Os excertos e os artigos (que podem ampliar clicando na foto, ou imprimir em PDF clicando no link ao fim das citações e, enfim, oferecer a amigos) nem precisam de comentários, de tão claros que são. Foram escritos por um homem que se diz coerente e de fortes convicções. Chama-se Paulo Portas. Estávamos em 1982. Leiam, vale mesmo a pena. Sobretudo as partes relativas ao aborto.
“Quanto ao poder laico, e livre, da política, é clara uma transferência do poder político para o poder religioso. É sintomático que as grandes discussões a que, desde há tempos, o País assiste tenham subjacente uma jaez militar ou religiosa. Progressivamente é essa a duplicidade institucional que ordena, solidifica. Do último ponto de vista dois exemplos recentes adensam a preocupação já expressa: por um lado a competição política, provinciana, que já se vislumbra e decerto crescerá, à volta da visita do Papa a Portugal. Pelo rumo que o facto leva vamos assistir naquele que devia ser um acontecimento pastoral e moral de extrema importância, a um jogo turvo de influências, para que saiba quem convidou, quem esteve mais minutos com Sua Santidade, quem mais o acompanhou, quem ganhou os seus louros. O segundo tem que ver com o tom ‘Cro-Magnon’ com que a questão do aborto tem sido tratada entre nós. (…) a AD não tem a menor autonomia de discurso, já se não pede de voto, nem de vontade, em relação à Igreja, e limita-se a repetir o que esta diz,a presenciar o que esta proclama. Os socialistas dividem-se entre a sua história e a história que a Igreja quer que eles façam.
Só por referência lembre-se, por exemplo, que em França foi uma liberal, assumida como tal, da maioria giscardiana, a senhora Simone Weil quem, contra os mais conservadores e os mais ortodoxos, impôs a lei do aborto. Lá, os socialistas não tiveram dúvidas. Giscard, líder da maioria, não interferiu. Quer isto dizer, uma vez mais, que somos subdesenvolvidos; e que, no caso, andamos atrasados, à direita e à esquerda. A menos que se rejeite a Europa moral e apenas se queira a Europa económica…”.
Paulo Portas, "Civis, Laicos e Europeus", in Tempo, 4 de Março de 1982, [PDF].
“Não tem nada a ver com a Europa um país em que o discurso da social-democracia sobre as questões morais se limita a dizer que o aborto é a restauração da pena de morte. É próprio dos mais conservadores dentro dos conservadores, e sul-americano concerteza. Não tem nada a ver com a Europa que a livre iniciativa seja um palmarés deixado vazio, preterido pelas fáceis e dóceis concessões às corporações fácticas. É próprio dos Estados sobretudo confessionais e não de sociedades civis dinâmicas. Não tem nada a ver com a Europa que se regrida a ponto de substituir o acto livre e consciente, por isso pleno e sublime de escolher uma religião, pela imposição de um princípio de obrigatoriedade, por isso sem elevação, nas escolas, de uma confissão. É próprio do passado.”
Paulo Portas, “A Europa Mora ao Lado”, in Tempo, 12 de Maio de 1982 [PDF].
“Nesta coluna não deixei de fazer notar divergências a uma série de atitudes e propostas que não se coadunavam com princípios modernos de relacionamento entre a sociedade, o Estado e as instituições. Assim se fez quando o Governo anunciou a concessão de um canal de Televisão à Igreja; assim se fez quando surgiu na maioria um discurso primitivo e desinteressante a propósito das questões éticas ou morais, como o aborto, mais afeito a ‘slogans’ que à percepção de um problema que não é fechado; assim se fez, recentemente, a propósito da reintrodução da obrigatoriedade das aulas da religião e moral nas escolas, por considerar-se a escolha religiosa um acto só sublime quando livre.”
Paulo Portas, "O Fascínio de João Paulo", in O Tempo, 20 de Maio de 1982 [PDF].
Os meus parabéns, excelente trabalho.
Este Paulo Portas da fase PPD foi mais liberal (e laico!) do que todos hoje pensam. As invectivas que qualificam um discurso "primitivo, desinteressante", "atrasado", "subdesenvolvido" recaem hoje sobre o próprio autor dessas linhas. Que, na altura, defendia a separação entre política e religião. E consequentemente, a despenalização da IVG.
Fascinante.
podias era fazer um blog só com tiradas deste género, tipo os cadernos de Camus, mas versão paulinho das feiras. Olha que tinhas matéria pa isso...
Afixado por: cmm em março 2, 2004 04:19 PMa malta que deu com isto deveria ser condecorada!
Agora, certamente, não faltará quem, muito indignado, venha a terreiro defender que qualquer pessoa tem direito a mudar de opinião. Tomem mas é juízo!! Este paulinho é um oportunista que venderia a mãe se tal se revelasse necessário! Até o Ferreira Torres tem mais coerência e princípios!
Afixado por: rodion em março 2, 2004 04:29 PMDaniel, tss, tsss. Ir agora ao fundo do armário ver os esqueletos que a criatura tem, numa de pré-campanha americana...
