fevereiro 20, 2004

É Carnaval ninguém leva a mal

Estou a ver a conferência de imprensa de Durão Barroso e pergunto-me: é de Portugal que ele está a falar? Está a falar de 2,8% de défice. Está a fazer uma festa e garante que as receitas extraordinárias não têm mal nenhum. Ok, somos todos idiotas e achamos que houve mesmo 2,8% de défice e achamos que as receitas extraordinárias duram para sempre e achamos que as finanças públicas estão equilibradas. É Carnaval, estamos por tudo.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

Daniel,

Que despesas achas que o estado deve cortar?

Afixado por: Joao Miranda em fevereiro 20, 2004 01:54 PM

Independentemente das despesas que o Estado deva ou não cortar, tem a obrigação de apresentar contas públicas transparentes, verdadeiras e honestas. Desorçamentar, vender património para cobrir o deficit, transferir despesas de um ano para o outro, etc. são manobras para atirar areia para os olhos, falsificar as contas.

Afixado por: Luís Lavoura em fevereiro 20, 2004 02:20 PM

Então? agora também não? O Barnabé é ou não é um serviço público? (eheheehehhe)

http://jornal.publico.pt/2004/02/20/EspacoPublico/O01.html

Afixado por: Joseph Saint-Simon em fevereiro 20, 2004 02:21 PM

Dito de outra forma:

Histórias de embalar

À hora de almoço, contadas por Durão Barroso com base num texto de Manuela Ferreira Leite. Grátis, aqui.

Afixado por: Irreflexões em fevereiro 20, 2004 03:05 PM

Joseph,

Irei escrever (espero que este fim de semana) mais longamente sobre Santana. Guardo os links para lá.

Afixado por: Daniel Oliveira em fevereiro 20, 2004 03:22 PM

Dá-se uma voltinha no Banco de Portugal, on line, e percebe-se logo qual o preço do déficit.

Afixado por: Pedro Lima em fevereiro 20, 2004 05:04 PM

Dizer para o ar "Dá-se uma voltinha no Banco de Portugal, on line" é daquelas frases que não significam nada. O site é enorme, tem imensos recursos e imensa informação. Quer concretizar onde? Eu posso-lhe retribuir com a localização das consequências de prever 1,1% e concretizar 4,2% de déficit mas continuar a dizer que o déficit está a ser cumprido. E também lhe posso retribuir com declarações do governador a apoiar a actual política orçamental.

Afixado por: Bruno em fevereiro 20, 2004 05:26 PM

O Daniel parece ter grande dificuldade em perceber o alcance de Portugal ter um défice inferior a 3% do PIB e respeitador dos critérios do PEC...
Não deve entender do que é feita a política económica externa, nem tão pouco deve perceber como se pode transmitir a confiança aos agentes económicos nacionais e internacionais.
Em vez disso, prefere criticar o cumprimento de uma promessa eleitoral.

Afixado por: Peixoto em fevereiro 20, 2004 06:08 PM

Peixoto, Portugal não tem um défice inferior a 3%. Só porque o governo aldraba a União Europeia, não temos todos de fingir que acreditamos, ou temos.

Afixado por: Daniel Oliveira em fevereiro 20, 2004 06:11 PM

Caro Bruno, não me expliquei bem.Estamos a ler as mesmas coisas no mesmo site, o do Banco.
Como é evidente a qualquer pessoa honesta o déficit de 3% é uma falácia.

Afixado por: Pedro Lima em fevereiro 20, 2004 07:42 PM

Daniel, pode afirmar que não concorda com a utilização de receitas extraordinárias na redução do défice. Agora, dizer que o défice de 2003 não foi inferior a 3% do PIB não me parece nada razoável.
Aliás, seria bom que se fizesse uma analogia com os orçamentos mensais das famílias portuguesas: por vezes, também nós, em nossas casas, temos que arranjar receitas extraordinárias (trabalhando horas extras ou fazendo algumas poupanças com que não contávamos) para equilibrar as contas mensais. Ora, o que se fez em 2003 foi algo parecido, estratégia essa acompanhada doutras medidas (diminuir despesas supérfluas, cortar no investimento público de menor importância, conter os salários na função pública, reformar a administração pública, extinguir serviços públicos obsoletos, etc.) para equilibrar as contas do Estado...

Afixado por: Peixoto em fevereiro 20, 2004 07:46 PM

Peixoto,

Não sei como são as suas horas extraordinárias, mas eu, por mim, nunca me lembro de ter que pagar juros por ter feito umas horitas...

