Dia 20 é já amanhã e as grandes questões parecem ser se o PS merece, ou não, a maioria absoluta, e se ela é benéfica para o país. Darei a minha opinião sobre ambas.
Dos partidos grandes diz-se hoje que são feitos da mesma massa. Não concordo com isto mas nem me vou perder por aí (quero ser breve). Há incontestavelmente uma grande diferença, pelo menos em termos históricos. O PSD esteve dez anos consecutivos no poder, 8 dos quais com maioria absoluta. O PS, o centro-esquerda, nunca teve essa experiência. Não se podem pedir, portanto, as mesmas contas a um e a outro. A própria ideia que hoje fazemos de maioria absoluta é totalmente influenciada pelo mau uso que dela fizeram o PSD e o professor Cavaco Silva. Como tal parece-me precipitado julgar uma cultura socialista de poder com maioria absoluta.
Como teriam sido os governos Guterres com maioria absoluta? Não sei. Mas sei que com maioria relativa nos deram ministros vulgarmente considerados muito bons: Mariano Gago, Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso, Correia de Campos, Santos Silva ou, espante-se, Sócrates, entre outros. Gerir ministérios “pequenos” (Cultura, Ambiente ou Ciência, por exemplo) com maioria relativa não será propriamente fácil, mas dirigir os “grandes” ministérios (Saúde, Educação, Finanças ou Justiça) nessas circunstâncias é tarefa ciclópica, devido ao poderosíssimo aglomerado de interesses que afrontam (ainda assim foi notável o trabalho de Ferro Rodrigues na Segurança Social, que Durão-Santana-Bagão-Portas praticamente reduziram a cinzas). De maneira que a pergunta mantém-se: o que seria um governo PS com maioria absoluta? Não sei nem ninguém sabe, mas o passado não lhes retira o benefício da dúvida, na certeza porém de que nenhum governo estará isento de erros e, como tal, isento de crítica. Não nos iludamos.
Passemos aos partidos pequenos. O CDS aceitou ser poder e foi, o PCP predispõe-se a sê-lo, o BE não. Consideram os bloquistas que dar uma maioria absoluta a Sócrates é passar-lhe para a mão um cheque em branco. Mas há que ver que um governo de maioria relativa dependente dos humores do BE para acordos parlamentares é exactamente o mesmo: outro cheque em branco. Mas desta vez nas suas mãos.
Existem vários tipos de voto, todos legítimos. Há por exemplo quem vote para viabilizar um governo, para viabilizar políticas que resolvam problemas, de acordo com um corpo de ideias que os partidos preconizam nos seus programas e núcleos ideológicos. Mas há também quem vote pretendendo apenas fortalecer uma oposição que seja credível, esclarecida e consistente. Só que nas actuais circunstâncias, tendo em conta a forma como as cartas foram postas na mesa pelos partidos, é um luxo votar apenas para uma oposição competente. É preferível votar para um governo melhor.
Para concluir, é então perfeitamente natural que o PS peça, (ou exija, chamem-lhe o que quiserem, é apenas uma forma de pôr a tónica na ideia de que governarão melhor dessa maneira) a maioria absoluta. Em primeiro lugar, é para isso mesmo que se fazem campanhas eleitorais, e em segundo, Sócrates já afirmou que não virará a cara ao país nem amuará caso não a obtenha. Não há portanto aqui chantagem alguma. Há apenas política. E se é para varrer a direita do poder, é bom que seja no mínimo por 4 anos.
Publicado por nunosousa em"Existem vérios tipos de voto, todos legítimos".
Eu voto para eleger deputados que melhor defendam as minhas ideias, que apresentem leis na assembleia com as quais eu mais concordo. Por isso voto BE. É-me indiferente que o PS tenha ou não a maioria absoluta.
Acho curioso que a gente de esquerda esteja sempre a queixar-se das "políticas de direita" do PS.
Depois, perante os resultados eleitorais, contam sempre a votação do PS no lado esquerdo.
Em que ficamos?
Afixado por: cbs em fevereiro 19, 2005 02:06 PMA verdade, cbs, é que o PS é sempre de esquerda quando está na oposição, e sempre..., hum, de centro (vá lá, não quero ser excessivo) quando está no governo. Com algumas políticas francamente de direita. E É SEMPRE ASSIM. Pena que as pessoas tenham memória fraca. Lembram-se de Guterres dizer, no principio, que o governo dele era o mais à esquerda desde o 25 de Abril? Viu-se.
Afixado por: JPT em fevereiro 19, 2005 02:52 PM"Há por exemplo quem vote para viabilizar um governo, para viabilizar políticas que resolvam problemas, de acordo com um corpo de ideias que os partidos preconizam nos seus programas e núcleos ideológicos. Mas há também quem vote pretendendo apenas fortalecer uma oposição que seja credível, esclarecida e consistente."
Essa é uma das principais razões de eu ter alterado o meu voto no BE para o PS. Além de que se toda a gente lesse as bases programáticas dos partidos não teria tantas dúvidas em escolher o voto. O programa do BE é bom para um partido em crescimento mas o do PS é o único que merece ser posto em prática. Vitorino no seu melhor.
concordo inteiramente com beren.
Afixado por: Francisco Curate em fevereiro 19, 2005 03:50 PMGueterres, Ferro Rodrigues e ... Paulo Pedroso ... Sim, sim, sobretudo esse !
Afixado por: Isabel Coutinho em fevereiro 19, 2005 04:23 PMCom este tipo de argumentação ainda te hei-de ver de calças na mão todo borrado.
Defendes 4 anos no poder. Onde está a moral se não dás ao adversário político os mesmos 4 anos.
Realmente os xocialistas são mesmo uma desgraça. O pior é que somos nós a pagar as asneiras. Qualquer dia nem 2 cavacos chegam para endireitar esta gaita
Xô dona Isabel Coutinho, nunca é tarde para aprender a escrever "Guterres"!!!
Qualquer sopeira sabe escrevê-lo!