Nessa altura ele não era "Moderno", nem sequer "Independente". Fumava umas ganzas (credo!), andava pelo Bairro Alto a ingerir coisas impublicáveis, enfim, era um jovem "inconciente"... O que ele escrevia, ou o contrário do que queria escrever, era a mesma coisa.
Que diabo, até eu já confessei que comprei discos dos ABBA...
Nesta altura ele tinha deixado de ser dirigente da JSD por causa do... conservadorismo do PSD. Não era um inconsciente, era um dirigente político. E estamos a falar de convicções profundas, ou não estamos? Essas mudam assim? Se mudam, porque nunca nos disse ele que já tinha tido a opinião opossta? Não, não há como dar a volta, caro Dupont, não há mesmo!
Afixado por: Daniel Oliveira em março 2, 2004 04:35 PMde facto é a mesma coisa, dupont. ter comprado e deixado de comprar discos dos abba ou achar que a despenalização do aborto é crucial para modernizar o país e depois passar a achar que o aborto é o assassinato de uma vida que deve ser constitucionalmente protegida são efectivamente duas evoluções comparáveis.
Afixado por: rui tavares em março 2, 2004 04:35 PMBom post!
A memória é uma excelente arma contra a Direita - que a tenta ocultar, porque lhe expõe as incongruências, os abruptos desvios de rumo, próprios de quem navega unicamente ao sabor dos seus interesses.
O passado é uma evidência crua e incómoda para quem vive da manipulação de "opiniões", das modas e das aparências. Como estes "neo"-qualquer-coisa, que nos tentam apresentar o seu egoísmo como a última e derradeira novidade da civilização.
Parabéns ao Barnabé.
Palavras para que? Só mesmo um post destes para quebrar a minha "promessa" de ser apenas um leitor deste blog. Este Post é simplesmente fantástico. Já agora gostava de saber porque é que os media em Portugal não fazem este tipo de trabalho e confrontam os "cromos" da vida politica com as suas declarações de um passado recente.
Por via das duvidas vou retirar do sotão da minha mãe os exemplares da revista "Vida3" ( o Suplemento do independente para os mais novos) para ve se encontro lá mais incoerencias destas.
Grande revelação!Para mim, que na altura ainda chuchava no dedo:).
Afixado por: thirdbacus em março 2, 2004 05:00 PMAgora vou fazer um pouco de demagogia à barnabé:
Vocês estão bem acompanhados nas vossas posições abortistas.
Afixado por: timshel em março 2, 2004 05:09 PMtimshel,
isso só seria possível com recurso à hipnose.enfim, porque não tentar...
Daniel e Rui - não quero dar volta nenhuma, muito pelo contrário. Que diabo, onde é que está o vosso sentido de humor?
Afixado por: Dupont em março 2, 2004 05:51 PMah, ok. ruboresço.
Afixado por: rui tavares em março 2, 2004 05:58 PMEntão vocês não sabem? Em 1982 o homem apenas tinha 18 anos...e nada do que fez (ou disse) teve graves consequências para o país... "Onde é que eu já ouvi isto?"
Acho que esses recortes "retalhos da vida de um político", deveriam extravasar a blogosfera e tornar-se mais abrangentes do ponto de vista da sua difusão. São um mimo como peças documentais.
Afixado por: Joseph Saint-Simon em março 2, 2004 06:56 PMEste caso está na SIC notícias.
Afixado por: Daniel Oliveira em março 2, 2004 07:06 PMSerá que fui o único que reparei?!... um anúncio da CP Air junto a uma imagem de Sá Carneiro ("Civis, laicos e europeus")!... Será isto uma piada de mau gosto, bem sei que o Paulinho não tem culpa, mas pareceu-me interessante.
Afixado por: Rui Silva em março 2, 2004 07:09 PMMagnífica investigação. Parabéns.
Afixado por: José Mário Silva em março 2, 2004 07:19 PMMais uma vez se constata que a esquerda em Portugal, agora através dos comentários anteriores a este post, está cada vez mais na mesma. Neste caso específico, leram o artigo de Paulo Portas, não o perceberam - como aliás é normal de quem nem sequer faz um esforço mínimo para perceber alguma coisa - distorceram o seu significado, como é também seu apanágio quando lhes interessa, e vomitaram um chorrilho de disparates. Os meus parabéns.
Afixado por: Gonçalo Ameal em março 2, 2004 07:20 PMNão será um problema da juventude? Tipo filme de cowboys em que os bandidos ficam sem munições e a malta serenamente se bate com estaladas e escarradelas venenosas nos olhos(devo estar com poucos avariados,sim,sim...).
Afixado por: triciclo em março 2, 2004 07:20 PMNão tem nada de mal uma pessoa mudar de opinião, mesmo que cabalmente. As opiniões em si é que são discutíveis, sempre. Até fiquei surpreendido pela positiva sinceramente, o homem já foi um jovem meio rebelde e tudo, não fazia ideia.
Mostrem-me alguém de 40's e tais com as mesmas convicções que tinha aos 18 e eu mostro-vos o Carlos Carvalhas...
Boa Daniel.
