fevereiro 27, 2004

Aposta nas novas tecnologias

«Caros colegas,
O Governo acabou com o programa Internet nas Escolas e mandou cobrar a todas as Escolas o acesso à Internet. Se para escolas como a nossa isso não é muito grave porque esse acesso era já muito insuficiente, para escolas primárias ou outras com menos recursos e mais isoladas, isso pode fazer toda a diferença. Quanto a nós, vou mandar desactivar a linha, por isso peço-vos que passem a utilizar exclusivamente as novas contas de correio electrónico que vão no cabeçalho desta mensagem.»

Esta é a carta que os professores da Escola Secundária António Arroio receberam da direcção e que uma leitora, que lá lecciona, teve a amabilidade de nos enviar. Esperamos para ver se o caso é generalizado ou não. Se for, fica explicado o que entende o governo por aposta nas novas tecnologias.

Publicado por danieloliveira em | TrackBack
Comentários

É já evidente para toda a gente, ou pelo menos para quem tenha um mínimo de conhecimento da acção publica que a forma como este governo está a "resolver" a questão do défice é parando o país. Não têm conta os projectos estruturantes de investimento público, na área da qualificação dos cidadãos, da protecção social, do desenvolvimento local, da organização e modernização administrativa, etc. etc. Está tudo parado. Não há despesas, isto é, não há acção. Os técnicos estão parados para não haver despesas. Farão as pessoas ideia de como este governo estacionou o país? Mas a alguns níveis retrocede mesmo, como é o caso de uma área tão essencial como o acesso às tecnologias de informação e à difusão do seu uso. Ora, num país que tem o tecido económico que este tem, alguém acha que existe investimento privado em volume e qualidade neste país para criar por si só desenvolvimento? As empresas privadas neste país precisam do investimento público para criar ambiente económico saudável e dinâmica económica ao país, ou duvidam disso? Já não falo no investimento de natureza social do Estado. Mesmo numa perspectiva de liberalismo radical esta política é nefasta, porque num país com o nosso nível de desenvolvimento, também económico, não há capacidade da iniciativa privada, para por si só criar riqueza. Portanto, neste país é necessário ainda um investimento muito razoável por parte do Estado para criação de condições estruturais para "dar a volta" e criar o mínimo de estruturação (por exemplo ao nível de familiarização com as TIC)para que a economia funcione e ganhe dinâmica, para não falar já no papel social do Estado, ou ainda alguém acha que pode criar ambiente competitivo em termos económicos sem uma sociedade com nívies minimos, que seja, de coesão social?

Afixado por: Joseph Saint-Simon em fevereiro 27, 2004 11:48 PM

Esta carta é a forma mais despropositada de querer confundir a cabeça das pessoas. O que se passou é que o Governo alterou a forma de pagamento do acesso à Internet, concedendo essa responsabilidade às escolas, que recebem o dinheiro do esatdo para os seus gastos correntes. Na prática, o pagamento da Internet deixa de ser feito directamente pelo Estado para passar a ser feito directamente pelas escolas, mas à mesma com dinheiro do Estado...
Não são as escolas que "exigem" aumento de competências e aumento da autonomia?

Afixado por: Peixoto em fevereiro 28, 2004 12:31 AM

Peixoto, vou-me informar, mas do que ouvi a história é um pouco diferente. Tentarei saber. Por enquanto, ficou a carta.

Afixado por: Daniel Oliveira em fevereiro 28, 2004 02:33 AM

A ser verdade, só confirma a regra que para os nossos governantes o betão é mais importante do que as pessoas.

Afixado por: Pedro Santos em fevereiro 28, 2004 01:43 PM

Daniel, já te informaste? Desculpa a impaciência.

