Uma das formas que a indignação com os atentados de Madrid tem assumido, com a confusão estabelecida em torno da autoria, é a ideia de que, no limite, "não importa saber quem foi o responsável pelos crimes". "Se não foi a ETA, podia ter sido". "O terrorismo é todo igualmente repugnante, é igual em Madrid, Nova Iorque ou Bagdad". Esta ideia compreende-se como recusa total da matança de inocentes, e nesse sentido todos a subscrevemos. Mais ainda: podemos e devemos alargar a geografia do terrorismo a outras matanças de inocentes perpetradas por Estados e exércitos ocidentais. Mas, restringindo-nos apenas ao terror do 11 de Março, como é evidente, e por diferentes razões, tanto para a polícia, como para o governo espanhol, como para os familiares das vítimas, como para os cidadãos espanhóis, europeus e do mundo, não é nada indiferente saber se o responsável foi a ETA ou a Al-Qaeda ou ambos. Queremos saber quem é este criminoso e como preparou e executou os seus crimes. E, para além de apanhá-lo, queremos compreender as diferentes lógicas do terrorismo, seja ele "basco" ou fundamentalista islâmico. Compreender a sua lógica é compreender como e onde ele actua, de onde vem, de que factores sociais e políticos se alimenta, onde encontra armas e dinheiro, por que é que há gente disposta a sacrificar a própria vida para matar. Compreender isto é um trabalho racional que visa encontrar a melhor maneira de combater o terrorismo e não tem nada a ver com uma sua justificação. Se a polícia e os militares o fazem, é fundamental que os políticos e os cidadãos também o façam, precisamente para que essa tarefa não fique apenas entregue a polícias e militares. Quando se diz que quem quer compreender o terrorismo o está a justificar sob uma qualquer forma de relativismo, está-se a fazer uma amálgama inaceitável entre o plano moral (o terrorismo é inaceitável) e o plano do combate político (o terrorismo tem uma lógica e é preciso compreendê-la para o combater). Desta amálgama saiu uma das linhas de argumentação surgidas depois do 11 de Setembro e ela tem como corolário a ideia de que ao terror só se pode responder com a guerra e o seu inevitável terror e de que qualquer outra forma de resposta política, atacando as fontes onde o terrorismo recruta, é irrealista.
Publicado por andrebelo em | TrackBackEis tudo (até que enfim!)
Afixado por: Zézéca em março 14, 2004 10:39 AMNão é importante saber se a autoria foi da ETA ou
da Al Qaeda, nada de mais errado invocar. Para os
espanhóis e só para esses é absolutamente importante saber qual dos dois. Sempre se ouviu dizer e há-de continuar a acontecer que quem brinca com o fogo queima-se.
Gostei André. Acho que vocês deveriam ler os artigos que o www.Javier Ortiz.net tem escrito sobre o assunto, nomeadamente o Daniel com aquela repugnância a raiar o politicamente correcto do "a culpa não é do Aznar", pois não! Uma frase no texto de hoje do Ortiz: "Se os espanhóis tivessem chorado sinceramente os mortos iraquianos talvez não chorassem hoje os espanhóis", é a alter-globalização, digo eu.
Afixado por: filinto em março 14, 2004 10:57 AMEste post do André misturado com a clareza do post «Está tudo a ficar doido?» do Daniel são realmente muito bons. Mais do que isso é querer tirar demasiados dividendos políticos!
Afixado por: Pedro Lino em março 14, 2004 11:02 AMÉ importante saber quem foi o autor do ataque? concordo; é igualmente condenável, quem quer que o tenha perpetrado? concordo.
Atacar o terrorismo com armas é errado? Só concordarei no dia em que me apresentarem uma alternativa. O que sugerem? Diálogo? Cedências? De que tipo? Não acabariam elas por justificar novos atentados, por qualquer grupeco que achasse que deveria reinvindicar algo através da morte de inocentes?
Há muito que se padronizou, em certas situações de chantagem com reféns, nunca ceder aos intentos dos terroristas (falo em menor escala de propósito), para não incentivar uma ideia de se tratar de um recurso de sucesso. É um pouco o não ceder hoje para não ter ainda mais chatices, e cedências, amanhã.