Afixado por: Joseph Saint-Simon em março 2, 2004 07:28 PMQuerido Gonçalo Ameal tu ate podes não gostar da esquerda mas de facto agora é melhor é estares calado... A gente sabe ler... Ou vocês tem um código especial de interpretação, na volta é isso... vocês não são atrasados ou vosso português é que é outro, isto tudo nao passa de um problema de comunicação, pode ser que um dia a gente se entenda... (epá será que este gajo vai perceber o que eu disse?)
Afixado por: Rui Silva em março 2, 2004 07:32 PMPasso a explicar. No artigo, a mensagem de PP (Paulo Portas) não é, como nunca foi e nunca será, a defesa de qualquer corrente abortista. É sim, a percepção de que, naquela altura, a discussão passava-se em moldes arcaicos, com argumentos rudes e simplistas, que não só não estavam ao nivel do que se passava acerca do mesmo assunto no resto da Europa, como não serviam como base de sustentação para uma defesa concreta e definida daquilo que ele, PP, defende.
Afixado por: Gonçalo Ameal em março 2, 2004 07:33 PMHá então é isso!:-)
Grato pela explicação... Julgo poder falar por todos os comentadores :-)
Perceberam? Ele ainda fala da separação entre Igreja e Estado, ou será que ainda não perceberam? E fala também de Fé e de como a Fé diz respeito ao individuo e não pode ser imposta pela sociedade. Perceberam? Querem que continue? Aprendam a ser intelectualmente honestos. Pelo menos isso.
Afixado por: Gonçalo Ameal em março 2, 2004 07:38 PMGonçalo Ameal: faça o favor de não nos tomar por analfabetos. Se aquilo que você quer dizer é que o Paulo Portas não defende naquele artigo que se deva abortar a torto e a direito, está certo. Mas isso também é o que dizem os defensores da despenalização, de forma que não há novidade. Se aquilo que você quer dizer é que Paulo Portas não defendia a despenalização do aborto, então nesse caso, desculpe lá, mas quem não sabe interpretar é você. Aqui que no texto está claro como água, nomeadamente no excerto que fala de Simone Weil, é que Paulo Portas considera que despenalização do aborto é um passo essencial para a modernização, "europeização" e "civilização" do aborto. E muito bem! Só é pena que hoje o país queira isso tudo e o mesmo Paulo Portas entrave um referendo sobre o assunto.
Afixado por: rui tavares em março 2, 2004 07:42 PM"Ele ainda fala da separação entre Igreja e Estado"... pois fala, o problema é que agora parece que ele anda um pouco esquecido... ou não é ele que anda sempre a dizer Cristão prá qui, Cristão prá acolá? Que raio me interessa a mim que ele seja Cristão... eu não ando aí a apregoar ao sete céus que sou ateu... Se ele o faz alguma coisa quererá em troca, parece-me.
Afixado por: Rui Silva em março 2, 2004 07:44 PMCaro Rui Silva, sempre ás ordens. Espero que tenha sido suficientemente claro e simples nos esclarecimentos que se impunham a tamanha distorção da verdade. Muito gostam vocês de tentar apanhar as falhas de quem não pensa da mesma maneira! Mas quando não há falha não faz mal! Arranja-se a falha. Mente-se, distorce-se, manieta-se, manipula-se, inventa-se. Assim se exerce por vocês a liberdade de expressão e o direito de opinião em Portugal.
Afixado por: Gonçalo Ameal em março 2, 2004 07:44 PMMau mau Gonçalo. Quem distorceu aqui foi você. Quem quis arranjar a falha que não existia foi você. Ao menos não reincida porque é tão evidente o que você quer fazer que a figura resultante é deprimente.
Afixado por: rui tavares em março 2, 2004 07:52 PMMeu caro Gonçalo isso não me parece justo. Por isso é que você está aqui a falar com quem (eu) não é da sua opinião... num Blog que não parece partilhar das suas ideias... ninguém o tentou calar pois não? Além do mais julgo que a sua participação até é bem vista pelos moderadores do Blog, ou já apagaram algum dos seus comentários? O Daniel "Postou" e disponiblizou a documentação, a gente leu e pronto... não passa nada... aqui ninguém mente...
Afixado por: Rui Silva em março 2, 2004 07:53 PMNão, meu caro Rui Tavares, não! Leia de novo "a senhora Simone Weil quem, contra os mais conservadores e os mais ortodoxos, IMPÔS a lei do aborto. Lá, os socialistas não tiveram dúvidas. Giscard, líder da maioria, não interferiu. Quer isto dizer, uma vez mais, que somos subdesenvolvidos; e que, no caso, andamos atrasados, à direita e à esquerda. A menos que se rejeite a Europa moral e apenas se queira a Europa económica…”.
Leu a palavra chave?
