Portas diz que a lei, quando escreveu os artigos, era diferente.
Recorde-se: «Só por referência lembre-se, por exemplo, que em França foi uma liberal, assumida como tal, da maioria giscardiana, a senhora Simone Weil quem, contra os mais conservadores e os mais ortodoxos, impôs a lei do aborto.»
A lei de Simone Weil despenalizou totalmente o aborto. Ou seja: não, Portas não defendia a lei de 1984, defendia a despenalização do aborto.
Perfeito. Bate tudo certo. Agora estou plenamente convencido da justeza das minhas posições.
Afixado por: timshel em março 2, 2004 07:57 PMimaginem se ele tivesse um blogue nessa altura.. estava mesmo arrumado.. LOL
Afixado por: Boss em março 2, 2004 08:10 PMNão percebo o que é o Bloco de Esquerda e o seu braço direito Barnabé está a pôr em causa com estas revelações. É só um fait divers, um tablóide. Ainda por cima porqueó que se segue é óbvio: Portas atira à cara da extrema-esquerda a união soviética, as expropriações, os ataques aos direitos fundamentais dos cidadãos. No fim, o que é que se acrescentou ao debate sobre o aborto: nada.
Afixado por: Pedro em março 2, 2004 08:52 PMDos Equívocos de Uns, Da Hipocrisia De Uns E Outros
Esquerda e Direita tomaram esta questão do aborto como se de um jogo se tratasse. A extrema-direita (em Portugal existe verdadeiramente?, ou é só publicidade?) colou-se imediatamente à Direita formando um só bloco de direita. Uma espécie de jogadores suplentes para garantir a vitória do jogo.
Na relva do campo de jogo a bola é o bébé intra-uterino, a que todos os jogadores dão pontapés.
As balizas do campo foram nomeadas respectivamente Morte e Vida.
Os espectadores, neste jogo, são uma multidão de mulheres grávidas que aguardam se "podem" ou não atirar para o campo o seu bébé-bola, quando o bébé-bola que está a ser pontapeado no campo receber um pontapé mais forte que o atire para a bancada ou por cima das bancadas, e neste caso seja necessário substituir o bébé-bola.
Árbitro neste jogo não há.
Assim, tudo neste jogo é permitido aos jogadores das duas equipas.
Quando um dos bébé-bola é atirado para dentro de uma das balizas, toda a equipa do atirador festeja histericamente; e, histericamente grita para as bancadas para receber as palmas histéricas da respectiva claque.
Se o bébé-bola foi atirado para a baliza Morte e nela entrou, é imediatamente substituído por outro bébé-bola atirado por uma histérica das bancadas.
Se pela outra equipa foi atirado para a baliza Vida e nela entrou, é imediatamente reciclado em novo bébé-bola a ser pontapeado novamente a partir do ponto do meio-campo.
O mais curioso, neste jogo, é que quem defende a baliza Morte é a equipa que tem o nome Pela Vida; e quem defende a baliza Vida é a equipa que tem por nome Pela Morte.
Este jogo somente acaba por morte súbita.
Morte súbita de todos os jogadores.
Nesse momento, o último bébé-bola em campo sorri.
[Jeunet et Caro adorariam fazer um filme com este argumento]
Foi com surpresa que assisti a este exercício de demagogia infantil do Bloco. Pretender retirar algum efeito político de um texto com mais de 20 anos, quase inofensivo, e escrito por uma pessoa que tinha então 19 anos, é patético e só serve para valorizar o seu autor.
Obviamente um tiro ao lado do Bloco, mas quando se é muito activo corre-se o risco de errar mais vezes.
Se a moda da desculpabilização dos actos cometidos ou posições assumidas com 18 ou 19 anos de idade, pega, lá têm os legisladores de alterarem a lei, cuja idade a partir da qual qualquer jovem passa a ser imputável.
Afixado por: congeminações em março 2, 2004 10:15 PMÉ o que eu digo: a masturbação lúdica excita mais que a razão e o esclarecimento.
Afixado por: Dixit em março 2, 2004 11:39 PMComo é aquele ditado, sobre os burros e a mudança?
Afixado por: Alfredo Vieira em março 2, 2004 11:53 PMNão percebo a surpresa pelo tartufismo de Portas. Alguém porventura se tinha esquecido que Portas foi pró aborto (como mostram os textos) e anti-aborto, justiceiro e cangalheiro, pistoleiro e franciscano, europeu e nacionalista, criou o monteirismo, esfaqueou monteiro e foi "moderno" e tradicionalista ? Claro que não !
Neste particular, os portugueses conhecem tão bem Portas como conhecem os excelsos Avelino Ferreira Torres ou Alberto João Jardim.
Então, pergunto, porquê isto agora ?
Bem sei que para Louçã é da sua condição (não rodion ele não é nem populista nem demagogo), mas em Daniel Oliveira é que me espanta. Por muito que isso possa custar, o Barnabé não deve ser a página oficial do BE. O Daniel deveria resistir a essa tentação simplesmente por respeito pelos que o lêem e que estimam a sua seriedade intelectual.
Eu não acredito, sinceramente, que o Daniel Oliveira sacrifique a possibilidade de descriminalizar as mulheres que abortam por umas caixas noticiosas e um punhado de votos.
PAÍS ATRASADO
É muito atrasado um país onde ainda se discute quantos anos devem ir para a cadeia as mulheres pobres que não têm dinheiro para ir fazer um aborto legal a Badajoz!
O regresso da Inquisição é reviver um passado tenebroso. A liberdade não passa por este país atrasado.
Os ilustres deputados e deputadas do PP e do PSD além de sádicos e atrasados são burros e burras – que se pode esperar de uma maioria desonesta, mentirosa, corrupta e estúpida?! Sadismo e estupidez.
Além de vocacionado para o insucesso a Matemática este país 2004 está vocacionado
para a intolerância pseudo-religiosa. Liberais sim, mas desde que não haja liberdade. Igualdade sim, mas só para as mulheres que têm dinheiro para ir a Badajoz.
Não há fundos comunitários que nos tirem deste atraso inquisitorial terceiro-mundista -
santo atraso, santa ignorância a Geografia e a Lógica, santo sadismo, santa estupidez.
Cadeia sim, para o PSD e para o PP é sinónimo de modernidade, santa modernidade antiliberal e terceiro-mundista, santo atraso!!!
Real, como saberás tenho contacto em simultâneo com outras pessoas com algumas informações, até porque ajudo no trabalho de as tratar. Por isso, não me custa, quando têm interesse para além do partidário, divulga-las aqui. Achas mal? Onde devo auto-censurar-me? Explica-me.
Afixado por: Daniel Oliveira em março 3, 2004 01:17 AMA questão diz respeito ao último paragrafo do meu comentário.
Como tu és muito hábil, resolveste "habilmente" as minhas questões com o post "Tudo o que falta"
Apre, é dificil apanhar-te nas curvas ;)
Não gosto do Paulo Portas e desgosto tanto que tenho que fazer um esforço para não o odiar. Mas não gosto e isso é que importa para o caso.
Li três vezes os artigos, alguns trechos mais do que isso, mas não consigo, honestamente, inferir que ele defende a descriminalização completa do aborto.
Mas enfim, isto de interpretar um texto é sempre subjectivo. Desde logo porque nunca sabemos o que as outras pessoas pensam, não me parece que lá cheguemos mais depressa ou mais eficazmente com a interpretação do texto, tal como a faz o Barnabé, da qual discordo.