fevereiro 13, 2005

Programa da esquerda (“de confiança”) para a próxima revisão constitucional

Ao fim de uma semana de campanha, espanta a sanha com que os pequenos partidos de esquerda atacam o PS. Às tantas, até dá vontade de dizer: eh pessoal, já agora não se importam de guardar uns minutinhos para zurzir na direita?
Chegámos a um ponto em que Sócrates é atacado nas “arruadas” e comícios do PCP e do Bloco como se fosse o primeiro-ministro em funções (aliás, o títulos de uma das reportagens sobre a campanha do BE no Público era, precisamente, “Bloco já faz oposição ao futuro governo socialista”!). Tudo bem. A gente aceita que a estratégia de sobrevivência de uns (PCP) e de crescimento de outros (Bloco), os possa levar a alguns excessos de linguagem. Mas, por favor, não nos queiram fazer passar por parvos. Sugerir que a maioria absoluta é sinónimo de governo absoluto, como têm feito os dirigentes do Bloco nos últimos dias, é pura demagogia. Se é isso que pensam, porque não propõem que na próxima revisão constitucional se proíbam os governos de maioria absoluta? E já agora, para se pouparem uns milhões aos contribuintes, acabava-se também com o Presidente da República, o Tribunal Constitucional e o Tribunal de Contas. A oposição da “esquerda de confiança” no parlamento seria suficiente para controlar os desmandos dos socialistas no poder.

Publicado por pedrooliveira em
Comentários

Ainda não ganharam a maioria absoluta e já estão assim?

Quando é que deixas de pensar que aqueles que te lêem têm a tua inteligência?

Afixado por: jorgesaraiva em fevereiro 14, 2005 12:19 AM

Ou de como a acção pode negar o discurso!

Afixado por: Boavida em fevereiro 14, 2005 12:23 AM

O Pedro Oliveira anda muito preocupado com o Bloco de Esquerda. Tão preocupado que tem visto a campanha de forma desfocada. A CDU, de facto, tem atacado fortemente o PS e o BE. Mas os bloquistas têm optado por uma estratágia, a meu ver, inteligente. Ou seja, concentram o grosso dos ataques directos na direita. No entanto e como é óbvio, o partido que está à frente nas sondagens, com as propostas pouco à esquerda que tem apresentado, também tem que ser criticado.

Afixado por: José Carlos Gomes em fevereiro 14, 2005 12:30 AM

bem,é natural que partidos situados na mesma zona do espectro político compitam entre si pela preferência do eleitorado..e isso implica,muitas vezes,investir contra os próprios 'camaradas de ideologia',por assim dizer(e salvaguardando as devidas diferenças,logicamente)..sucede que,nestas eleições em particular,o partido socialista ameaça ser um arrasa-quarteirões(presentemente já não tanto,mas enfim..),quer ao centro e centro-direita como também à esquerda..obviamente,não são os votos dos militantes socialistas,comunistas ou bloquistas que estão a ser disputados - são,isso sim,os dos simpatizantes(habituais ou flutuantes)do ps,do pc e do be,que estes partidos temem perder uns para os outros - ou até para a abstenção!..assim,e como era previsível,à medida que o ps for moderando e adaptando o seu discurso na tentativa de seduzir os eleitores de esquerda(talvez por considerar que o grosso dos de centro e centro-direita estão de alguma forma assegurados),o pc e o be reajam e procurem alertar as pessoas para a importância de uma maioria relativa do ps,passível de ser influenciada pelos partidos mais à esquerda..os índices de popularidade e simpatia favorecem de forma apreciável os candidatos de esquerda(sócrates exclusivé),e é compreensível que isso incentive o pc e o be a não se deixarem eclipsar pela sombra socialista..talvez seja pelo melhor..

Afixado por: apolo em fevereiro 14, 2005 12:44 AM

Realmente o PCP e o BE vão atacando o PS, mas já é tradição os partidos de esquerda radical atacarem o PS. No pós 25 de Abril, o PCP, por várias vezes, se coligou com o PSD para derrubar o governo PS. Ódios antigos são difíceis de mudar.
E depois, é fácil dizer-se de tudo e criticar todos quando não se é partido de poder. Principalmente quando não se é responsabilizado pela instabilidade...

Afixado por: despertador em fevereiro 14, 2005 02:57 AM

eh pá, já basta a vitimização do PSD..

o ataque inter-esquerda mais forte, e despropositado, foi o de ontem de António Costa ao PCP.. haja olhinhos de ver!!

Afixado por: Boss em fevereiro 14, 2005 05:28 AM

Urgente é que se bata no PP, e que toda a gente veja. Para ver se não continuam a subir e se não vão ser a pior surpresa de dia 20...

Afixado por: Sara Figueiredo Costa em fevereiro 14, 2005 07:12 AM

Pedro, eu sei que me vou arriscar a que mais uma vez você "censure" o meu comentário. Já aconteceu, pelo menos duas vezes, e eu tenho "fingido" que não percebo. Votando eu BE, enviando comentários em que assumia essa posição e você tendo recusado publicá-los, é talvez o paradigma daquilo que acusa o Bloco de fazer.

Afixado por: isabel sousa em fevereiro 14, 2005 10:45 AM

Quem nos está a tentar passar por parvos és tu, Oliveira, e nós não apreciamos o gesto. Quem faz demagogia da mais subterrânea, Oliveira, és tu com a conversa de que "para se pouparem uns milhões aos contribuintes, acabava-se também com o Presidente da República, o Tribunal Constitucional e o Tribunal de Contas." Isto nem chega a demagogia rasteira - é mesmo subterrânea.