"andamos atrasados" ok mas isso já sabemos há quase 300 anos :)
Afixado por: Rui Silva em março 2, 2004 07:58 PMGonçalo Ameal: a sua "palavra-chave" quer apenas dizer que Paulo Portas acha que a despenalização do aborto deve passar, nem que tenha de ser "imposta" aos mais conservadores e ortodoxos. Ele está do lado de Simone Weil contra estes últimos. Leia os três textos. Veja o destaque do texto "Civis, Laicos e Europeus". Fica absolutamente claro que Paulo Portas nesta época se auto-representava como um liberal herdeiro de Sá Carneiro na luta pela modernização do país contra o conservadorismo (e contra a esquerda também, é claro).
Mas numa coisa você tem toda a razão. À época, como hoje em dia, "impôr" era já a palavra-chave de Paulo Portas.
Afixado por: rui tavares em março 2, 2004 08:05 PMA conversa da treta do costume. Digam-lá porque é que não querem a lei do aborto. Porque não defendem o direito à vida digna, porque é que não vão conhecer o país real, deixem de ser irrealistas. Falsos, visitam lares de mães solteiras e vêem ali tamanha gratidão da tia que gere o lar, mas no fundo o que querem é que as crianças um dia adultos não tenham hipoteses de vencer na vida e ficando assim condenados a ter uma vida pior que a da mãe que tem de criar o filho sozinho longe de ser a melhor familia. Mas isto do aborto é só uma decisão da mulher ou do casal e também do médico. Os politicos falsos defendem em Portugal o contrário do que a legislação da UE aconselha que é a não punição da mulher por um acto que não é crime. Simplesmente salvaguarda o seu direito à não procriação que mais ninguém deve tomar em vez dela.
Afixado por: António das Neves em março 2, 2004 08:06 PMOs socialistas lá não tiveram dúvidas (cá tinham) e por isso cá estão atrasados e lá não. Está a ver a chave? Não como, meus amigos, não há como. E é até deprimente ver-bos a tentar. Poupem-se e poupem-nos.
Afixado por: Daniel Oliveira em março 2, 2004 08:09 PMParabéns ao Daniel e ao Barnabé por este post de antologia. O post não traz nada de novo pois já todos sabíamos que Paulo Portas só diz o que convém a Paulo Portas, mesmo que tal implique entrar em contradição com o Paulo Portas do passado. Mas o timing foi perfeito e é sempre com gozo, espanto e apreensão que vamos lendo estas reviravoltas brutais de 540 graus.
O Daniel consegue ainda o impossível: deixar Pacheco Pereira feliz.
foi no gozo!! não reparam o tom de gozo que o paulinho impõe nas suas palavras.. como se algum dia fosse possivel esta criatura de Deus, ser apologista de um pecado social como a despenalização do aborto.. esse crime hediondo, que é evitar que a vida de uma mulher o circulo que a rodeia e uma nova alma... fique completamente arruinada, é uma vergonha, olhar por cima da definição que está no dicionário abrir os olhos e observar bem a realidade!! ou talvez..!! tempo a mais fora do seio da sociedade deturpe a noção da realidade!!! talvez.. os politicos deveriam de passar um dia por semana inseridos em outros ambientes.. escolas, locais de trabalho.. outros até... no circo!!!
Afixado por: Orestes em março 2, 2004 08:29 PMInsisto:
"Simone Weil quem, contra os mais conservadores e os mais ortodoxos, IMPÔS a lei do aborto. Lá, os socialistas não tiveram dúvidas. Giscard, líder da maioria, não interferiu. Quer isto dizer, uma vez mais, que somos subdesenvolvidos; e que, no caso, andamos atrasados, à direita e à esquerda."
Parece-me que ainda há mais passagens-chave. Por exemplo, esta:
"Quer isto dizer, uma vez mais que somos subdesenvolvidos; e que, no caso, andamos atrasados, à direita e à esquerda."
PP criticava aqui, inclusiva e explicitamente, a posição de certa esquerda (PS, pelo menos) pelo seu atavismo em matéria de aborto, por não ter coragem de ultrapassar o subdesenvolvimento. Não é claro, Ameal Gonçalo?
O PS não tinha a coragem da Madame Weil!
Como diz a verdadeira hermenêutica, uma palavra só não quer dizer nada, tem que ser vista no todo e o todo no conjunto das palavras. Toma, só para chatear!
Afixado por: manel em março 2, 2004 08:30 PMMeu caro Gonçalo Ameal. Na sua anterior encarnação deve ter trabalhado para algum serviço de descriptagem, nalgum serviço secreto tecnicamente avançado, pois só assim se explica que só voce consiga ver nestes textos do PP alguma coerencia com aquilo que PP apregoa agora. Eu quando li este texto estava a espera de ler por aqui que o homem em 20 anos podia ter mudado de opinião (até porque é moda na nova direita portuguesa, vide Durão Barroso, ou Pacheco Pereira), e até estava disposto a aceitar esse argumento. Mas francamente aquilo que voce fez é digno de um Houdini ou de um Coperfield. Inventa palavras chave e descobre sentidos novos nas palavras. Se quiser aceite um conselho deste humilde e pouco inteligente (comparado consigo) homem de esquerda. Ponha de lado o espelho que os textos leem-se melhor no sentido correcto. Já agora não me venha com liçoes sobre o PP porque eu ( esta é uma parte da minha vida que eu devia ter vergonha) era daqueles que lia os textos corrosivos do PP de uma forma quase religiosa. Tive esta pratica por alguns anos e lembro-me bem do que este Sr.? (será) escreveu.