Os 3% são também isso. A venda das dívidas fiscais ao Estado por menos 200 milhões de euros do que o preço mais baixo recomendado pelo ISEG, ou, por outro lado, o incrível empréstimo que o Ministério da Saúde pediu ao Totta, em Dezembro, para poder pagar a dívida às finanças - dinheiro esse devolvido logo que se iniciou 2004.

A falácia dos 3% é isso mesmo. Não melhora a economia e compromete o nosso futuro.

Afixado por: Pedro Sales em fevereiro 20, 2004 08:41 PM

Sr. Daniel gostava de o informar que quem fez aquela comunicação foi o Pinóquio mascarado de Durão Barroso e quem estava a seu lado era a madrasta da Bela Adormecida disfarçada de ministra das finanças. Estamos no carnaval, vivam os papelinhos e serpentinas.

Afixado por: Branco Velho em fevereiro 20, 2004 09:34 PM

Sales, como é que o rigor orçamental compromete o nosso futuro se pode servir de incentivo à entrada de mais e melhor investimento estrangeiro em Portugal, para além de servir de aviso ao próprio país para não se fazer o que se fez no tempo do Guterres: gastar em tempo de vacas gordas, para depois não ter poupanças em tempo de vacas magras...
O rigor, neste momento, era vital e necessário

Afixado por: Peixoto em fevereiro 20, 2004 09:40 PM

A prova concludente da falácia está na reacção de
Bruxelas e nas recomendações que já entendeu fazer e mais, nas previsões que também apontou e que não são nada optimistas. As engenharias financeiras fonte do recurso deste executivo não
são tão perfeitas quanto os seus autores pensam.

Afixado por: congeminações em fevereiro 20, 2004 09:40 PM

Vai para casa peixoto, já chateias!! Custa-te muito perceber por que é que este déficit é uma falácia e prejudica gravemente a economia portuguesa!
Irra, das duas uma, ou és intelectualmente disonesto ou então és BURRO!
Não sei porquê mas inclino-me sobre a primeira... Estes gajos de direita, ai, ai...

De qualquer forma, no caso de seres a segunda hipótese, vou fazer uma analogia muito simples que até um garoto da primária entende.

Imagina és um operário numa fábrica de qualquer coisa que tu queiras, mas que fica longe de tua casa e, todos os dias, pegas no teu fiat uno e zarpas pro emprego.
Imagina também que vives modestamente e estás muito mal de finanças e não consegues pagar a casa a menos que peças um novo empréstimo ao banco que, provavelmente, e com alguns sacrifícios, conseguirias pagar. Mas, acontece que és ministro das finanças de Portugal e, por isso, em vez de pedires o empréstimo decides vender o carro com o qual te deslocas todos os dias, e já não mandas o teu filho para a universidade. É certo que acabas de pagar a casa, mas ficas sem poder ir trabalhar e o teu filho já não vai ser doutor.
Ora isto é mais ou menos a política da Manuela Ferreira Leite, vamos privatizar todas as empresas públicas e se possível as escolas e hospitais, vamos parar de investir e começar a vender património, vamos congelar salários, etc. Talvez consigamos manter o déficit controlado, mas vamos acabar por lixar o país todo. Para equilibrar as finanças, compromete-se o desenvolvimento, dando origem a um atraso cada vez maior em relação aos outros países da U.E.

Afixado por: _achtung<- em fevereiro 20, 2004 11:14 PM


Cumprimos o défice nem que para isso morramos todos de fome. Essa é a lógica da dupla Barroso/Ferreira Leite. Manda o bom senso que perante um estado destes, este governo tivesse os dias contados, mas os estados maiores dos partidos de esquerda não sabem falar com as pessoas. Quando chegar a altura das eleições legislativas sempre quero ver os coelhos que a maioria vai tirar da cartola.

Afixado por: Andropov em fevereiro 21, 2004 12:39 AM

O Peixoto pergunta "como é que o rigor orçamental compromete o nosso futuro"?

Na tua pergunta está a resposta. Esta obssessão pelo défice não tem nada a ver com rigor. Retira as receitas extraordinárias - que em nada alteram a natureza qualitativa da nossa economia - e o défice será de 5% - mais do que com o Guterres.

Podemos cortar nas despesas do Estado quase até ao infinito, mas, se ao mesmo tempo as receitas caírem a um ritmo superior, continuaremos com piores contas públicas. Com piores contas públicas e com mais 120 000 desempregados. É este o saldo de dois anos de governo da "tanga". Chamas a isto rigor?