Essa do brincar com o fogo é boa...
Eles, os espanhóis (em geral), através do seu estado eleito maioritariamente, assumiram, bem ou mal, uma política clara e corajosa relativamente ao terrorismo aquando da tragédia do 11 de Setembro. Não "relativizaram". Estiveram do lado das vítimas, bem ou mal. E foram inflexíveis na condenação e procura de punição a quem engendrou aqueles actos. Hoje assumem-se, dignamente, como vítimas.
Claro que há países que não correm o risco de "se queimar".... Ou será que estou enganado? Devíamos ter cuidado com as expressões que usámos. Sobretudo as que se podem confundir com uma profunda cobardia e falta de solidariedade, a troco de uma segurança assustada e precária.
O terrorismo não se combate, unicamente, com manuais de sociologia... Combate-se com acções concretas de desmantelamento de grupos que são contra o paradigma da sociedade ocidental, democrática, livre e civilizada...
Afixado por: Peixoto em março 14, 2004 11:36 AMSituei-me propositadamente na luta contra certo tipo de argumentos, não nas alternativas. De qualquer modo, penso que, ao se dizer que não há alternativas à guerra, não se está apenas a dar uma opinião, está-se também a querer impossibilitar essas alternativas.
Quando o diálogo e as cedências são possíveis, sim, viva o diálogo e as cedências. Mas só quando se fazem no respeito do diálogo e das cedências. Não sendo esse o caso, há outro tipo de combate ao terrorismo que pode oferecer alternativas. Não são panaceias nem são fáceis. Mas, no caso do terrorismo islâmico que é o mais perigoso e difícil de combater, dois não foram tentados ainda seriamente: um combate às redes financeiras que sustentam o terrorismo, combatendo os cúmplices do "lado de cá". Um combate pela resolução política da questão israelo-palestiniana, que reponha a justiça e respeite as resoluções da ONU. Estou convencido de que esta última diminuiria bastante os potenciais fócos de terrorismo.
Ah, e, claro, não fazer a guerra ilegalmente a estados culpados de muitas coisas horríveis mas não de envolvimento no terrorismo internacional dos nossos dias.
Afixado por: André Belo em março 14, 2004 11:38 AMAÇORES – A CIMEIRA DOS CAIXÕES
A cimeira dos Açores Bush-Blair- Durão Barroso proclamou a toda a Humanidade o Fim do Direito Internacional e o PRIMADO ABSOLUTO DA FORÇA- VIOLÊNCIA-TERROR-HORROR-SOFRIMENTO-DESTRUIÇÃO-MORTE- FUNREAIS E CAIXÕES!!!
Foi proclamada solenemente VIVA A GUERRA, VIVA A MORTE, VIVAM OS CAIXÕES!!!!!
Esta guerra colonial-racista e «preventiva» desalojou as companhias petrolíferas francesas, alemãs e russas em benefício das petrolíferas norte-americanas – no mínimo teremos que chamar a esta guerra CONCORRÊNCIA DESLEAL!!!
A INDÚSTRIA DOS CAIXÕES saiu altamente beneficiada! Só mouros e mouras iraquianos (as) foram mortos (as) mais de 40 mil!!!
Eduardo Lourenço, um dos poucos pensadores portugueses que reflectem sobre a realidade real, classificou esta mortandade de mouros de genocídio, dada a desproporção de forças militares. Acrescentou que as Divisões Mediáticas do Pentágono, portuguesas incluídas só contam falsidades sobre esta guerra!!!
Rumsfeld disse que os aviões B-52 com as suas potentíssimas bombas “inteligentes” de fragmentação iam implantar o TERROR!!! Esqueceu-se até de falar nas armas químicas norte-americanas, isto é o chamado Napalm século XXI, que foram usadas no Sul do Iraque – as pessoas atingidas são queimadas vivas, isto é «purificadas» dos seus pecados!!!!!
Esta «barbárie em nome da democracia» como a classificou Eduardo Lourenço chocou muita gente.