A direita-Radical (já aprendi que não gostam que vos chamem de extrema direita) está cada vez pior. Ultra ortodoxa e agora também disposta a apagar o passado do seu "Grande" lider. Sabem uma coisa? Vou guardar os recortes do caso Avelino F. Torres não vá o homem chegar a lider do CDS-PP e daqui a uns anos vão desmentir que ele andou aos pontapés a mesa e tentou agredir um Arbitro de Futebol. O que vale é que este caso é com fotografias. Caro Gonçalo, pode já ir pensando numas palavras chave para este caso e decifrar mais uns sentidos especiais das palavras e gestos do Senador. Pode ser que daqui a uns anos dê jeito.
Caro Gonçalo Ameal,
"às ordens" escreve-se assim, e não assim,"ás ordens".
PS: Por favor antes de escrever consulte o dicionário.
Afixado por: cristiana em março 2, 2004 08:40 PMMas V.Exas. acham que o Gonçalo se deixa convencer? Qual quê! Está tudo distorcido e mainada!
Afixado por: Martelo em março 2, 2004 08:47 PMSó a talho de foice copiei para aqui um exerto de um texto que escrevi para um jornal digital acerca do último congresso do CDS-PP. Também neste caso Paulo Portas mudou ao sabor da maré e dos ventos do momento.
"Que Deus vos abençoe, Amem
Os Portugueses foram este fim-de-semana brindados com um dos maiores espectáculos de hipocrisia de que há memória. Foi “bonito” ver o líder do CDS-PP destapar um busto em memória de Adelino Amaro da Costa. Mas manda a nossa consciência que recuemos um pouco no tempo. Voltemos ao tempo em que o Paulo Portas era jornalista.
Quem não se lembra das crónicas ferozes aos incapazes que não queriam ver aquilo que na óptica do jornalista era evidente. A esquerda tentava encobrir o atentado de Camarate fazendo prevalecer a tese do acidente. O país precisava na altura, e dizia o jornalista, de saber a verdade. Avançando no tempo encontramos o mesmo jornalista na pele de deputado. Aquando do encerramento de mais uma comissão de inquérito ao denominado caso Camarate, foi ouvi-lo (ao ex. jornalista agora deputado) a dizer raios e coriscos da justiça Portuguesa.
Se avançarmos mais um pouco no tempo encontramos a mesma pessoa em campanha eleitoral para a Assembleia da Republica dizer que com ele nenhum crime ficaria impune, para não se repetirem casos do passado. (presumo que tivesse a falar de Camarate) e eis que nos deparamos com o ex. jornalista e deputado como ministro. Julguei eu que dado que nada mais de bom se poderia esperar deste Sr. pelo menos que o mistério do Cessna ficasse resolvido e que finalmente poderíamos viver numa sociedade em que a verdade fosse posta a descoberto.
Esperei quase dois anos em vão. Nada foi avançado, aquilo que outrora for a arma de arremesso foi metida dentro de um saco e enviado para o fundo de uma ribanceira na esperança que já ninguém se lembrasse. Mas a tentação do populismo barato falou mais alto. Para expurgar os fantasmas do passado e demonstrar que os da esquerda são muito, mas mesmo muito maus, resolveu relembrar-se o 1º Congresso de um partido que já não existe. O CDS.
Nada melhor para isso que uma homenagem a alguém que morreu em circunstancias estranhas e não assumidas ainda por quem de direita, desculpem de direito. As provas de ontem, hoje de nada servem. Os testemunhos e as provas factuais que comprometem quem não devem, são para serem esquecidas. Tudo em nome da estabilidade. Ate onde irá a hipocrisia e o populismo daqueles que por nada terem para mostrar escondem a verdade da sua doutrina........."
Excelente escavação. Bravo.
Afixado por: Bruno S. Martins em março 2, 2004 09:35 PMRui Silva,
Já te disse uma vez e repito
és um paneleiro
Adorei a resposta do Paulo Portas na tv, via telefone, a partir de Moscovo: "esses malandros do Bloco atacaram-me à traição... aproveitaram eu estar na Rússia!"
Que desculpa mais esfarrapada... Mas ele já não está habituado a ser atacado dessa forma?
Leila: não tente a brincadeira mais vez nenhuma. Não é para insultos desses que disponibilizamos este espaço. Insultem-se com o mínimo de conteúdo.
Afixado por: rui tavares em março 2, 2004 10:22 PMnão tem mais nada sobre "os anos de ouro" do SR.Ministro ?
Afixado por: zippiz em março 2, 2004 10:48 PM"Leila" como é óbvio é um nome falso com um mail falso, não percebo a boca e já agora gostava que ela ou ele me explicasse o porqê da ofensa, de preferência neste espaço em que o insulto foi feito. Já agora não sou "paneleiro", mas concerteza que se fosse eu poderia continuar a falar, não "Leila"? Imagino que deva ser de direita, não?