Afixado por: Ines Maya em fevereiro 29, 2004 12:58 AM

Nunca fiz parte do órgão de gestão de uma escola, por isso tratei de me informar junto de um colega com experiência de gestão. De acordo com a informação recolhida, o orçamento do estado dificilmente cobre as despesas correntes da escola (já existentes), sendo uma das rubricas "comunicações" - telefone, fax, net .... Quando o dinheiro para esta rubrica acaba, tranfere-se de outra. Mas "para aquecer a cabeça, destapam-se os pés", e o orçamento de estado, que cada ano é menor (nem sequer acompanha a inflação), acaba. A escola tem então de recorrer ao orçamento privativo. O orçamento privativo da escola é constituído pelas multas, emolumentos, aluguer de instalações, donativos, subsídios autárquicos, dinheiros comunitários para desenvolvimento de projectos, etc., etc. O órgão de gestão da escola tem que usar de toda a sua criatividade para gerar dinheiro e, muitas vezes, vê-se obrigado a gastá-lo com obrigações que são do Estado.
Com esta medida, o Ministério apenas deu mais uma despesa às escolas, sem no entanto reforçar o orçamento destinado ao seu pagamento.
Esta questão não deve ser confundida com autonomia!
Cumprimentos.

Afixado por: Elisabete Miguel em março 1, 2004 10:27 PM

Nunca fiz parte do órgão de gestão de uma escola, por isso tratei de me informar junto de um colega com experiência de gestão. De acordo com a informação recolhida, o orçamento do estado dificilmente cobre as despesas correntes da escola (já existentes), sendo uma das rubricas "comunicações" - telefone, fax, net .... Quando o dinheiro para esta rubrica acaba, tranfere-se de outra. Mas "para aquecer a cabeça, destapam-se os pés", e o orçamento de estado, que cada ano é menor (nem sequer acompanha a inflação), acaba. A escola tem então de recorrer ao orçamento privativo. O orçamento privativo da escola é constituído pelas multas, emolumentos, aluguer de instalações, donativos, subsídios autárquicos, dinheiros comunitários para desenvolvimento de projectos, etc., etc. O órgão de gestão da escola tem que usar de toda a sua criatividade para gerar dinheiro e, muitas vezes, vê-se obrigado a gastá-lo com obrigações que são do Estado.
Com esta medida, o Ministério apenas deu mais uma despesa às escolas, sem no entanto reforçar o orçamento destinado ao seu pagamento.
Esta questão não deve ser confundida com autonomia!
Cumprimentos.

Afixado por: Elisabete Miguel em março 1, 2004 10:27 PM

Nunca fiz parte do órgão de gestão de uma escola, por isso tratei de me informar junto de um colega com experiência de gestão. De acordo com a informação recolhida, o orçamento do estado dificilmente cobre as despesas correntes da escola (já existentes), sendo uma das rubricas "comunicações" - telefone, fax, net .... Quando o dinheiro para esta rubrica acaba, tranfere-se de outra. Mas "para aquecer a cabeça, destapam-se os pés", e o orçamento de estado, que cada ano é menor (nem sequer acompanha a inflação), acaba. A escola tem então de recorrer ao orçamento privativo. O orçamento privativo da escola é constituído pelas multas, emolumentos, aluguer de instalações, donativos, subsídios autárquicos, dinheiros comunitários para desenvolvimento de projectos, etc., etc. O órgão de gestão da escola tem que usar de toda a sua criatividade para gerar dinheiro e, muitas vezes, vê-se obrigado a gastá-lo com obrigações que são do Estado.
Com esta medida, o Ministério apenas deu mais uma despesa às escolas, sem no entanto reforçar o orçamento destinado ao seu pagamento.
Esta questão não deve ser confundida com autonomia!
Cumprimentos.

Afixado por: Elisabete Miguel em março 1, 2004 10:27 PM

Aaaaa! Obrigada.

Afixado por: Ines Maya em março 1, 2004 11:20 PM

Ops! Mil perdões pelo ruído das repetições. :(

Afixado por: E.M. em março 2, 2004 07:35 AM
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