O papa João Paulo II, que não é esquerdista, condenou veementemente esta guerra maldita! E foi ignorado pelos políticos da Direita «Católica», como se não existisse, como se já tivesse morrido!!!
Os familiares e amigos dos 40 mil mouros iraquianos exterminados vingam-se como podem – nesta guerra Vale Tudo, rege-se pela Lei da Selva, solenemente proclamada nos Açores por GW Bush-Blair- Durão Barroso-Aznar!!!!!
Espanhóis que odiavam Bush, Blair e Aznar já morreram tragicamente em Madrid nesta guerra petrolífera!
Durão Barroso, Paulo Portas e José Lamego, autorizados pelo Presidente da República Jorge Sampaio esforçam-se ao máximo por trazer essa guerra bárbara para solo português!!! Esperemos qu não consigam.
Como disse o Blog de Direita «Bloguítica» o que importa é saber se a GNR cumpriu o seu dever no Iraque, textualmente «naõ seria, por exemplo, mais interessante saber se a sua presença em Nassiriyah cumpriu os objectivos políticos e militares inicialmente delineados?» (pb PG, 11.03.2004-20.57)!!! Como se Portugal tivesse o dever de invadir, colonizar e policiar o Iraque, mas não tem! Tinha o dever de não entrar nessa guerra colonial-racista-petrolífera!!!
A coligação PP-PSD segue à risca a política financeira de Salazar, nomeadamente para a Função Pública. Devia era seguir Salazar relativamente às guerras das grandes potências e recusar entrar na guerra do Iraque como Salazar recusou entrar na II Guerra Mundial, esta recusa foi o acto mais inteligente de Salazar, mas a Direita Portuguesa Actual não percebe isso!!!
Esperemos que a Guerra do Iraque não chegue a solo português.
Diz Alfredo Vieira "(...)os espanhóis (em geral), através do seu estado eleito maioritariamente, assumiram, bem ou mal, uma política clara e corajosa relativamente ao terrorismo aquando da tragédia do 11 de Setembro. Não "relativizaram". (...) foram inflexíveis na condenação e procura de punição a quem engendrou aqueles actos. (...) Claro que há países que não correm o risco de "se queimar"....(...)" O que é que isto quer dizer?! Que por exemplo a França e a Alemanha relativizaram? Que não têm ajudado no desmantelamento das redes terroristas?! O Alfredo Vieira ainda acredita que a invasão do Iraque era um acto essencial no combate a essas redes: porque se calhar até que o Saddam colaborava com a Al Qaeda; porque se calhar ele até tinha ADM para dar à Al Qaeda?! A invasão do Iraque foi essencial para combater o terrorismo, e se não tivesse acontecido atentados muito piores tinham tido lugar? É isso?!
Quanto à procura de explicações para o terrorismo. Quem foram os comentadores que no último ano têm martelado constantemente na tecla que o fundamentalismo islâmico resulta em parte do facto de não haver sociedades democráticas nos países árabes, e que portanto a invasão do Iraque foi necessária para começar a proceder à democratização do Médio Oriente?? Se eles achassem que o terrorismo deve-se combater apenas com a força, teriam defendido a instalação/manutenção de regimes despósticos seculares nos países islâmicos que pudessem fazer o trabalho sujo pelo Ocidente e erradicar de vez com o fundamentalismo islâmico, independentemente de quantos inocentes morressem. O Saddam daria então imenso jeito. Porque é que não defendem isso?? Será que é porque sabem que há factores que potenciam o aparecimento de terroristas, sendo a falta de diálogo em democracia apenas um entre muitos, e que tentar desactivar esses factores TEM de acontecer em simultâneo com um combate eficaz aos grupos terroristas existentes. Serão os neo-conservadores afinal perigosos esquerdistas defensores da existência de razões para o terrorismo?? Será Bush com o seu recente "plano" para democratizar o Médio Oriente um infiltrado do BE na Casa Branca?...