Afixado por: Rui Silva em março 2, 2004 11:18 PMJá agora Leila qual é que foi a outra vez que me chamou de paneleiro?
Afixado por: Rui Silva em março 2, 2004 11:20 PMMeus caros,
Tendo presente que não nutro nenhuma simpatia por Paulo Portas, acho que este tipo de exercício é do mais cretino e demagógico possível. Se fizerem semelhante busca para o mano Miguel e para o mesmo ano de 1982, gostaria de saber qual era a opinião desse então jovem acerca da URSS, da RDA, etc.
Quem não tem esqueletos no armário que atire a primeira tíbia...
Ah...os espanhóis têm um ditado curioso, que diz que só os loucos é que nunca mudam de opinão.
Cumprimentos.
Michael Oakeshott,
A questão não é o que pensava o Miguel Portas ou o Durão Barrosso (suponho até que este último fosse mais radical), mas sim saber porque razão está o país, e osdeputados da maioria, refém de um acordo pós-eleitoral em que o PP obriga os seus deputados e os do PSD à disciplina de voto sobre o aborto, alegando a inviolabilidade da vida.
Ora, como se vê agora, nem sempre Paulo Portas teve este fervor religioso em "defesa da vida". Já teve outra opinião, que é normal mudar, mas menos se compreende que se mudem convicções tão profundas sobre a natureza da vida e da sociedade - Paulo Portas defende mesmo que o atraso civilizacional que é a penalização do aborto nos faz estar mais perto das ditaduras sul-americanas do que da moderna França.
Convém ainda recordar que, ao contrário de Durão, Paulo Portas nunca disse ter tido alguma vez ter dúvidas sobre a matéria. Não, a sua posição sempre nos apareceu como taxativa. Agora, sabemos, só é taxativa para os deputados do PSD que, defendendo a despenalização, são obrigados a votar o compromisso forjado por quem instrumentaliza as suas "convicções".
É esse o problema, e não tentar saber o que pensava X ou Y quando, na sua juventude, tinha outra posição política.
p.s: Será que ainda vale a pena recordar que é este o problema de todos os políticos, como é o caso de Paulo Portas, que fazem crescer a sua carreira política assente em posições de suposto virtuosismo moral. Alguém ainda se lembra do que era o Independente?
Afixado por: Pedro Sales em março 2, 2004 11:41 PMo problema, michael, não é o PP ter mudado de opinião. o problema (para mim) é ter mudado para pior. e o problema político essencial (para com os eleitores) é mentir acerca das suas opiniões por razões de proveito político e de construção de uma imagem sem espessura cujo único objectivo é agradar aos impulsos mais primários dos seus apoiantes. não é preciso ser-se fã de sá carneiro para ver que a coragem de enfrentar os preconceitos do seu próprio eleitorado há muito que foi esquecida por aquelas bandas.
Afixado por: rui tavares em março 2, 2004 11:41 PMA quem é que interessa o descentramento (ou lá como é que se diz) da discussão do grave problema do aborto ? Não é seguramente aos que defendem a sua descriminalização, nem às mulheres que infelizmente e em condições indignas se vão confrontando com esta situação.
Afixado por: Real em março 3, 2004 12:19 AMMeus caros Rui e Pedro,
Fui ler com atenção os artigos referidos e julgo que, sem processos de intenção, nem sequer se poderá afirmar peremptoriamente que PP terá mudado muito de opinião desde 1982. De facto, PP, vociferando contra as dependências estatais em relação a instituições como as Forças Armadas ou a Igreja (”Civis, Laicos…”), poderia muito bem estar a pugnar por uma lei como a de 1984, dado que não há nada nos artigos que nos permita dizer o contrário. A sua luta contra a total intransigência da Igreja em termos de IVG parece-me clara e sem ambiguidades: de facto, se a sua posição fosse a da Igreja, PP estaria, neste momento, a procurar revogar a lei actual e não a defender a sua manutenção.
Cumprimentos.
só é pena ninguém arranjar (impossível, pois que os guardaria?...) textos do daniel e quejandos a beijar a mão a Estaline... Andaram uma vida a defender o regime soviético e o que por lá se passava mas esses textos eles não publicam...
Afixado por: clip em março 3, 2004 01:06 AMmichael: desculpe lá, mas a lei que serve a paulo portas para bater no conservadorismo português, a de simone weil, é realmente despenalizadora, não é a lei que nos ficou de 1984. também não se trata de, como portas disse hoje à rádio, defender o direito ao aborto por parte das mulheres violadas, etc., de que não se encontra referência alguma no texto de paulo portas. a diferença é gritante: portas defendia (e até bastante bem) a responsabilização da sociedade civil e a autonomia da esfera individual em relação ao estado e do estado em relação à igreja e hoje em dia defende caprichosamente que a sociedade não se pronuncie em referendo sobre o aborto para segurar uma lei que nos seus próprios termos é um exemplo de subdesenvolvimento do país. o PP de portas nunca negou nem repreendou a sua secretária de estado da educação que disse que o catolicismo era a religião oficial de portugal. precisarei de continuar? o portas de 82 estaria à esquerda do PSD, o de hoje adula o catolicismo mais rigorista, que tem um peso desproporcionado no seu partido e no governo. nem percebo como é que você, michael, não vê a diferença entre um e outro e vem aqui defender o actual.