Se não percebes que qualquer governo de maioria absoluta pode fazer o que quiser em termos legislativos precisamente porque tem maioria absoluta (com a ressalva de que o PR pode ter alguma coisa a dizer - mas mesmo os vetos presidenciais geralmente só atrasam o processo porque uma reaprovação basta geralmente para fazer passar as leis vetadas), se não percebes isso, dizia, então lamento mas andas bastante a leste do nosso sistema político. E alguém que anda a leste do nosso sistema político só consegue dizer disparates quando fala dele. É o caso. A oposição da esquerda de confiança no parlamento nunca seria o suficiente para contrariar os desmandos dos socialistas no poder porque não teria nenhum poder. Nenhum poder no parlamento, note-se; teria apenas o poder da agitação social, mas isso é uma coisa de que decididamente não precisamos no estado em que o país está. Além do mais, o PS está repleto do mesmo tipo de gente que levou Santana Lopes ao poleiro do PPD. Um PS hegemónico seria um campo cheio de adubo para que essas nulidades perigosas trepassem. Tudo isto é, parece-me, óbvio para qualquer pessoa que não tenha dormido durante os últimos 10-15 anos. Ou, até, para quem só acordou há pouco tempo.

Mas aparentemente há quem continue a ressonar.

Afixado por: Jorge em fevereiro 14, 2005 11:37 AM

Caro Pedro Oliveira,

A sua visão de que a maioria absoluta do PS não representa um governo absoluto não é mais do que uma manifestação de fé!. A minha fé é de que qualquer maioria absoluta dá em governo absoluto. Ou como diziam os de 68: "Todo o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente". Bom mas como a fé não se discute, passemos ao que sobra. Não pode acusar de demagogia o Outro e depois fazer demagogia a seu favor. Nunca ouvi alguém do Bloco falar em acabar com as instituições da república, a afirmação de sinónimo entre maioria e governo absolutos, como se vê é do domínio das convicções, não da demagogia. É um ponto de partida para a análise e para a proposta política, se quiser, e esticando a corda, é ideologia. À margem: não se preocupe o PS já vai ter votos suficientes.

Afixado por: JMA em fevereiro 14, 2005 12:02 PM

PS -Loja dos 300

Sócrates tem o discurso todo a 3oo, é o valor das prometidas pensões, que não passam duma prestação suplementar no valor de 300 €, vai também abranger 300 mil portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza, que ele não sabe bem quanto é, mas diz que deve rondar os 300 €. O desemprego, como estamos em época de saldos,faz 50% de desconto e promete 150 mil postos de trabalho.

estou divulgando o meu blog,
espero visitas e
agradeço que adicionem à vossa lista de blogs -

estrelinha ajuizada

Afixado por: vermelhoFaial em fevereiro 14, 2005 12:10 PM

caro pedro,

embora concorde consigo, não posso deixar de Lhe fazer duas perguntas:

1. se a maioria dá estabilidade, porque é que este Presidente (e o pedro apoiou se bem me recordo) dissolveu uma maioria (recordo que não foi o Governo que foi demitido, foi a AR e a sua maioria que foram dissolvidos)? Qqr PR pode no futuro dissolver uma AR (com ou sem maioria), desde que para isso haja umas capas de jornais a pedir.

2. Se o PS se incomoda tanto com os partidos de esquerda, já podia ter resolvido o problema mais cedo.... è que neste caso a faca está no PSD e no PS que juntos podem rever toda a lei eleitoral.


cparis

Afixado por: cparis em fevereiro 14, 2005 04:49 PM

- As maiorias absolutas não são garantia de estabilidade e de bom governo. Apenas servem para anular a oposição parlamentar. Tal e qual as ditaduras... Isto não é demagogia!!!

- Demagogia, é andarem a iludir o povo com promessas virtuais e irreais.

- O PS, tal como a Direita, não tem dignidade para dizer ao povo, que para tentar inverter a situação do país, vão ter que continuar a impôr sacrificios, sem alterações significaticas nas suas reformas.

- ... Resta saber, se o PS vai continuar no massacre às classes média/baixa... Aqui, é que se vai ver a vossa (socialista) verdade.

- Estaremos cá para ver!!!

Afixado por: s-o-v-i-e-t em fevereiro 14, 2005 10:07 PM

Caro Pedro Oliveira,

Está enganado novamente o PS é que pretende inscrever na Constituição uma reforma eleitoral que lhe permita ter maiorias absolutas, sem ter votos para isso. E concumitantemente (linda palavra),liquidar "na secretaria" os mais de 20% de portugueses que não votam no "centrão" .
Um amigo comum alertou-me que você ficou muito ofendido por eu lhe ter dito que você concorria para o lugar de Luís Delegado do PS. E que estaria a chama-lo de vendido. Nada de mais falso, não acho que você opine por dinheiro.
O que eu penso é que você está refém, tal como o Delgado, de uma razão instrumental que o faz escrever coisas para conseguir um efeito político independentemente de serem verdades ou não. Ao limite você sabe que algumas coisas que escreve em público são esticadas para além da verdade, como esta história das maiorias absolutas, que lhe recordo tão diabolizadas foram por António Guterres.

Afixado por: Nuno Ramos de Almeida em fevereiro 15, 2005 12:52 AM

Mas Oh Pedro, sinceramente roubaste-me o tema de um post que estou a preparar... impossibilitar maiorias absolutas! Eu pessoalmente acho uma grande ideia, a sério!

Afixado por: Aquiq em fevereiro 15, 2005 12:58 AM