Uma nota final para relembrar que o Ocidente perdeu uma oportunidade única nos anos 50 e 60 ao combater o surgimento de regimes árabes ferozmente seculares, modernizadores e nacionalistas, inimigos declarados da influência do islâmismo nas suas sociedades. Não eram democracias, não, longe disso, mas poderiam ter evoluído para tal se o Ocidente os tivesse incentivado. Porque não o fez? Porque sendo nacionalistas queriam controlar os seus recursos naturais, nomedamente o seu petróleo. Para as companhias ocidentais isso era inaceitável. Daí o Ocidente ter-se oposto fortemente à propagação do "virus" nacionalista pelo mundo árabe, preferindo apoiar por todos os meios as oligarquias do Golfo Pérsico as quais se baseavam e ainda baseiam numa interpretação fundamentalista da religião islâmica para se manter no poder. Exemplo mais claro não há do que o do Irão. Onde nos anos 50 houve um golpe de estado por forças seculares e nacionalistas, que nacionalizou toda a indústria do petróleo, e que foi ferozmente hostilizado pelo Ocidente, culminando no golpe de estado orquestrado pela CIA e que repôs o Xá no poder, abrindo as portas à revolução islâmica de Khomeni.
Afixado por: viana em março 14, 2004 12:44 PMandré: estou como o primeiro comentador: disseste tudo sobre o assunto de que tratavas. agora os teus adversários vão culpar-te pelos assuntos que não resolveste (entre os quais a fusão a frio e os acidentes nas estradas) pela simples razão de que não têm como responder a limpidez deste raciocínio. a seguir, quando já tiver passado esta discussão, voltarão a insistir na amálgama entre o plano moral e o plano político. uns mais sinceramente, outros mais porque acham que assim tramam o seu ódio de estimação, a "hipocrisia" da esquerda. e assim se vai metendo num ghetto esta gente que julga que é mais realista do que os outros. espera-os um amargo despertar, e esse só há-de vir pelo intermédio de uma noite de contagem de votos. oxalá que fosse hoje à noite em Espanha (não acredito: veja-se o caso do referendo do euro na suécia, ou das eleições presidenciais portuguesas depois da morte de Sá Carneiro – as pessoas não devem ter alterado muito o seu voto, e ainda bem). se não, que seja em novembro nos EUA.
Afixado por: rui tavares em março 14, 2004 01:10 PMO que me mete mais impressão em toda esta situação é uma recusa: a recusa das pessoas perceberem que este tipo de ataques é algo com que temos de aprender a viver. Não existe forma de evitá-los. Como evitar que meia-dúzia de pessoas entrem num comboio com mochilas às costas? Identificando-as? Vigiando-as ao longo de toda a vida? Fazendo perfis em que a margem de erro significa centenas de mortes?
Afixado por: João Miguel Neves em março 14, 2004 01:50 PMAndré Belo: um forte abraço pelo lucidez do texto bem complementado pelo teu comentário ali mais acima. Não podia estar mais de acordo.
Vamos precisar de muita inteligência, determinação e acima de tudo muita paciência e sensatez para resolver este problema que nos há-de acompanhar por longos anos.
Zé: liga o telemóvel que está desligado: o que é que se passa com o frigorífico?
Afixado por: zeca em março 14, 2004 02:55 PMJ. Silva faz a análise mais estúpida que já vi!
Não é que a culpa do obscurantismo medieval islãmico, do seu imobilismo e do seu terrorismo integrista é dos americanos & cia!!! Haja paciência! Estão a ficar muito parecidos com blogues como o fascismoemrede!!
Tenham juízo!
Parabéns André. Gostei sobretudo na inserção da sociedade civil na compreensão da origem do terrorismo. A sociologia de facto poderia ter um papel activo e preponderante nesta matéria, e poderia ser um passo à frente no combate a este flagelo.
Afixado por: Major Alvega em março 14, 2004 06:23 PMViana
Não relativizei assim tanto no meu comentário. Nem me debrucei sobre a justiça ou não da deposição de Saddam do Iraque. Para isso existem milhões de posts e comentários mais atrás neste blog, como pode ver nos arquivos.