real: ora essa, então mostrar os excelentes argumentos pró-despenalização de portas não é estímulo a que as pessoas inteligentes de direita se juntem a um esforço para modernizar o país sem traírem a sua melhor herança? não precisaremos deles para mudar isto? e por outro lado, expôr o oportunismo de um político não é sempre importante e higiénico em política? acho que esta é uma clarificação que fará muito bem ao debate, porque no eleitorado de direita a situação é bem mais complexa do que à esquerda no que ao aborto diz respeito. uma parte do eleitorado não sente nenhuma sanha penalizadora, mas vai atrás dos seus líderes, que vão atrás dos activistas mais fundamentalistas, e tudo existe mascarando a maioria sociológica que (sou eu que acho isto) é contra o aborto. quando houver segundo referendo, veremos se foi ou não útil quebrar esta cadeia.
Afixado por: rui tavares em março 3, 2004 01:19 AMCaro clip, tenho 34 anos e posso garantir-lhe que nunca beijei mãos de mortos. Quanto a textos em que defenda União Soviética e Estaline, pode matar-se a procurar. Vá à Hemeroteca. Procure horas a fio.
Afixado por: Daniel Oliveira em março 3, 2004 01:22 AMReal,
Mas onde é que tu vês descentramento? É, ou não é, Paulo Portas o líder do partido que obrigou o PSD a um compromisso pós-eleitoral que obriga a sua bancada, incluindo os 15 deputados que são a favor da despenalização do aborto, a dizer que"PSD e CDS-PP defenderão institucionalmente a validade dos resultados dos referendos já realizados e a inconveniência de qualquer alteração ao sentido expresso pela vontade popular". ( O texto do acordo saiu no JN de hoje, 3 de Março)
Como diz hoje o Vital Moreira no Causa Nossa, "para quem gosta de se apresentar como paradigma de coerência e faz questão de se reclamar de valores perenes e transcendentais, esta mudança do conhecido campeão actual do “direito à vida do embrião” é mesmo muito embaraçosa. De facto, é uma questão de civilização política e cultural que está em causa".
Não me parece que estejamos perante outro assunto. Importa saber porque razão o Parlamento, que até tem uma maioria de deputados a favor da despenalização do grave problema do aborto, vai hoje votar contra a realização de um referendo. Não é por causa de qualquer compromisso eleitoral - que nunca existiu, Durão limitou-se a dizer na televisão qual era a sua opinião -, mas, isso sim, por causa do acordo que o JN hoje publica:
http://jn.sapo.pt/textos/out4011.asp
Afixado por: Pedro Sales em março 3, 2004 01:29 AMCaro Daniel,
aqui fica o meu pedido de desculpas, que deixei no BDE:
"esclarecido, daniel! e sim, conheço esse ego cybernético, visito o barnabé todos os dias.
mil desculpas! retiro o q disse a blogosfera tem sentido e ética, em alguns blogs e aqui está a confirmação, o barnabé é 1 deles!"
Caro Rui,
Em primeiro lugar, não estou a defender PP, pois como já atrás disse, não tenho simpatia nenhuma pela pessoa em causa. No entanto, procurando ser imparcial e não mover processos de intenção (ao contrário de PP em várias ocasiões), as suas posições podem não se ter alterado de forma radical.
PP pode ter usado a lei de Simone Weil (a mais próxima em termos temporais de 1982) para bater no conservadorismo sem ter de, obrigatoriamente, a subscrever inteiramente. Ele pega no exemplo para referir que, num ambiente como o que se vivia em 1982, é necessário ter pulso e convicções firmes para romper com o estado vigente das leis. Com a aprovação da lei de 1984, os casos limite passam, como ele defende, da esfera do Estado para a esfera individual.
E num ponto concordo com PP: os referendos não são para serem repetidos ao sabor das conveniências políticas. O nosso sistema é de democracia representativa, devendo o recurso à democracia directa ser feito de forma ponderada e apenas para questões centrais do sistema democrático.
Cumprimentos.
michael: não há nenhuma referência a "casos limite" nos textos do primeiro paulo portas [acho que era o lakatos que costumava pôr um numeral subscrito junto aos nomes dos filósofos para diferenciar o popper1 do popper2, o wittgenstein1 do wittgenstein2; para o portas precisamos no mínimo de chegar ao portas23]. paulo portas fala de despenalização ponto final. e tal como hoje em dia, "despenalização" em 82 queria dizer por vontade expressa da mulher até um determinado prazo. quem quisesse apenas uma abertura para casos limite, teria naturalmente de o especificar. não o fazendo é porque está a referir-se às conotações correntes do termo. não há volta a dar-lhe.