Afixado por: Pedro Sales em fevereiro 21, 2004 02:08 AM

Estes Barnabés andam a ver muitos filmes de terror...
Agora, voltam a ver fantasmas na política de privatizações e na venda de património que só dava despesa. Não gostam que se acabem com serviços do Estado obsoletos e sem interesse.
Ainda por cima, não sabem contextualizar a época em que vivemos, onde há dois anos uma crise económica afectou todo o mundo e se exigia rigor orçamental, pois as reformas estruturais só dão resultados a longo prazo...
Enfim, não há nada a fazer: é a esquerda no seu estado mais puro, radical e, nalguns casos, sem o mínimo de educação!

Afixado por: Peixoto em fevereiro 21, 2004 01:04 PM

No governo anterior é que era bom! Não havia cá conversas de défice, de apertos de cinto, de contenção...
Este governo está, obviamente, a governar com o único intuito de nos chatear e empobrecer, porque não quer por nós ser reconduzido nas próximas eleições.
Faz sentido?

Afixado por: Alfredo Vieira em fevereiro 21, 2004 02:26 PM

Alfredo Vieira, A sua argumentação impede qualquer crítica a qualquer governo. Como se sabe, eles estão nisto apenas para o bem do país (e dos boys e girls que as Cardonas conseguem empregar, claro).

Em todo o caso, e se o intuito do governo não é empobrecer-nos, convém dizer que estão a imitar bastante bem. Quando o governo tomou posse, o PIB português era 67% da média europeia e, em dois anos apenas, desceu quase 3% - para pouco mais de 64%. Como para este ano, todas as previsões indicam que vamos crescer metade da média da UE...

Afixado por: Pedro Sales em fevereiro 21, 2004 03:07 PM

O comentário era irónico. É que as pessoas não se preocupam com a gestão do país, preocupam-se com a cor política dos gestores.
O mais triste é que os gestores não prestam, independentemente da sua cor. E para mudar esse estado de coisas não vejo muitas movimentações. Vejo os anteriores a criticar os actuais, que criticarão por sua vez os subsequentes. Criticam com base na demagogia bacoca do imediatismo.
Sabe, não gosto muito do efeito da Manuela Ferreira Leite no meu bolso, o meu poder de compra vai caindo vertiginosamente, e ainda não há sinais de retoma, pelo menos na minha conta bancária. Sei, porém, que ela quer equilibrar as coisas, está a olhar para o futuro, sabe que não verá os efeitos das suas políticas na sua governação, não é sofista ou demagoga, já que ninguém vai ficar a gostar dela, e os recursos para ela não ultrapassar o défice são conhecidos de todos. São pensos rápidos para ganhar tempo. Mas pelo menos ela está a tentar fazer a cirurgia nos bastidores, contra uma constituição retrógrada, contra institutos de protecção dos dados, etc..., para ficarmos um dia, quem sabe, independentes das privatizações, finitas por definição.
Oxalá ela seja tão competente quanto determinada, caso contrário, continuaremos quase todos a sofrer nos próximos tempos.
Quanto aos boys, há-os em todo o lado. Os hospedeiros de parasitas não são unicamente os dois partidos elegíveis. Até admitir isso, qualquer discussão séria sobre o assunto é impossível.

Afixado por: Alfredo Vieira em fevereiro 21, 2004 05:23 PM

Ex.mo Sr. Peixoto, queira dar, por obséquio,um pouco da sua atençao ao seguinte:

A política de privatizações é possível porque interessa a quem compra e, quem compra ganha dinheiro com o negócio, se os nossos governantes e gestores nomeados não conseguem fazer lucro com aqueles serviços, deviam, perante a constatação da sua inadequação para boa gestão dos interesses públicos, obviamente, demitir-se.

Diz o Diário Digital, citado, de resto, pelo Barnabé; «O Estado português recebeu 1.765 milhões de euros por uma carteira de créditos que tinha um valor nominal de 11.441,4 milhões, ao passo que a Entidade avaliadora apresentou o valor de 1.951 milhões como o preço inicial mais «plausível», tendo em conta o cenário-base».

Os Serviços obsoletos não acabaram como pode ver-se no caso das últimas nomeações da Ex.ma Srª Ministra da Justiça, estão em franco desenvolvimento e fomento, ou não teria nomeado tão ilustres Directores.

Quanto à crise, ela existe de facto, que o digam as 120 000 pessoas e famílias afectadas, ( com crianças), desmpregadas desde o fim de 2001.

