Parece que a APAV vai ser vítima do desprezo pelas vítimas em Portugal. É o humanitarismo baratucho à portuguesa no seu pior.
Ficamos chocados quando descobrimos que a maior parte dos países europeus civilizados têm prevista nos seus códigos a pena de prisão perpétua, ou algo parecido, como a acumulação de penas para os crimes mais graves. Mas esse humanitarismo nacional face aos criminosos condenados sai barato: quanto mais depressa o Estado se livrar deles menos despesa dão. Claro que a reabilitação, sobretudo dos que foram levados a um qualquer extremo violento num momento excepcional e foram castigados por isso, é importante e deve ser valorizada. Mas do que se trata aqui é do humanitarismo menos evidente e igualmente caro e trabalhoso de criar estruturas de apoio para as vítimas de crimes violentos.
Ai continua a haver um enorme caminho a percorrer. Isto diz-nos respeito a todos. Não é só o Estado que está a falhar aqui. Quanto manchetes escandalizadas teríamos se se tratasse de uma história de sangue fresco? Quanto donativos se se tratasse de vítimas de um desastre algures no Mundo?
Publicado por bruno cardoso reis emNem mais. E porque não começar com o pequeno gesto de aderir ao Cartão Solidário, por uma quantia módica anual e com direito a descontos em lojas (com uma percentagem dessa quantia para as associações em causa). Ver em: www.solidario.com.pt
confesso que não percebi: defendes ou criticas o limite máximo de 25 anos que a lei portuguesa põe. pessoalmente sou contra, mas este cúmulo jurídico é considerado uma conquista da esquerda...
Aliás é interessante que a nossa lei tem imensas garantias para os arguidos (e bem...), mas as medidas para protecção das vítimas são muito díficeis de aplicar, ou levam tanto tempo em casos manifestamente urgentes que na práctica é como se não existissem. Atente-se por exemplo no caso da violência doméstica o tempo que leva a afastar o agressor das vítimas, e a falta de estruturas de apoio que estas têm.
Afixado por: João Gundersen em fevereiro 24, 2005 03:23 PMMas o fantasmagórico disto tudo na APAV, associação que muito prezo, é que o seu Vice-Presidente é o actual Director-Geral dos Serviços Prisionais, nomeado por Celeste Cardona...
Investiguem...
Infelizmente em Portugal não há uma verdadeira lei das imcompatibilidades.
Percebem?
Afixado por: Loui em fevereiro 24, 2005 07:09 PMA APAV é um projecto pessoal do actual Director-Geral dos Serviços Prisionais e, secundariamente, serve para apoiar vítimas de crime.
À partida serve para branquear a imagem do dito.
Se a APAV e o um projecto tao pessoal do Director Geral dos Servicos Prisionais, porque e que esta em dificuldades?
Acho que as pessoas deviam ser mais cuidadosas com os cargos que acumulam, mas nao penso que o interesse pelas vitimas iniba alguem de ocupar um cargo daquele genero (eventualmente deixando a APAV). Acho tambem que todos deviamos ter mais cuidado com as teorias da conspiracao.
Sobre a acumulacao de penas... isso seria outra conversa, ainda que eventualmente necessaria. Sobretudo sou contra as limitacoes quase automaticas e muito substanciais no cumprimento efectivo das penas relativas as crimes violentos.
Afixado por: bruno cardoso reis em fevereiro 24, 2005 09:39 PMEstá em dificuldades porque estamos numa lógica neoliberal em que tudo deve ser entregue à sociedade civil, "demintindo-se" o Estado de determinadas funções essenciais.
Topas?
O homem joga em dois tabuleiros...
Topas?
Afixado por: Robes em fevereiro 25, 2005 12:26 AMSerá que sou só eu que noto a coincidência entre a mudança de governo e o rol de queixas dos lobbies do costume?
Parece que sim... Continuem, continuem. Alguém há-de pagar...
Afixado por: Pedro Oliveira em fevereiro 25, 2005 06:07 PMDesculpem lá, mas este post é um bocado para o parvo e a atirar para a demagogia e o reaccionarismo. Coisa frequente nos post do sr. Bruno Reis, diga-se de passagem...
Afixado por: André Militão em fevereiro 27, 2005 12:45 PM