quanto à sua posição sobre o referendo, deixe-me que lhe diga que ela não faz sentido nenhum. a essência da democracia consiste em não fixar posições ad eternum mas em dar uma determinada folga que permita dar conta política das flutuações do sentir social. daí que os actos de soberania popular numa democracia sejam recorrentes. não votamos só uma vez, mas a intervalos regulares, não é? no caso dos referendos, não havendo necessidade de nos pronunciarmos a intervalos regulares sobre determinados temas, previu a lei que o possamos fazer quando existe uma demonstração de um interesse social suficientemente abrangente. não está escrito em lado nenhum na lei que não se possam repetir referendos, o que quer dizer, a contrario, que a lei permite que eles se repitam. é esta aliás a prática nos países onde a forma referendo está mais avançada, como a suiça. e no canadá, quantas vezes é que o québec votou já pela manutenção da federação? e na califórnia, não se votou já pelo menos duas vezes sobre os idiomas oficiais do estado? o contrário seria querer que o país ficasse para sempre sequestrado pelo resultado de um referendo que tem mais de seis anos, teve uma votação baixíssima e uma diferença mínima no seu resultado. o que no contexto democrático é uma aberração.
Afixado por: rui tavares em março 3, 2004 02:47 AMCaro Rui,
Essa da especificação é interessante: em 1982 o debate era entre a manutenção da lei absolutista e algo diferente. Não me parece que Portas defendesse a passagem do 8 para o 80, mas para algo intermédio. Bom, mas como estamos, eu e o Rui, a especular, é melhor ficarmos por aqui.
Quanto ao referendo: claro que não há posições ad eternum, mas estar a referendar a mesma coisa, com pouco tempo de intervalo, até o resultado dar o que nós querermos não me parece que seja da mais alta elevação democrática. Há que convir que a sociedade portuguesa de 1998 não é muito diferente da de hoje - logo, qual a justificação para o referendo? Combate político puro e duro?
Há um facto que convém não esquecer: a esquerda, em 1998, defendia que a lei deveria ser votada no Parlamento e foi o Engenheiro que lhe trocou as voltas e impôs a consulta directa.
Quanto à noção de aberração: foi o povo português que decidiu não votar. Da mesma forma, o que não falta são eleições, para órgãos de soberania, igualmente aberrantes, sem que por isso sejam ilegítimas.
Quanto às comparações com o Canadá, Noruega ou Dinamarca parecem-me algo deslocadas: aí referendaram-se motivos directamente relacionados com a soberania ou com a identidade nacional, não questões como a presente.
Cumprimentos.
Sabem o que é triste?
É que poucos entenderão a gravidade desta mudança de forma de estar na vida, de valores. Dirão: só não muda de opinião quem é burro.
Eu não fazia a menor ideia que ele tinha escrito isto. E estou abismado. Embora pensasse que dali já nada me surpreenderia.
A verdade é que surpreende...E muito. Demasiado.
Mas como alguém dizia supra: a verdade é que lhe caem em cima as verdades de outrora...
O Barnabé insiste em fazer uma viagem “down memory lane”. O Barnabé, o Bloco de Esquerda e o Dr. Louçã são neste momento a reserva moral da sociedade Portuguesa. Um exemplo de integridade e coerência para quem quiser (ou não) ver. Já sei que o Daniel, o Rui, o Celso e o André nunca, mas mesmo nunca, disseram bem do Camarada Estaline (viva a revolução do proletariado!) ou do Camarada Hoxha (vivam os não alinhados!). Eles nunca defenderam as nacionalizações, a reforma agrária, a descolonização às três pancadas, a claudicação face à ameaça soviética, a condenação do Solidarnosc como um movimento “reaccionário”. Nunca se regozijaram com as “vitórias” dos Khmer Rouge, MPLA ou Frelimo ou com as “conquistas” da revolução cubana. Não. Eles são democratas. De fato e gravata se for preciso. Não têm nada a ver com tudo de bom que 50 anos de Comunismo trouxeram, por exemplo, à Europa de Leste. Não querem colher os louros desse projecto grandioso de felicidade humana. Eles são humildes. Não têm nada a ver com a opressão Chinesa no Tibete nem com o imperialismo Soviético no Afeganistão. Não têm opinião definida sobre a Coreia do Norte (esse farol da humanidade!) e até gostam dos Americanos (desde que liderados pelo Howard Dean ou pelo Ralph Nader). Eles são, afinal, intelectual, política e integralmente honestos. Nós é que somos todos parvos.
Afixado por: poix... em março 4, 2004 12:41 AMAinda gostava de perceber o que tens contra a antiga União Soviética e o comunismo senhor poix.... É mentira que o regime socialista melhorarou imenso a qualidade de vida dos seus habitantes? É mentira que a URSS foi quem desempenhou o maior papel na luta contra o nazismo, tendo sido também o país que mais sofreu com ele? É mentira que a Rússia vivia muito melhor no regime socialista do que agora? É mentira que grande parte da culpa do colapso económico da Rússia resultou da guerra fria, em que os EUA isularam a URSS e forçaram-na a gastar milhões a desenvolver o seu armamento? É mentira que a URSS teve de se isolar, bem como outros regimes socialistas, por culpa dos EUA que tudo faziam para impedir que o comunismo triunfasse?