O Sr. Peixoto, vê alguma pessoa com grandes rendimentos a cair na penúria ?, uma só ?... vem isto a propósito do rigor invocado como necessário, para alguns, obviamente, porque segundo algumas fontes a evasão fiscal por ano em Portugal, leia-se, fraude fiscal, é de cerca de 1.500 milhões de contos.

Quanto ao futuro, Portugal, com reformas como as que correm, veria os monopólios mais bem consolidados, e os mais desfavorecidos do sistema cada vez mais dependentes daqueles.

Não se trata de terror em filmes mas de coisas reais.

Afixado por: Pedro Lima em fevereiro 21, 2004 05:58 PM

Caro Lima, deixe-me fazer-lhe as seguintes observações:
1. A maior parte das empresas que não dão lucro são precisamente aquelas que ainda não estão privatizadas, com excepção, talvez da TAP, para além de que as privatizações não são sinónimo de falta de qualidade dos serviços prestados. Mas, lembre-se que os gestores não devem ser avaliados apenas pelo lucro que conseguem, mas também pela qualidade dos serviços que as empresas que administram prestam à população.
2. Em relação aos créditos, lembre-se que mais vale 2 milhões de euros na mão do que 12 milhões contabilisticos a voarem.
3. A reforma administrativa em curso tem dado a conhecer serviços que apenas serviam para aumentar as despesas do Estado, sem prestar um serviço de interesse à população. Exemplos há muitos. O caso que apresenta, a ser verdade o que se diz, não passa de uma excepção que deve ser investigada.
4. O rigor não se calcula pela percentagem de pessoas de altos rendimentos que caem na penúria, mas sim pela capacidade do Estado gastar bem e de forma rigorosa.
5. Este é o Governo que abriu a possibilidade de se cruzarem dados das Finanças com os da Segurança Social, eliminado também o sigilo bancário em certos casos, para combater a fraude fiscal.
6. O desemprego, apesar de ser semre negativo, é, segundo os especialistas mais um fenómeno provocado pela crise internacional, do que pelas políticas governamentais.

Afixado por: Peixoto em fevereiro 21, 2004 06:47 PM

Caro Peixoto,
« empresas que não dão lucro são precisamente aquelas que ainda não estão privatizadas», precisamente.
«privatizações não são sinónimo de falta de qualidade dos serviços prestados», veja-se, por exemplo, quantos lugares desceu a Inglaterra depois das privatizações no sector da saúde, ou o aumento do número de acidentes com consequências muitas vezes fatais nos caminhos de ferro Alemães.
«qualidade dos serviços que as empresas que administram prestam à população»,
desconheço.

«mais vale 2 milhões de euros... », então o senhor pensa que quem comprou a dívida fica a perder ?,

rigor? para começar porque razão só foi feita a proposta a um concorrente o City Group ?, acha que um negócio de 11 000 milhões feito desta maneira, é exemplo de rigor?
É claro que depois de perder 8 000 milhões, tem de se cortar em alguma coisa;veja o preço deste rigor:Volumes de Negócios na Indústria cai 6.8% desde 2001,Índices de Produção Industrial cai,7.3% desde 2001.Conjuntura da Industria Transformadora queda livre desde 2001.Conjuntura à Construção e Obras queda livre desde 2001Indicadores de Confiança cai 2,4% desde 2001Capacidade Produtiva Industrial cai 1.5% desde 2001
Conjuntura no Comércio(actividades próximos 6 meses,(Grosso) cai 7% desde 2001
(Retalho) cai 12% desde 2001Emprego cai 1/3 desde 2001(Fonte Banco de Portugal)

«...cruzarem dados das Finanças com os da Segurança Social...», acredita realmente nisso?, porque é que ninguém foi preso ?!
«...desemprego,... provocado pela crise internacional...»
A taxa de desemprego na Zona Euro teima em não baixar dos 8,8 por cento pelo quinto mês consecutivo, revela hoje o departamento de estatística da Comissão Europeia, Eurostat.(03-02-2004)(PUBLICO.PT)
O desemprego aumentou de 4,1 % em 2002, para 7,2 % em 2003, bateram-se records de descida em dois anos consecutivos ao nível da UE. Isto tem mais que ver com a falta de investimentopor parte do estado do que com a conjuntura.


Afixado por: Pedro Lima em fevereiro 21, 2004 10:00 PM

Ok, caro Lima, você fica com a sua teoria de que a política governamental é errada e eu fico com a minha de que o Governo está a tomar as medidas correctas, pensando sustentavelmente no futuro...

Afixado por: Peixoto em fevereiro 21, 2004 11:47 PM
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