprimentos

Afixado por: António P. em janeiro 31, 2005 05:05 PM

Mesmo que os seus números estejam correctos, é um acto eleitoral com o participação muito significativa para um país que vive sobre a ameaça do terrorismo.
Também fui e sou contra a invasão do Iraque, mas já que o mal está feito seria bom que o país estabilizasse o mais rápido possível.
A ideia de quanto pior correr aos americanos melhor, revela uma grande insensibilidade para com o povo iraquiano, que precisa de ter o seu país a funcionar para poder prosperar

Afixado por: Roberto Reis em janeiro 31, 2005 05:10 PM

Daniel,

Espero que ainda vás a tempo de corrigir este post. Devias ter feito uma pesquisa no Google antes de tentares adivinhar quantos adultos teria o Iraque. Tal como muitos países árabes o Iraque tem uma população extremamente jovem, cerca de 40% dos 26 (?) milhões de habitantes têm menos de 14 anos, ou seja cerca de metade dos iraquianos têm menos de 18 anos. Portanto, no Iraque haverá apenas cerca de 13 (no máximo, 15) mihões de pessoas com idade para votar.

Afixado por: viana em janeiro 31, 2005 05:51 PM

então


~poder votar não é bom daniel??

Afixado por: sergio em janeiro 31, 2005 06:02 PM

Se o povo não faz aquilo que queremos mude-se o povo.
Agora a sério oh Daniel que tal uma manobra de retirada estratégica e deixar de falar do Iraque ?

Afixado por: Observador em janeiro 31, 2005 06:03 PM

Qual é a sua fonte para os 27 milhões de iraquianos, e para os 20 milhões de adultos? Segundo a CIA, a população estava estimada em 25 milhões, há um ano atrás, dos quais 40% (10 milhões) na faixa etária entre os 0 e os 14 anos.

Afixado por: Paulo Almeida em janeiro 31, 2005 06:11 PM

Essa inevitável tendência de "achar" para lá dos números faz-me lembrar as desculpas esfarrapadas do BE em 1998, no referendo sobre o Aborto, para justificar aquilo que não aceitam, até hoje, como uma decisão democrática... Arrogância política? Traços de ditadura? Acho que lhe chamam "superioridade moral"!

Afixado por: Miguel Nascimento em janeiro 31, 2005 06:34 PM

Só os "crentes" e ele á fé para tudo, é que acreditam que umas eleições como estas, com listas feitas pelos americanos e seus aliados, sem campanhas e fechadas a observadores independentes (o que prova que ainda não era o momento ideal) vai resolver o problema. Infelizmente para os iraquianos, os seus "libertadores" vão continuar por muito mais tempo, a torturá-los e a assassiná-los (em nome da SUA civilização e da SUA liberdade.

Afixado por: luis-martins em janeiro 31, 2005 07:00 PM

Claro,sem mais,chamar a isto eleicões democráticas é no minímo uma santa ignorância,só os ignorantes é que comem mais uma grande Mentira do Bush,conseguem ser cegamente manipulados.Mais ainda, foram eleições para eleger um poder ou governo étnico e não um regime político.Toda a gente sabia a priori que os Xiitas, cerca de 80% da populção iria votar...é triste este pensamento único ocidental,só não vê quem não quer...

Afixado por: Joao em janeiro 31, 2005 07:25 PM

Sr. Daniel Oliveira é normal a sua posição sobre as eleições no Iraque, pelo que consta os Leninistas e os Estalinistas nunca gostaram lá muito de eleições

Afixado por: andrebond em janeiro 31, 2005 08:28 PM

Este João que faz parte da escola do daniel já começou a delirar.
E a armar em xico esperto!!! pobre ignorante... mas já sabia tudo, não só ele como toda a gente.
E os jornalistas destacados, andaram a mentir-nos este tempo todo...
Agora o Daniel inventa números. O não saber, para ele, não tem qualquer importância, avança como cão por vinha vindimada a inventar cenários.
O que importa é que le, ao menos, acredite, nas próprias baboseiras.


Afixado por: pirolito em janeiro 31, 2005 08:42 PM

Este post é ridículo e ressabiado.

Afixado por: Filipe Alves em janeiro 31, 2005 08:51 PM

deixe lá, toda a gente já percebeu que esta é uma semana de luto para o BE...