Tinha a ver com Espanha, o seu atentado, e a acusação que lhe fazem de se "ter queimado" (podiam dizer "bem feita", mas para já têm vergonha).
E relativamente a esse ponto, e só a esse ponto, digo, tiveram sempre uma posição clara e linear.
E quer menos relativismo do que isso?: se a sua mãe (ou o seu filho) for pelos ares e você quiser punir os culpados (lembre-se de não relativizar neste ponto, estamos a falar de questões de príncípios), haverá os que estarão do seu lado, e os outros. Quando muito, o Viana é que relativizou com os mortos das duas torres, apesar de eu compreender que com as mortes dos outros podemos nós bem...
Ainda se me acusasse de ser simplista!
Só que aí dir-lhe-ia: mensagens simples são por vezes as mais honrosas e dignas. E, a meu ver, as únicas que contam em situações de catástrofe como essas.
Bem haja Espanha. Estou duplamente rendido, à tua dor e à tua dignidade.
Viana...
Quanto à sua mensagem (post-crítica)
Muitos países, aquando do 11 Set, tiveram medo da sua opinião pública, por diferentes razões (taxa de muçulmanos, eleitoralismo, etc...); tiveram também medo da perda de influência e dos seus interesses num país como o Iraque.
Quanto ao segundo parágrafo, obviamente que a linha de orientação de um país relativamente a uma região como o Médio Oriente pode e deve mudar após um atentado como o que se verificou em NY.
Quanto ao último parágrafo, acredito que os EUA pudessem ter feito muito mais pelos países árabes. Claro que tinham a URSS com que se preocupar, e foi isso que delineou toda a sua política de defesa até 1990, como bem sabe. O "problema árabe" é recente, nas nossas agendas. Quanto ao demais texto, nada a dizer. Só uma nota para duvidar seriamente que o interesse dos EUA no Irão seja o petróleo. Não me parece. Sobretudo quando se tem (tinha...) o Iraque...
Na guerra como no jogo, seja o xadrex ou a moeda é importante tentar compreender o raciocínio do outro.
É importante saber quem ataca. Todos estamos contra o terrorismo. TODO.
Mas para combatê-lo, não é duma forma qualquer.
A pnemenia não se cura atacando a febre.
O terrorismo não se resolve com tiros seja de espingarda ou de míssil, é preciso resolver as causa.
Afixado por: Joao Norte em março 14, 2004 06:46 PME como é que se faz isso, concretamente?
Afixado por: Alfredo Vieira em março 14, 2004 07:21 PM
Viva, André.
Gostei do texto. Acho que devemos de facto distinguir entre o plano moral que nos leva a considerar inaceitável qualquer tipo de terrorismo e o plano político que nos leva a compreender a lógica de cada terrorismo para melhor combatê-lo.
E devemos responsabilizar os Governos pelo fracasso ou sucesso das suas políticas no combate ao terrorismo.
Os erros e fracassos do Governo de Aznar parecem evidentes, nomeadamente os mais óbvios:
a) Justificar uma guerra ao Iraque com a destruição de armas de destruição maciça que nunca se provou que existissem e atribuindo ao Governo Iraquiano o ónus de provar a sua inocência;
b) Justificar o guerra ao Iraque como um golpe no terrorismo internacional. Pelo contrário, os atentados de Madrid mostram que o terrorismo internacional alargou o seu âmbito de acção;
c) Não ser capaz de impedir o atentado de Madrid, depois no sucesso de decapitação da ETA.
A atribuição inicial de culpas à ETA foi um «acto falhado» do Governo de Madrid. Se iam para a guerra tinham de preparar a opinião pública para todas as consequências possíveis dessa decisão, incluindo esta.
Estes erros e fracassos justificam um acto terrorista ? Claro que não - justificam a substituição do Governo espanhol; justificam a adopção de uma outra política que reduza a base de apoio ao terrorismo, que refute os seus argumentos acerca dos interesses económicos ocidentais no Médio Oriente e de uma política ocidental cega ao ponto de vista palestiniano no conflito israelo-árabe.
Subescrevo.
Muito bem.