fevereiro 15, 2005

Doutrina Self service

«(...)estão hoje na ordem do dia opções políticas que defendem a constituição de pseudodireitos contra a vida humana (como o direito de abortar, as manipulações do embrião e a eutanásia). A estas opções, os católicos não podem dar o seu voto, sob pena de se excluírem da comunhão na fé e na doutrina da Igreja, definidas pela tradição, pelo Concílio e pelo ensino constante da autoridade. Nem se diga que é uma questão religiosa dos católicos, porque se trata de uma questão de direito natural - e ainda que fosse uma objecção religiosa, ela era da mesma maneira válida como objecção moral irrecusável para o seu voto. Corremos o risco de que venha um dia em que a humanidade lamentará a barbárie materialista de uma deriva contra a vida; mas os "homens e mulheres espirituais", na expressão de S. Paulo, não poderão ficar réus dessa barbárie mortal.» Mário Pinto, in Público.

O que seria das terças-feiras sem estas peças de sectarismo do sempre refrescante Mário Pinto. Claro que podiamos lembrar-lhe o apoio da Igreja Católica a várias ditaduras (como a portuguesa ou a espanhola)mas as barbaridades por estas produzidas não devem caber na doutrina nem no direito natural. Já para não falar da enérgica condenação do Papa João Paulo II à guerra preventiva contra o Iraque que ele tão alegremente apoiou. Mas ou a doutrina não inclui também este tipo de barbaridade ou o Mário Pinto estava de férias nessa altura. Acontece muito.

Publicado por celsomartins em
Comentários

aposto que este articulista sofre da doença da voz nasalada. Deve ser um karma, assim como aquele que faz com que os agentes da PSP vão ganhando sotaque beirão à medida que envelhecem.

Afixado por: Pedro Vieira em fevereiro 15, 2005 05:20 PM

terça feira negra, esta. como já não bastasse o dia televisivo recheado de referências a cerejeira e salazar ainda os ' comentadores do jornalismo de referência '...

Afixado por: pinto ribeiro em fevereiro 15, 2005 05:53 PM

ó camarada celso que se saiba o partido do camarada xico (psr/udp) ainda é uma grande apoiante do terrorismo (fp's, eta, ira, olp, etc) e que eu saiba ninguém fala disso.
e os camaradas do pcp tantos anos a louvar o camarada estaline que como todos sabemos em nada era diferente do hitler.
é a tal coisa dos telhados de vidro.

Afixado por: fidel em fevereiro 15, 2005 05:55 PM

Não sou católico, nunca fui, e como tal, estou livre das mais que justas acusações apontadas, e mais algumas que eventualmente poderiam ser apontadas, depois de séculos de Inquisições e Cruzadas, e outras barbaridades, perpetuadas em nome de Cristo.
Mas sou cristão, na verdadeira acepção da palavra, e como tal, não me posso demitir de algumas responsabilidades inerentes a semelhante epiteto: antes de mais, pugno pelo direito à vida, embora me pareça que a punição actual para as "prevaricadoras" roce mais o farisaismo do que os ensinamentos de Cristo ( creio que Paulo Portas se esqueceu daquela parte "quem não pecou, atire a primeira pedra"); e pugno também por uma sociedade mais justa, com maior consciência social e com um maior nível de justiça redistributiva.
Serve portanto este humilde comentário para justificar a defensabilidade de um cristão e das suas crenças, pois o verdadeiro cristianismo não tem telhados de vidro.

Afixado por: Danny em fevereiro 15, 2005 06:23 PM

O que vos deu hoje para dizer mal da igreja católica? É algum fenómeno epidémico? Ou é só por ser politicamente correcto?
Deu-vos algum ataque de raiva anti-clerical (lembro que já não estamos no período pré republicano...).
Não me lembro de ver no barnabé tanto ódio destilado contra a mesma instituição no mesmo dia; acho que nem mesmo Santana Lopes mereceu tal deferência.

Afixado por: oquetuqueresseieu em fevereiro 15, 2005 06:37 PM

O dito cujo é director de uma faculdade. Não põe lá os pés nunca para trabalhar. Garanto-vos. Deve passar a semana a refletir na barbárie que há-de vir...

Afixado por: Hoka Hei em fevereiro 15, 2005 07:08 PM

O facilitismo intelectual é inimigo da razão e bom senso. Condenar os outros é fácil, dizer que são pró-vida, é para mim de uma desonestidade absurda. Pois então quem são os outros, serão os contra-vida. Parece que para a igreja a vida é um valor absoluto mas se for contextualizado em outras situações parece carregado de uma subjectividade assustadora. Sou a favor da despenalização do aborto e quem não percebe que isso não significa o desrespeito pela vida devia pelo menos gastar o seu precioso tempo a pensar no que os outros pensam e não se fecharem em copas sobre as suas verdades absolutas e como tal inquestionáveis. Eu respeito aqueles que defendem incondicionavelmente a vida e mantém essa coerência para outras situações. A pluralidade não é pecado.

Afixado por: João Dias em fevereiro 16, 2005 12:23 PM