Afixado por: portugal_liberal em janeiro 31, 2005 09:22 PM

Ó Daniel,
Face aos comentários até agora publicados parece que :
- convém estudar melhor os números;
- deixar de falar do Iraque;
- deixar de ser tão primário nas análises;
- e concentrar-se na campanha do BE que também não vai brilhante, basta ver as entrevistas do sempre puro "leader" Louçã ( na "Sábado" e hoje na RTP ).
Cumprimentos

Afixado por: António P. em janeiro 31, 2005 11:01 PM

O Daniel Oliveira já tinha uma pilha de comentários para publicar caso as eleições corressem mal.
Se houvesse violencia. Sangue. Muita morte.

As coisas não saíram como planearam. Azar.

Ao fim de dois dias sai um post destes….Incrível! Um blogue ,dos que mais falou da guerra do Iraque ,nem um único post posterior às eleições faz.
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Para pensar…para quem ainda tem duvidas!

Afixado por: Plus em fevereiro 1, 2005 12:11 AM

Quando uma mulher do Porto desafiou Louçã para o lugar de Rui Rio na Câmara da Invicta, lá no canto da TV viu-se um brilho nos olhos do Daniel - " é a minha hora...".
Todos achamos realmente que o revisionismo de Louçã estava um bocado murcho.

Afixado por: Real em fevereiro 1, 2005 10:11 AM

Vê-se neste comentários que há quem veja a democracia como um religioso vê Deus, que a democracia é a luz ao fim do tunel, que é o modelo perfeito para qualquer país. Eu discordo, a democracia implica haver liberdade, informação, educação, que as pessoas possam analisar em consciência o que querem, se isto não existir, não consigo destinguir uma democracia de uma ditadura, basta ver o que existe na America latina, ou em Angola. Por isso não entendo a euforia de haver eleições num país, que morrem dezenas de pessoas todos os dias, quer por fome, quer devido à guerra. Um estado que se encontra destruído.
Que significado teem estas eleições, não sei, mas sinceramento, para mim teem pouco.

Afixado por: Telmo em fevereiro 1, 2005 11:24 AM

Os números ainda não são rigorosos mas:
o Iraque *NÂO* tem 27 milhoes de habitantes e *NÃO* tem 20 milhoes de eleitores!!
As estimativas disponíveis apontam todas para um máximo de 15 milhoes de eleitores (incluindo os residentes no estrangeiro).
Assim, explique-me lá como é que "terão votado pouco mais de 40%..."!
Como antevejo grandes dificuldades em tal tarefa, que tal dizer apenas: "8000000 de pessoas fizeram questão de votar apesar de ameaçadas de morte!" ou talvez: "apesar das ameaças, Iraquianos votam mais que Portugueses!".
Essa visão retorcida até faz confusão, ó Daniel!
:-P

Afixado por: jotave em fevereiro 1, 2005 11:36 AM

Eleições democráticas? Eleitores recenceados? Jornalistas presentes? Nahhhhhhhh nada disso há no Iraque!!!!
Só há em Cuba, China e quiçá na Coreia do Norte.
Só não vê quer quer.
Os tiques do pensameto único mais fascista que os próprios nunca vos largarão.

Afixado por: Bolinhas em fevereiro 1, 2005 12:01 PM

Tiveram a oportunidade de votar.
Experimentaram um pouco de democracia.
E esperemos que na próxima ainda votem mais.
Que pena os que sauditas, os sírios, os líbios, os norte-coreanos, os chineses, os cubanos (só para mencionar alguns) não possam também escolher os seus governantes.
O ideal era que todos os povos do mundo o pudessem fazer (sem intervenções militres estrangeiras, nem grupos terroristas).

Afixado por: Marco Oliveira em fevereiro 1, 2005 02:41 PM

Claro que para um Bloquista, a expressão democrática de um povo não é importante. Não nos podemos esquecer que os exemplos históricos para estes senhores, até à queda do muro eram os regimes da Europa de Leste e principalmente o fantástico regime de Enver Hoxha na Albânia. Eu ainda me lembro dos célebres textos do dirigente máximo do PSR (agora cautelosamente disfarçado de democrata) Francisco Louça, onde ele exortava o fantástico exemplo da Albânia, essa terra prometida. Pois é caro Daniel, é uma chatice haver eleições, não é?

Afixado por: Miguel em fevereiro 1, 2005 06:27 PM

As eleições no Iraque foram uma grande derrota para os terroristas!

Óptimo!

Afixado por: raiva em fevereiro 1, 2005 11:02 PM

Em Portugal, graças à seriedade e credibilidade dos políticos nacionais, a abstenção será superior à ocorrida no Iraque.
Ainda assim e em especial por terem corrido os riscos que correram, os iraquianos mostram um sinal fortissimo da direcção que querem seguir.

Afixado por: Cilício em fevereiro 2, 2005 12:06 AM